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Golpe do 135 falso do INSS: como funciona e como se proteger

Criminosos clonam o número 135 do INSS para enganar aposentados e roubar senhas e dados bancários. Veja como identificar o golpe e o que fazer.

RC

Rita Cavalcanti

📖 8 min de leitura

Uma nova onda de fraudes contra aposentados e pensionistas está preocupando quem depende do benefício do INSS todo mês. Golpistas passaram a usar um artifício simples, mas altamente eficaz: fazer o número 135 — a Central de Atendimento oficial do INSS — aparecer no visor do celular da vítima. O aposentado atende acreditando estar falando com um servidor público e, em poucos minutos, entrega dados pessoais, senha do Meu INSS ou informações bancárias que abrem caminho para o desvio da aposentadoria.

O golpe é sofisticado porque explora exatamente o canal em que o beneficiário mais confia. Afinal, o 135 é o número real do INSS, divulgado em todas as comunicações oficiais. Ao ver esse identificador na tela, poucas pessoas desconfiam. Neste conteúdo, você vai entender como a fraude funciona na prática, quais são os sinais de alerta, o que fazer se recebeu uma ligação suspeita e — o mais importante — como o INSS realmente se comunica com os segurados, para você nunca mais cair em uma armadilha desse tipo.

Como funciona o golpe do 135 falso do INSS

A técnica usada pelos criminosos se chama spoofing telefônico. De forma simples, é um recurso que permite manipular o número que aparece no identificador de chamadas de quem recebe a ligação. Ou seja: mesmo que o golpista esteja ligando de um celular comum, de qualquer lugar do país, o visor do aposentado mostra “135” — como se fosse um contato legítimo da Central do INSS.

Com a confiança da vítima já conquistada pelo número, o roteiro do golpe costuma seguir um padrão. O falso atendente diz que há um problema no benefício: pode ser uma suposta revisão pendente, um bloqueio por suspeita de fraude, uma prova de vida atrasada ou um valor retroativo que estaria disponível para saque. Em seguida, pede dados pessoais como CPF, número do benefício, data de nascimento e nome da mãe.

Em alguns casos, o criminoso vai além. Pede a senha do aplicativo Meu INSS ou um código enviado por SMS “para confirmar a identidade”. Esse código, na verdade, é o token de acesso à conta do próprio segurado. Uma vez com essa informação em mãos, o golpista entra na conta oficial do aposentado, altera dados cadastrais e chega a contratar empréstimos consignados em nome da vítima — ou redirecionar o pagamento do benefício para uma conta de laranja.

Por que o número 135 é usado pelos golpistas

O 135 é o único canal telefônico oficial do INSS para atendimento ao segurado. É por meio dele que aposentados e pensionistas tiram dúvidas, agendam perícias e resolvem pendências administrativas. Justamente por ser tão conhecido, o número virou uma isca perfeita para os criminosos.

Existe um detalhe importante que muita gente desconhece: o 135 é um canal para receber ligações do segurado, e não para fazer ligações ativas em massa. Em situações muito específicas, o INSS pode entrar em contato com um beneficiário, mas isso não acontece de forma rotineira e nunca envolve pedido de senhas, códigos ou transferências. Toda vez que o telefone toca e o visor mostra 135 com um atendente do outro lado oferecendo “resolver” algo, o nível de suspeita deve ser máximo.

Outro ponto que ajuda a entender por que o golpe cresce: as quadrilhas cruzam dados vazados em bancos de informações da internet. Antes de ligar, muitas já sabem o nome completo do aposentado, o número do benefício e até o banco em que ele recebe. Isso torna o discurso do falso atendente extremamente convincente, porque ele começa a conversa citando dados corretos, o que reforça a impressão de que se trata de uma ligação oficial.

Sinais de que você está diante de uma fraude

Alguns padrões se repetem em praticamente todos os relatos de vítimas. Reconhecer esses sinais é a melhor forma de blindagem contra o golpe do 135 falso:

  • Pressa e urgência. O falso atendente diz que o benefício será bloqueado “em poucas horas” se você não fornecer os dados naquele momento. O INSS não trabalha com esse tipo de prazo por telefone.
  • Pedido de senha ou código. Nenhum servidor público real vai pedir sua senha do Meu INSS, seu código de acesso ao banco ou o token recebido por SMS. Se alguém pediu, é golpe.
  • Solicitação de transferência ou pagamento. O INSS não cobra taxa para liberar benefício, revisão, atrasado ou prova de vida. Qualquer pedido de PIX, boleto ou depósito é fraude, sem exceção.
  • Encaminhamento para links. Se o interlocutor envia por SMS ou WhatsApp um link para você “atualizar cadastro” ou “confirmar dados”, desconfie. Sites falsos que imitam o Meu INSS são uma das principais portas de entrada desses ataques.
  • Oferta de valor retroativo fácil. Promessas de liberação rápida de valores atrasados, revisão da vida toda ou aumento no benefício em troca de dados são armadilhas clássicas.

