
CIN chega a 60 milhões: como tirar a nova identidade e o que muda
Carteira de Identidade Nacional (CIN) já soma 60 milhões de emissões. Veja como tirar, documentos exigidos, versão digital no Gov.br e diferenças para o RG.
Ricardo Silva
A Carteira de Identidade Nacional, a chamada CIN, alcançou a marca de 60 milhões de documentos emitidos em todo o país. O número mostra que o modelo antigo do RG, aquele conhecido pelo papel rosa e por um número diferente em cada estado, começa finalmente a dar lugar a um documento padronizado, com foto atualizada, QR Code para checagem e o CPF como identificador único do cidadão.
Se você ainda não trocou seu RG, este é o momento de entender como funciona o novo documento, quem pode solicitar, o que levar no dia do atendimento e por que vale a pena fazer a substituição antes que o modelo antigo perca a validade.
A proposta da CIN é simples: acabar com a bagunça de ter um número de identidade diferente em cada estado, reduzir fraudes e permitir que o cidadão apresente o mesmo documento — físico ou digital — em qualquer situação, do banco à companhia aérea. Nesta reportagem, você vai encontrar o passo a passo para tirar a nova identidade, as diferenças em relação ao RG antigo, como acessar a versão digital pelo celular e o que fazer se o seu estado ainda não estiver com o agendamento aberto.
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O que é a Carteira de Identidade Nacional e por que ela substitui o RG
A CIN é o documento oficial de identificação civil emitido pelos institutos de identificação de cada estado, seguindo padrão nacional definido pelo governo federal. A principal mudança em relação ao antigo RG é que o número do CPF passa a ser o número único do documento — ou seja, cada pessoa terá apenas uma identidade válida em todo o território brasileiro, e não mais uma para cada unidade da federação.
Na prática, o cidadão que tirava o RG em um estado e se mudava para outro muitas vezes acabava tirando um novo documento, com numeração diferente. Isso abria brecha para fraudes e dificultava a checagem de dados entre órgãos públicos. Com a nova identidade, esse problema desaparece: o CPF é o mesmo do nascimento até o fim da vida, e o número da CIN acompanha esse dado.
Outro ponto importante é a segurança. A CIN traz um QR Code impresso que pode ser lido por qualquer pessoa com um celular. Ao apontar a câmera para o código, é possível confirmar se aquele documento é autêntico ou se foi adulterado. Isso ajuda comerciantes, cartórios, bancos e agentes públicos a identificar falsificações com muito mais rapidez do que no modelo antigo.
A CIN também segue padrões internacionais de documento de viagem, o que permite que ela seja aceita como identificação em países do Mercosul, sem a necessidade de passaporte para deslocamentos regionais. É um avanço importante para quem viaja a trabalho ou faz turismo nos países vizinhos.
Como solicitar a nova identidade: passo a passo
O processo para tirar a CIN é feito pelo instituto de identificação do seu estado — os mesmos órgãos que já emitiam o RG antigo. A depender da região, o atendimento pode ser feito em postos do Poupatempo, em centrais de atendimento ao cidadão ou em unidades da Polícia Civil ou da Secretaria de Segurança Pública.
O passo a passo, de forma geral, funciona assim:
- Agendamento prévio: a maioria dos estados exige que o cidadão marque data e horário pelo site do órgão emissor. O agendamento evita filas e garante que o servidor tenha tempo para coletar as biometrias.
- Comparecimento pessoal: no dia marcado, é preciso ir presencialmente ao posto escolhido. A coleta de foto e de impressões digitais é feita no local — não existe emissão totalmente à distância.
- Apresentação dos documentos originais: você precisa levar a certidão de nascimento (para solteiros) ou a certidão de casamento (para casados), além do CPF. Se já tiver o RG antigo, também vale a pena levar.
- Retirada ou envio pelos Correios: dependendo do estado, o documento pronto pode ser retirado no mesmo posto ou entregue em casa, sem custo adicional.
A primeira via da CIN é gratuita em todo o país. Para segunda via ou casos de perda, roubo e furto, cada estado define suas próprias taxas. Antes de ir ao posto, confira no site do órgão do seu estado se há alguma exigência extra, porque os procedimentos podem variar um pouco entre uma unidade da federação e outra.
Documentos necessários e prazo de emissão
Para solicitar a Carteira de Identidade Nacional, o documento indispensável é a certidão de nascimento (para quem é solteiro) ou a certidão de casamento (para quem é casado, viúvo ou divorciado). É a partir dela que o instituto de identificação confirma seus dados civis. Também é preciso apresentar o número do CPF, que agora passa a ser o próprio número da identidade.
