Move Brasil: crédito a entregadores começa em 27 de julho
Move Brasil começa em 27 de julho com financiamento sem entrada de motos e bikes elétricas para entregadores e mototaxistas via Caixa e Banco do Brasil.
Uche Ochôa
Quem trabalha entregando comida, encomendas ou fazendo mototáxi por aplicativo está de olho em uma linha de crédito específica do governo federal: o Move Brasil. A novidade é que o programa, que começaria antes, teve o pontapé inicial remarcado para o dia 27 de julho. Se você depende do seu veículo para trabalhar e está pensando em trocar a moto velha ou finalmente comprar uma bicicleta elétrica para as entregas, este texto explica em linguagem direta o que muda com o adiamento, quem realmente pode participar, quais veículos são financiados e como se preparar para a contratação nos bancos habilitados. Também mostramos, de forma prática, quais documentos ter em mãos, quanto tempo dura o financiamento, se existe entrada e como o Move Brasil se compara a outras opções de crédito disponíveis para o trabalhador de app.
Antes de tudo, um alerta importante: existe muita confusão circulando sobre o programa. O Move Brasil NÃO financia carro de passeio e NÃO atende motoristas de aplicativo de transporte de passageiros que rodam com automóvel. Ele é uma linha voltada especificamente para entregadores (motoboys e ciclistas) e para quem transporta passageiros de moto — motofretistas e mototaxistas. Se essa é a sua realidade, vale a pena entender cada detalhe antes de fechar qualquer contrato.
O que é o Move Brasil e quem pode participar
O Move Brasil é uma linha de crédito federal criada para dar acesso a veículos zero-quilômetro a trabalhadores autônomos que utilizam moto ou bicicleta como ferramenta de trabalho. A ideia central é simples: em vez de o entregador ou mototaxista ficar refém de motos usadas em más condições, com risco mecânico e alto custo de manutenção, o programa oferece condições diferenciadas para adquirir um veículo novo, mais eficiente e — em várias opções — elétrico.
O público-alvo é claramente delimitado:
- Entregadores que trabalham de bicicleta (ciclistas de aplicativo de entrega).
- Entregadores que trabalham de moto (motoboys, entregadores por app).
- Motofretistas (transporte de pequenas cargas em moto).
- Mototaxistas (transporte de passageiros em moto, com regulamentação municipal).
Repare no que esse recorte deixa de fora: motorista de carro por aplicativo (transporte de passageiros com automóvel) e taxista tradicional não estão contemplados nesta linha. Se o seu trabalho é rodar de carro, o Move Brasil não é para você — e insistir na contratação por intermediário que prometa "encaixar" o perfil é receita para dor de cabeça.
Outra regra prática: cada trabalhador beneficiado pode financiar um veículo zero-quilômetro dentro do programa. Não é possível usar o Move Brasil para comprar uma frota ou fazer mais de um financiamento simultâneo dentro da linha.
Por que o Move Brasil foi adiado para 27 de julho
A data de largada oficial do crédito foi remarcada para o dia 27 de julho. O motivo, informado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), é a finalização de testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas envolvidos na operação — ou seja, a integração entre o cadastro do trabalhador, o Fundo Garantidor de Operações (FGO) e as plataformas dos bancos habilitados, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Na prática, o adiamento acontece porque uma linha de crédito com garantia pública precisa de sistemas conversando com precisão. Uma falha nesse encaixe pode causar contratos travados, análise de crédito duplicada ou até liberação indevida — problemas que ninguém quer descobrir depois que o dinheiro já foi liberado.
Para quem estava com pressa, a orientação é: não antecipe compras nem assine propostas fora do programa achando que "depois regulariza". Financiamentos comuns de moto, em concessionárias, costumam ter juros bem mais altos e sem a garantia do FGO. Se o seu perfil se encaixa no Move Brasil, esperar até 27 de julho tende a valer a pena.
O adiamento também é uma janela útil para o trabalhador se organizar: separar documentos, regularizar pendências no CPF, entender qual veículo cabe no orçamento e comparar as duas instituições que vão operar a linha.
Quais veículos podem ser financiados
Aqui está uma das partes que mais gera dúvida. O Move Brasil financia veículos específicos, todos ligados à realidade do entregador e do mototaxista:
- Bicicletas elétricas (para entregadores ciclistas).
