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13º do INSS 2026: por que a 2ª parcela vem menor

Entenda por que a 2ª parcela do 13º do INSS chega menor em 2026, veja o impacto do IR por faixa de benefício e como planejar o uso do valor.

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Anderson Coelho

📖 11 min de leitura

Todo fim de ano, milhões de aposentados e pensionistas do INSS começam a contar os dias para a chegada da segunda parcela do 13º salário. E quase sempre vem a mesma surpresa: a quantia depositada é menor do que a recebida em agosto ou setembro. Em 2026, essa diferença voltará a aparecer no extrato — e, dependendo da faixa de benefício, o desconto pode parecer ainda mais salgado.

Neste guia, explicamos de forma direta por que a segunda parcela do 13º do INSS chega reduzida, quanto cada grupo de segurado deve receber, como funciona o desconto do Imposto de Renda sobre o abono anual e o que vale a pena fazer com esse dinheiro extra, incluindo o cuidado redobrado na hora de pensar em empréstimo consignado.

O que é o 13º salário do INSS e como ele é pago em duas parcelas

O 13º salário, também chamado de abono anual, é um pagamento extra garantido por lei a quem recebe benefícios previdenciários de natureza substitutiva da renda. Isso inclui aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria por invalidez (atual aposentadoria por incapacidade permanente), pensão por morte, auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária) e auxílio-acidente.

O benefício é pago em duas parcelas. A primeira corresponde, em regra, a metade do valor do benefício mensal, sem desconto de Imposto de Renda. Já a segunda parcela completa o valor total do 13º, mas é dela que sai o desconto do IR sobre o abono anual — e é exatamente por isso que ela costuma chegar menor à conta do aposentado.

Vale destacar que nem todo segurado do INSS tem direito ao 13º. Quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), por exemplo, não recebe o abono, porque o BPC tem natureza assistencial, e não previdenciária. Ainda assim, o BPC continua sendo um benefício importante pago pelo INSS — e, ao contrário do que muita gente acredita, ele pode, sim, ser usado para empréstimo consignado por previsão legal, embora a oferta dessa modalidade esteja bastante reduzida hoje no mercado, como detalharemos mais adiante.

Por que a 2ª parcela do 13º do INSS vem menor em 2026

A principal razão para a segunda parcela do 13º do INSS chegar reduzida em 2026 é o desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte. Quando o aposentado ou pensionista recebe um benefício acima da faixa de isenção, a Receita Federal cobra o imposto sobre o abono anual — e a regra prevê que todo esse desconto seja aplicado de uma vez só, na segunda parcela.

Na prática, isso significa que o valor bruto da segunda metade do 13º é o mesmo da primeira, mas, depois da retenção do IR, o que cai na conta fica menor. Quanto maior for o benefício, maior será a alíquota incidente e, portanto, maior será o desconto aplicado nessa segunda parcela.

Além do Imposto de Renda, em 2026 alguns segurados podem perceber diferenças adicionais por causa de outros descontos legais que continuam valendo sobre o 13º, como a contribuição previdenciária no caso de quem ainda contribui (por exemplo, aposentado que voltou ao mercado de trabalho) e eventuais descontos de pensão alimentícia determinada judicialmente. Em alguns casos, a segunda parcela também pode vir menor por causa de revisões administrativas em curso no benefício.

O importante é entender que o 13º não foi reduzido pelo governo: o valor total do abono continua sendo, em regra, igual ao benefício mensal. O que muda é a forma como o desconto do IR é distribuído. Como ele recai integralmente sobre a segunda parcela, a sensação é a de que a segunda metade veio menor — e, na prática, ela vem mesmo, em quase todas as faixas tributáveis.

Quem recebe quanto: a 2ª parcela do 13º por faixa de benefício em 2026

O valor da segunda parcela depende de duas variáveis principais: o quanto o aposentado recebe de benefício mensal e em qual faixa da tabela do Imposto de Renda esse benefício se encaixa. A regra é simples: quem ganha até o limite de isenção do IR não tem desconto e recebe a segunda parcela igual à primeira; quem ganha acima desse limite tem o valor proporcional ao imposto retido.

Para quem recebe um salário mínimo, a segunda parcela do 13º em 2026 deve sair sem desconto de Imposto de Renda, porque esse valor está dentro da faixa de isenção. Nesse caso, a segunda parcela tende a ser equivalente à primeira, descontados apenas eventuais débitos específicos do segurado, como pensão alimentícia.

