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Move Motoristas do BNDES atinge R$ 1 bi: como acessar

Linha do BNDES para taxistas e motoristas de app chegou a R$ 1 bilhão liberado, com ticket médio de R$ 102 mil. Veja quem pode contratar e como pedir.

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Uche Ochôa

📖 8 min de leitura

O programa federal voltado a motoristas profissionais alcançou um marco importante: o Move Motoristas, linha de crédito operada pelo BNDES, atingiu R$ 1 bilhão em financiamentos liberados a taxistas e motoristas de aplicativo em todo o país. O número consolida a iniciativa como uma das principais portas de entrada para quem trabalha dirigindo e precisa trocar de veículo, adaptar o carro para GNV ou migrar para modelos híbridos e elétricos.

Se você é motorista profissional e ainda não conhece o programa, este guia explica o que é o Move Motoristas, quem pode contratar, quanto costuma ser liberado por operação, quais bancos participam e o passo a passo para pedir o financiamento. A ideia é responder, de forma prática, às dúvidas de quem depende do carro para trabalhar e quer avaliar se essa linha oficial é mais vantajosa do que um financiamento tradicional de veículo.

O que é o Move Motoristas e por que chegou a R$ 1 bilhão

O Move Motoristas é uma linha de crédito criada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para atender motoristas profissionais — categoria que inclui taxistas e motoristas de aplicativo cadastrados em plataformas como Uber, 99 e similares. O objetivo declarado do banco público é facilitar a renovação da frota usada no transporte remunerado de passageiros, com condições mais acessíveis do que as praticadas no mercado convencional de financiamento de veículos.

O marco de R$ 1 bilhão liberado representa a soma de todos os contratos já assinados por meio dos bancos parceiros desde o lançamento da linha. Na prática, isso significa que milhares de motoristas conseguiram trocar de carro ou adaptar o veículo de trabalho usando recursos oficiais, com juros e prazos diferentes dos que se encontra em uma financeira comum.

O volume também mostra que a demanda por crédito nessa categoria é grande. O motorista de aplicativo, em especial, opera com margem apertada: combustível, manutenção, taxa da plataforma e depreciação do carro consomem boa parte do faturamento. Ter uma linha oficial com taxa reduzida faz diferença direta no bolso ao longo dos anos de contrato.

Quem pode contratar e qual o ticket médio

O público-alvo do Move Motoristas é o motorista profissional autônomo. Segundo o BNDES, podem acessar a linha:

  • Taxistas com permissão municipal ativa;
  • Motoristas de aplicativo cadastrados em plataformas de transporte remunerado privado;
  • Motoristas com CNH na categoria B ou superior e com registro EAR (Exerce Atividade Remunerada).

Os contratos assinados até aqui têm um ticket médio de aproximadamente R$ 102 mil por operação. Esse é o valor médio financiado — ou seja, o quanto o motorista, em média, está pegando emprestado para comprar ou trocar o carro. Vale lembrar que se trata de uma média: há operações menores, voltadas a carros populares ou adaptações a GNV, e operações maiores, para veículos híbridos, elétricos ou modelos mais robustos utilizados em corridas de categoria premium nos aplicativos.

O ticket médio ajuda o motorista a calibrar expectativa. Se você pretende financiar um carro de R$ 80 mil a R$ 130 mil, está dentro da faixa em que a maior parte dos contratos vem sendo fechada. Para valores muito acima disso, é possível que o banco parceiro exija entrada, garantias adicionais ou avaliação de crédito mais rigorosa.

Como funciona o crédito: prazo, juros e uso do dinheiro

Diferente de um empréstimo pessoal, o Move Motoristas é um financiamento com destinação específica: o dinheiro só pode ser usado para itens ligados ao carro de trabalho. Segundo o BNDES, a linha permite financiar:

  • Aquisição de veículos novos ou usados dentro dos critérios do programa;
  • Kits e instalação de GNV para reduzir o custo de combustível;
  • Aquisição de veículos híbridos e elétricos, que têm ganho espaço entre motoristas de app pela economia com combustível;
  • Equipamentos e adaptações relacionados ao serviço de transporte.

O BNDES não faz o atendimento direto ao motorista. O caminho é sempre por meio de bancos parceiros credenciados, que assumem a análise de crédito, definem a taxa final dentro do limite permitido pela linha e formalizam o contrato. Cada banco tem sua política própria de aprovação, o que significa que um mesmo motorista pode ser aprovado em uma instituição e recusado em outra.