- Motonetas (motos leves, de menor cilindrada, muito usadas em entregas urbanas).
- Ciclomotores (veículos de duas rodas com motor de baixa potência).
- Motos elétricas (sem combustível fóssil).
- Motos flex (que rodam com gasolina e etanol).
O que não está no programa: automóveis de passeio, caminhonetes, utilitários, motos de alta cilindrada fora do perfil de trabalho e veículos usados. O foco é claramente o veículo zero-quilômetro, adequado ao dia a dia da entrega ou do transporte de passageiros em moto.
Essa escolha de veículos tem uma lógica: são modelos com menor custo de aquisição, menor consumo, mais fáceis de manobrar no trânsito urbano e — no caso das opções elétricas — com forte apelo ambiental e economia diária no combustível. Para o entregador que roda 8, 10, 12 horas por dia, a diferença no custo por quilômetro pesa no bolso no fim do mês.
Antes de escolher entre uma moto flex e uma elétrica, considere alguns pontos práticos: distância média que você roda por dia, disponibilidade de pontos de recarga na sua região, autonomia da bateria e valor da parcela dentro do seu orçamento. Um veículo mais barato com parcela confortável pode render mais do que um modelo caro que aperta o caixa todo mês.
Condições do financiamento: prazo, carência e entrada
Este é o coração do programa e o motivo pelo qual ele chama tanta atenção. As condições anunciadas do Move Brasil são:
- Prazo de financiamento: até 48 meses (4 anos) para pagar.
- Carência: 2 meses para o início do pagamento das parcelas.
- Sem entrada: o trabalhador não precisa dar valor inicial para levar o veículo.
- Um veículo zero-quilômetro por beneficiário.
- Garantia: operação amparada pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO), o que reduz o risco para os bancos e ajuda a viabilizar o crédito para quem tem histórico mais curto.
A combinação "sem entrada + 2 meses de carência + 48 meses para pagar" é o que torna o programa competitivo. A carência de dois meses é especialmente útil: permite que o trabalhador comece a rodar com o veículo novo, gere renda, e só então tenha a primeira parcela vencendo. É um respiro de caixa importante para quem vive de faturamento diário.
Atenção a um ponto que muita gente esquece: financiamento sem entrada não significa financiamento barato. Sem dar entrada, você financia 100% do valor do veículo, e cada real financiado gera juros durante os 48 meses. A parcela mensal tende a ficar maior do que em um financiamento tradicional com entrada de 20% ou 30%. Antes de assinar, calcule se essa parcela cabe na sua renda média — e faça a conta pensando também nos meses fracos, não só nos melhores.
Outra recomendação prática: reserve um valor mensal para manutenção, seguro e imprevistos com o veículo. Comprometer 100% da margem de folga com a parcela é o caminho mais curto para atrasar pagamento e comprometer o CPF.
A taxa de juros exata aplicada pelos bancos, os valores máximos de financiamento por categoria de veículo e o detalhamento completo das exigências de comprovação de atividade como entregador ou mototaxista devem ser confirmados diretamente nos canais oficiais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, os dois bancos habilitados a operar a linha.
Como se preparar para contratar em Caixa e Banco do Brasil
Com a nova data marcada para 27 de julho, o ideal é usar o tempo até lá para chegar preparado. Veja um roteiro prático de como se organizar:
1. Regularize sua situação como trabalhador de app. Como o programa é destinado a entregadores, motofretistas e mototaxistas, ter comprovação da atividade é essencial. Isso pode envolver contratos ou cadastros junto às plataformas de entrega/mobilidade, comprovantes de rendimento e, no caso de mototaxistas e motofretistas, a documentação exigida pela regulamentação local da atividade (a habilitação com EAR — Exerce Atividade Remunerada — é aplicável a quem trabalha transportando passageiros ou cargas em moto).
2. Confira seu CPF e seu score. Mesmo com a garantia do FGO, a instituição financeira faz análise de crédito. Se houver dívidas negativadas, o ideal é negociar e limpar o nome antes da contratação. Consulte gratuitamente sua situação em plataformas oficiais e nos próprios sites da Caixa e do Banco do Brasil.
