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Phishing 2026: Microsoft, LinkedIn e Google lideram ranking

Levantamento do 2º trimestre de 2026 aponta Microsoft, LinkedIn e Google como marcas mais usadas em golpes de phishing; ChatGPT estreia no ranking.

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Rita Cavalcanti

📖 8 min de leitura

Se você recebeu recentemente um e-mail dizendo que sua conta Microsoft será bloqueada, uma notificação pedindo para "reativar" seu perfil no LinkedIn ou até uma mensagem oferecendo acesso "premium" ao ChatGPT, muito cuidado. Essas três marcas estão entre as mais usadas por criminosos para aplicar golpes de phishing no mundo — e o Brasil está no meio dessa onda.

Um novo levantamento do setor de cibersegurança referente ao segundo trimestre de 2026 mostrou que as grandes empresas de tecnologia continuam sendo a isca preferida dos fraudadores, e trouxe uma novidade preocupante: o ChatGPT entrou pela primeira vez no ranking das marcas mais imitadas por golpistas. Neste guia, você vai entender o que é phishing, por que essas marcas específicas são usadas, quais são os principais sinais de um golpe e como proteger seus dados, seu dinheiro e o seu benefício.

O que é phishing e por que os golpistas usam marcas famosas

Phishing é o nome dado ao tipo de golpe em que o criminoso se passa por uma empresa, órgão público ou pessoa de confiança para convencer a vítima a entregar dados sensíveis — senha, número de cartão, código do banco, foto do documento — ou a clicar em um link que instala um vírus no celular ou no computador. O termo vem do inglês "fishing" (pescaria), porque a lógica é exatamente essa: jogar uma isca e esperar alguém morder.

O motivo pelo qual golpistas usam marcas conhecidas é simples: confiança. Quando aparece na tela um e-mail com a logo da Microsoft, do Google ou do LinkedIn, com cores, tipografia e assinatura parecidas com as verdadeiras, o cérebro da vítima baixa a guarda. A pessoa deixa de desconfiar e passa a agir no piloto automático. Basta uma linha do tipo "clique aqui em até 24 horas para não perder o acesso" para que muita gente digite a senha sem pensar duas vezes.

Essa técnica é ainda mais perigosa para quem é aposentado, pensionista ou trabalhador CLT porque o mesmo tipo de armadilha aparece imitando o INSS, o Meu INSS, bancos e até o app da Caixa. Aprender a reconhecer a estrutura do golpe protege contra praticamente todas as suas versões.

Ranking das marcas mais usadas em golpes de phishing no 2º trimestre de 2026

Segundo o levantamento do segundo trimestre de 2026, a Microsoft segue como marca número 1 em tentativas de phishing no mundo, seguida por LinkedIn e Google no topo da lista. Não é coincidência: são três serviços que praticamente todo brasileiro adulto tem cadastro. Conta de e-mail no Outlook ou no Gmail, currículo no LinkedIn, login do Google no celular Android — a probabilidade de o golpe cair em alguém que realmente usa aquele serviço é altíssima.

Os formatos mais comuns identificados no período foram:

  • Falso alerta de segurança da Microsoft: e-mail dizendo que a conta foi acessada de outro país e pedindo que a vítima "confirme a identidade" digitando a senha em uma página clonada.
  • Falsa notificação do LinkedIn: mensagem informando que a vítima tem novas propostas de emprego, um recrutador enviou contato ou o perfil foi visualizado por uma empresa. O link leva a uma tela idêntica à do LinkedIn real, onde a senha é capturada.
  • Falso aviso do Google/Gmail: e-mail dizendo que o espaço da conta acabou, que houve tentativa de invasão ou que é preciso "revalidar" o Gmail para não perder as mensagens.

O objetivo, em todos os casos, é o mesmo: roubar login e senha. E, uma vez com o acesso ao e-mail principal da vítima, o criminoso consegue redefinir senha de banco, de rede social e até de aplicativos de crédito consignado — porque é para o e-mail que chegam os códigos de recuperação. Ou seja, o phishing raramente termina no e-mail; ele é a porta de entrada para prejuízos financeiros bem maiores.

ChatGPT entra no ranking: por que o golpe da inteligência artificial cresceu

A novidade do segundo trimestre de 2026 foi a estreia do ChatGPT entre as marcas mais imitadas por golpistas. Isso reflete um movimento claro: quanto mais popular uma ferramenta se torna, mais rápido ela vira isca de fraude.

Os golpes envolvendo ChatGPT que mais aparecem hoje seguem três padrões:

  1. Falso "ChatGPT grátis vitalício" ou "ChatGPT Plus com desconto": sites clonados oferecem uma assinatura por preço muito abaixo do oficial, pedem cartão de crédito e nunca entregam o serviço. Em muitos casos, o cartão é usado depois em compras fraudulentas.
  2. Falso app do ChatGPT para baixar no celular: aplicativos publicados em lojas alternativas (fora da Play Store e da App Store oficiais) que, ao serem instalados, roubam senhas do banco, mensagens de SMS e códigos de autenticação.
  3. E-mail de "atualização de conta ChatGPT": comunicação falsa dizendo que a conta será suspensa se a pessoa não confirmar login e senha em um link.

