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PIS/Pasep 2026: Codefat aprova calendário de pagamentos

Codefat aprovou o calendário do abono salarial PIS/Pasep 2026, com pagamentos de fevereiro a agosto por mês de nascimento. Veja regras, valores e como consultar.

RC

Rita Cavalcanti

📖 10 min de leitura

O calendário oficial de pagamento do abono salarial PIS/Pasep referente ao ano-base 2024 já foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) e prevê os depósitos para os trabalhadores entre os meses de fevereiro e agosto de 2026, divididos por mês de nascimento (no caso do PIS, pago pela Caixa) e por dígito final do número de inscrição (no caso do Pasep, pago pelo Banco do Brasil). A definição organiza o saque de milhões de trabalhadores formais que cumpriram os requisitos para receber até um salário mínimo extra neste ano.

Se você trabalhou de carteira assinada em 2024, esta matéria é para você. A seguir, explicamos quem tem direito ao abono, quando cada grupo recebe, quanto será depositado, como consultar se o seu nome está liberado e o que fazer se algo der errado.

O que é o abono salarial PIS/Pasep e quem tem direito em 2026

O abono salarial é um benefício pago anualmente pelo governo federal aos trabalhadores formais de baixa renda. Ele funciona como uma espécie de "décimo quarto" para quem se enquadra nas regras, e o valor pode chegar a um salário mínimo, dependendo de quantos meses a pessoa trabalhou no ano-base. Para o calendário de 2026, o ano-base considerado é 2024 — ou seja, conta o que você trabalhou de janeiro a dezembro de 2024.

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Para ter direito ao PIS/Pasep neste ciclo, o trabalhador precisa cumprir quatro condições obrigatórias e cumulativas:

  • Estar inscrito no PIS ou no Pasep há pelo menos cinco anos.
  • Ter trabalhado com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias (consecutivos ou não) durante 2024.
  • Ter recebido, em média, até dois salários mínimos mensais ao longo desse mesmo ano.
  • Ter tido suas informações corretamente declaradas pelo empregador na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) ou no eSocial.

É esse cruzamento de dados — feito pela Secretaria de Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego — que define quem aparece na folha de pagamento do abono. Se o seu antigo patrão não entregou a declaração corretamente, mesmo que você tenha cumprido todos os outros requisitos, o pagamento pode ficar pendente até a regularização.

Vale destacar uma confusão comum: o abono salarial PIS/Pasep não é a mesma coisa que o saldo de cotas antigas do PIS/Pasep (aquele dinheiro de quem trabalhou com carteira assinada entre 1971 e 1988). São benefícios diferentes, com regras e prazos diferentes. Aqui estamos tratando exclusivamente do abono anual.

Calendário do PIS/Pasep 2026 aprovado pelo Codefat

O Codefat é o colegiado responsável por definir, ano a ano, em que ordem e em que datas os trabalhadores vão receber o abono. Para o ciclo de 2026, o conselho aprovou o cronograma de pagamentos com início em fevereiro e encerramento em agosto, mantendo a lógica tradicional: no PIS, paga-se pelo mês de nascimento do trabalhador; no Pasep, pelo dígito final da inscrição.

A divisão por mês de nascimento (para o PIS, administrado pela Caixa Econômica Federal) tende a seguir o seguinte modelo: nascidos no início do ano recebem nos primeiros lotes; nascidos no final do ano recebem nos últimos lotes. Já no Pasep (administrado pelo Banco do Brasil), a ordem leva em conta o número final da inscrição do servidor público.

Independentemente das datas precisas de cada lote, é importante ter em mente três pontos práticos:

  1. O dinheiro fica disponível durante todo o ciclo. Mesmo que o seu lote seja em fevereiro, o saque pode ser feito até o encerramento oficial do calendário.
  2. Quem perde o prazo, perde o ano. Se você não sacar dentro da janela definida pelo Codefat, o valor volta para o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e não pode ser resgatado depois daquele ciclo.
  3. O calendário do PIS e do Pasep são paralelos, mas separados. Cada banco (Caixa para PIS e Banco do Brasil para Pasep) executa seu próprio cronograma.

