Consignado 2026: juros de 1,47% a 4,98% ao mês; como comparar
Levantamento do Procon-SP mostra taxas do consignado de 1,47% a 4,98% ao mês em 2026. Veja como comparar CET, margem e prazo antes de contratar.
Uche Ochôa
Consignado 2026: juros de 1,47% a 4,98% ao mês; como comparar
O empréstimo consignado voltou a ser destaque em 2026 depois que um levantamento do Procon-SP sobre taxas máximas cobradas pelos bancos mostrou uma diferença expressiva: de 1,47% ao mês no piso a 4,98% ao mês no teto. Em termos práticos, isso significa que duas pessoas com o mesmo valor emprestado e o mesmo prazo podem pagar somas totais muito diferentes só porque uma pesquisou preço e a outra não.
Este guia foi montado para quem recebe pelo INSS (aposentado ou pensionista), para o trabalhador CLT e para o servidor público que estão considerando contratar um consignado agora. A ideia é simples: mostrar, sem enrolação, como comparar propostas de verdade, o que a taxa mensal esconde, qual é a margem que você pode comprometer, quais são os prazos legais e onde estão as armadilhas mais comuns.
Se você já tomou o susto de ver ofertas muito diferentes chegando por telefone, por mensagem ou nas agências, este texto é para você. Vamos separar o que é propaganda do que é regra oficial — e ao final você terá um método objetivo para escolher a proposta certa e não pagar caro à toa.
Por que os juros do consignado variam tanto entre os bancos
O consignado é, no papel, o crédito mais barato do mercado. O motivo é técnico: a parcela sai direto do benefício do INSS, do salário do servidor ou da folha de pagamento do trabalhador CLT — o banco não corre praticamente nenhum risco de calote. Mesmo assim, o levantamento do Procon-SP mostrou taxas máximas indo de 1,47% a 4,98% ao mês, o que expõe uma diferença relevante no que cada instituição decide cobrar.
Essa variação acontece por três motivos principais:
- Custo interno de captação de cada banco (quanto ele paga para ter dinheiro em caixa);
- Estratégia comercial — bancos maiores tendem a ter taxa menor; correspondentes e financeiras menores costumam trabalhar com taxa mais alta;
- Perfil do produto — refinanciamento, portabilidade e contratação nova têm precificações diferentes.
Ou seja: não existe uma "taxa justa" única. Existe a taxa que você aceitou assinar. Por isso comparar antes é a etapa mais importante da contratação.
O que a taxa mensal esconde
Um ponto que muita gente ignora: a taxa nominal ao mês (por exemplo, 1,80%) não é o custo real do empréstimo. O custo real chama-se Custo Efetivo Total (CET) e inclui:
- Juros propriamente ditos;
- IOF;
- Tarifas administrativas;
- Seguros embutidos, quando houver.
O CET é obrigatório por norma do Conselho Monetário Nacional e deve aparecer com destaque em qualquer proposta formal. Sempre peça o CET anual por escrito antes de assinar. Duas propostas com a mesma taxa mensal podem ter CET diferentes — e é o CET que diz quanto você vai pagar de verdade.
Ranking de taxas: o que o levantamento oficial revela
O levantamento do Procon-SP apurou as taxas máximas praticadas por bancos no consignado e organizou um ranking do menor para o maior custo. O piso ficou em 1,47% ao mês e o teto em 4,98% ao mês. A distância entre o topo e a base do ranking é, sozinha, superior a três pontos percentuais por mês — o que, em prazos longos, se traduz em milhares de reais de diferença no total pago.
Para você entender o impacto na vida real, considere um exemplo simplificado: um empréstimo de R$ 10.000 pago em 60 parcelas.
- A 1,50% ao mês, a parcela fica em torno de R$ 254, com custo total próximo de R$ 15.240.
- A 4,50% ao mês, a parcela salta para cerca de R$ 490, com custo total próximo de R$ 29.400.
A diferença passa de R$ 14.000 no mesmo empréstimo, com o mesmo prazo. É por isso que a etapa de comparação não é opcional — ela é o que separa uma dívida saudável de uma dívida cara.
Por que o teto legal permite tanta diferença
O Conselho Nacional de Previdência Social (para o consignado do INSS) define um teto máximo que os bancos não podem ultrapassar. Abaixo desse teto, cada instituição precifica como quiser. O resultado é o que o ranking mostrou: bancos disputam o mesmo cliente com preços muito diferentes, e quem não pesquisa acaba pagando o pior preço permitido pela regra.
Consignado INSS x CLT: regras diferentes, comparação diferente
Antes de comparar taxas, você precisa saber em qual modalidade você se encaixa. As regras não são as mesmas.
Consignado INSS (aposentados e pensionistas)
- Prazo máximo: 108 meses (9 anos) para pagar;
- Margem consignável total: 40% do valor do benefício;
- Desses 40%, 5% são reservados exclusivamente para cartão benefício e/ou cartão consignado;
- Se você já tem cartão benefício ou cartão consignado contratado, sobram 35% para o empréstimo em parcelas;
- Se você não tem nenhum cartão contratado, os 40% inteiros podem ser usados para o empréstimo em parcelas;
- Carência da primeira parcela: até 90 dias após a contratação.
