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IGP-M sobe 2,76% em julho e pressiona reajuste do aluguel

IGP-M de julho ficou em 2,76%, segundo a FGV/IBRE, e deve encarecer contratos de aluguel que renovam em agosto. Veja como calcular e negociar o reajuste.

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Tatiana Botelho

📖 8 min de leitura

O chamado 'inflação do aluguel' voltou a chamar atenção de quem paga contrato de locação. O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), calculado pela FGV/IBRE, fechou o mês de julho em 2,76%. É um salto expressivo para um único mês e reacende a atenção de milhões de inquilinos, porque esse é justamente o índice que a maioria dos contratos de aluguel no Brasil usa como referência para o reajuste anual.

O impacto prático já começa a aparecer nos boletos que vencem em agosto: contratos com aniversário nesse mês serão recalculados com base na variação acumulada do IGP-M — e, com o índice em alta, a conta tende a ficar mais salgada. Neste guia, você vai entender por que o IGP-M mexe tanto no seu bolso, como fazer o cálculo do reajuste passo a passo, o que a lei permite negociar com o proprietário e quais alternativas discutir antes de assinar a renovação.

O que é o IGP-M e por que ele define o reajuste do aluguel

O IGP-M é um índice de preços produzido mensalmente pela Fundação Getulio Vargas por meio do seu Instituto Brasileiro de Economia (IBRE). Diferente do IPCA — que é o índice oficial da inflação ao consumidor e é usado pelo Banco Central para perseguir a meta de inflação — o IGP-M mede um cenário mais amplo, que inclui preços no atacado, na construção civil e no consumo. Por causa desse peso do atacado, o IGP-M costuma reagir mais rápido a variações do dólar, do preço de commodities agrícolas e de matérias-primas industriais.

Essa característica ajuda a entender por que, historicamente, o mercado imobiliário adotou o IGP-M como o índice-padrão para corrigir contratos de aluguel: por muito tempo, ele foi considerado uma boa fotografia da variação geral de custos da economia. O resultado é que hoje, se você abrir seu contrato de locação, é bem provável que encontre uma cláusula dizendo algo como 'o valor do aluguel será reajustado anualmente pela variação do IGP-M/FGV'.

Na prática, isso quer dizer o seguinte: uma vez por ano, no chamado 'aniversário do contrato', o proprietário tem o direito de aplicar a variação acumulada do índice nos últimos 12 meses sobre o valor que você paga. Se o índice acumulado for alto, o aumento é alto. Se ficar próximo de zero ou até negativo (como já aconteceu em outros anos), o aumento é pequeno — ou nem existe.

O número divulgado agora, de 2,76% em julho, é a variação de um único mês. Ele não é o percentual que será aplicado direto no aluguel. O que entra no cálculo do reajuste é o acumulado dos últimos 12 meses, e é aí que o índice mensal mais alto acaba puxando a média para cima.

Quanto seu aluguel pode subir com o IGP-M de julho

A pergunta que todo inquilino está fazendo agora é direta: 'quanto meu aluguel vai aumentar?'. A resposta honesta é: depende do mês em que seu contrato faz aniversário e da variação acumulada do IGP-M nos 12 meses anteriores a esse aniversário.

Contratos com aniversário em agosto são os primeiros a sentir o efeito do resultado de julho. Isso porque a regra geral do mercado é usar o IGP-M do mês anterior ao mês do reajuste (chamado 'IGP-M pro rata' ou 'IGP-M fechado do mês anterior'). Ou seja, se seu contrato completa aniversário em agosto de 2026, o índice de referência será justamente o divulgado agora, com essa alta mensal de 2,76% já incorporada na conta acumulada.

Mesmo sem cravar o acumulado de 12 meses, dá para deixar o recado prático: quando o índice mensal vem forte, como foi o caso de julho, o acumulado do ano tende a subir e, com isso, o reajuste dos contratos que renovarem nos próximos meses fica mais pesado do que o de quem renovou no início do ano.

Em anos recentes, o IGP-M já registrou saltos que levaram aluguéis a subirem dois dígitos de uma vez só. Isso motivou muitos inquilinos a renegociarem o índice ou a migrarem para o IPCA na renovação. Vamos falar disso mais adiante.

