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CIN grátis ou paga: quando a nova identidade tem custo

A primeira via da CIN é gratuita em todo o Brasil, mas a segunda via pode ter taxa que varia por estado. Veja quando você paga e como evitar gastos.

RS

Ricardo Silva

📖 8 min de leitura

A Carteira de Identidade Nacional, a CIN, é o novo documento de identificação que está substituindo o antigo RG em todo o país. Mais moderna, com QR Code e o CPF como número único de registro, ela promete acabar com a confusão de ter várias identidades diferentes emitidas por cada estado. Mas, junto com a novidade, aparece uma dúvida muito comum entre os brasileiros: afinal, tirar a CIN é de graça ou tem que pagar? E se eu perder ou se meu documento estiver danificado, quanto vai custar a segunda via?

A resposta curta é: a primeira emissão da CIN é gratuita para todo cidadão brasileiro, mas a segunda via, na maior parte dos casos, tem custo — e o valor não é o mesmo em todo o Brasil, porque quem cobra é o Instituto de Identificação de cada estado. Neste guia, você vai entender de forma simples quando a nova Carteira de Identidade sai sem pagar nada, quando você é obrigado a desembolsar uma taxa, quais são as situações previstas em lei que garantem isenção mesmo na segunda via e como se organizar para não gastar dinheiro à toa com o novo documento.

O que é a nova CIN e por que ela substitui o antigo RG

A Carteira de Identidade Nacional foi criada para unificar a identificação do cidadão brasileiro. Antes, cada estado emitia um RG com numeração própria — o que permitia que uma mesma pessoa tivesse até 27 números de identidade diferentes ao longo da vida, um em cada Unidade da Federação. Isso abria brechas para fraudes e dificultava o cruzamento de dados entre órgãos públicos.

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Com a CIN, o número do CPF passa a ser o identificador único do cidadão em qualquer estado. Além disso, o novo documento traz recursos de segurança que o RG tradicional não tinha, como QR Code que permite conferir a autenticidade do documento por qualquer pessoa com um celular, versão digital acessível pelo aplicativo gov.br e código MRZ, o mesmo padrão internacional usado em passaportes. Na prática, a CIN funciona como identidade em todo o território nacional e, em alguns casos, também pode ser usada como documento de viagem em países do Mercosul.

O RG antigo continua válido durante um período de transição, mas a orientação oficial é que o cidadão faça a CIN sempre que precisar emitir uma identidade nova, atualizar dados ou solicitar segunda via.

Quando a emissão da CIN é gratuita

A regra geral, prevista no decreto federal que instituiu a nova identidade, é que a primeira emissão da CIN é gratuita para todos os brasileiros, independentemente de idade, renda ou estado onde a pessoa mora. Ou seja, se você ainda não tem a nova Carteira de Identidade Nacional e vai tirá-la pela primeira vez, não precisa pagar nada pela confecção do documento.

Além dessa regra geral, existem situações específicas em que até mesmo a segunda via da CIN sai gratuitamente. Entre os casos mais comuns previstos nas normas estaduais estão:

  • Cidadãos que comprovem ser reconhecidamente pobres, na forma da lei.
  • Vítimas de furto ou roubo do documento, mediante apresentação do boletim de ocorrência.
  • Alteração de nome civil por decisão judicial, retificação em registro civil, casamento ou divórcio.
  • Correção de erros de grafia ou dados incorretos que sejam de responsabilidade do órgão emissor.
  • Em algumas unidades da federação, também há isenção para idosos, doadores de sangue regulares e pessoas com deficiência.

Para ter direito à isenção, é fundamental levar os comprovantes exigidos no momento do atendimento. Sem a documentação, o cidadão acaba pagando a taxa mesmo que se encaixe em alguma das hipóteses de gratuidade.

Outro ponto importante: mesmo quando a emissão é gratuita, o agendamento continua sendo obrigatório na maioria dos estados. Não é possível chegar ao posto de identificação sem horário marcado e esperar ser atendido.

Quando você paga pela segunda via da Carteira de Identidade

A cobrança aparece principalmente na segunda via da CIN, quando o motivo do novo pedido é de responsabilidade do cidadão. Os casos mais comuns em que há cobrança de taxa são:

  • Perda do documento sem boletim de ocorrência.
  • Extravio por descuido.
  • Danificação do documento por mau uso (identidade rasgada, molhada, quebrada ou com fotografia ilegível).
  • Emissão de vias adicionais por vontade do cidadão, sem alteração de dados.
  • Atualização de foto quando não houver mudança obrigatória de informação.

