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Move Brasil: CMN eleva teto a R$ 200 mil e prazo a 84 meses

CMN ampliou o Move Brasil: taxistas e motoristas de app podem financiar até R$ 200 mil em 84 meses. Veja quem pode aderir, veículos e cuidados.

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Rita Cavalcanti

📖 11 min de leitura

Se você tira o sustento da família rodando com o carro — seja como taxista, seja em aplicativo de transporte —, uma decisão publicada nesta semana pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) muda diretamente o tamanho do carro que você pode financiar, o prazo que tem para pagar e, principalmente, o quanto vai pesar na parcela mensal. O programa Move Brasil passou a permitir financiamento de veículo em condições mais amplas, e essa mudança já vale para as novas contratações.

A seguir, você vai entender em linguagem simples o que o CMN alterou, quem pode se enquadrar, quais são as condições de prazo e teto, como calcular uma parcela realista e o que fazer antes de assinar o contrato para não comprometer o orçamento.

O que é o Move Brasil e por que a mudança do CMN importa

O Move Brasil é uma linha de crédito voltada para categorias profissionais que dependem do veículo para gerar renda — no caso, taxistas e motoristas de aplicativo. Ele funciona como um financiamento com condições diferenciadas em relação ao crédito comum de veículos, porque parte da lógica é reconhecer que o carro, para esse profissional, é ferramenta de trabalho, e não bem de consumo.

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A decisão do CMN publicada em 27 de agosto de 2026 ampliou dois parâmetros centrais desse crédito: o valor máximo que pode ser financiado por profissional e o prazo máximo para pagamento das parcelas. Essa mudança conversa com a Medida Provisória nº 1.359/2026, que reorganizou o desenho do programa, e com portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, responsável por definir quais modelos de veículos podem entrar na linha.

Na prática, um teto maior significa que dá para financiar um carro melhor, mais novo ou já preparado para GNV, elétrico ou híbrido, sem precisar recorrer a crédito comum, que costuma ter juros mais altos. E um prazo mais longo dilui a parcela ao longo do tempo, o que ajuda o motorista a manter o fluxo de caixa mensal equilibrado.

Novo teto: até R$ 200 mil por profissional

O ponto de maior impacto é o teto de financiamento, que passou a ser de até R$ 200 mil por profissional dentro do Move Brasil. Antes dessa alteração, o limite era menor e, na prática, fechava a porta para quem queria financiar um carro híbrido, elétrico ou com padrão executivo — modelos hoje muito procurados em categorias de aplicativo de nível intermediário e alto, que pagam melhor por corrida.

Com o novo teto, o profissional consegue:

  • financiar um veículo zero-quilômetro popular ou intermediário à combustão, com folga de valor para incluir kit GNV ou equipamentos exigidos pela categoria (taxímetro, luminoso, adaptações);
  • financiar um híbrido flex, categoria que reduz gasto com combustível e valoriza mais na revenda;
  • financiar um elétrico dentro de faixas de preço que antes ficavam de fora da linha subsidiada.

É importante entender que o teto é o valor máximo. Cada instituição financeira participante avalia a capacidade de pagamento do motorista, o histórico de crédito e a relação entre o valor do carro e a renda comprovada. Ou seja, ter direito a até R$ 200 mil não significa que qualquer profissional será aprovado nesse valor — significa que o programa permite chegar até ali quando o perfil e o veículo se enquadram.

Prazo de 84 meses: o que muda na parcela

O segundo parâmetro alterado foi o prazo. O CMN autorizou financiamento em até 84 meses — sete anos — dentro do Move Brasil. Esse é um prazo relevante porque, no crédito comum de veículos, o padrão do mercado costuma girar em torno de 48 a 60 meses, e quanto menor o prazo, maior a parcela mensal.

Para o motorista que vive do carro, o prazo maior tem uma vantagem prática: preserva o caixa do dia a dia. A parcela cabe no faturamento das corridas sem precisar sacrificar combustível, manutenção preventiva, seguro e a própria retirada mensal para a família.