Outros documentos que podem ser aceitos ou solicitados, dependendo do estado:
- Comprovante de residência atualizado;
- Comprovante de tipo sanguíneo (opcional, mas pode ser incluído no documento);
- RG antigo, se houver;
- Documentos que comprovem alterações de nome (averbações de divórcio, adoção etc.).
O prazo de entrega varia. Em alguns estados, a CIN fica pronta em poucos dias úteis; em outros, pode levar semanas, sobretudo em períodos de alta demanda. O ideal é confirmar essa informação no momento do agendamento, para não contar com o documento antes da hora — especialmente se você precisar dele para uma viagem, uma prova ou um processo bancário.
Vale lembrar que o RG antigo continua válido durante o período de transição definido pelo governo federal. Isso significa que ninguém fica sem identidade da noite para o dia — mas quanto antes você fizer a troca, menos risco de correria de última hora.
Versão digital da CIN no aplicativo Gov.br
Um dos grandes atrativos da nova identidade é a versão digital, que pode ser acessada pelo aplicativo Gov.br diretamente no celular. Depois que o documento físico é emitido, o cidadão pode baixar o app oficial do governo federal, fazer o login com CPF e senha (a mesma usada em outros serviços públicos) e liberar a visualização da carteira em formato eletrônico.
A CIN digital tem a mesma validade jurídica que o cartão físico. Ela pode ser apresentada em bancos, aeroportos, cartórios, delegacias e em qualquer situação que exija identificação — inclusive em fiscalizações de trânsito, ao lado da CNH digital. Para verificar a autenticidade, basta que o atendente leia o QR Code exibido na tela do celular.
A vantagem prática é enorme: quem esquece a carteira em casa não fica mais sem identidade. Além disso, o formato digital dificulta falsificações, já que a validação é feita em tempo real, contra a base de dados oficial.
Para quem não tem familiaridade com aplicativos, o documento físico continua sendo emitido normalmente, e o cidadão não é obrigado a usar a versão digital. As duas opções convivem, e cabe a cada pessoa escolher qual prefere carregar no dia a dia.
Principais diferenças entre a CIN e o RG antigo
Para resumir o que muda com a nova identidade, vale comparar ponto a ponto:
- Número do documento: o RG antigo tinha uma numeração diferente em cada estado. A CIN usa o CPF, que é único e nacional.
- Validade territorial: o RG antigo, na prática, era estadual — ainda que aceito em todo o país. A CIN é nacional por definição e também aceita em países do Mercosul.
- Segurança: a nova carteira traz QR Code de autenticação, dificultando falsificações.
- Formato: a CIN existe em versão física e digital, esta última acessada pelo aplicativo Gov.br. O RG antigo era apenas físico.
- Custo: a primeira via da CIN é gratuita em todo o país.
- Dados adicionais: a CIN permite incluir informações como tipo sanguíneo, nome social e condições de saúde relevantes, a critério do cidadão.
A emissão de 60 milhões de documentos mostra que o processo de substituição está avançando, mas ainda há muita gente com o RG antigo em mãos. Se você faz parte desse grupo, o mais recomendado é agendar a troca com antecedência, evitando a corrida do último minuto.
Conclusão: vale a pena tirar a CIN agora?
A resposta curta é sim. Trocar o RG pela Carteira de Identidade Nacional é gratuito na primeira via, garante um documento mais seguro, permite o uso da versão digital no celular e evita transtornos futuros, já que o modelo antigo tende a deixar de ser aceito em algumas situações à medida que a transição avança.
O próximo passo prático é acessar o site do instituto de identificação do seu estado, verificar a documentação exigida, fazer o agendamento e comparecer ao posto com a certidão de nascimento ou casamento em mãos. Depois de retirar o documento físico, aproveite para baixar o aplicativo Gov.br e habilitar a versão digital — assim, você fica com a identidade sempre à mão, mesmo quando esquecer a carteira em casa.
Com 60 milhões de brasileiros já com a nova identidade, o movimento é claro: o RG está sendo aposentado, e a CIN é o documento que vai identificar o cidadão brasileiro pelas próximas décadas.
Referências
- Ministério da Justiça e Segurança Pública — https://www.gov.br/mj/pt-br
- Seu Crédito Digital — https://seucreditodigital.com.br
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