Como calcular o reajuste do aluguel na prática

A fórmula do reajuste é simples e você pode fazer no celular, sem depender do que a imobiliária mandar por e-mail. O passo a passo é este:

1. Descubra o IGP-M acumulado nos 12 meses anteriores ao reajuste. Esse dado é publicado oficialmente pela FGV/IBRE todos os meses, junto com o número mensal. É esse acumulado — e não o número mensal isolado — que entra na conta.

2. Transforme o percentual em fator de multiplicação. A conta é: fator = 1 + (índice acumulado ÷ 100). Se, por exemplo, o acumulado em 12 meses estivesse em 8%, o fator seria 1,08. Se estivesse em 4%, o fator seria 1,04.

3. Multiplique o valor atual do aluguel pelo fator. Suponha um aluguel de R$ 2.000,00 e um acumulado de 8%. A conta fica: R$ 2.000,00 × 1,08 = R$ 2.160,00. Ou seja, o novo valor seria R$ 2.160,00, um aumento de R$ 160,00 por mês.

4. Confira se bate com o boleto. Se o valor cobrado for maior do que a conta feita a partir do IGP-M acumulado oficial, você tem argumento para contestar. Erros de arredondamento ou aplicação do índice errado acontecem com frequência, especialmente em imobiliárias que administram muitos contratos.

Além do aluguel, é bom lembrar que o valor do condomínio e o IPTU costumam ter reajustes próprios (o condomínio depende da assembleia; o IPTU depende da prefeitura). Eles não entram no cálculo do IGP-M — mas somam no total que sai do seu bolso todo mês.

Vale também revisar a taxa administrativa e o seguro-fiança, quando existirem. Esses valores acessórios também podem ter reajustes previstos em contrato e, somados, pesam bastante no orçamento mensal.

O que fazer se o reajuste do aluguel pesar demais

Quando o índice vem forte, como neste momento, muitos inquilinos acham que precisam simplesmente aceitar o aumento. Não é bem assim. Existem caminhos legais e negociais que podem ser usados antes de assinar a renovação. Veja os principais:

Negociar diretamente com o proprietário. A Lei do Inquilinato permite que as partes acordem valores diferentes do índice cheio. Se o mercado da sua região está com muitos imóveis vagos, o proprietário costuma preferir manter o inquilino atual com um reajuste menor do que arriscar um período sem receber aluguel. Um argumento útil é comparar o valor pedido com anúncios semelhantes na mesma região.

Propor a troca do índice para o IPCA. Muitos contratos, nos últimos anos, migraram do IGP-M para o IPCA justamente porque o IPCA tende a variar de forma mais moderada. Essa troca só vale para a frente e precisa ser formalizada por aditivo contratual.

Pedir a revisão judicial do aluguel. Após três anos de vigência do contrato (ou de acordo firmado), o inquilino pode ajuizar ação revisional para adequar o valor ao praticado no mercado. É um caminho mais longo, mas existe e está previsto na legislação de locações.

Reorganizar o orçamento antes de renovar. Se, mesmo negociando, o aluguel pesar demais, pode ser hora de repensar o orçamento familiar como um todo: revisar dívidas caras (cartão de crédito e cheque especial), evitar novos compromissos parcelados e, se for aposentado, pensionista ou trabalhador CLT, avaliar com cuidado alternativas de crédito mais barato antes de recorrer ao rotativo. O empréstimo consignado, por ter juros bem menores que o cartão, costuma ser uma saída de emergência mais racional para quem já está com o orçamento apertado — mas nunca deve ser contratado no impulso, sem antes cortar gastos e negociar contas.

Conclusão: fique atento ao aniversário do seu contrato

O IGP-M de 2,76% em julho é um recado claro: quem tem contrato de aluguel renovando em agosto vai sentir o aumento no bolso, e quem renova nos próximos meses precisa acompanhar de perto a variação acumulada divulgada mensalmente pela FGV/IBRE. Fazer a conta por conta própria, checar o boleto, comparar com o mercado da região e negociar sempre que possível são atitudes simples que podem economizar centenas de reais por mês — e milhares por ano.

O próximo passo prático é: pegue seu contrato agora, veja em qual mês está o aniversário, anote o índice acumulado do IGP-M nos 12 meses anteriores a esse mês e faça a simulação antes de a imobiliária avisar o novo valor. Chegar informado à conversa é a melhor forma de evitar surpresas — e, se for o caso, propor um reajuste mais justo para os dois lados.

Referências

  • FGV/IBRE — Divulgação do IGP-M de julho de 2026 (variação mensal de 2,76%).

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