Já os aposentados que recebem acima do teto da isenção sentem o desconto de forma mais visível. Quanto mais alto o benefício, maior a alíquota — que vai progredindo conforme as faixas da tabela do IR vigente. Para os benefícios próximos ao teto do INSS, a segunda parcela pode chegar consideravelmente menor do que a primeira, exatamente porque incide a alíquota máxima sobre boa parte do valor.

Uma forma prática de estimar o que vai cair na conta é a seguinte: pegue o valor do seu benefício mensal, divida por dois (esse é o valor bruto da segunda parcela), e desconte o IR correspondente à sua faixa. Esse cálculo é uma aproximação útil, mas o valor final que aparece no extrato é definido pelo sistema do INSS no momento do pagamento.

Um ponto que confunde muita gente: a primeira parcela parece "cheia" porque ela é paga sem retenção do IR. A segunda parece "mordida" porque concentra todo o imposto do ano sobre o 13º. Em nenhuma das duas o aposentado está sendo prejudicado — é apenas a distribuição do desconto que produz essa diferença.

Calendário de pagamento da 2ª parcela do 13º do INSS em 2026

O INSS costuma divulgar oficialmente o calendário com as datas exatas dos depósitos próximo do início do segundo semestre. A regra que tem sido seguida nos últimos anos é a de antecipar o pagamento do abono anual, com a primeira parcela caindo em meados do ano e a segunda parcela sendo concluída ainda antes do fim do ano.

A ordem dos depósitos segue o número final do benefício (sem considerar o dígito verificador). Quem recebe até um salário mínimo costuma receber primeiro, em um bloco que ocupa os primeiros dias úteis do calendário. Em seguida, é a vez de quem recebe acima do salário mínimo, geralmente concentrado nos últimos dias úteis do mês de pagamento.

Para 2026, o calendário oficial detalhado dia a dia deve seguir essa mesma lógica, com datas específicas para cada final de benefício. Em geral, vale a pena consultar o aplicativo Meu INSS ou a Central 135 alguns dias antes da data prevista para confirmar.

Para quem depende do 13º para fechar o orçamento do fim do ano — pagar dívidas, comprar presentes, quitar IPTU adiantado — é essencial não comprometer o valor antes do depósito. A recomendação dos especialistas em finanças pessoais é organizar uma lista de prioridades antes mesmo de o dinheiro cair na conta, justamente porque o valor da segunda parcela já chega líquido (descontado o IR), e qualquer planejamento feito com o valor bruto leva a frustração na hora da compra.

Como o Imposto de Renda afeta o 13º salário do INSS

O desconto do Imposto de Renda sobre o 13º do INSS segue a mesma tabela progressiva aplicada à renda mensal, mas com uma diferença importante: o cálculo do IR sobre o abono anual é feito separadamente do cálculo do IR sobre o benefício mensal. Ou seja, o 13º é tratado como um "rendimento à parte" para fins de tributação no momento do pagamento.

Essa separação tem efeitos práticos. Quem está em uma faixa intermediária da tabela pode sentir um desconto proporcionalmente parecido com o do benefício mensal. Já quem está perto do teto pode ter, na prática, uma retenção mais elevada na segunda parcela, porque a alíquota progressiva incide cheia.

Vale lembrar que existem deduções legais que podem reduzir o IR retido, como o desconto referente a dependentes e a parcela isenta para aposentados a partir dos 65 anos. Esse abatimento adicional para maiores de 65 anos pode fazer com que muitos segurados recebam a segunda parcela do 13º sem desconto ou com desconto bem menor do que aparentemente teriam. Por isso, sempre vale a pena conferir se os dados cadastrais e os dependentes estão atualizados no sistema do INSS.

Outro ponto: o valor descontado na segunda parcela não é "perdido". Ele compõe o total de Imposto de Renda pago no ano e entra na declaração anual de ajuste, que pode resultar em restituição se o aposentado tiver direito a deduções não consideradas na fonte, como despesas médicas comprovadas e contribuições à Previdência Privada (PGBL).

O que fazer com a 2ª parcela do 13º: pagar dívidas ou contratar consignado?