Um sinal mais sutil, mas revelador: o falso atendente costuma insistir para que você não desligue e não peça para retornar a ligação depois. Isso porque, se você desligar e discar 135 por conta própria, cai na central verdadeira — e o golpe se desfaz.

O que fazer se recebeu uma ligação suspeita ou já caiu no golpe

A primeira e mais importante regra é: desligue. Você não deve nenhuma explicação a quem ligou. Encerrar a chamada, respirar e checar por outro canal é o comportamento correto — e é o que qualquer especialista em segurança recomendaria a um familiar.

Em seguida, ligue você mesmo para o 135, discando pelo teclado do telefone. Assim, você tem certeza de que está falando com a central oficial do INSS. Confirme se realmente existe alguma pendência no seu benefício. Na esmagadora maioria dos casos, não há.

Se o contato ofereceu um empréstimo consignado, agendamento de perícia ou revisão, cheque também pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site oficial gov.br/inss. Toda movimentação legítima aparece registrada por lá — inclusive contratos de consignado ativos e histórico de pagamentos.

Agora, se você já forneceu dados, códigos ou senha, aja rápido:

  1. Troque imediatamente a senha do Meu INSS e a senha da conta gov.br.
  2. Avise seu banco e peça bloqueio preventivo, principalmente da conta em que o benefício é depositado.
  3. Registre boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado. Esse documento é essencial para contestar eventuais empréstimos consignados fraudulentos.
  4. Formalize denúncia junto ao INSS pelo próprio 135 (agora ligando você) e pelos canais da Ouvidoria do órgão.
  5. Monitore o extrato do benefício nos meses seguintes. Descontos indevidos de consignado feito por golpistas podem ser contestados e devolvidos, mas o pedido precisa ser formalizado.

Um detalhe importante para quem já foi vítima: a legislação garante ao aposentado o direito de contestar operações de crédito contratadas sem autorização. Bancos e financeiras têm obrigação de investigar e, comprovada a fraude, devolver os valores descontados. Guarde toda a documentação e não desista do processo.

Como o INSS realmente se comunica com os aposentados

Entender o comportamento oficial do INSS é o antídoto mais eficaz contra qualquer golpe telefônico. A comunicação legítima do órgão segue algumas regras claras:

  • Notificações sobre revisão, prova de vida, perícia e pendências geralmente chegam pelo aplicativo Meu INSS, pela carta impressa enviada ao endereço cadastrado ou pela notificação no extrato do benefício.
  • A prova de vida hoje é feita, na maioria dos casos, de forma automática, cruzando dados que o beneficiário já movimenta em outros órgãos públicos e bancos. O aposentado só precisa fazer prova de vida ativa em situações específicas — e isso é comunicado formalmente.
  • O INSS não pede senha, não pede código de SMS, não pede transferência e não cobra taxa para liberar benefício ou desbloquear conta.
  • Servidores autênticos não pressionam o segurado a decidir na hora. Você sempre pode desligar, checar pelo 135 e retornar depois.

Outra dica valiosa: mantenha seus dados atualizados no Meu INSS e ative, se possível, as notificações por e-mail e SMS oficiais. Assim, qualquer alteração no cadastro (como troca de conta para depósito ou contratação de consignado) chega até você em tempo real e permite reação imediata.

Conclusão: desconfiar é se proteger

O golpe do 135 falso é perigoso justamente porque explora um símbolo de confiança. Mas, com informação, ele perde força. Sempre que receber uma ligação em nome do INSS, lembre: desligue, discar de volta é grátis, e é você quem deve buscar o órgão — nunca o contrário. Nenhum atendente verdadeiro vai pedir senha, código ou pagamento.

O próximo passo prático é simples: converse com familiares idosos que recebem benefício. Muitos aposentados não têm intimidade com esses golpes digitais e são o alvo preferido das quadrilhas. Compartilhar essa orientação em casa pode evitar um prejuízo enorme — e proteger a renda de quem trabalhou a vida inteira para conquistá-la.

Referências

  • Alerta oficial do INSS sobre uso de spoofing telefônico com o número 135.
  • Seu Crédito Digital: descrição do modus operandi do golpe, incluindo pedido de senhas, códigos de SMS, uso de dados vazados e links falsos que imitam o Meu INSS.

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