Cotas antigas do PIS/Pasep: como consultar e sacar em 2025
Quem trabalhou entre 1971 e 1988 pode ter saldo de cotas do PIS/Pasep a receber. Veja como consultar pelo app FGTS, Caixa Tem ou em agência.
Ricardo Silva
Muita gente não sabe, mas existe um dinheiro antigo do PIS e do Pasep que ficou parado por décadas e que pode, sim, ser resgatado pelo trabalhador ou pelos herdeiros. Não estamos falando do abono salarial pago todo ano — esse é outro benefício. Estamos falando das chamadas cotas do PIS/Pasep, formadas por depósitos feitos entre 1971 e 4 de outubro de 1988, quando o fundo funcionava como uma espécie de poupança individual do trabalhador.
Com o passar do tempo, muita gente esqueceu desses valores, mudou de endereço, não recebeu aviso ou simplesmente nunca foi informado de que tinha direito. Em 2025 e 2026, o tema voltou ao radar porque o Governo Federal e a Caixa Econômica Federal mantêm canais de consulta abertos para que o cidadão verifique se tem saldo a receber — inclusive em nome de parentes já falecidos. Neste guia, você vai entender o que são essas cotas, quem tem direito, como consultar e como sacar.
O que são as cotas antigas do PIS/Pasep
Antes de qualquer coisa, é importante separar duas coisas que costumam ser confundidas. O abono salarial PIS/Pasep é aquele pagamento anual de até um salário mínimo destinado a quem trabalhou com carteira assinada no ano-base, ganhou em média até dois salários mínimos por mês e cumpre os demais requisitos. Esse abono é pago todo ano e segue um calendário próprio.
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Já as cotas do PIS/Pasep são outra coisa. Trata-se de um saldo individual formado por contribuições feitas por empresas e órgãos públicos em nome de cada trabalhador entre os anos de 1971 e 1988. Funcionava como uma conta vinculada: o trabalhador acumulava recursos ali, com rendimentos, e podia sacar em situações específicas, como aposentadoria, invalidez ou falecimento.
Em 1988, com a nova Constituição, esses depósitos foram interrompidos. O fundo, porém, continuou rendendo durante todos esses anos. Posteriormente, o que ainda existia desse saldo foi transferido para o FGTS para facilitar o pagamento aos beneficiários. Hoje, esses valores podem ser consultados e sacados diretamente pelos canais oficiais da Caixa Econômica Federal.
Quem tem direito ao resgate das cotas do PIS/Pasep
A regra geral é simples: tem direito ao resgate todo trabalhador que contribuiu para o PIS ou para o Pasep entre 1971 e 4 de outubro de 1988 e que ainda não sacou esse saldo. A diferença básica entre os dois é o tipo de vínculo:
- PIS (Programa de Integração Social): destinado a trabalhadores da iniciativa privada, com cadastro feito originalmente pela Caixa Econômica Federal.
- Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público): destinado a servidores públicos, com cadastro originalmente vinculado ao Banco do Brasil.
Mesmo quem trabalhou pouco tempo nesse período pode ter algum valor acumulado. Em muitos casos, o saldo é pequeno, mas em outros pode chegar a alguns milhares de reais, dependendo do tempo de contribuição e do rendimento acumulado ao longo das décadas.
Um ponto importante: se o titular já faleceu, os herdeiros legais e dependentes habilitados na Previdência Social também podem solicitar o saque das cotas. Isso vale para viúvas, viúvos, filhos e demais sucessores, mediante apresentação dos documentos que comprovam essa condição. Inclusive, esse é um dos motivos pelos quais o tema ganhou força: muita família descobre, anos depois, que o pai, a mãe ou o avô deixou um saldo de PIS/Pasep que nunca foi resgatado.
Vale lembrar que a aposentadoria pelo INSS também é uma das condições previstas para o saque das cotas — então, se você se aposentou recentemente e trabalhou com carteira assinada antes de 1988, vale a pena fazer a consulta.
Como consultar se você tem cotas do PIS/Pasep a receber
O primeiro passo é descobrir se existe saldo em seu nome. A consulta é gratuita e pode ser feita por canais oficiais, sem necessidade de intermediários, despachantes ou pagamentos a terceiros. Desconfie de qualquer pessoa que ofereça "liberar o seu dinheiro do PIS" mediante taxa — isso é golpe.
Os principais caminhos de consulta são:
- Aplicativo FGTS: disponível para celulares Android e iPhone. Após o login com CPF e senha, é possível visualizar saldos vinculados ao trabalhador, inclusive os valores remanescentes das cotas do PIS, já que esses recursos foram integrados ao sistema do FGTS.