3. Separe os documentos básicos. Documento de identidade, CPF, comprovante de residência atualizado, comprovantes de renda (que podem ser extratos, recibos das plataformas, declaração de MEI, se aplicável) e habilitação — no caso de moto, CNH categoria A (motos e motonetas). Para bicicleta elétrica, verificar as exigências específicas junto ao banco.
4. Escolha o veículo com antecedência. Pesquise concessionárias, compare modelos dentro das categorias aceitas pelo programa (bike elétrica, motoneta, ciclomotor, moto elétrica ou moto flex) e tenha uma noção clara do valor. Isso agiliza a proposta no banco.
5. Compare Caixa e Banco do Brasil. Ambos são bancos habilitados na operação, mas cada um pode ter suas particularidades em análise, exigências e agilidade. Se você já é correntista de um deles, comece por ali — o relacionamento prévio costuma facilitar a aprovação.
6. Desconfie de atravessadores. Move Brasil é operado pelos bancos oficiais. Ninguém precisa pagar taxa antecipada, "despachante" ou intermediário para conseguir o crédito. Se alguém cobrar por isso, é golpe.
Move Brasil, consignado e outras alternativas
O Move Brasil é uma linha específica para veículos. Mas o trabalhador de aplicativo, por trabalhar como autônomo, muitas vezes olha para outras opções de crédito na hora do aperto — e é importante entender como elas se posicionam.
O empréstimo consignado para CLT, por exemplo, não se aplica a quem é autônomo puro: exige carteira assinada, tem margem de 35% do salário e prazo de até 96 meses. Já o consignado do INSS, para aposentados e pensionistas, tem prazo de até 108 meses e margem total de 40% do benefício. Nenhum dos dois é substituto do Move Brasil — servem a públicos diferentes.
Muita gente também tenta comparar com o crédito pessoal comum ofertado em bancos e fintechs. Nesse caso, o Move Brasil tende a ser mais vantajoso pelas suas condições específicas: garantia pública via FGO, sem entrada, carência de 2 meses e finalidade clara. Um crédito pessoal solto, com o mesmo valor, geralmente virá com juros mais altos e sem carência.
Uma observação importante para leitores que recebem benefícios do INSS e trabalham como entregador ou mototaxista: quem recebe BPC/LOAS pode, por lei, fazer empréstimo consignado — não há vedação legal para esse tipo de benefício. Ocorre que, no atual momento (2026), devido ao alto volume de revisões e cessações desse benefício, as instituições autorizadas recuaram na oferta, e a disponibilidade prática está reduzida. Ou seja: é permitido por lei, mas nem sempre encontrado nas prateleiras dos bancos hoje.
O ponto central é: crédito bom é aquele que cabe no seu bolso e tem finalidade clara. Se o objetivo é trocar de moto ou entrar no mercado de entrega com uma bicicleta elétrica nova, o Move Brasil, a partir de 27 de julho, deve ser a primeira porta a bater. Se o objetivo é outro (quitar dívidas, capital de giro, reforma), essa linha específica não vai atender — e o caminho passa por outras modalidades.
Resumo prático e próximo passo
Se você é entregador (de bike ou moto), motofretista ou mototaxista, o Move Brasil é uma linha desenhada para o seu perfil e vai financiar veículos zero-quilômetro nas categorias bicicleta elétrica, motoneta, ciclomotor, moto elétrica e moto flex. O programa começa em 27 de julho, após finalização dos testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas envolvidos. As condições anunciadas incluem prazo de até 48 meses, carência de 2 meses, sem entrada e um veículo por beneficiário, com garantia via FGO. Os bancos habilitados são Caixa e Banco do Brasil.
O próximo passo é claro: use o tempo até o lançamento para regularizar CPF, separar documentação como trabalhador de app, escolher o veículo e decidir por qual banco vai começar. E, sobretudo, faça a conta da parcela caber no seu faturamento médio — não no melhor mês. Crédito subsidiado é ferramenta poderosa para quem trabalha na rua; usado sem planejamento, vira problema. Usado com estratégia, pode ser exatamente o empurrão que faltava para virar o jogo profissional.
Referências
- Nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre o adiamento do Move Brasil para 27 de julho.
- Regras do programa Move Brasil e do Fundo Garantidor de Operações (FGO): público-alvo, veículos financiáveis, prazo de 48 meses, carência de 2 meses, sem entrada e um veículo zero-quilômetro por beneficiário.
- Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil como bancos habilitados a operar a linha de crédito.
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