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Golpe do WhatsApp mira BPC: INSS alerta e ensina como se proteger

INSS alerta para golpes no WhatsApp contra beneficiários do BPC. Veja como a fraude funciona, o que o órgão nunca pede e como se proteger.

RC

Rita Cavalcanti

📖 12 min de leitura

Uma nova onda de fraudes voltou a colocar em risco quem depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) para sobreviver. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) emitiu alerta sobre golpes que usam o WhatsApp para enganar idosos e pessoas com deficiência que recebem o benefício assistencial, com o objetivo de capturar dados pessoais, senhas e até desviar valores das contas dos beneficiários.

O problema é grave porque o BPC atende justamente a população mais vulnerável: idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de famílias de baixíssima renda. Muitos desses beneficiários têm pouca familiaridade com tecnologia, confiam em mensagens que parecem oficiais e acabam entregando informações sensíveis sem perceber.

Nesta matéria, você vai entender exatamente como o golpe funciona, por que o BPC se tornou um alvo tão visado, o que o INSS jamais faz por WhatsApp, qual é a verdade sobre empréstimo consignado para quem recebe o benefício e, principalmente, o passo a passo para se proteger — e para reagir caso já tenha caído na armadilha.

Como funciona o golpe do WhatsApp contra beneficiários do BPC

O golpe começa, na maioria das vezes, com uma mensagem aparentemente inocente. O beneficiário recebe um contato de um número desconhecido — muitas vezes com a foto de perfil do logotipo do INSS, da Previdência Social ou de um suposto "atendente oficial". A mensagem pode dizer que há um "problema no cadastro", que o benefício está "prestes a ser bloqueado", que existe uma "revisão urgente" ou até que o beneficiário tem direito a um "valor retroativo" que precisa ser liberado.

A partir daí, o criminoso pede informações que parecem rotineiras: número do CPF, data de nascimento, número do benefício (NB), nome da mãe, endereço e senha do Meu INSS. Em alguns casos, o golpista envia um link falso que imita a página oficial do INSS ou do Meu INSS, levando a vítima a digitar seus dados em um site clonado.

Outra variação comum é o pedido de um "código de confirmação" que chega por SMS. Esse código, na prática, é o código de verificação do próprio WhatsApp ou do aplicativo Meu INSS. Ao repassar esse número, o beneficiário entrega o controle da conta para o criminoso, que passa a se passar por ele e a tentar contratar empréstimos consignados, alterar conta de recebimento do benefício ou aplicar golpes em familiares usando o WhatsApp da vítima.

A estratégia toda explora dois sentimentos: medo de perder o benefício e pressa para resolver um suposto problema. É um padrão clássico de engenharia social, e funciona porque coloca a vítima sob pressão emocional, dificultando o pensamento crítico.

Por que o BPC virou alvo preferencial dos golpistas

O BPC/LOAS é um benefício assistencial pago pelo INSS no valor de um salário mínimo a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência que comprovem renda familiar per capita dentro do limite previsto em lei. Não é aposentadoria nem pensão — é um direito assistencial garantido pela Constituição.

Nos últimos meses, esse público se tornou alvo preferencial dos golpistas por três motivos principais. O primeiro é o alto volume de revisões e cessações desse tipo de benefício realizadas pelo INSS, o que deixou muitos beneficiários inseguros e mais propensos a acreditar em qualquer mensagem que mencione "revisão" ou "bloqueio" do BPC. O segundo é o perfil etário e socioeconômico: parte significativa das vítimas tem dificuldade em distinguir comunicação oficial de tentativa de fraude. O terceiro é a menor proteção bancária e digital dessas pessoas, que muitas vezes não usam autenticação em duas etapas e nem têm o hábito de conferir links antes de clicar.

Além disso, há um mito que os criminosos exploram com frequência: o de que beneficiários do BPC poderiam "liberar" valores extras, antecipações ou "créditos retidos". Isso simplesmente não existe. O INSS não libera valores extras por WhatsApp, não cobra taxas para destravar benefício e não envia link para "atualizar cadastro" por aplicativo de mensagem.

Um ponto importante para esclarecer de vez: por lei, quem recebe BPC/LOAS pode, sim, contratar empréstimo consignado — não há vedação legal a essa modalidade. O que ocorre atualmente é que, devido ao volume elevado de revisões e cessações do benefício, as instituições autorizadas recuaram na oferta do consignado para esse público. Ou seja: é permitido em lei, mas a disponibilidade junto aos bancos está atualmente reduzida. Qualquer mensagem prometendo "liberação garantida de empréstimo BPC via WhatsApp" deve ser tratada como golpe.

