IGP-M sobe 1,57% em setembro e reajusta aluguéis em 3,34%
Depois de meses de alívio, o índice usado para corrigir contratos de aluguel voltou ao terreno positivo e já preocupa quem tem contrato vencendo agora.
Tatiana Botelho
📖 8 min de leitura
Resumo em 30 segundos
- O IGP-M subiu 1,57% em setembro de 2026, após deflação de 0,22% em agosto, e acumula alta de 3,34% em 12 meses.
- Quem tem contrato de aluguel indexado ao IGP-M com aniversário em outubro terá reajuste de 3,34% sobre o valor atual.
- A alta foi puxada pelo IPA, que mede preços no atacado e passou de -0,34% em agosto para +2,08% em setembro.
- A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991) permite negociar o reajuste ou encerrar o contrato respeitando prazos e multas.
O IGP-M, indicador conhecido como "inflação do aluguel", mudou de rumo em setembro de 2026 e voltou a subir. Depois de registrar deflação de 0,22% em agosto, o índice avançou 1,57% em setembro, acumulando alta de 3,45% no ano e de 3,34% em 12 meses. Na prática, quem tem contrato de locação — ou qualquer outro contrato indexado ao IGP-M — reajustado neste mês vai sentir o impacto direto no orçamento familiar.
O resultado interrompe uma sequência de meses de deflação ou variação próxima de zero no índice. Nesta matéria, você entende por que o IGP-M subiu, quanto pode aumentar o seu aluguel, como negociar o reajuste com o proprietário e o que fazer para organizar o orçamento antes da correção chegar.
Por que o IGP-M voltou a subir em setembro
O IGP-M é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e reúne três componentes: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do resultado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%. É por isso que ele costuma se comportar de maneira diferente do IPCA, que mede a inflação sentida diretamente pelo consumidor final.
Trabalha de carteira assinada? Você pode ver se o seu vínculo permite contratar o consignado CLT sem compromisso: você só segue se a condição fizer sentido.
Sethi Sociedade de Crédito Direto S.A. · CNPJ 50.946.592/0001-07 · autorizada pelo Banco Central do Brasil.
A alta de setembro foi puxada, principalmente, pelo IPA — a parte do índice que mede os preços praticados no atacado. Esse componente saiu de uma queda de 0,34% em agosto para uma alta de 2,08% em setembro. Ou seja, os produtos vendidos na porta da fábrica, as commodities agrícolas e as matérias-primas industriais ficaram bem mais caros de um mês para o outro. Como o atacado tem peso majoritário no cálculo, foi ele que empurrou o IGP-M de volta ao terreno positivo.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o IGP-M oscila mais do que o IPCA. Enquanto o índice oficial da inflação capta o preço final que chega à mesa do consumidor, o IGP-M reflete pressões que ainda estão "antes" do balcão: variação do dólar, preço de soja, milho, minério de ferro, combustíveis vendidos por refinarias e insumos industriais. Quando essas variáveis se agitam, o índice reage rápido — para cima ou para baixo.
O que a alta do IGP-M significa para o aluguel
A maior parte dos contratos de locação residencial e comercial no Brasil usa o IGP-M como índice de reajuste anual. A regra é simples: no mês do aniversário do contrato, o valor do aluguel é corrigido pela variação acumulada do IGP-M nos últimos 12 meses. Com o índice acumulando 3,34% em 12 meses, é essa a correção aplicada para quem reajustar em outubro.
Na prática, o cálculo funciona assim. Um aluguel de R$ 1.500 sobe para cerca de R$ 1.550, uma diferença de R$ 50 por mês. Um aluguel de R$ 2.500 passa para aproximadamente R$ 2.583, um acréscimo de R$ 83. Já um imóvel comercial de R$ 5.000 mensais tem reajuste próximo de R$ 167. Parece pouco quando visto por mês, mas, somado ao longo do ano, o inquilino paga o equivalente a quase meio aluguel a mais só por causa da correção.
É importante entender que o índice usado no reajuste é sempre o acumulado dos últimos 12 meses até o mês anterior ao aniversário do contrato — não o número mensal isolado. Por isso, mesmo que setembro tenha vindo com alta forte de 1,57%, o que vai valer para o seu contrato é o número de 12 meses. Vale conferir a cláusula do contrato para saber exatamente qual mês de referência é utilizado.
Outro ponto: contratos assinados em plena pandemia, quando o IGP-M chegou a acumular altas de dois dígitos em 12 meses, seguem servindo de alerta. Quem passou por reajustes de 30% ou mais naquele período conhece bem o impacto que o índice pode ter no orçamento. A boa notícia é que, no momento atual, a correção está em um patamar bem mais civilizado — abaixo, inclusive, da inflação oficial medida pelo IPCA em vários períodos recentes.
Como negociar o reajuste do aluguel com o proprietário
Mesmo com o índice em patamar considerado moderado, muitas famílias já estão no limite do orçamento e qualquer aumento pesa. A boa notícia é que a lei permite negociação. O valor do aluguel é resultado de um contrato entre duas partes, e nada impede que inquilino e proprietário conversem sobre a aplicação — total ou parcial — do reajuste.
Algumas estratégias funcionam bem nessa conversa:
- Comparar com o mercado atual. Se imóveis semelhantes na mesma região estão sendo anunciados por valores próximos ou menores do que o seu aluguel corrigido, isso é um argumento forte para pedir um reajuste menor. Vale pesquisar em portais imobiliários e visitar imóveis concorrentes.
