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IA da Meta pode usar fotos do Instagram para treinar modelos; veja como se opor

Nova IA da Meta usa fotos públicas do Instagram por padrão para treinar modelos. Veja o passo a passo para pedir exclusão dos seus dados e reforçar a privacidade.

RC

Rita Cavalcanti

📖 10 min de leitura

A Meta, dona do Instagram e do Facebook, integrou às suas plataformas uma nova geração de inteligência artificial generativa (Muse Image) capaz de criar imagens fotorrealistas a partir de comandos de texto. Segundo a própria empresa, o sistema foi treinado, entre outras bases, com conteúdo público das próprias redes sociais. Na prática, fotos e vídeos publicados sem restrição de privacidade podem servir de matéria-prima para o modelo.

Segundo as configurações oficiais do Instagram, essa coleta é ativada por padrão para a maioria das contas públicas. Ou seja: se o usuário nunca ajustou as opções de privacidade, o aplicativo assume que ele concorda em ceder o material. A empresa afirma que o uso é apenas para treinar modelos internos, e oferece formulário nas configurações para quem quiser se opor ao uso.

A seguir, você entende o que mudou, como pedir a exclusão dos seus dados do treinamento e quais ajustes extras ajudam a reduzir a exposição.

O que mudou na IA da Meta e por que as fotos do Instagram entraram no radar

A Meta passou a integrar às suas plataformas — Instagram, Facebook, WhatsApp e Messenger — uma nova geração de inteligência artificial generativa capaz de criar imagens fotorrealistas a partir de comandos de texto. A tecnologia foi treinada, entre outras bases, com conteúdo público das próprias redes sociais da empresa. Isso inclui posts abertos, fotos de perfil, imagens de capa e vídeos publicados sem restrição de privacidade.

A lógica é a seguinte: quanto mais material a IA processa, mais realista fica o resultado. Rostos, expressões, cenários, roupas, cabelos e até o jeito de sorrir ficam armazenados como padrões. Depois, o sistema consegue combinar essas informações para gerar imagens novas que parecem verdadeiras — mas nunca existiram.

O ponto sensível é que a Meta ativou essa coleta como configuração padrão. Se você não entrar nas configurações do aplicativo e desmarcar manualmente a opção, sua conta continua contribuindo com material para o treinamento. Muita gente sequer sabe que essa autorização existe.

Outro detalhe importante: mesmo quem tem conta privada não fica totalmente fora do radar. Isso porque comentários, curtidas e interações em posts públicos de terceiros também podem ser capturados.

Como criminosos podem tentar usar imagens públicas para golpes com deepfake

O deepfake — vídeo ou áudio falso gerado por inteligência artificial — deixou de ser problema exclusivo de celebridades. Com IAs cada vez mais acessíveis, qualquer pessoa com foto pública na internet pode ser vítima.

Com poucas imagens de boa qualidade, um golpista pode:

  • Clonar o rosto da vítima e colocá-lo em vídeos falsos, inclusive em contextos íntimos ou constrangedores usados para chantagem (o chamado "sextortion").
  • Criar um vídeo curto em que a vítima aparece "pedindo dinheiro emprestado" para familiares ou amigos, encaminhado por WhatsApp.
  • Produzir áudios sintéticos com a voz da pessoa a partir de vídeos publicados nos stories, aplicando o famoso golpe do "filho no aperto".
  • Passar por gerente de banco, atendente do INSS ou representante de órgão público usando o rosto de um funcionário real para roubar credenciais e senhas.
  • Abrir contas digitais com selfies falsas geradas por IA, cometendo fraudes bancárias em nome da vítima.

Esses golpes já existem, mas se tornam mais convincentes quando o criminoso tem acesso a material extenso do rosto, das expressões e da voz da vítima.

Passo a passo para se opor ao uso das suas fotos pela IA do Instagram

A Meta oferece um caminho para o usuário pedir a exclusão do seu conteúdo do treinamento da inteligência artificial. O ajuste vale para Instagram e Facebook, e pode ser feito pelo aplicativo do celular ou pelo navegador.

No aplicativo do Instagram:

  1. Toque na sua foto de perfil, no canto inferior direito, para abrir seu perfil.
  2. Toque no ícone de três linhas (menu) no canto superior direito.
  3. Vá em Configurações e privacidade.
  4. Role até encontrar a área de Central de Privacidade ou Sobre.
  5. Localize a opção referente a IA generativa, Aprendizado de máquina ou Uso de informações para IA na Meta.
  6. Selecione a opção para contestar ou solicitar que suas informações não sejam utilizadas no treinamento.
  7. Preencha o formulário indicando seu país de residência e o motivo (basta escrever que não concorda com o uso das suas fotos para treinamento de IA).
  8. Envie a solicitação e guarde o e-mail de confirmação.

No Facebook (para quem também tem conta na rede):

  1. Acesse a Central de Privacidade.
  2. Procure a seção sobre IA generativa da Meta.
  3. Clique em Direitos sobre suas informações e IA da Meta.
  4. Envie o mesmo tipo de solicitação para excluir seus dados do treinamento.

O processo costuma levar alguns dias para ser respondido. Mesmo com a solicitação aceita, é possível que material antigo já tenha sido usado — por isso vale reforçar com as medidas do próximo tópico.

Ajustes extras de privacidade que reforçam a proteção

Bloquear o uso das suas fotos pela IA é só o primeiro passo. Vale revisar toda a sua exposição pública nas redes.

Torne seu perfil privado. Contas privadas dificultam que ferramentas automáticas coletem imagens. No Instagram, vá em Configurações > Privacidade da conta > Conta privada e ative a chave.