Vamos a uma simulação didática para mostrar a diferença que 84 meses fazem em relação a um prazo mais curto. Considere um financiamento hipotético de R$ 120 mil, com juros efetivos mensais de 1,5% (valor usado apenas como exemplo de cálculo, não como taxa oficial do programa):

  • Em 48 meses, a parcela ficaria em torno de R$ 3.520;
  • Em 60 meses, cairia para cerca de R$ 3.050;
  • Em 84 meses, ficaria próxima de R$ 2.560.

Ou seja, a mesma dívida em 84 meses libera quase mil reais por mês no orçamento do motorista em comparação a um prazo de 48 meses. Isso não significa que pagar em 84 meses seja sempre a melhor escolha — o total de juros pagos ao longo do contrato é maior. Mas, para quem precisa de fôlego mensal e usa o carro como ferramenta que gera renda todos os dias, é uma alternativa que faz sentido financeiro.

Quem tem direito: taxistas e motoristas de aplicativo

O Move Brasil, na configuração atual, foi desenhado para duas categorias:

  1. Taxistas com permissão ativa junto ao poder público municipal (alvará vigente).
  2. Motoristas de aplicativo que atuam em plataformas de transporte individual de passageiros e conseguem comprovar essa atividade.

A comprovação, em geral, é feita por meio de documentos como:

  • Alvará de taxista (para a primeira categoria);
  • Cadastro ativo em plataformas de transporte (extrato ou declaração da plataforma);
  • Comprovante de rendimentos das corridas (relatório mensal ou anual da plataforma);
  • Documento pessoal (RG, CPF), CNH com a observação de exerce atividade remunerada (EAR) e comprovante de residência.

A CNH com EAR é ponto de atenção. Sem essa observação, o motorista não pode legalmente transportar passageiros por dinheiro, e a instituição financeira tende a negar o pedido dentro da linha profissional. Regularizar a habilitação antes de dar entrada no financiamento é um passo simples e evita reprovação por documentação.

Veículos elegíveis: o que a portaria define

O Move Brasil não financia qualquer carro. A portaria conjunta do MDIC e da Fazenda define quais modelos e categorias de veículos podem ser adquiridos dentro da linha. A lógica é direcionar o crédito para carros compatíveis com o uso profissional e, ao mesmo tempo, alinhados às metas de eficiência energética e de emissões do país.

Em linhas gerais, entram na lista:

  • Veículos zero-quilômetro fabricados no Brasil;
  • Modelos flex, híbridos e elétricos que atendam aos critérios de eficiência definidos na portaria;
  • Veículos adaptados ou com kit GNV homologado, quando previsto pela política pública.

A lista exata de modelos costuma ser atualizada periodicamente, à medida que novos carros entram em linha de produção e recebem certificação. Antes de escolher o veículo, vale confirmar com a concessionária e com o banco se aquele modelo específico está enquadrado no Move Brasil naquele momento. Comprar um carro que não consta na lista significa perder o direito às condições especiais e cair no crédito comum, com juros mais altos.

Como se preparar para pedir o financiamento sem levar não

Uma coisa é ter direito ao programa. Outra, bem diferente, é ser aprovado no valor que você precisa. As instituições financeiras trabalham com análise de crédito, e o Move Brasil não muda essa lógica: continua sendo o banco que decide se libera, quanto libera e em quantas parcelas. Alguns cuidados aumentam bastante a chance de aprovação e de conseguir a melhor condição:

1. Organize a comprovação de renda como motorista. Muitos profissionais de aplicativo não têm holerite, então dependem de extratos de plataformas e do movimento na conta bancária. Manter todo o faturamento das corridas concentrado em uma única conta ajuda o banco a enxergar a sua renda real. Rodar meses recebendo em espécie e depositando aos poucos dificulta a análise.

2. Declare Imposto de Renda. O motorista de aplicativo é considerado autônomo. Declarar o IR — mesmo quando isento — cria histórico oficial de rendimentos, o que pesa a favor na hora da aprovação.