- Valorizar o histórico de bom pagador. Um inquilino que paga em dia há anos, cuida do imóvel e não dá dor de cabeça vale muito para o proprietário. A rotatividade de inquilinos custa caro: taxas de imobiliária, tempo com imóvel vazio e pequenas reformas entre uma locação e outra.
- Propor a troca do índice. Alguns contratos podem, mediante acordo, migrar do IGP-M para o IPCA, que tende a ser menos volátil. Isso não muda o reajuste deste ano, mas protege contra sustos futuros.
- Oferecer contrapartidas. Renovar o contrato por prazo mais longo, aceitar cláusulas de fidelidade ou até adiantar alguns meses podem ser moedas de troca interessantes para reduzir o percentual aplicado.
O que diz a Lei do Inquilinato se o acordo não sair
Se a negociação não avançar e o reajuste for aplicado integralmente, o inquilino não é obrigado a aceitar sem alternativa: pode encerrar o contrato conforme as regras da Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), respeitando prazos e multas previstos em contrato.
Além do aluguel: onde mais o IGP-M aparece na sua vida financeira
O IGP-M vai muito além do aluguel. Ele também é usado para corrigir uma série de outros contratos e serviços que atingem diretamente o bolso das famílias:
- Mensalidades escolares em algumas instituições privadas.
- Planos de saúde empresariais e alguns contratos coletivos.
- Tarifas de energia elétrica, em partes específicas da conta ligadas a contratos de concessão.
- Contratos de fornecimento entre empresas, o que acaba se refletindo nos preços finais ao consumidor.
- Aluguéis comerciais, o que impacta o preço de produtos e serviços em lojas, restaurantes e prestadores.
Ou seja, mesmo quem é proprietário do imóvel onde mora pode sentir o efeito do IGP-M em outros pontos do orçamento. Por isso, acompanhar o índice ajuda a antecipar aumentos e organizar o planejamento familiar.
Como se preparar para o reajuste sem comprometer o orçamento
A melhor forma de encarar reajustes é planejar com antecedência. Algumas atitudes práticas fazem diferença:
Revise o orçamento antes do reajuste chegar. Assim que o mês do aniversário do contrato se aproximar, calcule quanto será o novo aluguel e ajuste as demais despesas. Cortar assinaturas pouco usadas, revisar planos de celular e renegociar seguros são caminhos comuns para abrir espaço no orçamento.
Monte uma reserva de emergência. Ter guardado o equivalente a três a seis meses de despesas essenciais dá tranquilidade para enfrentar não só reajustes, mas também imprevistos como perda de renda ou problemas de saúde. A reserva deve estar em uma aplicação de liquidez diária e baixo risco.
Evite empurrar dívidas caras. Muitas famílias, ao serem pressionadas pelo aumento do aluguel, recorrem ao cheque especial ou ao rotativo do cartão de crédito — duas das linhas mais caras do mercado. Se o aperto for grande, buscar alternativas de crédito mais baratas antes que a dívida vire uma bola de neve é fundamental.
Considere mudar de imóvel se a conta não fechar. Em alguns casos, o custo total de uma mudança (frete, taxas, adaptação) compensa quando o novo aluguel é significativamente menor. Faça a conta: se a diferença anual paga a mudança em poucos meses, pode valer a pena.
Acompanhe os índices oficiais. A divulgação do IGP-M acontece mensalmente pela FGV. Saber para onde o índice está indo ajuda a antecipar decisões — inclusive a hora certa de renegociar o contrato ou trocar o indexador.
O que esperar dos próximos meses
A alta de setembro reacende a atenção sobre o comportamento do índice até o fim do ano. Como o IGP-M é fortemente influenciado por commodities e câmbio, oscilações no dólar e nos preços internacionais de grãos e minério podem manter o índice pressionado ou, ao contrário, trazer novo alívio. Por isso, mais importante do que tentar adivinhar o próximo número é manter o orçamento organizado e as contas sob controle.
Para quem tem contrato de aluguel indexado ao IGP-M, o recado é claro: reajuste vai acontecer, sim, mas em patamar administrável para quem se planeja. Converse com o proprietário, avalie alternativas, revise o orçamento e, se possível, aproveite o momento para fortalecer sua reserva. Assim, mesmo com a inflação do atacado subindo e descendo, sua vida financeira segue no rumo certo.
O próximo passo prático é simples: pegue seu contrato de aluguel agora, confira o mês do reajuste e a cláusula do índice utilizado. Com essa informação em mãos, você já pode calcular o novo valor, iniciar uma conversa com o proprietário se for o caso e ajustar seu planejamento antes que a cobrança chegue.
Referências
- Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) — divulgação do IGP-M de setembro de 2026
- Lei nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato)
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu comentário
Publicamos após revisão da equipe. Campos com asterisco são obrigatórios.
📩 Gostou? Receba mais como este
Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.
Leia também em Vida Financeira
Ver todos →Fazenda mantém subsídio de R$ 2,12 no diesel por 30 dias
Portaria assinada por Dario Durigan em 27/09 mantém a subvenção de R$ 2,12 por litro do diesel por mais 30 dias e evita repasse no preço da bomba.
Tatiana Botelho
26 de set. de 2026
Inadimplência das famílias vai a 6% em agosto, diz BC
Banco Central registra inadimplência de 6% entre pessoas físicas em agosto de 2026, maior nível da série revisada. Veja o que fazer para sair do vermelho.
Tatiana Botelho
29 de set. de 2026
Pix e TIPS: BC e BCE estudam ponte para remessas Brasil-Europa
Banco Central e BCE avaliam interligar o Pix ao TIPS, sistema instantâneo europeu, para acelerar e baratear remessas entre Brasil e zona do euro.
Tatiana Botelho
29 de set. de 2026