O que o INSS NUNCA pede pelo WhatsApp

Um dos pilares para se proteger desse tipo de fraude é entender com clareza o que o INSS faz — e o que ele nunca faz — pelos canais digitais. O instituto reforçou, no alerta divulgado, que não utiliza o WhatsApp como canal oficial de atendimento ativo. Isso significa que nenhum servidor entra em contato com o beneficiário pelo aplicativo para resolver pendências, pedir senhas ou solicitar transferências.

Veja, em resumo, o que o INSS jamais vai pedir por WhatsApp, SMS, ligação ou e-mail:

  • Senha do Meu INSS ou do gov.br. A senha é pessoal e intransferível.
  • Código de verificação recebido por SMS ou pelo próprio aplicativo.
  • Dados bancários completos, como senha do banco, número de cartão ou CVV.
  • Foto de documento pessoal enviada por aplicativo de mensagem.
  • Pagamento de taxas, depósitos ou Pix para liberar benefício, antecipação, revisão ou valor retroativo.
  • Clique em links para "atualizar cadastro", "recadastrar biometria" ou "evitar bloqueio".

Os canais oficiais de comunicação com o INSS são apenas três: o aplicativo e site Meu INSS, a Central 135 (que atende de segunda a sábado) e o atendimento presencial nas agências, mediante agendamento. Qualquer abordagem fora desses canais deve acender o sinal de alerta.

Vale lembrar também que mesmo quando você liga para o 135 ou usa o Meu INSS, o atendente não pede senha. Se alguém pedir, é golpe — não importa como a ligação ou a mensagem chegou até você.

BPC e empréstimo consignado: o que é verdade e o que é golpe

Esse é um dos temas mais explorados pelos criminosos, então merece um tópico dedicado. Muita desinformação circula em grupos de WhatsApp, e isso facilita o trabalho dos golpistas, que aproveitam a confusão para vender promessas falsas.

Verdade nº 1: quem recebe BPC/LOAS pode contratar empréstimo consignado, porque a lei permite. Não acredite em quem diz o contrário de forma absoluta.

Verdade nº 2: apesar de a lei permitir, as instituições financeiras reduziram a oferta do consignado para esse público por causa do alto volume de revisões e cessações do benefício. Isso significa que, na prática, contratar é mais difícil hoje — mas continua sendo um direito previsto.

Verdade nº 3: os parâmetros do consignado INSS, quando aplicáveis, são: prazo máximo de 108 meses, margem consignável total de 40% do valor do benefício, sendo 5% reservados exclusivamente para cartão benefício ou cartão consignado. Se houver algum cartão contratado, o empréstimo fica com 35% de margem; se não houver nenhum cartão, os 40% inteiros podem ser usados para o empréstimo. A primeira parcela pode ser cobrada em até 90 dias após a contratação.

Golpe nº 1: mensagens dizendo que existe um "consignado especial liberado para o BPC só por WhatsApp", com taxas baixíssimas e aprovação imediata mediante pagamento de uma "taxa de liberação". Isso é fraude. Banco sério nunca cobra taxa antecipada para liberar empréstimo.

Golpe nº 2: links que prometem simular ou contratar empréstimo, mas direcionam para páginas falsas que roubam CPF, senha do Meu INSS e dados bancários.

Golpe nº 3: falsos "correspondentes bancários" que pedem para o beneficiário enviar foto do documento, do cartão do benefício e selfie, prometendo liberar crédito em minutos. Esses dados são usados depois para contratar empréstimos no nome da vítima em outras instituições.

A regra de ouro é simples: nunca contrate empréstimo consignado por meio de mensagens recebidas no WhatsApp. Se quiser avaliar a possibilidade, procure diretamente o banco em que você recebe o benefício ou consulte os canais oficiais do INSS.

Passo a passo para se proteger do golpe do BPC no WhatsApp

Proteger-se é, antes de tudo, uma questão de hábito. Os criminosos contam com a pressa e o medo da vítima — então qualquer pausa que você fizer já dificulta o golpe. Veja medidas práticas que todo beneficiário do BPC (e os familiares que ajudam no dia a dia) deveria adotar:

1. Desconfie de qualquer contato não solicitado. Se você não pediu atendimento, não procurou banco, não abriu chamado no Meu INSS — qualquer mensagem dizendo que há um "problema urgente" no seu benefício deve ser tratada como suspeita até prova em contrário.

2. Nunca repasse códigos de verificação. O código de seis dígitos que chega por SMS ou pelo WhatsApp é a chave da sua conta. Quem pede esse código, mesmo se disser que é do INSS, da Caixa ou do banco, está tentando invadir sua conta.

3. Não clique em links recebidos por mensagem. Em vez de clicar, abra você mesmo o aplicativo Meu INSS ou digite o endereço oficial no navegador. Links encurtados, com domínios estranhos ou pequenos erros de escrita são a marca registrada de páginas falsas.

4. Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp. Esse recurso impede que criminosos tomem sua conta mesmo se conseguirem o código de seis dígitos. Ele fica em "Configurações > Conta > Confirmação em duas etapas".

5. Cadastre uma senha forte no gov.br e no Meu INSS. Evite datas de nascimento, sequências como "123456" e senhas usadas em outros sites. Sempre que possível, use também a biometria do aplicativo.

6. Bloqueie e denuncie números suspeitos. Ao receber uma mensagem com cara de golpe, use a função "Denunciar" do próprio WhatsApp e bloqueie o contato.

7. Converse com a família. Idosos que recebem BPC frequentemente são alvos justamente por estarem sozinhos diante do celular. Combine com filhos, netos ou pessoas de confiança que nenhuma decisão financeira será tomada sem conversar antes com alguém da família. Essa simples regra evita a maioria dos prejuízos.

8. Confirme tudo pelo 135. Em caso de dúvida sobre qualquer mensagem, ligue diretamente para a Central 135 do INSS. O atendimento é gratuito de telefone fixo e funciona de segunda a sábado.

Caiu no golpe? Veja o que fazer agora

Se você ou um familiar repassou dados, clicou em link suspeito ou desconfia que entregou informação para um criminoso, a velocidade da reação faz toda a diferença. Quanto mais cedo agir, maior a chance de evitar prejuízos maiores.

Passo 1 — Recupere o controle do WhatsApp. Se a conta foi tomada, reinstale o aplicativo no seu próprio número. Ao receber o novo código por SMS, o invasor é desconectado automaticamente. Em seguida, ative a verificação em duas etapas.

Passo 2 — Troque imediatamente as senhas. Comece pelas senhas do gov.br, Meu INSS, e-mail principal e aplicativos bancários. Use senhas novas e diferentes para cada serviço.

Passo 3 — Avise o banco onde você recebe o benefício. Peça o bloqueio preventivo da conta, do cartão e de qualquer operação de crédito não reconhecida. Solicite extrato detalhado para identificar movimentações suspeitas.

Passo 4 — Consulte o extrato do Meu INSS. Verifique se há empréstimos consignados, autorizações de averbação ou alterações de conta de recebimento que você não fez. O aplicativo permite consultar e contestar contratos não reconhecidos diretamente.

Passo 5 — Registre boletim de ocorrência. Use a delegacia eletrônica do seu estado ou compareça à delegacia mais próxima. Esse documento é importante para contestar contratos fraudulentos e cobrar bancos e financeiras.

Passo 6 — Acione o INSS pelos canais oficiais. Ligue para a Central 135 e abra um pedido de bloqueio de empréstimo consignado e de bloqueio para alteração de meio de pagamento do benefício. Esses bloqueios podem ser solicitados gratuitamente e impedem que novos contratos sejam feitos em seu nome.

Passo 7 — Procure o Procon e a Defensoria Pública. Se um empréstimo fraudulento foi contratado, o Procon e a Defensoria podem orientar gratuitamente sobre como contestar o contrato e exigir o cancelamento, além do estorno de valores indevidamente descontados do benefício.

Documente tudo: prints das mensagens, número do golpista, horários, links recebidos. Esse material é essencial para o boletim de ocorrência e para qualquer contestação administrativa ou judicial.

Conclusão: informação é a maior defesa do beneficiário do BPC

O crescimento dos golpes contra beneficiários do BPC pelo WhatsApp reforça uma realidade incômoda: criminosos estão profissionalizados, conhecem os medos do público vulnerável e adaptam as fraudes ao noticiário — inclusive ao volume atual de revisões e cessações do benefício. Por isso, mais do que nunca, a melhor defesa é a informação clara e a comunicação dentro da família.

Guarde estes pontos como bússola: o INSS não atende por WhatsApp, não pede senha, não envia link e não cobra nenhum tipo de taxa para liberar, manter ou revisar benefício. Quem recebe BPC/LOAS pode, por lei, contratar empréstimo consignado, embora a oferta esteja atualmente reduzida pelas instituições — e qualquer promessa de "liberação garantida via WhatsApp" deve ser tratada como golpe.

Se receber uma mensagem suspeita, respire fundo, não responda no calor da hora, converse com alguém de confiança e confirme pela Central 135. Em caso de fraude, aja rápido: troque senhas, bloqueie consignado, registre boletim de ocorrência e procure o INSS, o banco e o Procon. Esse conjunto de atitudes simples evita prejuízos que muitas vezes consomem meses de benefício de quem mais precisa.

Proteger o BPC é proteger o sustento de quem está em situação de maior vulnerabilidade no país. E essa proteção começa hoje, com você lendo, entendendo — e compartilhando essa informação com quem ama.

Referências

  • Alerta oficial do INSS sobre golpes via WhatsApp contra beneficiários do BPC — portal gov.br.

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