- Aplicativo Caixa Trabalhador / Caixa Tem: outro canal digital onde o trabalhador consegue verificar benefícios e saldos.
- Internet Banking da Caixa: quem é correntista do banco pode checar diretamente pelo site ou app oficial.
- Agências da Caixa Econômica Federal: o atendimento presencial continua disponível para quem prefere ou para quem precisa resolver pendências, como falta de cadastro biométrico ou divergência de dados.
- Central de atendimento da Caixa: o telefone 111 atende dúvidas sobre o PIS, enquanto o 0800 726 0207 funciona como SAC.
Para consultar cotas do Pasep (servidores públicos), o cadastro original era no Banco do Brasil, mas, com a unificação operacional, hoje a consulta também passa, na prática, pela estrutura disponibilizada pelo Governo Federal e pela Caixa.
Na hora de consultar, tenha em mãos:
- Número do CPF;
- Número do PIS ou Pasep (que aparece na Carteira de Trabalho antiga, no Cartão Cidadão ou no extrato do FGTS);
- Documento de identidade.
Se o sistema indicar que existe saldo, o próprio canal já costuma orientar como prosseguir com o saque.
Como sacar as cotas antigas do PIS/Pasep passo a passo
Uma vez confirmado que existe valor a receber, o saque pode ser feito de algumas formas diferentes, dependendo da situação do trabalhador:
1. Saque digital pelo app FGTS ou Caixa Tem
Nos casos em que o sistema reconhece automaticamente o direito (por exemplo, quando o trabalhador já está aposentado e tem cadastro atualizado), é possível solicitar o crédito direto em conta pelo aplicativo. O valor pode ser transferido para uma conta da Caixa ou para conta em outro banco, normalmente via Pix ou TED, sem custo.
2. Saque presencial em agência da Caixa
Quando há alguma pendência cadastral, divergência de dados ou quando o solicitante é herdeiro/dependente, o caminho recomendado é a agência da Caixa. Leve documento oficial com foto, CPF, comprovante de residência e, no caso de herdeiros, a documentação que comprove essa condição.
3. Saque por herdeiros e dependentes
Se o titular do PIS/Pasep faleceu, os dependentes habilitados perante a Previdência Social têm prioridade no recebimento. Na ausência de dependentes, os sucessores indicados em alvará judicial ou em escritura pública de inventário podem fazer a solicitação. Em geral, são exigidos:
- Certidão de óbito do titular;
- Documento que comprove a condição de dependente ou herdeiro;
- Documento de identidade e CPF do solicitante.
Atenção aos prazos e cuidados
Não há um prazo curto e fixo que faça o trabalhador "perder" o valor das cotas — o saldo continua disponível enquanto não for sacado. Mesmo assim, o ideal é não deixar o pedido para depois, porque:
- O dinheiro parado perde poder de compra com a inflação;
- A documentação fica mais difícil de reunir com o passar dos anos, especialmente em caso de falecimento;
- Mudanças futuras nas regras podem alterar a forma de pagamento.
E vale repetir: a consulta e o saque são gratuitos. Nenhum órgão oficial pede pagamento adiantado, taxa de liberação ou dados de cartão de crédito para entregar esse dinheiro. Mensagens por WhatsApp, SMS ou redes sociais prometendo "liberar PIS antigo na hora" mediante pagamento são tentativas de fraude.
Conclusão: vale a pena verificar suas cotas do PIS/Pasep
Se você trabalhou com carteira assinada ou foi servidor público em qualquer momento entre 1971 e outubro de 1988, existe uma chance real de ter saldo de cotas antigas do PIS/Pasep a receber. O mesmo vale para quem é filho, viúva, viúvo ou herdeiro de alguém que trabalhou nesse período. Muitos beneficiários nunca foram informados e seguem com esse valor parado, sem saber.
O passo prático é simples: separe o CPF e, se possível, o número do PIS/Pasep, baixe o aplicativo FGTS ou o Caixa Tem, faça login e veja se aparece saldo disponível. Se preferir o atendimento humano, vá a uma agência da Caixa Econômica Federal ou ligue para os canais oficiais. Em caso de dúvida sobre direitos previdenciários relacionados, a referência continua sendo o INSS, por meio da plataforma Meu INSS.
Verificar custa poucos minutos e pode revelar um valor esquecido que faz diferença no orçamento — especialmente para aposentados, pensionistas e famílias de baixa renda.
Referências
- Caixa Econômica Federal — canais de consulta PIS/Pasep.
- Governo Federal — processo de ressarcimento de cotas PIS/Pasep.
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