A carência de até 90 dias é útil, mas atenção: os juros continuam correndo durante esse período. Adiar o vencimento aumenta o custo total.
Consignado CLT (trabalhador com carteira assinada)
- Prazo máximo: 96 meses (8 anos);
- Margem consignável: 35% do salário;
- Atualmente não existe cartão consignado nessa modalidade, então os 35% inteiros ficam disponíveis para o empréstimo em parcelas.
Consignado do servidor público
Cada ente (União, estados e municípios) define suas próprias regras de margem e de prazo, dentro dos limites da respectiva lei.
Compare taxas apenas dentro da sua modalidade. Não adianta olhar uma taxa anunciada para servidor público se você é aposentado do INSS — os custos e prazos são calculados de formas diferentes.
Como comparar propostas de consignado na prática
Com o ranking na mão e a modalidade correta identificada, a comparação precisa seguir um roteiro. Não caia na conversa de vendedor que fala só em "parcela baixinha". Parcela baixa quase sempre significa prazo longo, e prazo longo significa mais juros pagos no total.
Use esta lista de verificação em toda proposta:
- Taxa de juros mensal — anotada por escrito na proposta;
- CET (Custo Efetivo Total) anual — o número que realmente importa;
- Valor liberado (o que cai na sua conta) x valor total a pagar (soma de todas as parcelas);
- Quantidade de parcelas — respeitando o teto de 108 meses (INSS) ou 96 meses (CLT);
- Valor da parcela — deve caber dentro da sua margem consignável;
- Existência de seguro embutido — em geral opcional, mas costuma vir marcado por padrão;
- Tarifas de cadastro ou de avaliação — no consignado, normalmente não deveriam existir.
A conta que evita cilada
Existe uma conta simples e imbatível: multiplique o valor da parcela pelo número de parcelas e subtraia o valor liberado. O resultado é quanto você vai pagar de juros, IOF e tarifas somados — em reais, no seu bolso, sem tecnicismo.
Exemplo: parcela de R$ 300 × 84 meses = R$ 25.200. Se o valor liberado foi R$ 15.000, você vai pagar R$ 10.200 só de custo. Se outra proposta liberar os mesmos R$ 15.000 com custo total de R$ 6.800, essa segunda proposta é claramente melhor — mesmo que a "parcela" pareça um pouco maior.
Portabilidade: uma arma pouco usada
Se você já tem um consignado ativo com juros altos, pode pedir portabilidade para outro banco que ofereça taxa menor. O banco novo assume a dívida e você passa a pagar a parcela mais barata. É um direito seu, previsto em regulamentação do Banco Central, e não pode ser recusado sem justificativa técnica. Antes de contratar um novo empréstimo, avalie se não é caso de portar o antigo.
Erros comuns na contratação e como evitar
O consignado tem fama de barato, mas isso não impede que muita gente contrate mal. Estes são os deslizes mais frequentes:
- Fechar pelo telefone sem receber a proposta escrita. Nunca assine nada baseado só na conversa. Peça o contrato em PDF, com CET, valor total e cronograma de parcelas.
- Aceitar refinanciamento repetido. Refinanciar a cada 6 meses parece bom porque "libera dinheiro", mas na prática estende o prazo e faz você pagar juros sobre juros já pagos.
- Confundir cartão consignado com empréstimo. Cartão consignado tem regras próprias, taxa diferente e ocupa parte específica da sua margem. Não é a mesma coisa que empréstimo em parcelas.
- Ignorar o CET. Focar só na taxa mensal esconde IOF, tarifas e seguros.
- Contratar por link recebido em mensagem. Golpes com falsos correspondentes bancários dispararam. A contratação legítima nunca exige pagamento antecipado de taxa, cadastro ou liberação.
Sinal de alerta imediato
Desconfie de qualquer proposta que:
- Peça depósito adiantado "para liberar o crédito";
- Ofereça taxa muito abaixo do piso do ranking oficial;
- Force decisão "só hoje", sem tempo para ler o contrato;
- Não apresente o CET por escrito.
Em caso de dúvida, procure diretamente o canal oficial do INSS (Meu INSS ou 135) ou o banco onde você já é correntista. Nenhuma instituição séria pressiona por assinatura no mesmo minuto.
BPC/LOAS pode contratar consignado?
Este é um dos temas em que mais circula informação errada. Vamos ao que diz a regra.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) é um benefício assistencial pago pelo INSS a idosos de baixa renda e a pessoas com deficiência. Não é aposentadoria nem pensão — é assistência social. Isso gera confusão sobre o direito ao consignado.
Pela lei, o BPC/LOAS pode ser usado como base para empréstimo consignado. Não existe vedação legal. Portanto, quem afirma que "quem recebe BPC não pode fazer consignado" está incorreto.
