O que é
Juros compostos são os juros calculados sobre o saldo devedor que já inclui os juros de períodos anteriores. Na prática, é o famoso "juros sobre juros": a cada período, a base de cálculo cresce, porque soma o valor original mais o que já foi acumulado.
É diferente dos juros simples, em que a taxa de juros incide sempre sobre o valor inicial. No regime composto, o valor tende a crescer de forma mais acentuada com o passar do tempo.
Como funciona
Imagine um valor que rende ou é cobrado a cada período. No primeiro período, os juros incidem sobre o valor de partida. No período seguinte, incidem sobre o valor de partida somado aos juros do período anterior. E assim por diante.
Dois fatores pesam muito no resultado final:
- A taxa de juros: quanto maior, mais rápido o saldo cresce.
- O prazo (número de parcelas): quanto mais tempo, mais os juros se acumulam sobre si mesmos.
Por isso, o efeito dos juros compostos fica mais visível em prazos longos. Um período curto mostra pouca diferença em relação aos juros simples; períodos longos mostram muita.
Onde isso aparece no crédito
A maioria dos financiamentos e empréstimos no Brasil usa regime composto. Nos sistemas de pagamento como o Sistema Price (Tabela Price) e o Sistema de Amortização Constante (SAC), os juros de cada parcela (prestação) incidem sobre o saldo devedor que ainda resta — e esse saldo diminui conforme você faz a amortização.
Por isso, entender juros compostos ajuda a enxergar por que:
- Quitar mais cedo (quitação antecipada) costuma reduzir o total de juros, já que sobra menos saldo para acumular.
- O CET (Custo Efetivo Total) é o número que reúne juros e demais custos, e é o melhor jeito de comparar propostas.
- Alongar o prazo pode reduzir a parcela, mas tende a aumentar o total pago no fim.
Custo de oportunidade
Os juros compostos também explicam o custo de oportunidade: o dinheiro que rende ao longo do tempo pode crescer de forma composta. Por isso, comparar o custo de um crédito com o que o dinheiro renderia ajuda a decidir com mais clareza.