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Fim da taxa das blusinhas: quanto você vai economizar

Congresso aprovou o fim do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. Veja quanto você economiza no Shein, Shopee e AliExpress.

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Tatiana Botelho

📖 11 min de leitura

Se você já perdeu a conta de quantas vezes desistiu de uma compra no Shein, no Shopee ou no AliExpress quando viu o valor final com imposto, este texto é para você. O Congresso Nacional aprovou em definitivo o fim da chamada "taxa das blusinhas", o imposto federal que passou a incidir sobre compras internacionais de baixo valor. A decisão foi tomada em 3 de setembro de 2026 e transforma em regra permanente algo que, até então, dependia de uma medida provisória com prazo de validade.

Na prática, isso significa que remessas internacionais de até US$ 50 voltam a ficar isentas do imposto de importação federal. Para o consumidor que faz compras pequenas em sites asiáticos, o alívio é imediato: aquele pedido de camiseta, capinha de celular, tênis barato ou item de casa deixa de ter um acréscimo pesado só de tributo federal. Nesta matéria, você vai entender exatamente o que muda, quanto vai economizar em cada faixa de valor, por que o ICMS ainda continua na conta e como planejar suas compras sem cair em ciladas.

O que muda com o fim da taxa das blusinhas

A "taxa das blusinhas" é o apelido popular do imposto de importação federal criado para taxar as compras de baixo valor feitas em sites estrangeiros. O nome pegou porque boa parte dessas remessas envolve roupas baratas, especialmente do Shein — mas na prática o tributo atingia qualquer produto vindo de fora dentro daquela faixa de preço, incluindo eletrônicos, acessórios, brinquedos e itens de casa.

Com a aprovação no Congresso Nacional em setembro de 2026, esse imposto federal deixa de valer para as remessas de até US$ 50. Ou seja: a alíquota federal que estava sendo aplicada sobre esse tipo de compra cai a zero. É uma mudança que não depende mais de renovação de medida provisória e passa a ter caráter permanente, o que dá previsibilidade ao consumidor e às plataformas de e-commerce internacional.

Vale destacar um ponto que confunde muita gente: o fim da taxa federal não elimina totalmente a tributação sobre a compra. Existe ainda o ICMS, imposto estadual, que continua sendo cobrado normalmente. Falaremos dele em detalhe mais adiante, porque é justamente o ICMS que explica por que a economia real fica menor do que muitos consumidores imaginam.

Outro ponto importante: a mudança vale para remessas internacionais de pessoa física com valor até US$ 50. Compras acima desse patamar seguem regras diferentes de tributação, com incidência de imposto de importação em alíquotas próprias. Portanto, se o seu pedido no AliExpress passa desse limite, ele não entra nessa isenção.

Como era a cobrança antes da aprovação no Congresso

Para entender o tamanho do alívio, vale relembrar o que estava acontecendo até esta aprovação. Depois de anos em que a maior parte das compras de baixo valor chegava sem imposto federal, o governo passou a taxar essas remessas dentro do programa de conformidade das plataformas internacionais. O consumidor via o valor do imposto embutido já no carrinho, antes de finalizar a compra, e recebia o produto sem precisar pagar nada na alfândega.

O impacto arrecadatório dessa cobrança foi expressivo. Segundo dados da Receita Federal, apenas nos quatro primeiros meses de 2026 foram arrecadados R$ 1,78 bilhão com esse imposto sobre remessas internacionais de baixo valor. É um número que mostra, ao mesmo tempo, o volume gigantesco de compras que os brasileiros fazem nesses sites e o quanto o consumidor final estava efetivamente pagando de tributo a mais.

Com o fim da taxa federal, esse fluxo de arrecadação deixa de existir na ponta federal. Do ponto de vista do consumidor, é dinheiro que volta para o bolso — ou, mais realisticamente, produtos que voltam a caber no orçamento apertado das famílias que dependem dessas plataformas para comprar roupa infantil, uniforme, item de casa e presentes por um preço acessível.

Antes de simular valores, é importante ter em mente uma coisa: as plataformas terão que atualizar seus sistemas para refletir a nova regra. É possível que, nos primeiros dias após a mudança, ainda apareçam cobranças por inércia dos sistemas. Se isso acontecer, o consumidor pode acompanhar via canais oficiais das próprias empresas e da Receita Federal como será feito o ajuste.

