2º lote do IR 2026: R$ 16 bi para 9 milhões em 30 de junho
Receita Federal libera em 23 de junho a consulta ao 2º lote da restituição do IR 2026. Pagamento de R$ 16 bilhões cai em 30/6 para 9 milhões.
Tatiana Botelho
Quem entregou a declaração do Imposto de Renda dentro do prazo e ainda está aguardando o dinheiro voltar tem motivo para ficar atento à última semana de junho. A Receita Federal abre em 23 de junho de 2026 a consulta ao segundo lote da restituição do IR 2026, com depósito programado para 30 de junho. Serão cerca de R$ 16 bilhões pagos a aproximadamente 9 milhões de contribuintes — um dos maiores lotes do calendário deste ano e uma chance importante de organizar as finanças no meio do ano.
Se você declarou e tem direito a receber de volta uma parte do imposto retido na fonte ao longo de 2025, este é o momento de verificar se o seu CPF foi contemplado, entender em que ordem a Receita está pagando e o que fazer caso o valor não apareça. Neste guia, explicamos passo a passo como consultar, quem entra primeiro na fila, como funciona o calendário até o último lote do ano e quais cuidados tomar com o dinheiro quando ele cair na conta.
O que é o 2º lote da restituição do IR 2026
A restituição do Imposto de Renda é a devolução do valor que foi pago a mais pelo contribuinte ao longo do ano-base. Em 2025, empregadores, bancos e fontes pagadoras retiveram um percentual de imposto sobre salários, aposentadorias, aluguéis e outros rendimentos tributáveis. Quando o contribuinte faz a declaração anual, o sistema da Receita compara o total retido com o imposto realmente devido — considerando deduções legais como gastos com saúde, educação, dependentes e previdência. Se sobrou imposto pago a mais, esse valor volta na forma de restituição.
A Receita não paga todo mundo de uma vez. O cronograma é dividido em lotes mensais. O segundo lote, agora liberado para consulta em 23 de junho de 2026, é um dos maiores em volume financeiro do ano: cerca de R$ 16 bilhões serão distribuídos para aproximadamente 9 milhões de contribuintes, segundo a Receita Federal.
Na prática, uma fatia relevante de quem entregou a declaração nos primeiros dias do prazo, ou que se enquadra nas regras de prioridade legal, tem grande chance de receber agora. E o dinheiro da restituição costuma fazer diferença para quitar dívidas caras, formar uma reserva de emergência ou antecipar gastos previstos para o segundo semestre.
Como consultar o 2º lote do IR 2026 passo a passo
A consulta ao segundo lote começa em 23 de junho de 2026. Para saber se o seu CPF está incluído, o caminho mais simples é o site oficial da Receita Federal. Anote o roteiro:
- Acesse o portal da Receita Federal (gov.br/receitafederal) e procure a área de "Meu Imposto de Renda" ou "Consulta à Restituição".
- Informe o número do CPF, a data de nascimento e o ano-base da declaração (no caso, 2026, referente ao exercício de 2025).
- O sistema mostra a situação: se a declaração já foi processada, em que lote o pagamento foi programado, qual o valor a receber e a data prevista de depósito.
Outra opção é o aplicativo oficial da Receita para celular, disponível para Android e iOS, com o mesmo tipo de consulta. Quem tem conta no portal gov.br nos níveis prata ou ouro consegue acessar a área restrita do contribuinte e ver detalhes adicionais, como o extrato completo da declaração.
Se o seu CPF aparecer com status de pagamento programado para 30 de junho, é sinal de que está tudo certo e o valor deve cair na conta indicada na declaração nessa data. Caso a mensagem informe que a declaração está "em processamento", "pendente" ou "em análise", você ainda não está no lote — pode entrar em uma das próximas levas ou precisar corrigir alguma informação.
Quem tem prioridade para receber a restituição
A ordem de pagamento da restituição não é decidida apenas pela data de entrega da declaração. Existe uma sequência de prioridades estabelecida em lei, e só depois de atender a esses grupos a Receita passa a pagar os demais contribuintes pela ordem cronológica de envio. A ordem geral de prioridade adotada pela Receita Federal nos últimos exercícios é a seguinte:
- Contribuintes com 80 anos ou mais.