Com a segunda parcela do 13º vindo reduzida em 2026, a pergunta clássica volta a aparecer: vale a pena usar o valor para quitar dívidas? Ou contratar um empréstimo consignado para reforçar o caixa do fim de ano?

A primeira recomendação financeira costuma ser priorizar a quitação de dívidas caras. Quem está com o nome no cartão de crédito rotativo ou no cheque especial paga juros muito mais altos do que qualquer aplicação rende. Nesse cenário, usar a segunda parcela do 13º — mesmo já descontado o IR — para limpar essas dívidas é a forma mais eficiente de fazer o dinheiro render.

Depois das dívidas, vale pensar em contas previsíveis do início do ano, como IPTU, IPVA, material escolar e matrícula. Antecipar esses gastos com o 13º evita que o aposentado entre 2026 — ou melhor, 2027 — recorrendo a crédito caro.

Quanto ao empréstimo consignado do INSS, ele continua sendo uma das modalidades de crédito mais baratas do mercado, justamente porque o desconto é feito direto na folha do benefício. As regras vigentes em 2026 trazem alguns parâmetros que o aposentado precisa conhecer antes de contratar:

  • O prazo máximo de pagamento do consignado INSS é de 108 meses (9 anos), o que ajuda a diluir a parcela em valores menores, mas também aumenta o custo total dos juros pagos ao longo do contrato.
  • A margem consignável total é de 40% do valor do benefício. Desses 40%, 5% são exclusivos para cartão consignado e/ou cartão benefício. Na prática: se o aposentado já tem algum cartão consignado contratado, sobram 35% do benefício para o empréstimo consignado tradicional. Se não tem nenhum cartão, pode usar os 40% inteiros no empréstimo.
  • A primeira parcela pode ser cobrada em até 90 dias após a contratação (a chamada carência), o que dá um fôlego inicial — mas atenção: os juros continuam correndo desde o primeiro dia.

Um cuidado importante: a segunda parcela do 13º não entra no cálculo da margem consignável. A base para o consignado é o valor do benefício mensal regular. Por isso, não faz sentido usar o 13º como argumento para contratar um empréstimo maior — o que vai ditar a parcela aceitável continua sendo a renda mensal.

No caso de quem recebe BPC/LOAS, é fundamental reforçar: a lei permite o empréstimo consignado sobre o benefício, e qualquer afirmação de que "BPC não pode ter consignado" é incorreta. O que acontece no momento é que, por causa do alto volume de revisões e cessações desse tipo de benefício, várias instituições financeiras autorizadas reduziram a oferta do produto para essa modalidade. Ou seja: é permitido por lei, mas a disponibilidade prática no mercado está restrita. Antes de contar com esse crédito, vale procurar diretamente a instituição financeira para confirmar se ela está operando essa linha hoje.

Conclusão: o que esperar do 13º do INSS em 2026

A segunda parcela do 13º do INSS em 2026 deve seguir o padrão histórico: chegar menor do que a primeira por causa do desconto do Imposto de Renda, que é concentrado integralmente nessa metade do abono anual. Para quem recebe até o limite de isenção, em especial os aposentados que vivem com um salário mínimo, a segunda parcela tende a vir praticamente igual à primeira. Para os benefícios mais altos, a diferença será mais sentida.

O ideal é planejar o uso do valor antes mesmo do depósito, dando prioridade a dívidas caras, contas previsíveis do início do ano e, só depois, eventuais consumos. O empréstimo consignado pode ser uma alternativa para quem precisa de fôlego no orçamento, mas exige análise fria: prazos longos diluem a parcela, porém aumentam o custo total. E vale ficar atento às regras de margem e de cartão consignado, que mudam o quanto se pode efetivamente tomar emprestado.

Por fim, acompanhar o calendário oficial pelo Meu INSS é a forma mais segura de saber a data exata do depósito por número final do benefício. Em caso de dúvida sobre o valor recebido, o extrato detalhado do pagamento mostra cada desconto aplicado — IR, pensão alimentícia, contribuição previdenciária — e ajuda o aposentado a entender exatamente para onde foi cada centavo do seu 13º.

Referências

  • INSS — Regras do 13º salário, beneficiários elegíveis e incidência do Imposto de Renda na segunda parcela: https://www.gov.br/inss
  • INSS — Calendário de pagamento por número final do benefício: https://www.gov.br/inss

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