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MEI e INSS: proposta pode elevar alíquota da contribuição

Estudo em análise sugere aumentar a alíquota do INSS paga pelo MEI. Veja o impacto na aposentadoria, os direitos garantidos e o que fazer agora.

AC

Anderson Coelho

📖 12 min de leitura

MEI e INSS: proposta em estudo pode elevar contribuição e mudar a aposentadoria do microempreendedor

A aposentadoria do Microempreendedor Individual (MEI) voltou ao centro do debate econômico. Um novo estudo em análise propõe elevar a alíquota previdenciária paga mensalmente por quem está enquadrado nessa categoria, hoje considerada uma das mais acessíveis do país para quem quer se formalizar e, ao mesmo tempo, contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A discussão importa agora por dois motivos práticos. Primeiro, porque o Brasil tem mais de 15 milhões de MEIs ativos, segundo dados do Portal do Empreendedor, e qualquer mudança na alíquota impacta diretamente o orçamento mensal dessas famílias. Segundo, porque o valor pago hoje pelo MEI ao INSS já é considerado insuficiente por parte de especialistas em previdência para garantir um sistema equilibrado no longo prazo — e essa é justamente a justificativa técnica que motiva a proposta.

Se você é MEI, pensa em se formalizar como microempreendedor ou já está próximo de pedir aposentadoria, este guia explica em detalhes: como funciona hoje a contribuição do MEI ao INSS, o que a proposta em estudo pretende alterar, qual o impacto real no valor da aposentadoria, quais direitos previdenciários você mantém e quais estratégias existem, dentro da lei, para melhorar seu benefício futuro.

O conteúdo foi construído com base nas regras oficiais vigentes da Receita Federal, do INSS e da Lei Complementar nº 123/2006, que criou o Simples Nacional e o MEI. Vamos ao passo a passo.

Como funciona hoje a contribuição do MEI ao INSS

O MEI é uma categoria tributária simplificada, criada para tirar da informalidade trabalhadores autônomos com faturamento anual de até R$ 81.000,00. Em vez de pagar tributos separados, o microempreendedor recolhe uma guia única mensal chamada DAS-MEI (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

Dentro dessa guia única já está incluída a contribuição previdenciária. Ou seja: o MEI já paga INSS todo mês automaticamente, sem precisar emitir carnê à parte.

Valor pago atualmente ao INSS

A contribuição previdenciária do MEI corresponde a 5% do salário mínimo vigente. Esse valor é somado a tributos estaduais (ICMS) ou municipais (ISS), dependendo da atividade exercida:

  • Comércio ou indústria: 5% do salário mínimo (INSS) + R$ 1,00 (ICMS)
  • Prestação de serviços: 5% do salário mínimo (INSS) + R$ 5,00 (ISS)
  • Comércio e serviços juntos: 5% do salário mínimo (INSS) + R$ 6,00 (ICMS + ISS)

É justamente essa alíquota de 5% do salário mínimo que está no centro da discussão. Comparada à contribuição do contribuinte individual comum (que pode chegar a 20% do salário de contribuição), a alíquota do MEI é significativamente menor — e essa diferença cria um desequilíbrio atuarial que a proposta em estudo pretende corrigir.

Direitos previdenciários que o MEI garante hoje

Mesmo pagando alíquota reduzida, o MEI tem direito à cobertura previdenciária completa, com uma importante exceção. São garantidos:

  • Aposentadoria por idade (65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com 15 anos de contribuição mínima como MEI, para segurados que ingressaram após a reforma da Previdência)
  • Aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez)
  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)
  • Salário-maternidade para mulheres MEIs
  • Pensão por morte aos dependentes
  • Auxílio-reclusão aos dependentes, quando cabível

A exceção crucial é a aposentadoria por tempo de contribuição e a possibilidade de aposentar-se com valor superior ao salário mínimo. Quem paga apenas os 5% do MEI não tem direito a esses dois pontos. Para acessá-los, é preciso complementar a contribuição — assunto que detalhamos mais adiante.

O que propõe o estudo em análise sobre a alíquota do MEI

O ponto central da discussão é o aumento da alíquota previdenciária paga pelo microempreendedor. A justificativa técnica apresentada gira em torno de dois argumentos principais: sustentabilidade do sistema previdenciário e isonomia entre categorias de contribuintes.

Argumentos a favor da elevação

Os defensores da mudança sustentam que:

  • A alíquota atual de 5% cria um déficit atuarial, já que o benefício mínimo pago pelo INSS (salário mínimo) é muito superior ao total arrecadado ao longo da vida contributiva do MEI.
  • Existe injustiça tributária em relação a outros contribuintes individuais, que pagam alíquotas maiores para acessar os mesmos benefícios.
  • Elevar a contribuição permitiria ampliar direitos, como facilitar o acesso à aposentadoria por tempo de contribuição sem exigir complementação separada.

