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Abono PIS/Pasep 2026: quem tem direito, calendário e valores

Veja quem tem direito ao abono PIS/Pasep 2026 (ano-base 2024), como funciona o calendário por mês de nascimento e final de inscrição, valores e onde consultar.

RC

Rita Cavalcanti

📖 11 min de leitura

O abono salarial PIS/Pasep 2026 já tem calendário definido pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. O pagamento segue o critério tradicional: trabalhadores da iniciativa privada (PIS, pago pela Caixa Econômica Federal) recebem conforme o mês de nascimento, e servidores públicos (Pasep, pago pelo Banco do Brasil) recebem conforme o número final da inscrição. As datas exatas de início e fim do calendário, bem como o prazo final para saque, são fixados na resolução anual do Codefat — informação que deve ser confirmada diretamente no canal oficial do Ministério do Trabalho.

Neste guia, você vai entender quem tem direito ao abono salarial em 2026, qual será o valor a ser pago, como funciona o cronograma por mês de nascimento, onde consultar se o seu nome está na lista e o que fazer caso o dinheiro não apareça na conta no dia esperado. O abono salarial é um direito previsto na Lei nº 7.998/1990 e milhões de trabalhadores formais deixam de sacar todos os anos por desconhecimento das regras.

O que é o abono salarial PIS/Pasep e por que ele existe

O abono salarial é um benefício anual pago ao trabalhador formal de baixa renda. Ele funciona como um complemento de renda para quem recebeu, em média, até dois salários mínimos mensais no ano-base de referência. O programa foi criado em 1970 com o Programa de Integração Social (PIS), voltado a trabalhadores da iniciativa privada, e com o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), voltado a servidores públicos. Hoje, os dois compõem o que chamamos genericamente de "abono PIS/Pasep".

A gestão do pagamento é dividida entre dois bancos públicos: a Caixa Econômica Federal opera o PIS para o trabalhador da iniciativa privada, enquanto o Banco do Brasil opera o Pasep para servidores públicos, militares e empregados de estatais. Essa divisão é importante porque define onde o trabalhador deve consultar o crédito e como sacar o valor.

O recurso do abono vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o mesmo fundo que financia o seguro-desemprego e parte das ações de qualificação profissional. Por isso, o calendário e os critérios são definidos a cada exercício pelo Codefat, conselho tripartite formado por representantes do governo, dos trabalhadores e dos empregadores. A resolução publicada anualmente define as datas exatas, o ano-base considerado e o valor máximo a ser pago.

Vale destacar que o abono salarial 2026 toma como referência o ano-base 2024. Ou seja: quem trabalhou com carteira assinada durante 2024 e cumpriu os requisitos da lei é o público que tem direito ao depósito em 2026 — não o trabalhador de 2025 nem o de 2026, o que costuma gerar confusão.

Quem tem direito ao PIS/Pasep 2026

Para receber o abono salarial em 2026, o trabalhador precisa cumprir, simultaneamente, cinco requisitos previstos na Lei nº 7.998/1990:

  1. Estar inscrito no PIS ou no Pasep há, pelo menos, cinco anos completos. A data da inscrição é registrada na primeira contratação formal do trabalhador ou no ingresso no serviço público.
  2. Ter trabalhado formalmente, com carteira assinada ou vínculo estatutário, por no mínimo 30 dias (corridos ou não) durante o ano-base 2024.
  3. Ter recebido, em média, até dois salários mínimos mensais ao longo desse período trabalhado em 2024.
  4. Ter os dados corretamente informados pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ou no eSocial, dentro do prazo legal.
  5. Possuir CPF regularizado junto à Receita Federal.

Se um único requisito falhar, o trabalhador não entra na folha do abono daquele ano. O erro mais comum não é da pessoa, mas do empregador: muitos deixam de declarar corretamente o vínculo no eSocial, e isso "esconde" o trabalhador do sistema. Nesses casos, o caminho é solicitar a retificação ao empregador para que o dado seja corrigido — e, na sequência, o pagamento entra em folha extraordinária.

