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Move Brasil: entregador financia moto com juros de 11,5% a 12,5%

Move Brasil financia moto até 160cc flex para entregador de app e CLT com juros de 11,5% (mulheres) e 12,5% (homens), 48 meses e sem entrada.

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Rita Cavalcanti

📖 14 min de leitura

Move Brasil: como entregador de app e mototaxista financia moto com juros pela metade do mercado

O governo federal lançou o Move Brasil, programa de crédito subsidiado que permite ao entregador de aplicativo, ao ciclista, ao motofretista e ao mototaxista comprar uma moto (ou bicicleta elétrica) pagando taxa de juros menor do que a praticada no mercado convencional. Segundo a Caixa Econômica Federal, o financiamento tradicional de motocicletas trabalha em média com 26,6% ao ano (dado da ANEF, referência abril/2026), enquanto o Move Brasil oferece o crédito a 11,5% ou 12,5% ao ano — cerca da metade do custo cobrado pelas financeiras comuns.

O programa opera pela Caixa Econômica Federal e é voltado para quem tira o próprio sustento pedalando ou rodando no trânsito das cidades brasileiras: profissionais de aplicativos de transporte e entrega, motofretistas e mototaxistas com carteira assinada. A ideia é reduzir o custo da principal ferramenta de trabalho dessas categorias e, ao mesmo tempo, empurrar o mercado para modelos flex e elétricos fabricados no Brasil.

Se você depende de uma moto para trabalhar, ou está pensando em trocar a atual por um modelo mais econômico, este guia explica quem tem direito, quais motos podem ser financiadas, qual o prazo, como funciona a taxa diferenciada por gênero, como se cadastrar pelo gov.br e o que muda em relação a outras linhas de crédito — como o consignado do INSS ou o consignado CLT.

Trabalha de carteira assinada? Você pode simular seu consignado CLT aqui e descobrir o valor e a parcela em segundos.

O que é o Move Brasil e por que ele importa agora

O Move Brasil é um programa federal de crédito para renovação e ampliação da frota de motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas usadas como instrumento de trabalho. A operação de crédito é feita pela Caixa Econômica Federal, com garantia de fundos públicos que permitem à instituição praticar juros abaixo do mercado.

A meta divulgada pelo governo é financiar até 100 mil motos, motonetas e ciclomotores nesta primeira fase do programa. Além da linha para o profissional (pessoa física), existe uma linha paralela para empresas de carregamento e estações de troca de bateria (pessoa jurídica), com até 48 meses de prazo, 2 meses de carência e possibilidade de destinar até 30% do valor a capital de giro.

O programa importa agora por dois motivos práticos:

  • A taxa média de financiamento de motos no país está em 26,6% ao ano, segundo a ANEF. Um trabalhador que financia uma moto de R$ 20 mil em 48 meses no mercado convencional paga um custo total muito superior ao valor da própria moto.
  • Com o Move Brasil, a mesma operação sai a 11,5% ou 12,5% ao ano, conforme regras divulgadas pelo governo federal — uma diferença que pode representar milhares de reais ao longo do contrato.

A taxa é diferente para homens e mulheres

Um dos pontos que mais gera dúvida é a taxa de juros. Segundo as regras oficiais do programa, ela não varia por perfil de crédito nem por prazo. A diferenciação é feita por gênero:

  • 11,5% ao ano para mulheres.
  • 12,5% ao ano para homens.

Essa diferenciação, conforme informado pelo governo, busca ampliar a participação feminina em uma atividade historicamente masculina.

Quem pode participar do Move Brasil

A elegibilidade é restrita a dois perfis definidos na norma oficial do programa:

  1. Profissional de aplicativo — pessoa cadastrada em plataformas de transporte ou entrega, com pelo menos 6 meses de cadastro ativo e histórico mínimo de 100 corridas ou entregas realizadas.
  2. Trabalhador CLT — ciclista, motofretista ou mototaxista com carteira assinada há pelo menos 6 meses na mesma empresa.

Esses são os únicos dois perfis contemplados pela linha de pessoa física. Perfis como motoboy puramente autônomo (sem vínculo com aplicativo nem CLT), mototaxista informal ou MEI genérico não aparecem como categorias próprias na regra oficial. Quem se encaixar em um dos dois grupos oficiais está apto a pedir o crédito, independentemente de renda declarada.