Argumentos contrários

Do outro lado, entidades ligadas ao empreendedorismo argumentam que:

  • Aumentar o custo mensal do MEI pode empurrar trabalhadores de volta à informalidade, prejudicando exatamente o público que a categoria foi criada para proteger.
  • Muitos MEIs têm faturamento baixo e não teriam condições de absorver qualquer elevação sem cortar despesas essenciais.
  • A categoria já enfrenta reajustes automáticos todo ano por causa do aumento do salário mínimo, base de cálculo da contribuição.

É importante deixar claro: até o momento não há mudança em vigor. Trata-se de um estudo em fase de análise. Qualquer alteração precisará passar por processo legislativo, ser aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República. Enquanto isso não acontece, valem as regras atuais.

Impacto direto na aposentadoria do MEI

Esta é a pergunta que mais aparece nas dúvidas do microempreendedor: se a contribuição aumentar, minha aposentadoria também aumenta? A resposta é: depende de como a mudança for desenhada.

Existem dois cenários possíveis:

  1. Aumento sem contrapartida de benefício: nesse caso, o MEI continuaria com direito apenas ao salário mínimo na aposentadoria, mas pagando mais por mês. Seria, na prática, um aumento de carga tributária.
  2. Aumento com ampliação de direitos: aqui, o MEI passaria a ter acesso a benefícios hoje restritos, como aposentadoria por tempo de contribuição com valor superior ao mínimo, sem precisar complementar por fora.

Como se calcula a aposentadoria do MEI hoje

Para entender o impacto de qualquer mudança, é fundamental saber como o benefício é calculado atualmente:

  • Piso: aposentadoria do MEI que pagou apenas os 5% terá valor de 1 salário mínimo, independentemente do tempo contribuído acima do mínimo exigido.
  • Teto: não há como o MEI atingir o teto do INSS pagando somente a alíquota simplificada. Para isso, é preciso complementar.
  • Carência mínima: 180 meses (15 anos) de contribuição para aposentadoria por idade.

Mesmo com o cenário atual, é possível melhorar o valor futuro do benefício. Veja a seguir.

Direitos previdenciários do MEI: o que você precisa saber

Antes de decidir sobre qualquer estratégia de complementação, é importante conhecer em detalhe cada direito previdenciário garantido pela contribuição do MEI.

Aposentadoria por idade

É o benefício mais acessível para o MEI. Exige:

  • 65 anos de idade para homens e 62 anos para mulheres (regras após a reforma da Previdência de 2019)
  • 180 meses de contribuição (15 anos)
  • Valor de 1 salário mínimo

Auxílio por incapacidade temporária

O antigo auxílio-doença é pago quando o MEI fica temporariamente incapaz de trabalhar por motivo de saúde. Exige carência de 12 meses de contribuição, salvo em casos de acidente ou doenças graves listadas em portaria do Ministério da Saúde.

Salário-maternidade

MEIs mulheres têm direito ao salário-maternidade, no valor de 1 salário mínimo, por 120 dias. A carência é de 10 meses de contribuição.

Aposentadoria por incapacidade permanente

Concedida quando o segurado é considerado permanentemente incapaz para o trabalho. Também exige, em regra, carência de 12 meses.

Pensão por morte

Em caso de falecimento do MEI, os dependentes têm direito à pensão. Não há carência mínima para este benefício.

Como o MEI pode complementar a contribuição hoje

Quem quer garantir valor de aposentadoria maior que o salário mínimo ou pretende acessar a aposentadoria por tempo de contribuição precisa complementar a contribuição pagando um valor extra por fora do DAS-MEI. Essa possibilidade está prevista em lei e funciona da seguinte forma:

Complementação de 15% para atingir 20%

O MEI pode recolher, por conta própria e mensalmente, uma complementação de 15% sobre o salário mínimo, totalizando os 20% da alíquota do contribuinte individual comum. Feito isso, o mês contribuído passa a valer:

  • Para aposentadoria por tempo de contribuição (para quem tinha direito adquirido antes da reforma)
  • Para cálculo de benefício superior ao salário mínimo, respeitando o teto do INSS

Contribuição sobre valor maior que o mínimo

Se o MEI quiser contribuir sobre um salário maior que o mínimo — por exemplo, R$ 3.000,00 —, ele deve fechar o MEI ou complementar como contribuinte individual, recolhendo a diferença via guia GPS (Guia da Previdência Social), código específico.

Passo a passo para complementar

  1. Acesse o site da Receita Federal ou o portal e-CAC.
  2. Emita a GPS com o código de recolhimento adequado (usualmente 1910 para complementação).
  3. Calcule o valor: 15% do salário mínimo vigente (para complementar a alíquota do MEI a 20%).
  4. Pague a guia todo mês, junto com o DAS-MEI.
  5. Guarde os comprovantes — eles serão exigidos no pedido de aposentadoria.

Alerta importante: a complementação não é retroativa automática. Meses passados sem complementação continuarão contando apenas para aposentadoria por idade no valor de 1 salário mínimo. Existe possibilidade de recolhimento retroativo em casos específicos, mas exige análise cuidadosa e, geralmente, apoio de contador ou advogado previdenciarista.