A ressalva importante é sobre o momento atual (2026): por causa do alto volume de cessações e revisões desse tipo de benefício, muitas instituições financeiras recuaram na oferta prática de consignado para beneficiários do BPC/LOAS. O direito continua existindo — a disponibilidade comercial é que está reduzida.
Resumindo, para não errar:
- Permitido por lei? Sim.
- Fácil encontrar banco ofertando hoje? Não, a oferta está restrita.
- Vale a pena insistir? Só depois de comparar taxas com muito cuidado, porque nas poucas ofertas ativas o custo tende a ser mais alto.
Passo a passo para contratar com segurança
Se, depois de tudo isso, você decidiu contratar, siga esta sequência:
- Consulte sua margem atual pelo aplicativo Meu INSS (se for INSS) ou no contracheque (se for CLT ou servidor);
- Peça propostas em pelo menos três instituições — bancos grandes tendem a ter taxa menor;
- Exija por escrito: taxa mensal, CET anual, valor liberado, valor total e prazo;
- Compare o valor total pago, não só a parcela;
- Verifique se o prazo respeita o teto legal — 108 meses para INSS ou 96 meses para CLT;
- Confirme o desbloqueio da senha do INSS antes de assinar, se for o caso — o desbloqueio é gratuito e feito no Meu INSS;
- Guarde uma cópia do contrato e do CET.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre juros do consignado
Qual é a taxa máxima permitida por lei no consignado do INSS?
O Conselho Nacional de Previdência Social define um teto para o consignado do INSS, revisado periodicamente. O levantamento do Procon-SP mostrou taxas máximas praticadas pelo mercado indo de 1,47% a 4,98% ao mês.
Vale mais a pena olhar a parcela ou o CET?
Sempre o CET (Custo Efetivo Total). Parcela baixa costuma esconder prazo muito longo. O CET anual mostra o custo real do dinheiro, incluindo juros, IOF, tarifas e seguros — é o número que realmente compara duas propostas de forma justa.
Posso fazer portabilidade do meu consignado atual?
Sim. A portabilidade é um direito regulamentado pelo Banco Central. Se você paga uma taxa acima do que outros bancos oferecem hoje, pode pedir a transferência da dívida para uma instituição com juros menores. O banco atual não pode impedir a portabilidade sem justificativa técnica válida.
Quem recebe BPC/LOAS pode fazer consignado em 2026?
Por lei, sim — o BPC/LOAS pode ser base para consignado. Na prática, porém, a oferta ativa das instituições está reduzida em 2026 por causa do volume de revisões e cessações desse benefício. É permitido, mas atualmente com pouca disponibilidade comercial.
Qual é o prazo máximo do consignado hoje?
Para aposentados e pensionistas do INSS, o prazo máximo é 108 meses. Para trabalhadores CLT, o prazo máximo é 96 meses. Prazos maiores não são permitidos e devem ser recusados imediatamente se aparecerem em qualquer proposta.
O que fazer se o banco cobrar taxa acima do teto?
Registre uma reclamação no órgão de defesa do consumidor da sua cidade, no Banco Central (canal RDR) e, no caso do INSS, na Ouvidoria da Previdência pelo 135. Guarde o contrato e todos os comprovantes. Cobrança acima do teto regulatório é irregular e pode ser revertida.
Conclusão
Comparar juros no consignado deixou de ser recomendação — virou obrigação de quem não quer pagar caro à toa. Com taxas máximas indo de 1,47% a 4,98% ao mês entre os bancos avaliados, quem assina a primeira proposta que aparece pode desembolsar milhares de reais a mais do que precisaria.
Os pontos essenciais deste guia:
- Existe uma diferença expressiva entre os bancos — o piso e o teto do ranking estão separados por mais de três pontos percentuais ao mês;
- CET é o número que importa, não a taxa nominal isolada nem a parcela mensal;
- Prazo máximo é 108 meses no INSS e 96 meses no CLT — mais que isso é irregular;
- Margem é 40% no INSS (com 5% reservados a cartão) e 35% no CLT;
- BPC/LOAS pode fazer consignado por lei, embora a oferta esteja hoje restrita;
- Portabilidade é um direito seu — use quando tiver contrato antigo caro.
Seu próximo passo prático: antes de qualquer coisa, peça três propostas por escrito — com taxa mensal, CET anual, valor liberado e valor total — e faça a conta simples de parcela × número de parcelas menos valor liberado. A proposta com o menor resultado nessa conta é a mais barata, ponto.
Crédito consignado bem contratado é ferramenta útil. Mal contratado, vira uma dívida que atravessa anos do seu orçamento. A diferença entre um caso e outro está na comparação — e agora você tem o método completo para fazer a sua.
Referências
- Levantamento Procon-SP sobre taxas máximas de juros do consignado (referenciado em reportagem do jornal Folha de São Paulo, caderno Mercado, 07/06/2026).
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