O que conta como cadastro em aplicativo

O cadastro precisa estar ativo e o profissional precisa cumprir dois requisitos simultâneos: 6 meses corridos de cadastro e 100 corridas ou entregas concluídas. Se você começou a rodar há menos tempo, ou tem cadastro antigo mas poucas corridas efetivas, ainda não se qualifica.

E quem é CLT?

Para o trabalhador registrado, vale o vínculo formal em uma das três funções — ciclista, motofretista ou mototaxista — mantido há pelo menos 6 meses na mesma empresa. Trocas frequentes de empregador zeram a contagem.

Quais motos podem ser financiadas pelo Move Brasil

Aqui está uma das regras mais importantes — e que costuma gerar confusão. O programa não financia qualquer moto. Só entram no Move Brasil, segundo a norma oficial, veículos que atendam cumulativamente aos seguintes requisitos:

  • Motos a combustão: motor de até 160 cilindradas, obrigatoriamente flex (bicombustível — etanol e gasolina) e fabricadas no Brasil (ou com projeto de produção nacional em andamento). Modelos apenas a gasolina, importados ou híbridos estão fora.
  • Motos elétricas: potência de até 7.500 W, também com fabricação nacional.
  • Bicicletas elétricas: potência de até 1.000 W.

Não existe motocicleta de "até 300 cilindradas" dentro do programa — esse limite não faz parte da regra oficial. Quem quiser financiar uma moto acima de 160cc precisa buscar linhas convencionais.

Modelos já confirmados na lista oficial

A relação divulgada pelo programa inclui, entre outros:

  • Combustão (flex, até 160cc): Honda Biz 125 EX, Honda CG 160 (versões Cargo, Titan, Fan e Bros), Yamaha Factor, Yamaha Fazer FZ15 e Yamaha Crosser 150.
  • Elétricas: Shineray SE1, Shineray SE2, Shineray SHE-S, Watts W125 e Yamaha Neos.

A lista pode ser ampliada conforme novos modelos elegíveis forem homologados. Sempre confirme no cadastro oficial se o modelo desejado está na relação vigente.

Qual a faixa de preço dessas motos

O programa não estabelece um teto de valor para a moto. Na prática, os modelos elegíveis hoje se distribuem em duas faixas:

  • Combustão flex: aproximadamente R$ 16.840 a R$ 23.990.
  • Elétricas: a partir de R$ 25.990.

Prazo, entrada e como funciona o financiamento

O desenho financeiro do Move Brasil, segundo as regras do programa, é bem direto e favorece quem trabalha com a moto no dia a dia:

  • Prazo: 48 meses fixos para pessoa física.
  • Carência: 2 meses — a primeira parcela só é cobrada no terceiro mês após a contratação. Isso ajuda o trabalhador a começar a gerar receita com a moto antes de comprometer o orçamento com a prestação.
  • Entrada: não é exigida entrada. O programa financia 100% do valor do veículo.
  • Taxa: 11,5% a.a. (mulheres) ou 12,5% a.a. (homens).

Simulação de comparação com o mercado

Para dar noção da diferença, considere uma moto de R$ 20.000:

  • No mercado convencional, com juros médios de 26,6% a.a. (ANEF), em 48 meses, o custo total do financiamento supera R$ 32.000 — mais de 60% acima do valor da moto.
  • No Move Brasil, com 12,5% a.a. em 48 meses, o custo total fica abaixo de R$ 26.000. A economia estimada passa dos R$ 6.000 ao longo do contrato para um homem, e é ainda maior para mulheres, que pagam 11,5% a.a.

(Os valores são estimativas ilustrativas — a parcela final depende de tarifas, seguros e opcionais oferecidos pela Caixa no fechamento do contrato.)

Como se cadastrar no Move Brasil passo a passo

Segundo o governo federal, o cadastro é simplificado: não é preciso apresentar documentos físicos. Todo o processo ocorre pela plataforma gov.br, que já cruza automaticamente os dados do cidadão — inclusive CNH e histórico em aplicativos.

Passo 1 — Prepare sua conta gov.br

Se você ainda não tem, crie sua conta em gov.br e eleve para o nível prata ou ouro. Com o nível alto, o sistema já reconhece seus dados de forma automática, agilizando a análise.

