Foto profissional grátis de acordo, administração de empresas, ambiente de trabalho

IBS e CBS na nota fiscal: 95% das empresas ainda não estão prontas

Fase de alíquotas-teste de IBS e CBS já exige novos campos na nota fiscal, mas 95% das empresas ainda não adaptaram seus sistemas. Veja os riscos e o que fazer.

RS

Ricardo Silva

📖 11 min de leitura

A reforma tributária deixou de ser um tema de discussão no Congresso e passou a bater diretamente no dia a dia de quem emite nota fiscal no Brasil. A partir de agora, o próprio cadastro fiscal das empresas precisa reconhecer os novos tributos criados pela reforma — o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — mesmo em fase de alíquotas-teste. E aqui está o problema que ninguém quis encarar antes: 95% das empresas ainda não têm sistema pronto para emitir nota fiscal com os novos campos exigidos, segundo levantamento divulgado pela imprensa especializada. Neste guia, você vai entender, com linguagem simples, o que está mudando de fato no seu cadastro fiscal, por que a maioria das companhias foi pega de surpresa, quais são os riscos práticos de continuar emitindo nota do jeito antigo e o que precisa ser feito com urgência para não travar operação, perder cliente ou tomar autuação.

A reforma tributária foi vendida por anos como algo distante, uma promessa para o futuro. Só que futuro virou presente. O contribuinte pessoa jurídica — do MEI ao grande varejista — está entrando em um período em que a nota fiscal precisa carregar informações que não existiam no modelo antigo do ICMS, ISS, PIS e Cofins. E isso muda tudo: da configuração do sistema emissor ao treinamento do time financeiro, passando pela forma como o preço final chega ao consumidor.

O que muda no cadastro fiscal com a chegada do IBS e da CBS

O cadastro fiscal é a espinha dorsal de qualquer emissão de nota. É ali que ficam guardadas as informações sobre o produto ou serviço, o regime tributário da empresa, as alíquotas aplicáveis, os códigos de tributação e a origem da mercadoria. Com a reforma tributária, esse cadastro precisa ganhar novos campos específicos para IBS e CBS, além dos tributos antigos, que ainda convivem no período de transição.

Sabia que dá pra usar isso a seu favor? Você pode simular seu consignado CLT aqui e descobrir o valor e a parcela em segundos.

Na prática, isso significa que:

  • Cada item vendido precisa ter uma classificação nova, compatível com a lógica do IVA dual (IBS + CBS).
  • O sistema emissor tem que calcular, ao mesmo tempo, o tributo pelo modelo antigo e o tributo pelo modelo novo (em fase de alíquotas-teste).
  • O layout da nota fiscal eletrônica passa a exigir a apresentação separada dos valores destacados de IBS e CBS.
  • O regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real) altera o tratamento dado aos novos tributos, exigindo parametrização diferente para cada caso.

Ou seja: não basta "atualizar o sistema". É preciso revisar produto por produto, serviço por serviço, e refazer o cadastro fiscal inteiro. Um trabalho de meses, que muitas empresas só começaram — quando começaram — há poucas semanas.

Por que 95% das empresas ainda não estão prontas para IBS e CBS

O número chama atenção e explica muita coisa: 95% das empresas brasileiras ainda não conseguem emitir uma nota fiscal com os campos do IBS e da CBS preenchidos corretamente, segundo levantamento divulgado pela imprensa especializada. Esse índice mostra que o descompasso entre o cronograma da reforma e o preparo real do setor produtivo é significativo.

As razões desse atraso são conhecidas por quem atua no setor fiscal:

1. Espera pela regulamentação final. Muitas empresas travaram investimento em tecnologia enquanto o texto da regulamentação ainda estava sendo debatido. O raciocínio era: "para que gastar agora se a regra pode mudar?". O problema é que, quando a regra ficou clara, o prazo já estava batendo na porta.

2. Dependência do fornecedor de sistema. A maioria das empresas — especialmente pequenas e médias — não desenvolve seu próprio ERP. Depende do software contratado. E boa parte desses fornecedores só entregou (ou ainda vai entregar) a atualização compatível com o IBS e a CBS em cima da hora.

3. Falta de mão de obra especializada. Contadores, analistas fiscais e programadores tributários viraram profissionais disputadíssimos. Quem não se antecipou na contratação ou no treinamento interno agora enfrenta fila de espera para conseguir apoio técnico.