O motorista precisa entender uma lógica importante: como o BNDES entra com uma parte relevante do funding, a taxa final tende a ser mais baixa do que a de um CDC (Crédito Direto ao Consumidor) padrão em concessionária. Ainda assim, é fundamental pedir o Custo Efetivo Total (CET) ao banco antes de assinar — o CET reúne juros, tarifas, seguros e IOF e é o único número que permite comparar propostas de instituições diferentes de forma justa.

Como acessar o Move Motoristas passo a passo

Para motoristas profissionais que querem tentar contratar a linha, o caminho prático envolve algumas etapas. Vale organizar a documentação antes de bater na porta do banco, porque isso acelera muito a análise:

1. Reúna a documentação de motorista profissional. Você vai precisar de CNH válida com a observação EAR (Exerce Atividade Remunerada). Taxistas devem ter também o alvará municipal ativo. Motoristas de aplicativo devem estar cadastrados e ativos em pelo menos uma plataforma reconhecida.

2. Comprove renda como motorista. Como o motorista de app geralmente é autônomo, o banco costuma aceitar extratos das plataformas (relatórios de ganhos da Uber, 99 e afins), extratos bancários dos últimos meses, declaração de imposto de renda (se declarar) e comprovantes de pagamento de INSS como autônomo, quando houver.

3. Escolha um banco credenciado. A operação do Move Motoristas é feita por instituições financeiras parceiras do BNDES. Vale procurar mais de um banco e comparar as ofertas: mesmo dentro da linha oficial, cada instituição pode aplicar spreads diferentes.

4. Simule antes de assinar. Peça uma simulação por escrito com valor total financiado, número de parcelas, valor da parcela, taxa de juros ao mês e ao ano e o CET. Compare com um financiamento comum de veículo na mesma concessionária. Se o CET do Move Motoristas ficar claramente abaixo, a linha oficial faz sentido.

5. Cuidado com o comprometimento de renda. Uma parcela de financiamento de veículo não deveria consumir mais do que cerca de 30% da renda líquida do motorista. Se a parcela sugerida ficar muito acima disso, considere reduzir o valor financiado, dar mais entrada ou escolher um carro mais barato. Um carro mais caro do que o motorista consegue pagar acaba virando dívida vencida — e prejudica o acesso a crédito futuro.

O que o marco de R$ 1 bilhão significa para o motorista comum

O fato de o programa ter atingido R$ 1 bilhão em contratos indica três coisas para quem trabalha ao volante e ainda não usou a linha:

Primeiro, o programa está funcionando na prática — não é apenas anúncio. Isso reduz o risco de o motorista ir ao banco e ouvir que "a linha ainda não está disponível", situação comum em programas recém-lançados.

Segundo, os bancos parceiros já têm processo rodando. Como o volume de contratos é grande, os gerentes tendem a estar familiarizados com a documentação exigida, o que agiliza a análise em comparação com produtos novos.

Terceiro, a demanda alta pode acelerar a chegada de novos aportes e ajustes na linha. Programas de sucesso costumam ser renovados e ampliados, e o motorista que se organiza agora com CNH EAR, cadastro ativo em plataforma e comprovação de renda em dia sai na frente na próxima janela.

Conclusão: vale a pena usar o Move Motoristas?

O Move Motoristas se consolidou como a principal linha oficial de crédito voltada a taxistas e motoristas de aplicativo, com R$ 1 bilhão já liberados e ticket médio próximo de R$ 102 mil por contrato. Para o motorista profissional que precisa trocar o carro de trabalho, converter para GNV ou dar o passo para um híbrido ou elétrico, é uma alternativa que merece ser comparada — e, na maioria dos casos, tende a ser mais barata do que um CDC comum de concessionária.

O próximo passo prático é simples: organize a documentação de motorista profissional, procure ao menos dois bancos credenciados pelo BNDES, peça simulações com CET fechado e compare com o financiamento oferecido diretamente pela loja. Só assine o contrato depois de entender exatamente quanto vai pagar por mês, por quantos meses e qual o custo total da operação. Crédito bem contratado ajuda o motorista a produzir mais; crédito mal contratado toma o carro e a renda.

Referências

  • BNDES — release/comunicado sobre o programa Move Motoristas (descrição do programa, público-alvo e itens financiáveis).
  • Folha de S.Paulo — Mercado, 13/07/2026 (marco de R$ 1 bilhão liberado e ticket médio de aproximadamente R$ 102 mil por contrato).

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