Passo 2 — Faça o cadastro no portal do programa

Acesse o portal oficial do Move Brasil e faça o pedido. Segundo as regras divulgadas, não é necessário anexar RG, CPF, comprovante de residência, CNH, comprovante de renda, contrato MEI nem nenhum outro documento — todos os dados relevantes são consultados diretamente pelo sistema a partir da sua conta gov.br.

Passo 3 — Aguarde a resposta

O retorno do cadastro é dado em até 5 dias úteis, conforme informado pelo programa. Você recebe a confirmação de elegibilidade e as instruções para prosseguir.

Passo 4 — Escolha onde comprar a moto

Aprovado o cadastro, o trabalhador procura diretamente uma concessionária de sua escolha ou o banco onde já possui conta para formalizar a compra e o financiamento. O programa não trabalha com concessionárias "credenciadas" ou "conveniadas" — a escolha é livre, desde que o modelo esteja na lista de elegíveis.

Passo 5 — Formalize o contrato na Caixa

A operação de crédito é fechada com a Caixa Econômica Federal, que aplica a taxa correspondente ao seu perfil (11,5% ou 12,5% ao ano), o prazo de 48 meses e a carência de 2 meses.

Linha para empresas: estações de bateria e carregadores

Além do trabalhador pessoa física, o Move Brasil abriu uma linha específica para empresas que atuam com infraestrutura de recarga: fabricantes e operadoras de carregadores e estações de troca de bateria para motos elétricas.

As condições são:

  • Prazo de até 48 meses.
  • 2 meses de carência.
  • Possibilidade de destinar até 30% do valor contratado a capital de giro.

Essa linha é fundamental para viabilizar o ecossistema de motos elétricas — sem pontos de recarga e troca de bateria em número suficiente, a adoção do modelo elétrico pelo entregador urbano fica limitada.

Move Brasil x consignado INSS x consignado CLT: entenda a diferença

Muitos leitores confundem o Move Brasil com outras linhas de crédito populares. Como o público do programa (trabalhador CLT e profissional de aplicativo) muitas vezes também tem acesso ao consignado, vale deixar claro o que cada uma faz.

Consignado INSS (aposentados e pensionistas)

É o crédito com desconto direto no benefício do INSS. Os parâmetros oficiais vigentes são:

  • Prazo máximo: 108 meses.
  • Margem consignável total: 40% do valor do benefício. Desses 40%, 5% são reservados exclusivamente para cartão benefício e/ou cartão consignado.
    • Se houver algum cartão contratado → o empréstimo consignado fica com 35% de margem.
    • Se não houver cartão → os 40% inteiros podem ir para o empréstimo consignado.
  • Carência da 1ª parcela: até 90 dias.

Essa linha não tem relação com o Move Brasil e é destinada a aposentados e pensionistas, não a entregadores em atividade.

Consignado CLT (trabalhador com carteira assinada)

Para o trabalhador CLT em atividade, os parâmetros são:

  • Prazo máximo: 96 meses.
  • Margem consignável: 35% (não há modalidade de cartão nessa linha atualmente — toda a margem vai para o empréstimo).

Um mototaxista ou motofretista CLT pode, em tese, usar o consignado CLT para outras finalidades e o Move Brasil especificamente para comprar a moto, já que são operações distintas.

E quem recebe BPC/LOAS?

O BPC/LOAS é um benefício assistencial pago pelo INSS. Por lei, o BPC/LOAS pode ser usado para empréstimo consignado — não há vedação legal. Portanto, é incorreto afirmar que "quem recebe BPC/LOAS não pode fazer empréstimo".

O ponto de atenção é outro: em razão do alto volume atual de cessações e revisões desse benefício, as instituições autorizadas recuaram na oferta do consignado para BPC/LOAS. Ou seja: permitido por lei, mas com oferta prática reduzida no momento.

O BPC/LOAS, no entanto, não é uma porta de entrada para o Move Brasil — o programa exige vínculo com aplicativo ou CLT ativo, não benefício assistencial.