4. Complexidade do cadastro de produtos. Empresas com milhares de SKUs (itens diferentes no estoque) precisam reclassificar item a item. Não existe atalho. É trabalho manual, com revisão, aprovação da contabilidade e testes em ambiente de homologação.

5. Subestimação do impacto. Muitos empresários trataram a reforma como "assunto do contador". Só que, sem o dono do negócio dentro da discussão, decisões estratégicas — como reajuste de preço, revisão de contrato com fornecedor e política de crédito ao cliente — não saem do papel.

O resultado é o cenário atual: uma minoria já testou emissão real de nota com IBS e CBS destacados. A grande maioria ainda vai descobrir os problemas na prática, quando o documento for rejeitado pela Sefaz ou pela Receita.

Como funcionam as alíquotas-teste de IBS e CBS na nota fiscal

A fase de alíquotas-teste é um período em que os novos tributos aparecem na nota fiscal com valor calculado, mas ainda sem cobrança efetiva sobre o contribuinte. É um ensaio geral: serve para o Fisco medir arrecadação estimada, para as empresas testarem seus sistemas e para o consumidor começar a ver o novo modelo aparecendo no documento.

Na prática, funciona mais ou menos assim:

  • A nota fiscal continua trazendo os tributos antigos (ICMS, ISS, PIS, Cofins) cobrados normalmente.
  • Ao lado, aparece o cálculo do IBS e da CBS pelas alíquotas-teste definidas pela Receita Federal.
  • O consumidor visualiza no documento quanto pagaria de tributo no novo modelo.
  • A empresa, no entanto, ainda recolhe pelo modelo antigo — desde que a nota seja emitida corretamente com todos os campos exigidos.

O ponto crítico é este: se o sistema não conseguir calcular e destacar corretamente o IBS e a CBS, a nota pode ser rejeitada. E nota rejeitada é venda travada. É mercadoria que não sai do estoque, serviço que não é faturado, cliente que fica sem o documento fiscal para lançar na própria contabilidade.

Riscos práticos para quem continuar emitindo nota do jeito antigo

Muita gente ainda acha que emitir nota do jeito antigo, ignorando os novos campos, é uma saída provisória. Não é. Os riscos são concretos e crescem a cada semana. Veja os principais:

Rejeição do documento fiscal. O sistema autorizador da nota eletrônica passa a validar os novos campos. Sem preenchimento correto, o documento simplesmente não é autorizado. Sem autorização, não há venda formalizada.

Autuação por descumprimento de obrigação acessória. A obrigação acessória é justamente o dever de informar corretamente as operações ao Fisco. Emitir nota sem os campos exigidos configura descumprimento, com multa própria, independentemente de haver imposto devido.

Perda de cliente pessoa jurídica. Empresas mais organizadas — especialmente as que estão no Lucro Real — só aceitarão nota fiscal de fornecedor que consiga destacar corretamente os tributos. Fornecedor desatualizado vira fornecedor descartado.

Distorção no preço final. Sem parametrização correta, o sistema pode calcular o preço de venda errado, comprimindo margem, gerando prejuízo silencioso a cada operação. Empresas que trabalham com margem apertada — como comércio varejista e restaurantes — sentem no caixa em poucas semanas.

Passivo tributário futuro. Quando o período de transição avançar e a cobrança do IBS e da CBS deixar de ser "teste" e passar a ser efetiva, quem não tiver histórico limpo de emissão vai enfrentar dificuldade para comprovar operações passadas, gerar créditos e apurar corretamente o que deve.

Bloqueio de operações interestaduais. Como o IBS é um tributo compartilhado entre União, estados e municípios, operações entre unidades da federação tendem a ficar mais rigorosas na conferência. Nota mal preenchida trava caminhão em barreira fiscal.

O que a Receita Federal exige agora do emissor de nota fiscal

O emissor de nota fiscal — seja ele um sistema próprio, um ERP contratado ou o emissor gratuito disponibilizado pela própria administração tributária — precisa atender a um conjunto de exigências técnicas para dar conta do novo modelo:

  • Atualização do leiaute do documento eletrônico, com os campos específicos para IBS e CBS.
  • Integração com as tabelas oficiais de classificação de bens e serviços que definirão as alíquotas aplicáveis a cada operação.
  • Capacidade de operar em ambiente de homologação, para que a empresa teste a emissão antes de gerar documento oficial.
  • Guarda dos arquivos XML com o novo formato pelo prazo exigido pela legislação, para eventual fiscalização futura.
  • Retorno de mensagens de rejeição específicas, permitindo ao emissor identificar rapidamente o motivo pelo qual uma nota não foi autorizada.