Quem é MEI (Microempreendedor Individual), autônomo, trabalhador informal, doméstico sem registro ou contribuinte individual não tem direito ao abono. O benefício é exclusivo de quem trabalhou em regime celetista (CLT) ou estatutário no ano-base.

Calendário PIS/Pasep 2026: como funciona

O calendário do abono salarial segue uma lógica simples: trabalhadores do setor privado (PIS) recebem da Caixa de acordo com o mês de nascimento; já os servidores públicos (Pasep) recebem do Banco do Brasil conforme o número final da inscrição.

Para o PIS 2026, pago pela Caixa Econômica Federal, a ordem é por mês de nascimento, em geral começando pelos nascidos em janeiro e seguindo sequencialmente até dezembro. As datas exatas de cada lote são publicadas na resolução do Codefat para o exercício de 2026 e devem ser consultadas no portal do Ministério do Trabalho e Emprego e nos canais oficiais da Caixa.

Para o Pasep 2026, pago pelo Banco do Brasil ao servidor público, a divisão é feita pelo dígito final da inscrição (o último número antes do dígito verificador), normalmente em oito faixas: final 0, final 1, finais 2 e 3, final 4, final 5, final 6, finais 7 e 8 e final 9. As datas específicas de cada faixa também constam da resolução anual do Codefat.

O prazo final para saque dos valores creditados em 2026 é igualmente fixado pelo Codefat. Caso o trabalhador não retire o dinheiro dentro desse prazo, o valor retorna ao Fundo de Amparo ao Trabalhador, e será necessário pedir restituição administrativamente no exercício seguinte — um processo mais demorado e que poderia ser evitado simplesmente respeitando o calendário.

Qual o valor do PIS/Pasep 2026

O valor do abono salarial é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. A regra é a seguinte: quem trabalhou os 12 meses completos de 2024 com carteira assinada e recebeu, em média, até dois salários mínimos mensais, tem direito ao valor cheio, que equivale a um salário mínimo vigente no ano do pagamento.

Como o salário mínimo de 2026 será o parâmetro do abono pago em 2026, o valor máximo do PIS/Pasep corresponderá ao salário mínimo vigente naquele ano, conforme decreto publicado pelo Executivo. Quem trabalhou menos de 12 meses recebe um valor proporcional. A conta é simples: o salário mínimo dividido por 12, multiplicado pelo número de meses trabalhados (sendo que frações de 15 dias ou mais contam como mês cheio).

Veja como funciona a proporcionalidade na prática:

  • 1 mês trabalhado em 2024 → 1/12 do salário mínimo vigente
  • 6 meses trabalhados em 2024 → 6/12, ou seja, meio salário mínimo
  • 12 meses trabalhados em 2024 → salário mínimo integral

Essa lógica vale tanto para o PIS quanto para o Pasep. Se o trabalhador teve mais de um vínculo durante 2024, os meses são somados — desde que a soma da remuneração média mensal não tenha ultrapassado dois salários mínimos.

Como consultar e sacar o PIS/Pasep 2026

A consulta sobre o direito ao abono salarial e o valor disponível pode ser feita por vários canais oficiais e gratuitos. Para o PIS, pago pela Caixa Econômica Federal, os canais mais usados são:

  • Aplicativo Caixa Trabalhador, disponível para Android e iOS, em que basta fazer login com a conta gov.br;
  • Site oficial da Caixa, na área dedicada ao trabalhador;
  • Aplicativo Caixa Tem, em que o valor é creditado automaticamente em conta poupança social digital para quem não tem conta corrente na Caixa;
  • Telefone 158, a Central do Trabalhador, atendimento gratuito do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para o Pasep, pago pelo Banco do Brasil, a consulta e o saque podem ser feitos:

  • No aplicativo do Banco do Brasil, na área do servidor;
  • No site do BB;
  • Em qualquer agência do Banco do Brasil, mediante apresentação de documento com foto;
  • Em terminais de autoatendimento da rede BB.

A forma mais prática de receber o PIS é manter uma conta na Caixa ou abrir uma poupança social digital pelo Caixa Tem — o crédito acontece automaticamente na data prevista no calendário. Para o Pasep, servidores com conta no Banco do Brasil também recebem crédito automático; quem não é correntista pode sacar diretamente em agência.