Cuidados antes de assinar o contrato

Mesmo com juros abaixo do mercado, um financiamento de 48 meses é um compromisso longo. Antes de assinar, avalie:

  • Renda estável: você consegue estimar quanto vai tirar por mês com a moto nova? A parcela não pode consumir toda a receita da atividade.
  • Manutenção e combustível: motos flex de até 160cc tendem a ter custo operacional menor — considere isso na conta.
  • Seguro: verifique se o seguro do veículo está embutido no financiamento e qual o custo mensal.
  • Modelo elegível: confirme se a moto que você quer está na lista oficial atualizada. Fora da lista, o programa não cobre.
  • Taxa correta: confira no contrato se a taxa aplicada é 11,5% ou 12,5% conforme seu perfil, e não uma taxa superior.

FAQ — Perguntas Frequentes sobre o Move Brasil

Preciso dar entrada para financiar a moto pelo Move Brasil?

Não. Segundo as regras oficiais, o programa financia 100% do valor do veículo, sem exigência de entrada. Você começa a pagar as parcelas após 2 meses de carência.

Sou entregador de aplicativo há 4 meses. Posso participar?

Ainda não. A regra exige mínimo de 6 meses de cadastro ativo no aplicativo e pelo menos 100 corridas ou entregas realizadas. Quando você completar esses dois requisitos, poderá fazer o cadastro.

Posso financiar uma moto de 250cc pelo programa?

Não. As motos a combustão elegíveis são limitadas a 160 cilindradas, obrigatoriamente flex e fabricadas no Brasil. Modelos acima disso, ou só a gasolina, estão fora do Move Brasil.

A taxa é a mesma para todo mundo?

Não. Conforme divulgado pelo governo, a taxa varia por gênero: 11,5% ao ano para mulheres e 12,5% ao ano para homens. Não há diferenciação por prazo ou perfil de crédito dentro do programa.

Preciso levar documentos para a Caixa?

Não. O cadastro é feito exclusivamente pelo gov.br, e o sistema já acessa seus dados — inclusive CNH e histórico de trabalho. Não é preciso apresentar RG, CPF, comprovante de residência, CNH física, comprovante de renda nem certificado MEI.

O Move Brasil aceita quem recebe BPC/LOAS?

O programa é voltado a profissionais de aplicativo (com 6 meses de cadastro e 100 corridas) e trabalhadores CLT em funções específicas. Quem recebe apenas BPC/LOAS não se enquadra nesses perfis. O BPC/LOAS, por si só, permite empréstimo consignado por lei, mas a oferta prática está reduzida hoje.

Conclusão: vale a pena entrar no Move Brasil?

O Move Brasil é uma das linhas de crédito voltadas ao trabalhador urbano que depende da moto e pode reduzir o custo da principal ferramenta de trabalho de milhões de brasileiros.

Os pontos-chave para lembrar:

  • Público-alvo restrito: profissional de aplicativo com 6 meses de cadastro e 100 corridas, ou CLT (ciclista, motofretista, mototaxista) com 6 meses na mesma empresa.
  • Motos elegíveis: até 160cc flex fabricadas no Brasil, elétricas até 7.500 W ou bicicletas elétricas até 1.000 W.
  • Taxa: 11,5% a.a. mulheres, 12,5% a.a. homens — cerca da metade dos 26,6% praticados no mercado (ANEF).
  • Prazo: 48 meses com 2 meses de carência e sem entrada.
  • Cadastro: 100% digital pelo gov.br, com resposta em até 5 dias úteis, sem apresentação de documentos.
  • Meta: até 100 mil motos, motonetas e ciclomotores financiados nesta fase, além de linha PJ para carregadores e estações de bateria.

Próximo passo prático: se você atende aos requisitos, acesse sua conta gov.br, eleve para o nível prata ou ouro, faça o cadastro no portal oficial do Move Brasil e aguarde o retorno em até 5 dias úteis. Aprovado, escolha a concessionária que preferir e formalize o contrato com a Caixa.

Seguir a regra oficial ao pé da letra evita rejeição no cadastro e garante o acesso à taxa reduzida.

Referências

  • gov.br/movebrasil e Caixa Econômica Federal — programa Move Brasil Entregadores e Motoapp (regras, elegibilidade, taxas, prazo, lista de modelos, cadastro digital, linha PJ).
  • ANEF — Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras — taxa média de financiamento de motocicletas no mercado brasileiro (26,6% a.a., referência abril/2026).

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