O ponto positivo do modelo aprovado é o escalonamento: ao distribuir os pagamentos ao longo de sete meses, evita-se aglomeração em agências e congestionamento dos canais digitais.

Diferença entre PIS e Pasep: qual é o seu

Muita gente trata PIS e Pasep como se fossem a mesma coisa, e na prática o abono é equivalente. Mas para localizar seu pagamento é fundamental saber qual dos dois cadastros se aplica a você.

  • PIS (Programa de Integração Social): destinado aos trabalhadores da iniciativa privada com carteira assinada. O cadastro normalmente é feito pelo empregador quando você é admitido em uma empresa do setor privado. O pagamento do abono é operacionalizado pela Caixa Econômica Federal e segue o calendário por mês de nascimento.
  • Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público): destinado aos servidores públicos civis e militares — federais, estaduais e municipais — e a empregados de empresas estatais. O pagamento é feito pelo Banco do Brasil, com calendário organizado pelo dígito final da inscrição.

Se você trabalhou parte da carreira na iniciativa privada e parte como servidor público, é possível que apareça nos dois sistemas em momentos diferentes da vida. Mas, em cada ano-base, o abono é referente apenas ao vínculo que você teve naquele ano. Quem foi CLT em 2024 recebe pelo PIS; quem foi servidor em 2024 recebe pelo Pasep.

Um jeito simples de saber em qual dos programas você está cadastrado é olhar a Carteira de Trabalho Digital (no aplicativo CTPS Digital) ou consultar a Carteira de Identificação do Trabalhador, onde aparece o NIS/PIS. Servidores costumam ter o número informado no contracheque.

Qual o valor do abono salarial PIS/Pasep em 2026

O valor do abono não é fixo: ele é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. Quem trabalhou os 12 meses completos de 2024 com carteira assinada recebe o valor cheio, equivalente a um salário mínimo. Quem trabalhou menos meses recebe a fração correspondente — calculada como 1/12 do salário mínimo por mês trabalhado, considerando como mês cheio qualquer período igual ou superior a 15 dias dentro de um mesmo mês.

Na prática, isso significa que o cálculo segue uma tabela bem objetiva. Por exemplo, quem trabalhou 1 mês recebe 1/12 do salário mínimo; quem trabalhou 6 meses recebe 6/12 (metade); quem trabalhou os 12 meses recebe o salário mínimo cheio.

O conceito que importa para o trabalhador é este: o abono PIS/Pasep funciona como um complemento de renda que reconhece quem está no mercado formal e ganha pouco. Para muita gente, é uma quantia que ajuda a quitar conta atrasada, fazer uma compra planejada ou reforçar a reserva.

Um ponto importante: o abono salarial PIS/Pasep não tem desconto de Imposto de Renda nem de INSS. O valor depositado é líquido e o trabalhador recebe integralmente o que tem direito.

Como consultar e sacar o PIS/Pasep 2026

A consulta sobre direito, valor e data de pagamento pode ser feita por canais oficiais, gratuitamente. Não é preciso contratar despachante nem pagar nenhuma taxa para descobrir se o seu nome está liberado — desconfie de qualquer cobrança nesse sentido.

Os principais canais de consulta são:

  • Aplicativo Carteira de Trabalho Digital: disponível gratuitamente para Android e iOS, é o canal oficial mais completo. Permite ver se o abono foi liberado, o valor, a data prevista e o canal de pagamento.
  • Portal gov.br: com login único, é possível acessar a área do trabalhador e verificar a situação do PIS/Pasep.
  • Aplicativo Caixa Tem (para o PIS): para quem recebe o PIS pela Caixa, o crédito costuma ser feito direto em conta digital social, com saque, transferência via Pix ou pagamento de boletos pelo próprio app.
  • Agências e caixas eletrônicos da Caixa (PIS) e do Banco do Brasil (Pasep): com Cartão Cidadão (PIS) ou cartão do BB e senha, é possível sacar diretamente no caixa eletrônico.
  • Central de atendimento Alô Trabalhador (158): canal oficial do Ministério do Trabalho e Emprego para tirar dúvidas sobre o abono.