O risco é maior porque muita gente ainda está aprendendo a usar inteligência artificial e não sabe diferenciar o que é oficial do que é falso. Vale a regra de ouro: o ChatGPT oficial só existe no site chat.openai.com e em aplicativos publicados pela própria empresa desenvolvedora nas lojas oficiais. Qualquer outra oferta — principalmente "vitalícia", "gratuita para sempre" ou "exclusiva" — deve ser tratada como golpe.

Como identificar um golpe de phishing antes de cair

Apesar de os criminosos estarem mais criativos, a estrutura do golpe deixa pistas. Preste atenção a estes sinais toda vez que receber um e-mail, SMS ou mensagem de WhatsApp em nome de uma empresa conhecida:

  • Senso de urgência exagerado: frases como "sua conta será excluída em 24 horas", "último aviso" ou "clique agora para não perder o acesso". Empresas sérias não trabalham com prazo tão curto e tão dramático.
  • Endereço de e-mail estranho: o nome de exibição pode ser "Microsoft", mas o remetente real é algo como suporte@micros0ft-seguranca.com. Sempre confira o endereço completo, não só o nome.
  • Link com domínio esquisito: passe o mouse sobre o link (sem clicar) e veja o endereço que aparece. Se não terminar exatamente no domínio oficial da empresa, é falso.
  • Erros de português ou tradução automática: expressões traduzidas literalmente do inglês, vírgulas fora do lugar, pronomes errados. É um dos sinais mais clássicos.
  • Pedido de senha, código do banco ou foto do documento: nenhuma empresa legítima — nem Microsoft, nem Google, nem o próprio INSS — pede que você envie senha por e-mail ou digite em um link recebido por mensagem.
  • Oferta boa demais para ser verdade: assinatura vitalícia, prêmio surpresa, saque liberado que você não pediu. Se parece bom demais, é golpe.

Uma dica prática: em vez de clicar no link recebido, abra o aplicativo ou o site oficial digitando o endereço direto no navegador. Se realmente existir algum aviso importante na sua conta, ele vai aparecer lá dentro. Essa única mudança de hábito bloqueia a maioria dos golpes de phishing.

Como se proteger e o que fazer se já caiu no golpe

Proteger-se não exige ser especialista em tecnologia. Alguns passos simples aumentam muito a sua segurança:

  • Ative a verificação em duas etapas em e-mail, redes sociais e aplicativos de banco. Assim, mesmo que o criminoso descubra sua senha, ele ainda precisa de um segundo código para entrar.
  • Nunca reutilize senhas entre serviços. Se uma vazar, as outras continuam seguras.
  • Mantenha o celular e o computador atualizados, com sistema e antivírus em dia.
  • Desconfie de qualquer link recebido, mesmo que venha de um amigo — a conta dele pode ter sido invadida.
  • Baixe apps apenas nas lojas oficiais (Play Store e App Store).

Se você já clicou no link, digitou dados ou desconfia que caiu em um golpe, aja rápido:

  1. Troque imediatamente a senha da conta afetada e de qualquer outra conta que use a mesma senha.
  2. Entre em contato com o banco pelo telefone oficial impresso no cartão e comunique o ocorrido. Peça o bloqueio preventivo de cartões e a análise de operações suspeitas.
  3. Se houve movimentação financeira indevida, registre boletim de ocorrência — que pode ser feito online na maioria dos estados. O documento é importante para contestar cobranças e empréstimos que não foram feitos por você.
  4. Aposentados e pensionistas que suspeitem de empréstimo consignado contratado por golpe devem consultar o extrato no Meu INSS, verificar o desconto na folha de benefício e formalizar contestação junto ao banco responsável, conforme os canais oficiais do INSS.

Conclusão: o golpe evolui, mas a atenção do usuário segue sendo a melhor defesa

O recado do ranking do segundo trimestre de 2026 é claro: as marcas mais confiáveis do mundo digital — Microsoft, LinkedIn, Google e agora ChatGPT — são exatamente as mais usadas por criminosos justamente porque elas transmitem confiança. Quanto mais famosa e cotidiana a marca, mais eficaz a isca.

A boa notícia é que o phishing depende, no fim das contas, de uma ação sua: clicar, digitar, confirmar. Ao adotar a rotina de nunca clicar em links recebidos por e-mail ou SMS, checar o remetente com calma, ativar verificação em duas etapas e desconfiar de qualquer urgência artificial, você fecha a porta principal por onde os golpistas entram. Salve este guia, comente com familiares mais velhos e menos habituados à tecnologia — porque, contra phishing, informação circulando dentro de casa vale mais do que qualquer antivírus.

Referências

  • Check Point Software — Brand Phishing Report Q2 2026, repercutido pelo G1 Economia em 30/07/2026.

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