O valor da taxa varia conforme o estado, porque cada Instituto de Identificação define seu próprio custo por meio de lei estadual ou decreto local. Em alguns estados, o valor gira em torno de poucas dezenas de reais; em outros, pode passar de cem reais, dependendo da urgência e do tipo de emissão.

Por isso, antes de agendar a emissão, o ideal é consultar o site oficial do Instituto de Identificação do seu estado (ou da Secretaria de Segurança Pública, órgão ao qual esse instituto costuma ser vinculado) para confirmar o valor exato e as formas de pagamento aceitas — normalmente boleto bancário emitido pelo próprio sistema de agendamento.

Vale a pena pagar pela CIN mesmo tendo RG antigo?

Muitos brasileiros ainda têm dúvida se compensa pagar pela segunda via da CIN quando o RG antigo continua válido. A resposta depende do uso. Se o seu RG está em bom estado, com foto ainda reconhecível e dados corretos, ele continua servindo como identidade. Mas, como a tendência é que toda a rede pública migre para o novo padrão, quem precisa acessar serviços bancários, previdenciários e de saúde com frequência tende a se beneficiar de já ter a CIN em mãos.

Como agendar e o que levar para tirar a CIN

O processo de emissão da nova Carteira de Identidade Nacional segue basicamente as mesmas etapas em todos os estados, com pequenas variações no sistema de agendamento:

  1. Agendamento online no site do Instituto de Identificação do estado ou pelo aplicativo gov.br, quando disponível.
  2. Comparecimento presencial no posto escolhido, no dia e horário marcados. Não há emissão totalmente online — a coleta de biometria e foto precisa ser feita pessoalmente.
  3. Apresentação dos documentos obrigatórios, sendo o principal deles a certidão de nascimento (para solteiros) ou de casamento (para casados), no original e em bom estado.
  4. Conferência do CPF, que já vem integrado à Receita Federal.
  5. Coleta de foto, assinatura e biometria feita no próprio posto.

Se for o caso de segunda via com direito à isenção, é preciso levar também os comprovantes que dão direito ao benefício, como boletim de ocorrência, declaração de hipossuficiência ou documento judicial de alteração de nome.

A CIN é entregue em prazo que varia entre poucos dias e algumas semanas, dependendo do estado e da demanda. Em muitos lugares, a versão digital fica disponível quase imediatamente pelo aplicativo gov.br, enquanto a via física é enviada depois.

Como evitar gastar dinheiro à toa com a segunda via

Algumas atitudes simples ajudam a economizar com a nova Carteira de Identidade Nacional e evitar surpresas na hora de precisar do documento:

  • Faça a primeira emissão o quanto antes, aproveitando a gratuidade garantida por lei.
  • Guarde a CIN em local seguro, de preferência em porta-documentos rígido, para evitar rasgos e desbotamento — dano no documento é o principal motivo de segunda via paga.
  • Registre boletim de ocorrência imediatamente em caso de furto ou roubo. Sem o BO, a segunda via costuma ser cobrada como se fosse simples extravio.
  • Aproveite mudanças oficiais de dados (como casamento ou divórcio) para atualizar o documento, já que muitas dessas emissões são isentas.
  • Confira sempre os dados impressos antes de sair do posto. Se houver erro do órgão emissor, a correção normalmente é gratuita — mas, se você só perceber depois, pode acabar tendo que pagar em algumas situações.

Com essas precauções, o cidadão consegue manter a identidade em dia sem gastar dinheiro desnecessário e ainda garante um documento moderno, aceito em todo o Brasil e cada vez mais integrado aos serviços públicos digitais.

Conclusão: CIN gratuita é regra, cobrança é exceção

O principal recado sobre a nova Carteira de Identidade Nacional é que o cidadão brasileiro não deve deixar de tirar o documento por medo de custo: a primeira via é gratuita em todo o país, e há várias situações em que até a segunda via é isenta. A cobrança aparece principalmente quando o novo pedido decorre de perda, extravio ou dano de responsabilidade do titular, e o valor da taxa é definido por cada estado.

Se você ainda não tem a CIN, o próximo passo prático é acessar o site do Instituto de Identificação do seu estado, verificar se há postos disponíveis próximos e agendar a emissão gratuita. Se já tem, mantenha o documento bem guardado e fique atento ao prazo de validade para não ser pego de surpresa por uma taxa que poderia ter sido evitada.

Referências

  • Seu Crédito Digital — regras de gratuidade e isenção da CIN: https://seucreditodigital.com.br
  • Portal gov.br e institutos de identificação estaduais — agendamento e taxas: https://www.gov.br
  • Decreto federal da Carteira de Identidade Nacional (Decreto nº 10.977/2022) — gov.br

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