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Cesta básica cai em 25 capitais em agosto, diz Dieese

Pesquisa do Dieese mostra que a cesta básica ficou mais barata em 25 capitais em agosto; veja como aproveitar o alívio para reorganizar o orçamento.

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Tatiana Botelho

📖 7 min de leitura

Em agosto, o custo da alimentação básica recuou na maior parte das capitais brasileiras. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostrou queda no preço do conjunto de itens essenciais em 25 das capitais acompanhadas. Para o trabalhador que ganha o salário mínimo, para o aposentado do INSS e para famílias de baixa renda, essa variação impacta diretamente o quanto sobra (ou falta) no fim do mês.

A cesta básica pesquisada pelo Dieese não é a mesma cesta de compras que uma família leva do supermercado. Ela é um conjunto fixo de alimentos definidos por lei — carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata (ou pão), legume, pão francês, café, banana (ou fruta), açúcar, óleo e manteiga — na quantidade considerada suficiente para alimentar um trabalhador adulto durante um mês.

Justamente por ser padronizada, ela funciona como um termômetro confiável para saber se o preço da comida está subindo ou caindo pelo país.

A seguir, você entende o que significa esse recuo em agosto, quais capitais aparecem no levantamento, como aproveitar esse movimento para reorganizar o orçamento doméstico e o que observar nos próximos meses para não ser pego de surpresa por uma nova alta.

O que mostra a pesquisa da cesta básica em agosto

O estudo do Dieese acompanha mensalmente o preço da cesta em 27 capitais e mede quanto custa comprar todos esses itens em cada praça. Em agosto, o levantamento identificou queda no valor total da cesta em 25 dessas capitais, o que representa a maior parte das cidades pesquisadas. O movimento indica que, na média nacional, a pressão de alta nos alimentos essenciais deu uma trégua no mês.

Esse recuo é relevante porque, quando o preço da cesta cai, o poder de compra do salário aumenta na prática. Ou seja: com o mesmo dinheiro no bolso, dá para levar mais comida para casa. E, quando falamos de famílias que comprometem uma fatia grande da renda com alimentação — realidade comum entre aposentados, pensionistas e trabalhadores que recebem até dois salários mínimos —, qualquer variação de poucos reais faz diferença no fechamento do mês.

Vale lembrar que o comportamento do preço dos alimentos costuma refletir uma combinação de fatores: safra agrícola, clima, câmbio (que influencia insumos importados como fertilizantes), custo do frete e até sazonalidade típica de cada região. Por isso, uma queda em um mês não significa, necessariamente, que a tendência vai se manter nos meses seguintes.

Por que a cesta ficou mais barata em 25 capitais

A queda generalizada no preço da cesta em agosto reflete, sobretudo, o alívio em itens que costumam ter grande peso no total gasto pelas famílias. Produtos in natura, como legumes, frutas e tubérculos, tendem a variar bastante ao longo do ano por causa do clima e da oferta nas centrais de abastecimento. Quando a safra é boa e o transporte funciona sem grandes gargalos, o preço na ponta recua.

Outro ponto importante é o comportamento das proteínas — em especial da carne bovina, do frango e do leite. Como esses itens têm forte peso no orçamento das famílias, oscilações no preço da carne, por exemplo, conseguem, sozinhas, mudar o resultado da cesta em uma capital.

Da mesma forma, o preço do óleo, do café e do açúcar costuma variar em ciclos mais longos, ligados à produção nacional e à demanda externa.

É importante observar que a queda no mês não apaga o acumulado de anos anteriores. Muitos consumidores ainda sentem que "a comida está cara", mesmo com o recuo pontual. Isso acontece porque a percepção do bolso considera o preço acumulado ao longo do tempo, e não apenas a variação do último mês. Ou seja: a cesta pode ter ficado mais barata em agosto e, ainda assim, seguir custando bem mais do que custava há dois ou três anos.