Simulação: quanto você economiza em uma compra de US$ 50

Agora vamos ao que interessa: quanto sobra no seu bolso. Para calcular a economia real, precisamos considerar dois pontos — o fim da alíquota federal e a manutenção do ICMS estadual.

A alíquota federal que vinha sendo aplicada sobre as remessas de baixo valor era de 20%, segundo referências de mercado. Já o ICMS varia de estado para estado, sendo comum a alíquota de 17% em várias unidades da federação.

Vamos usar um exemplo prático didático. Considere uma compra de US$ 50 em roupas no Shein. Com o dólar em torno de R$ 5,00, o valor do produto é de R$ 250,00.

Cenário antes da revogação (com imposto federal + ICMS):

  • Produto: R$ 250,00
  • Imposto federal (20%): R$ 50,00
  • ICMS estadual: incide sobre o valor da compra somado ao imposto federal, o que aumenta a base de cálculo
  • Valor final estimado: em torno de R$ 360 a R$ 370, dependendo do estado

Cenário depois da revogação (só ICMS):

  • Produto: R$ 250,00
  • Imposto federal: zero
  • ICMS estadual sobre a compra: aplicado normalmente
  • Valor final estimado: em torno de R$ 300, dependendo do estado

A economia gira, portanto, em torno de R$ 60 a R$ 70 em uma compra de US$ 50. Percentualmente, isso representa uma redução de cerca de 18% a 20% no preço final do pedido. Para quem faz compras recorrentes, o efeito no orçamento mensal é relevante — especialmente para famílias que usam essas plataformas para comprar roupa de criança, calçado escolar e itens básicos de casa.

Em compras menores, como um pedido de US$ 20, a economia proporcional é semelhante. Já em compras que passam de US$ 50, o alívio some, porque a faixa de isenção não se aplica e o imposto de importação volta a incidir em regime próprio.

Por que o ICMS continua: o imposto estadual que ainda pesa na conta

Esse é o ponto que gera mais confusão. Muita gente entendeu que, com o fim da "taxa das blusinhas", as compras internacionais ficariam totalmente isentas. Não é o caso. O que foi revogado é apenas o imposto federal. O ICMS, que é um imposto estadual, continua sendo cobrado normalmente sobre as remessas internacionais, independentemente do valor.

O ICMS é regulado pelos estados, e cada um define sua alíquota. Nas remessas internacionais, ele é cobrado por convênio nacional entre as secretarias de fazenda estaduais. Por isso, o valor final da mesma compra pode variar dependendo do estado de destino da encomenda.

Na prática, o consumidor não vai precisar recolher esse ICMS separadamente. As próprias plataformas que aderiram ao programa de conformidade (como Shein, Shopee e AliExpress) já embutem o imposto estadual no valor mostrado no carrinho. Ou seja: o preço que aparece antes de fechar a compra já é o preço final, com o ICMS incluído. Isso simplifica bastante a vida de quem compra.

O ponto de atenção é: se você fizer uma comparação entre o "antes" e o "depois" da mudança, a redução no preço final vai ser aproximadamente equivalente à retirada da parcela federal, e não da carga tributária total. É importante ter essa clareza para não achar que houve algum tipo de cobrança indevida quando o produto continuar sendo taxado pelo ICMS.

Outra dúvida comum: e se a plataforma não estiver no programa de conformidade? Nesse caso, o imposto tende a ser cobrado na chegada da encomenda no Brasil, com o consumidor precisando pagar antes de retirar o produto nos Correios. É uma situação menos comum hoje entre as grandes plataformas, mas ainda existe em lojas menores e vendedores independentes.

Comparativo prático: Shein, Shopee e AliExpress

As três maiores plataformas de compras internacionais no Brasil operam de forma semelhante quando o assunto é tributação, porque todas aderiram ao programa de conformidade da Receita Federal. Ainda assim, existem diferenças práticas que valem a pena conhecer antes de escolher onde comprar.

Shein é a plataforma mais associada ao apelido "taxa das blusinhas" justamente porque concentra a maior parte do volume em roupas de baixo valor. Com o fim do imposto federal, uma compra típica de US$ 30 a US$ 50 volta a ficar competitiva em relação ao varejo nacional. A entrega costuma ser feita pelos Correios ou por operadores logísticos parceiros.