Empresas do Simples Nacional têm um tratamento próprio dentro da reforma, com regras específicas de destaque e de aproveitamento de crédito. Mas mesmo o pequeno empresário precisa emitir corretamente, sob pena de ver o documento recusado.

Passo a passo para adequar sua empresa antes que o prazo aperte

Se a sua empresa está entre os 95% que ainda não estão prontos, a boa notícia é que ainda dá para virar o jogo — mas o tempo é curto. Um roteiro objetivo:

1. Faça um diagnóstico do cadastro fiscal atual. Antes de mexer em qualquer coisa, saiba onde você está. Quantos itens têm no cadastro? Quantos estão com classificação fiscal desatualizada? Quantos serviços não têm código correto? Essa fotografia inicial define o tamanho da tarefa.

2. Fale com o fornecedor do sistema. Pergunte, por escrito, se o ERP ou emissor já está homologado para o novo layout, quando será liberada a atualização e como será feita a migração. Se o fornecedor não souber responder, é sinal amarelo — considere alternativas.

3. Reclassifique produtos e serviços. Cada item precisa receber a nova classificação exigida pela reforma. Isso passa por revisar descrição, natureza da operação, destino e finalidade. É trabalho conjunto entre o time comercial (que conhece o produto) e a contabilidade (que conhece a regra).

4. Teste em ambiente de homologação. Antes de emitir nota oficial com IBS e CBS, faça emissões em ambiente de teste. Simule vendas para dentro do estado, para fora do estado, para consumidor final, para empresa do Simples, para empresa do Lucro Real. Cada cenário pode trazer um erro diferente.

5. Treine o time. Nota fiscal não é problema só de sistema — é problema de gente. Quem faz o pedido, quem confere o cadastro do cliente, quem aprova a operação: todos precisam entender o que mudou. Um erro humano bota tudo a perder.

6. Revise contratos com fornecedores e clientes. Se o preço praticado hoje considera a carga tributária atual, e a nova carga vai aparecer no destaque da nota, é hora de sentar com contraparte e discutir como será o repasse. Deixar isso para depois é receita para conflito.

7. Monitore semanalmente. Nas primeiras semanas de emissão real, acompanhe de perto o índice de rejeição de notas, o tempo médio de autorização e as reclamações de cliente. Ajuste rápido é mais barato do que ajuste tardio.

8. Documente tudo. Guarde os pareceres da contabilidade, os e-mails do fornecedor de sistema, os testes realizados. Se um dia houver fiscalização sobre esse período, essa documentação é o seu escudo.

O recado final: reforma tributária deixou de ser teoria

A reforma tributária saiu do campo das discussões parlamentares e entrou no cadastro fiscal, no sistema emissor e na nota fiscal do consumidor final. O dado de que 95% das empresas ainda não conseguem emitir corretamente com IBS e CBS mostra o tamanho do desafio e, ao mesmo tempo, a oportunidade para quem se organizar rápido: sair na frente do concorrente, evitar autuação, blindar a operação e ganhar previsibilidade em um cenário de transição tributária.

Se você é dono de empresa, gestor financeiro, contador ou trabalhador que emite nota no dia a dia, o próximo passo é claro — não deixe para amanhã o diagnóstico que precisava ter sido feito ontem. A fase de alíquotas-teste é o último ensaio antes do modelo entrar de vez. Quem chegar despreparado no ato final tende a enfrentar rejeição de nota, multas por obrigação acessória e problemas com clientes que exigem documento fiscal em conformidade.

Referências

  • Folha de São Paulo — Mercado (22/07/2026): reforma tributária, cadastro fiscal e emissão de nota com IBS e CBS em fase de alíquotas-teste.
  • Levantamento divulgado pela imprensa sobre preparo das empresas para emissão com IBS/CBS (indicador de 95% de não conformidade).
  • Receita Federal — regras de emissão da NF com alíquotas-teste de IBS e CBS (leiaute, ambiente de homologação e destaque separado dos novos tributos).

Gostou do conteúdo?

Veja quanto você pode pegar no consignado CLT

Simulação grátis, em 30 segundos, sem compromisso e sem afetar seu score.

Simular agora →

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

📩 Gostou? Receba mais como este

Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.