- Contribuintes entre 60 e 79 anos.
- Pessoas com deficiência ou doença grave prevista em lei.
- Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.
- Contribuintes que optaram pelo recebimento via PIX e usaram a declaração pré-preenchida.
- Demais contribuintes, por ordem de entrega.
A mudança mais relevante dos últimos anos foi justamente a inclusão de quem usa PIX (com a chave sendo o próprio CPF) e da declaração pré-preenchida como critérios de prioridade. Quem combinou esses dois itens — pré-preenchida + PIX no CPF — tende a aparecer nos primeiros lotes, mesmo sem se enquadrar nas demais categorias.
Isso explica por que algumas pessoas que entregaram a declaração tarde ainda assim caíram nos lotes iniciais: o sistema da Receita prioriza esses casos antes de seguir pela data de envio.
Se você se encaixa em mais de um grupo (por exemplo, idoso e portador de doença grave), vale o critério mais alto. E se está dentro de algum desses grupos, mas o seu CPF não aparece neste segundo lote, ainda há chance de entrar nos próximos — desde que a declaração esteja sem pendências.
Calendário dos lotes da restituição do IR 2026
O calendário oficial divulgado pela Receita Federal divide os pagamentos em lotes mensais. A divulgação do segundo lote, com consulta em 23 de junho e crédito em 30 de junho, confirma o ritmo previsto: cerca de R$ 16 bilhões para aproximadamente 9 milhões de contribuintes.
O escalonamento existe porque a Receita precisa processar milhões de declarações, cruzando dados de fontes pagadoras, bancos, planos de saúde, cartórios e do próprio contribuinte. Quanto mais limpa estiver a declaração e quanto mais cedo for entregue, maior a chance de cair nos primeiros lotes — exceto, como vimos, para quem tem direito legal a prioridade.
Uma dica prática: depois do último lote do ano, quem não recebeu provavelmente está com a declaração retida em malha fina ou com alguma pendência cadastral. Não convém deixar para descobrir isso só depois do encerramento do calendário — a Receita permite acompanhar a situação a qualquer momento pelo extrato no portal.
O que fazer se você caiu na malha fina ou não está no 2º lote
Se a consulta indicar que sua declaração está em malha fina, em análise ou com pendência, não há motivo para pânico — mas é preciso agir. Cair na malha significa que o sistema da Receita encontrou divergências entre o que você declarou e o que as fontes pagadoras ou outras instituições informaram. Os motivos mais comuns são:
- Rendimentos não declarados (um trabalho extra, aluguel, resgate de previdência privada).
- Diferença entre o valor declarado e o informado pela empresa no informe de rendimentos.
- Despesas médicas sem comprovante adequado.
- Inclusão de dependentes que também foram declarados por outro contribuinte.
- Pensão alimentícia sem decisão judicial ou acordo formal que comprove o pagamento.
O passo a passo para resolver é o seguinte:
- Acesse o extrato da declaração no portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal), usando login gov.br.
- Veja em "Pendências de Malha" qual foi o motivo apontado pelo sistema.
- Se você errou ao declarar, faça uma declaração retificadora corrigindo o erro. Isso pode ser feito dentro de cinco anos.
- Se a declaração está correta, reúna os comprovantes (informes, recibos, decisões judiciais) e aguarde a intimação da Receita para apresentá-los, ou agende atendimento presencial.
Quem não caiu em malha, mas simplesmente não entrou no 2º lote pode aguardar tranquilamente os próximos pagamentos. A Receita libera novos lotes nos meses seguintes, e a declaração entregue dentro do prazo e sem erros tende a ser quitada até o último lote do ano.
Vale lembrar também que dados bancários incorretos travam o pagamento. Se a conta informada na declaração foi encerrada ou está com dados errados, o dinheiro não é depositado — e o contribuinte precisa reagendar o crédito pelo portal do banco contratado pela Receita para operar a restituição. Após um determinado prazo, se o valor não for resgatado, ele volta para a Receita e precisa ser solicitado de novo via formulário eletrônico.