Uma orientação importante para quem nunca recebeu o abono ou tem dúvidas sobre o cadastro: o número do PIS é o mesmo do NIS (Número de Identificação Social) e pode ser localizado na Carteira de Trabalho Digital, no aplicativo gov.br e no extrato do FGTS. Sem esse número, não é possível consultar a folha de pagamento.

O que fazer se o PIS/Pasep não cair na conta

Não é raro o trabalhador que cumpre todos os requisitos descobrir, no dia previsto pelo calendário, que o valor não foi creditado. Antes de imaginar um problema sério, é importante seguir uma lista de verificação:

1. Confirme se você está mesmo na folha do ano-base 2024. A consulta deve ser feita pelos canais oficiais já citados. Se aparecer mensagem dizendo que "não há valores a receber", o problema está no cadastro do empregador, e não no banco.

2. Verifique se o vínculo de 2024 foi declarado. O empregador é obrigado a transmitir os dados via eSocial. Quando há atraso ou erro na declaração, o trabalhador fica de fora da folha inicial e só entra após a correção, em pagamentos extraordinários que ocorrem ao longo do exercício.

3. Cheque seu CPF na Receita Federal. CPF com pendência de regularização (suspenso, cancelado ou pendente de regularização) impede o pagamento automático.

4. Avalie se você cumpriu os cinco anos de inscrição no PIS/Pasep. Quem entrou no mercado formal pela primeira vez em 2020 ou depois, por exemplo, ainda pode não ter completado o tempo mínimo de cadastro até 2024.

5. Se o problema for do empregador, peça a retificação. Após a correção do eSocial, o nome entra automaticamente nas folhas seguintes. Não é necessário abrir processo: basta acompanhar pelo aplicativo Caixa Trabalhador ou pelo BB.

E se você perdeu o prazo de saque de exercícios anteriores? A boa notícia é que o direito ao abono salarial não desaparece imediatamente: valores não sacados podem ser solicitados administrativamente em até cinco anos contados a partir do encerramento do exercício de pagamento. Passado esse período, o recurso é definitivamente devolvido ao FAT. Para pedir abonos antigos não sacados, basta procurar a Caixa (no caso do PIS) ou o Banco do Brasil (no caso do Pasep) com documento de identidade, CPF e número do PIS/NIS.

Vale repetir: o abono PIS/Pasep não é um auxílio emergencial nem um benefício assistencial. É um direito do trabalhador formal previsto em lei e financiado com recursos do FAT. Por isso, em hipótese alguma é necessário pagar taxas, contratar despachantes ou fornecer dados bancários para terceiros para receber o valor. Toda comunicação oficial vem da Caixa, do Banco do Brasil, do Ministério do Trabalho ou do canal gov.br. Mensagens por SMS ou WhatsApp pedindo "confirmação de cadastro" para liberar o abono são, na imensa maioria dos casos, tentativas de golpe — e devem ser ignoradas.

Resumo prático e próximo passo

O calendário PIS/Pasep 2026 é definido por resolução do Codefat, com pagamentos organizados pelo mês de nascimento (PIS) ou pelo final da inscrição (Pasep). Tem direito ao abono o trabalhador que cumpriu, no ano-base 2024, os requisitos da Lei nº 7.998/1990: pelo menos cinco anos de cadastro no PIS/Pasep, no mínimo 30 dias trabalhados, média salarial de até dois salários mínimos e dados corretamente declarados pelo empregador.

O próximo passo prático é simples: assim que se aproximar a data prevista para o seu lote, faça a consulta nos canais oficiais — aplicativo Caixa Trabalhador, Caixa Tem, app do Banco do Brasil, site do MTE ou telefone 158. Se houver valor a receber, ele cai automaticamente na conta vinculada. Se não houver, vale checar o eSocial junto ao empregador antes de qualquer outra providência. E, principalmente: não perca o prazo. Dinheiro do abono salarial é dinheiro que pertence ao trabalhador — e que muitas vezes faz diferença real no orçamento da família.


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