O que o MEI deve fazer diante da possível mudança

Enquanto a proposta ainda está em fase de estudo e discussão, o microempreendedor pode adotar algumas atitudes práticas para se preparar:

1. Mantenha as contribuições em dia

Atrasos no pagamento do DAS-MEI comprometem a qualidade de segurado e podem tirar direito a benefícios como auxílio-doença e salário-maternidade. Regularize pendências o quanto antes.

2. Faça o CNIS atualizado

Acesse o Meu INSS (aplicativo ou site oficial gov.br) e consulte o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Verifique se todos os meses pagos como MEI estão registrados corretamente. Divergências devem ser corrigidas junto ao INSS.

3. Avalie a complementação de 15%

Se você é MEI há vários anos e pretende continuar por muito tempo, faça as contas: pode valer a pena começar a complementar agora, mesmo antes de qualquer mudança na alíquota, para ampliar seus direitos futuros.

4. Acompanhe as fontes oficiais

Qualquer alteração real na alíquota do MEI será publicada no Diário Oficial da União e divulgada pelos canais oficiais do governo federal, do INSS e da Receita Federal. Desconfie de informações espalhadas em redes sociais sem confirmação.

5. Não abandone o MEI por pânico

É comum, diante de notícias sobre aumento de tributos, que alguns microempreendedores considerem cancelar o CNPJ. Essa decisão deve ser tomada com calma, considerando que a formalização traz benefícios que vão além do INSS: acesso a crédito, emissão de notas fiscais, participação em licitações e proteção jurídica da atividade.

FAQ — Perguntas frequentes sobre MEI, INSS e aposentadoria

O MEI já paga INSS todos os meses?

Sim. A contribuição previdenciária de 5% do salário mínimo já está incluída no valor do DAS-MEI pago mensalmente. Não é preciso emitir guia separada — a menos que você queira complementar para ter direitos ampliados.

Se a alíquota do MEI aumentar, quem já é MEI vai pagar mais?

Depende do texto da lei que for aprovada. Em regra, mudanças em contribuições previdenciárias respeitam a anterioridade nonagesimal (só passam a valer 90 dias após a publicação). Não existe garantia de direito adquirido para manter alíquota antiga, salvo previsão específica no projeto.

Quantos anos preciso contribuir como MEI para me aposentar?

Para aposentadoria por idade, são necessários 15 anos (180 meses) de contribuição, além de atingir a idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres, para quem entrou no sistema após a reforma da Previdência).

Consigo me aposentar com valor maior que 1 salário mínimo sendo MEI?

Sim, mas apenas se você complementar a contribuição. Pagando somente os 5% do DAS-MEI, o benefício será limitado a 1 salário mínimo. Com a complementação de 15% mensal (totalizando 20% do salário mínimo ou de valor maior), é possível acessar cálculos superiores, respeitando o teto do INSS.

O tempo pago como MEI conta junto com tempo de CLT?

Sim. Todo período contribuído — seja como MEI, empregado com carteira assinada, contribuinte individual ou facultativo — é somado no cálculo do tempo de contribuição, desde que devidamente registrado no CNIS.

Posso pagar MEI em atraso para completar carência?

Sim, é possível recolher parcelas atrasadas do DAS-MEI, mas com juros e multa. O pagamento em atraso mantém a contagem para tempo de contribuição, mas pode não recuperar automaticamente a qualidade de segurado para benefícios como auxílio-doença.

Conclusão: o que fica desta discussão para o microempreendedor

O debate sobre a possível elevação da alíquota previdenciária do MEI é sério e merece atenção, mas ainda não representa mudança concreta. As regras atuais continuam valendo. O que muda é o cenário de planejamento de quem depende da aposentadoria do INSS como principal fonte de renda no futuro.

Pontos essenciais deste guia:

  • O MEI paga hoje 5% do salário mínimo ao INSS via DAS-MEI.
  • Tem direito a aposentadoria por idade (1 salário mínimo), auxílios, salário-maternidade e pensão por morte.
  • Não tem direito automático a aposentadoria por tempo de contribuição nem a benefícios acima do mínimo, salvo se complementar 15% adicionais mensalmente.
  • A proposta em análise pretende elevar a alíquota, mas ainda não há decisão nem prazo definido.
  • Enquanto isso, mantenha contribuições em dia, consulte o CNIS e considere a complementação como estratégia de longo prazo.

Próximo passo prático: entre no aplicativo Meu INSS, acesse seu Extrato Previdenciário e confirme se todos os meses pagos como MEI estão registrados. Essa é a base para qualquer planejamento de aposentadoria — e o primeiro passo para não ser pego de surpresa por qualquer mudança futura na legislação.

Acompanhar as regras do INSS e entender o funcionamento da previdência é o caminho mais seguro para proteger o seu futuro. Continue com a gente para se manter informado com clareza, autoridade e linguagem direta.

Referências

  • Portal do Empreendedor — gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor (estatísticas oficiais de MEIs ativos).
  • Lei Complementar nº 123/2006 e Lei Complementar nº 128/2008; Resolução CGSN e Receita Federal — gov.br/receitafederal.
  • INSS — gov.br/inss; Emenda Constitucional nº 103/2019 (Reforma da Previdência); Instrução Normativa PRES/INSS nº 128/2022.

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