3. Regularize a CNH com EAR. Sem essa observação, o financiamento profissional trava.

4. Cuide do nome antes de pedir. Pendências em cadastros de crédito derrubam o pedido. Vale consultar previamente o próprio CPF e negociar dívidas em aberto antes de dar entrada.

5. Simule antes de assinar. Peça simulações em pelo menos duas ou três instituições autorizadas a operar o Move Brasil. A taxa pode variar, e o custo total do financiamento — o famoso CET (Custo Efetivo Total) — precisa ser comparado, e não apenas o valor da parcela.

6. Tenha uma reserva para a entrada. Mesmo com teto de R$ 200 mil e prazo de 84 meses, dar uma entrada reduz o valor financiado, reduz a parcela e, na maioria dos casos, melhora a taxa oferecida pelo banco.

Vale a pena aderir? Cuidados antes de fechar o contrato

O Move Brasil, com o novo teto e o novo prazo, é uma oportunidade real para o motorista profissional trocar de carro em condições melhores que as do crédito de veículo comum. Mas financiamento longo, mesmo com juros diferenciados, exige planejamento. Um contrato de 84 meses é uma decisão de sete anos — e, nesse período, muita coisa pode mudar: regras de aplicativos, categorias de veículos aceitas pelas plataformas, custo do combustível, situação de saúde do motorista.

Alguns pontos para pensar antes de assinar:

  • A parcela cabe no faturamento médio, não no faturamento de pico. Use como base os meses mais fracos do ano, não os mais fortes.
  • Some os custos reais do carro trabalhando. Combustível, manutenção, pneus, seguro, IPVA, limpeza, aluguel de plataforma e imposto sobre a renda entram na conta antes de sobrar o dinheiro para a parcela.
  • Considere o seguro obrigatório para uso profissional. O seguro comum não cobre uso remunerado. Fazer o seguro certo é mais caro, mas evita ter o sinistro negado.
  • Cuidado com propostas fora dos canais oficiais. O programa é operado por instituições financeiras autorizadas. Ofertas de intermediários prometendo aprovação garantida, pedindo pagamento antecipado ou cobrando “taxa de liberação” são sinal claro de golpe. O CMN e o Banco Central não autorizam esse tipo de cobrança.

O que muda, na prática, para quem vive de dirigir

Resumindo o que a nova resolução do CMN significa no dia a dia do motorista profissional:

  • O teto de financiamento subiu para até R$ 200 mil por profissional dentro do Move Brasil.
  • O prazo máximo passou para 84 meses, o que reduz a parcela mensal em relação aos prazos tradicionais de crédito de veículo.
  • A linha continua restrita a taxistas com alvará ativo e a motoristas de aplicativo que comprovem atividade em plataformas de transporte.
  • Os veículos elegíveis são definidos por portaria conjunta do MDIC e da Fazenda, com foco em modelos nacionais e opções híbridas/elétricas.
  • A aprovação depende de análise de crédito da instituição financeira; ter documentação em dia (CNH com EAR, comprovação de renda, nome limpo) é decisivo.

Se você depende do carro para trabalhar e está avaliando a troca do veículo, este é o momento de fazer as contas com calma. A ampliação do teto e do prazo abre espaço para financiar um carro mais eficiente — que gasta menos combustível, quebra menos e valoriza mais na revenda — sem estourar o orçamento mensal. O próximo passo é buscar uma instituição financeira autorizada a operar o Move Brasil, pedir uma simulação com o modelo pretendido e comparar o CET antes de assinar qualquer contrato.

Mais informações oficiais sobre a linha podem ser consultadas diretamente nos canais do Banco Central do Brasil, do MDIC e do Ministério da Fazenda.

Referências

  • Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada em 27/08/2026, que elevou o teto do Move Brasil a R$ 200 mil por profissional e o prazo máximo a 84 meses.
  • Medida Provisória nº 1.359/2026, que reorganiza o programa Move Brasil e define os beneficiários (taxistas e motoristas de aplicativo de transporte individual de passageiros).
  • Portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, que define os veículos elegíveis ao programa.

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