Shopee tem um mix mais amplo: vende tanto produtos importados vindos da Ásia quanto produtos de vendedores brasileiros. Nas remessas internacionais, a lógica de tributação é a mesma — com o fim do imposto federal, os pedidos de até US$ 50 pagam só o ICMS estadual. Vale ficar atento porque, em alguns produtos, o vendedor mostra dois preços: um para envio internacional e outro para envio nacional.

AliExpress foi historicamente uma das primeiras plataformas usadas pelos brasileiros para compras diretas da China. Também opera dentro do programa de conformidade, com o imposto já embutido no preço mostrado no carrinho. Em geral, a plataforma trabalha com uma variedade maior de eletrônicos e acessórios de menor valor, faixa em que a isenção federal faz bastante diferença.

Em resumo: em todas as três, o efeito prático do fim da "taxa das blusinhas" é o mesmo — o preço final cai porque a parcela federal deixa de existir. O que muda entre elas são o mix de produtos, os prazos de entrega e as políticas de troca e devolução, que continuam sendo os principais critérios de comparação para o consumidor.

O que fazer para aproveitar sem cair em ciladas

Com o preço mais baixo, a tentação de comprar mais aumenta. Vale seguir alguns cuidados básicos para não transformar economia em dor de cabeça no orçamento.

O primeiro cuidado é respeitar o limite de US$ 50 por remessa para se manter dentro da faixa de isenção federal. Se você dividir uma compra maior em pedidos menores só para escapar do imposto, corre o risco de ter os pedidos analisados como fracionamento de remessa, o que pode gerar cobrança adicional. O ideal é fazer compras genuinamente dentro do limite e programar as próximas para outra ocasião.

O segundo cuidado é conferir o valor total antes de finalizar. Como o ICMS estadual continua sendo cobrado, o preço no carrinho vai ser um pouco maior do que a soma dos produtos. Isso é normal e esperado. Se o valor final estiver muito acima do razoável, vale revisar antes de pagar.

O terceiro cuidado é planejar o prazo de entrega. Compras internacionais podem levar de duas a seis semanas para chegar, dependendo da origem e do serviço logístico. Se o item é para uma data específica (aniversário, volta às aulas, festa), programe com folga.

O quarto cuidado é evitar comprometer o orçamento com parcelamentos longos. Muitas plataformas oferecem parcelamento no cartão, o que pode parecer atrativo, mas transforma uma compra de baixo valor em várias prestações que se acumulam com outras dívidas. Se você está apertado no fim do mês, uma sequência de parcelas pequenas pode virar uma bola de neve.

Por fim, cuidado com golpes que aproveitam o gancho da notícia. Sempre que uma mudança tributária ganha destaque, aparecem mensagens falsas por WhatsApp e redes sociais oferecendo "isenção total", "restituição do imposto pago" ou "desbloqueio de encomenda". Nada disso existe. Se receber uma mensagem assim, ignore. Informações oficiais sobre tributação estão sempre nos canais da Receita Federal (gov.br/receitafederal).

Conclusão: uma vitória parcial, mas relevante para o bolso

O fim da "taxa das blusinhas" aprovado pelo Congresso é uma boa notícia para o consumidor brasileiro, especialmente para as famílias que dependem de plataformas internacionais para comprar roupa, calçado e itens básicos por um preço acessível. A economia gira em torno de 18% a 20% no valor final de uma compra dentro do limite de US$ 50, o que faz diferença no orçamento apertado do mês.

Mas é importante manter a expectativa realista: o ICMS estadual continua sendo cobrado e representa uma parcela relevante da carga tributária final. O preço vai cair, mas não vai voltar ao patamar de "quase de graça" que existia antes de qualquer tributação sobre remessas de baixo valor.

Para aproveitar da melhor forma, respeite o limite de US$ 50 por pedido, planeje o prazo de entrega, evite parcelamentos longos e desconfie de mensagens que prometam qualquer tipo de isenção adicional. Compre com consciência: preço baixo é bom, mas orçamento sob controle é ainda melhor.

Se você é aposentado, pensionista ou trabalhador CLT e usa essas plataformas para complementar o consumo da família, essa mudança é um respiro no fim do ano. Aproveite com moderação e mantenha o foco no que realmente cabe no seu bolso.

Referências

  • Congresso Nacional — aprovação da MP que tornou permanente a revogação do imposto federal sobre remessas internacionais de até US$ 50, em 3 de setembro de 2026.
  • Receita Federal — dado de arrecadação de R$ 1,78 bilhão nos quatro primeiros meses de 2026 com o imposto sobre remessas internacionais de baixo valor.

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