Como o pagamento é feito e cuidados ao receber
O crédito da restituição é depositado diretamente na conta bancária informada na declaração ou na chave PIX do tipo CPF cadastrada pelo contribuinte. O recebimento via PIX é a forma mais rápida e segura, justamente porque elimina erros de digitação de agência e conta — outro motivo pelo qual o uso do PIX dá prioridade no calendário.
No dia do pagamento (30 de junho, no caso do segundo lote), o valor cai automaticamente. Não é preciso fazer nenhum pedido extra, ligar para a Receita ou ir a uma agência bancária. Qualquer mensagem, e-mail ou ligação dizendo que você precisa pagar uma taxa para liberar a restituição é golpe — a Receita Federal nunca cobra qualquer valor para devolver o imposto pago a mais.
Dicas para usar bem o dinheiro da restituição:
- Quite dívidas caras primeiro. Se você tem saldo no cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal com juros altos, usar a restituição para abater esses débitos costuma render mais do que qualquer aplicação financeira. Os juros do rotativo do cartão, por exemplo, ultrapassam com folga qualquer rendimento de poupança ou renda fixa.
- Forme ou reforce a reserva de emergência. O ideal é ter de três a seis meses de despesas guardadas em uma aplicação de liquidez diária. Restituição é uma boa porta de entrada para começar.
- Evite gastar por impulso. Como o dinheiro entra de uma vez, é tentador trocar de celular, comprar eletrodoméstico ou viajar. Antes de decidir, faça uma lista do que é prioridade real no seu orçamento.
- Cuidado com ofertas de antecipação. Bancos e fintechs costumam oferecer antecipar a restituição mediante cobrança de juros. Em geral, vale mais a pena esperar a data oficial da Receita do que pagar para receber poucos dias antes.
Para quem é aposentado ou pensionista do INSS e está acompanhando esse processo, é importante lembrar que a restituição do Imposto de Renda é independente do benefício previdenciário. Ou seja: o crédito da Receita cai em uma data e o benefício do INSS em outra, conforme o calendário próprio da Previdência. Quem precisa organizar parcelas de empréstimo consignado deve continuar contando apenas com a margem consignável regular do benefício — a restituição não amplia essa margem, mas pode ajudar a quitar dívidas paralelas e aliviar o orçamento.
Conclusão: organize-se para a consulta do dia 23 de junho
O segundo lote da restituição do IR 2026 é uma das movimentações financeiras mais aguardadas do ano por quem entregou a declaração. Com a consulta liberada em 23 de junho e o depósito programado para 30 de junho, cerca de 9 milhões de contribuintes vão dividir aproximadamente R$ 16 bilhões. Para garantir que você esteja nessa lista — ou entenda por que não está —, vale seguir três passos práticos:
- No dia 23 de junho, consulte o seu CPF no portal da Receita Federal ou no app oficial. Tenha em mãos CPF e data de nascimento.
- Verifique a situação da declaração. Se aparecer "pagamento programado", é só aguardar o crédito. Se aparecer "em análise", "pendência" ou "malha", acesse o extrato no e-CAC e veja o motivo.
- Planeje o uso do dinheiro antes de ele cair. Liste dívidas caras, prioridades do orçamento e metas de poupança. Decidir antes evita gasto por impulso quando o valor entra.
E, se a sua declaração ainda não foi processada ou ficou retida, lembre-se: ainda há lotes pela frente até o último pagamento do ano. O importante é acompanhar a situação pelo portal oficial da Receita Federal e corrigir o quanto antes qualquer pendência apontada pelo sistema. Assim, a chance de receber a restituição ainda em 2026 — e usar esse dinheiro com inteligência — fica muito maior.
Referências
- Receita Federal — Portal oficial: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br (comunicado sobre o 2º lote da restituição do IR 2026: datas de consulta em 23/06, pagamento em 30/06, valor de R$ 16 bilhões e cerca de 9 milhões de contribuintes contemplados).
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