Quanto do salário mínimo é preciso para comprar a cesta

Outro dado que o Dieese calcula todo mês, e que ajuda muito o trabalhador a entender sua realidade, é o chamado salário mínimo necessário. É uma projeção de quanto deveria valer o salário mínimo para que uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) conseguisse cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Esse indicador escancara uma questão estrutural: mesmo com a queda no preço da cesta em agosto, o salário mínimo em vigor ainda cobre apenas uma parte do custo real de vida de uma família brasileira. Para o trabalhador CLT, isso significa que qualquer ganho extra — como o 13º salário, o abono do PIS/Pasep ou a devolução do Imposto de Renda — costuma ser rapidamente absorvido pelas contas do dia a dia. Para o aposentado do INSS que recebe um salário mínimo, o cenário é ainda mais delicado, porque a renda é fixa e a margem de manobra é pequena.

Por isso, saber a hora certa de comprar, comparar preços entre estabelecimentos e planejar as compras do mês virou uma habilidade financeira essencial — tão importante quanto negociar dívidas ou escolher bem um empréstimo.

Como usar essa queda a favor do seu orçamento

Um mês de alívio no preço da comida é uma boa oportunidade para reorganizar o orçamento doméstico e reforçar hábitos que ajudam a segurar as contas mesmo quando a inflação voltar a pressionar. Veja alguns caminhos práticos:

  1. Refaça o cálculo do seu gasto mensal com alimentação. Pegue o extrato do cartão, os cupons fiscais e os recibos de feira dos últimos 60 dias. Some tudo o que foi gasto com comida (mercado, feira, açougue, padaria) e divida pelo número de pessoas em casa. Compare esse valor com a cesta do Dieese na sua capital: se estiver muito acima, é sinal de que há espaço para economizar sem perder qualidade.

  2. Aproveite a queda para montar estoque estratégico. Itens não perecíveis com preço mais baixo em agosto — como arroz, feijão, açúcar, café e óleo, dependendo da variação regional — podem ser comprados em maior quantidade para segurar as próximas contas. Cuidado, porém, para não estocar o que não vai consumir a tempo.

  3. Troque marcas, não a qualidade nutricional. Muitas vezes, a diferença de preço entre marcas líderes e marcas próprias de supermercado é grande, sem grande diferença de qualidade. O mesmo vale para produtos de estação, que costumam ser mais baratos e mais frescos do que os fora de época.

  4. Direcione a sobra para reduzir dívidas caras. Se a compra do mês custou menos do que o previsto, o valor economizado pode fazer diferença no abatimento do rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial — dois dos créditos mais caros do mercado, segundo dados do Banco Central. Reduzir esse tipo de dívida é uma das aplicações mais rentáveis para quem quer respirar financeiramente.

  5. Fuja da compra por impulso, mesmo com preço em queda. Promoção só é vantagem quando o produto já estava na sua lista. Comprar por comprar, aproveitando o desconto, é uma forma silenciosa de estourar o orçamento.

O que observar nos próximos meses

A queda em agosto é uma boa notícia, mas não elimina a necessidade de acompanhar a evolução dos preços daqui para frente. Alguns pontos merecem atenção: o comportamento da inflação oficial (medida pelo IPCA, calculado pelo IBGE), o preço dos combustíveis (que impacta o frete dos alimentos), a taxa Selic definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central — que influencia o custo do crédito no país — e eventuais reajustes em tarifas públicas, como energia e transporte.

Se você depende de benefício previdenciário, também vale acompanhar os anúncios oficiais do INSS e do Ministério da Previdência Social sobre o calendário de pagamentos e sobre eventuais reajustes anuais, que costumam ser divulgados no início de cada ano com base na inflação acumulada.

Em resumo

Em resumo: a cesta básica ficou mais barata em 25 capitais em agosto, e esse é um alívio bem-vindo para o orçamento das famílias brasileiras. Aproveitar esse respiro para revisar gastos, quitar dívidas caras e reforçar o planejamento financeiro é a melhor forma de transformar uma boa notícia pontual em segurança financeira de longo prazo.

Referências

  • Dieese — Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, boletim de agosto/2026
  • Banco Central — Estatísticas de crédito às famílias (rotativo do cartão e cheque especial)

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