Quem é correntista da Caixa (no caso do PIS) ou do Banco do Brasil (no caso do Pasep) costuma receber o valor depositado automaticamente na conta no dia em que o lote correspondente é liberado. Quem não é correntista precisa fazer o saque dentro do prazo, apresentando documento de identificação com foto.

A dica prática é: assim que se aproximar o mês do seu lote (segundo o calendário aprovado pelo Codefat), abra o aplicativo Carteira de Trabalho Digital e confira se aparece a mensagem informando direito ao abono, valor e data de pagamento. Se aparecer, é só esperar a data e sacar dentro da janela. Se não aparecer, há tempo de buscar a regularização.

O que fazer se você tem direito e não recebeu o abono

Nem sempre o sistema reflete corretamente todos os vínculos do trabalhador. Existem três situações típicas em que a pessoa tem direito ao PIS/Pasep mas não consegue sacar — e todas têm caminho de solução.

1. O empregador não declarou ou declarou com erro. É o motivo mais comum. Se a empresa em que você trabalhou em 2024 não informou seus dados corretamente na RAIS ou no eSocial, o seu nome não entra na folha de pagamento do abono. Nesse caso, a solução é procurar o setor de RH da empresa e solicitar a retificação. Após o envio dos dados corretos, o pagamento costuma ser liberado em lote suplementar.

2. Inscrição no PIS/Pasep com menos de cinco anos. Quem foi cadastrado pela primeira vez em 2020 ou depois, por exemplo, ainda não cumpre o requisito de cinco anos de inscrição para o ano-base 2024. Nesse caso não há o que regularizar agora — é só aguardar o ano em que o tempo mínimo seja alcançado.

3. Cadastro com divergência de CPF, nome ou data de nascimento. Pequenas inconsistências entre o cadastro do PIS/Pasep e os dados na Receita Federal podem travar o pagamento. A regularização é feita procurando uma agência da Caixa (no caso do PIS) ou do Banco do Brasil (no caso do Pasep), com documentos pessoais.

Se nada disso resolver, o trabalhador pode acionar diretamente o Ministério do Trabalho e Emprego pelos canais oficiais. Ressaltamos: tudo é gratuito. Não existe "liberador" de PIS/Pasep particular, e qualquer pessoa que cobre para destravar o pagamento está cometendo fraude.

Vale ainda lembrar duas regras práticas: o abono PIS/Pasep é individual e intransferível (não pode ser sacado por terceiros sem procuração específica) e tem prazo de validade. Encerrado o calendário do ciclo, o valor não pago retorna ao FAT e não pode mais ser resgatado naquele ano-base. Por isso, marque no calendário o mês do seu lote e não deixe o prazo passar.

Conclusão: organize-se para receber o PIS/Pasep 2026 sem dor de cabeça

Com o calendário do PIS/Pasep 2026 aprovado pelo Codefat, os trabalhadores formais que atuaram em 2024 com carteira assinada já podem se preparar para receber o abono salarial entre fevereiro e agosto, conforme o mês de nascimento (PIS) ou dígito final da inscrição (Pasep). O valor pode chegar a um salário mínimo, é isento de Imposto de Renda e INSS, e funciona como um reforço importante na renda anual de quem ganha até dois salários mínimos por mês.

O próximo passo prático é simples: baixe o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, faça login com sua conta gov.br e consulte se você tem direito ao abono deste ciclo. Se tiver, anote a data prevista do seu lote e programe o saque dentro da janela oficial. Se não tiver e desconfia que deveria ter, procure o RH do antigo empregador para corrigir a declaração e garantir o pagamento em lote suplementar. Em ambos os casos, evite intermediários e use apenas os canais oficiais.

Referências

  • Resolução do Codefat sobre o calendário do abono salarial PIS/Pasep 2026 (ano-base 2024).
  • Ministério do Trabalho e Emprego — informações oficiais sobre o abono salarial, com operacionalização pela Caixa Econômica Federal (PIS) e Banco do Brasil (Pasep). Canais de consulta: aplicativo Carteira de Trabalho Digital, portal gov.br e Central Alô Trabalhador 158.

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