Revise quem pode marcar você. Nas configurações de marcação e menção, escolha a opção que exige sua aprovação antes de qualquer pessoa te marcar em um post.

Apague fotos antigas de alto risco. Selfies em alta resolução, vídeos com sua voz e imagens frontais do rosto são as mais valiosas para treinar modelos de IA. Se você não usa mais, considere arquivar ou excluir.

Cuidado com o "story do dia a dia". Vídeos falando à câmera geram material de voz + imagem. Não é preciso parar de postar, mas evite exposições longas em close, principalmente se sua conta for pública.

Ative a verificação em duas etapas. Isso evita que criminosos invadam sua conta e usem seus contatos para aplicar golpes se passando por você.

Configure alertas de login. Assim, se alguém tentar acessar seu perfil de outro aparelho, você é avisado imediatamente.

Nunca envie foto do documento por rede social. Mesmo em conversa privada, essa imagem pode ser armazenada em backups vazáveis. RG, CNH e comprovantes devem ir apenas por canais oficiais.

Sinais de que seu rosto ou sua voz podem estar sendo usados em um golpe

Alguns sinais que merecem atenção imediata:

  • Familiares ou amigos avisam que receberam mensagens "suas" pedindo dinheiro, empréstimo por Pix ou clique em links estranhos — especialmente com áudio ou vídeo curto anexado.
  • Contatos comentam que viram você em vídeos ou lives que você não fez, geralmente promovendo investimentos, criptomoedas, apostas ou "oportunidades imperdíveis".
  • Você recebe cobranças de empréstimos, cartões ou contas que nunca contratou, o que pode indicar abertura de conta com selfie falsa gerada por IA.
  • Aparece um perfil clone com sua foto e seu nome nas redes sociais, seguindo seus contatos.
  • Alguém envia print de uma imagem sua em contexto que você não reconhece, tentando extorquir ou ameaçar.

O que fazer se você já foi vítima de deepfake ou golpe com IA

1. Faça capturas de tela de tudo. Salve o vídeo, o áudio, o perfil falso, a conversa. Prints datados são a principal prova em investigações digitais.

2. Denuncie o conteúdo dentro da própria rede social. No Instagram, WhatsApp e Facebook, existe a opção "Denunciar" ao lado do post ou perfil. Marque como "identidade falsa", "conteúdo enganoso" ou "golpe".

3. Registre boletim de ocorrência. Todas as capitais e a maioria das cidades brasileiras já aceitam o BO on-line pelo site da Polícia Civil do estado. Descreva o ocorrido com clareza e anexe as capturas de tela.

4. Comunique seu banco. Se houve tentativa (ou consumação) de golpe financeiro usando sua imagem, avise a central de segurança da instituição. Peça bloqueio preventivo de contratações e monitoramento da conta.

5. Consulte seu CPF gratuitamente em serviços oficiais como o Registrato, do Banco Central. Ele mostra todos os empréstimos, financiamentos e relacionamentos ativos no seu nome. Qualquer contratação estranha deve ser contestada imediatamente junto à instituição envolvida, conforme orientações do Banco Central.

6. Bloqueie o próprio CPF. O Banco Central permite bloquear o uso do seu CPF para novas contratações de crédito por meio do Registrato — medida útil enquanto você organiza a defesa.

7. Avise seus contatos. Publique um aviso nas suas redes, mande mensagem para o grupo da família e para colegas de trabalho: alerte que estão usando sua imagem em golpes e que ninguém deve enviar dinheiro sem confirmar por ligação de voz em número conhecido.

8. Procure um advogado especializado em direito digital, especialmente se o conteúdo já viralizou ou se envolve imagens íntimas geradas por IA.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo mexer nas configurações do Instagram? Não basta ter conta privada? Conta privada ajuda, mas não substitui a solicitação formal de exclusão dos seus dados do treinamento de IA. As duas medidas se somam.

A Meta obedece a esse pedido de exclusão? A empresa afirma que sim, mas o processo depende de análise interna e pode variar por país. Guardar o comprovante de solicitação é fundamental.

Se eu apagar minhas fotos antigas do Instagram, elas somem do treinamento? Não necessariamente. Uma vez capturada, a imagem pode já ter sido processada. Por isso é importante fazer a solicitação formal de não uso, e não apenas apagar.

Idosos e aposentados são mais visados? Sim. O público 60+ está entre os alvos preferidos de golpes de deepfake com voz, principalmente para simular ligações de netos e filhos pedindo Pix. Ajudar pais e avós a configurar a privacidade das redes deles é uma medida de proteção familiar.

Vou parar de aparecer nas redes por causa disso? Não precisa. A ideia não é sumir da internet, e sim reduzir a superfície de ataque: publicar com mais critério, revisar quem vê o quê e travar o uso comercial e algorítmico das suas imagens.

A IA da Meta é ilegal no Brasil? O uso de dados pessoais para treinamento de IA está sob análise da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Resumo prático: o que fazer nos próximos cinco minutos

Abra o Instagram, vá em Configurações e privacidade, procure a área de IA da Meta e envie a solicitação para que suas informações não sejam usadas no treinamento. Em seguida, deixe o perfil privado (se for possível para você), exija aprovação para marcações e ative a verificação em duas etapas. Faça o mesmo no Facebook, se tiver conta ativa.

Depois, converse com quem você ama — principalmente pais, avós e filhos adolescentes — e ajude cada um a repetir esses ajustes no próprio celular.

Referências

  • Comunicado oficial da Meta sobre o Muse Image.
  • Configurações de Compartilhamento e reutilização no Instagram.
  • Teste do g1 no site da Meta AI.

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