Regularize exigirá Gov.br prata ou ouro a partir de 15 de junho
A partir de 15 de junho, o Regularize só aceitará login Gov.br prata ou ouro. Veja como subir de nível e não perder acesso à negociação de dívidas.
Ricardo Silva
A partir do dia 15 de junho, o Regularize — portal usado para negociar dívidas inscritas em Dívida Ativa da União — deixará de aceitar o login feito por contas Gov.br de nível bronze e passará a exigir contas de nível prata ou ouro. Na prática, isso significa que muitos contribuintes que hoje conseguem entrar normalmente no sistema podem ficar do lado de fora a partir dessa data se não atualizarem o nível da sua conta Gov.br com antecedência.
A mudança é importante porque o Regularize é o canal oficial para parcelar débitos federais, aderir a programas de transação tributária, emitir guias de pagamento e regularizar pendências que impedem a obtenção de certidões. Quem perde o acesso, perde também a porta de entrada para resolver problemas como inscrição do CPF na Dívida Ativa, restrições para tirar a Certidão Negativa de Débitos (CND) e bloqueios que atrapalham desde a venda de um imóvel até a contratação de crédito.
Nesta matéria, você vai entender exatamente o que muda, qual a diferença entre os níveis bronze, prata e ouro do Gov.br, como subir de nível pelo aplicativo e o que fazer com antecedência para garantir que, no dia 15 de junho, o seu login no Regularize continue funcionando.
O que muda no Regularize a partir de 15 de junho
Hoje, o Regularize aceita o login com qualquer conta Gov.br, inclusive a de nível bronze — que é a mais básica, criada apenas com CPF e senha, sem nenhum tipo de verificação adicional de identidade. A partir de 15 de junho, esse nível mais simples deixará de ser suficiente para entrar no portal. Só conseguirão acessar o sistema os contribuintes com selo prata ou ouro.
A justificativa para o aumento da exigência está ligada à segurança. O Regularize movimenta informações fiscais sensíveis: dados de débitos, parcelamentos ativos, valores devidos, situação cadastral e adesão a programas com benefícios financeiros relevantes. Quanto mais alto o nível do Gov.br, mais forte é a comprovação de que quem está logando é, de fato, o titular do CPF — o que reduz risco de fraude, golpe e acesso indevido a dados tributários.
Quem já costuma usar outros serviços que exigem prata ou ouro — como o aplicativo Meu INSS para certos pedidos, a Carteira de Trabalho Digital com funções avançadas ou o e-CAC da Receita Federal em determinadas operações — provavelmente já tem o nível suficiente. Mas há um grupo grande de contribuintes que abriu o Gov.br rapidamente, só para conseguir resolver uma pendência pontual, e ficou no bronze. Esses são os que precisam agir antes do dia 15.
Bronze, prata e ouro: a diferença entre os níveis do Gov.br
A conta Gov.br funciona como um login único do governo federal: com o mesmo CPF e a mesma senha, o cidadão acessa centenas de serviços públicos digitais. Mas nem toda conta tem o mesmo grau de confiabilidade. Existem três níveis, cada um exigindo uma forma diferente de comprovar a identidade.
O nível bronze é o mais básico. Ele é criado quando a pessoa abre a conta apenas com CPF, dados pessoais e uma senha, sem validar biometria nem cruzar informações com bancos. É útil para serviços simples, mas não dá acesso a operações sensíveis, justamente porque o sistema ainda não tem como confirmar com segurança que aquele CPF está sendo usado pelo verdadeiro titular.
O nível prata é alcançado quando o cidadão faz uma validação mais robusta — por exemplo, por reconhecimento facial usando a base de dados da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), pela validação com bancos credenciados pelo Gov.br (internet banking) ou por meio do login do servidor público federal (SIGEPE). É um nível que já permite a maior parte dos serviços com dados pessoais protegidos.
O nível ouro é o mais alto. Ele exige uma validação ainda mais forte, como reconhecimento facial cruzado com a base biométrica da Justiça Eleitoral (TSE) ou com a biometria da CNH em determinadas condições. É o nível com maior confiabilidade e libera todos os serviços digitais do governo.
Para o Regularize, a partir de 15 de junho, qualquer um dos dois níveis superiores — prata ou ouro — será aceito. Ou seja, não é obrigatório chegar ao ouro: subir para prata já resolve. Mas é preciso sair do bronze.
Como saber em que nível está a sua conta Gov.br
Antes de tentar elevar o nível, é importante checar em qual selo a sua conta está hoje. A verificação é rápida e pode ser feita de duas formas: pelo aplicativo Gov.br (disponível para Android e iOS) ou diretamente pelo site oficial, no endereço gov.br.
No aplicativo, basta entrar com CPF e senha e acessar a área de perfil ou configurações da conta. Lá aparece, de forma visível, um selo indicando se a conta é bronze, prata ou ouro. No site, o caminho é parecido: depois de logado, o próprio painel mostra qual o nível atual e quais opções estão disponíveis para evoluir.
Se o selo for prata ou ouro, está tudo certo: nada precisa ser feito para continuar acessando o Regularize depois do dia 15. Se for bronze, é hora de planejar a subida de nível antes da data limite.
Como elevar a conta Gov.br para o nível prata
O caminho mais comum para sair do bronze e chegar ao prata é a validação facial pelo aplicativo Gov.br. Esse processo cruza o rosto do usuário com a foto registrada em bases oficiais — geralmente a da CNH. Para quem tem habilitação válida, costuma ser o método mais rápido.
Outra forma de subir para o prata é por meio do internet banking de bancos credenciados ao Gov.br. Vários bancos públicos e privados participam dessa integração. O usuário escolhe o banco na tela do Gov.br, é redirecionado para o ambiente do banco (que já tem o cliente plenamente identificado), confirma a operação e volta com o nível elevado. É um método interessante para quem não tem CNH ou não conseguiu fazer o reconhecimento facial.
Servidores públicos federais com cadastro no SIGEPE também podem usar esse login para elevar o nível diretamente para prata.
Em todos os casos, a recomendação é fazer o processo com antecedência — não na véspera do dia 15. Validações por reconhecimento facial podem falhar por motivos simples (iluminação ruim, foto desatualizada na CNH, qualidade da câmera), e pode ser necessário tentar mais de uma vez ou recorrer a um caminho alternativo.
Como elevar a conta Gov.br para o nível ouro
Para quem quer ir além e chegar ao nível ouro, o caminho principal é a validação facial com a base biométrica da Justiça Eleitoral. Isso só é possível para eleitores que já cadastraram a biometria no cartório eleitoral em algum momento. O processo também é feito pelo aplicativo Gov.br: o sistema pede uma selfie em movimento e cruza a imagem com a foto biométrica que está registrada no Tribunal Superior Eleitoral.
Quem ainda não fez biometria eleitoral pode aproveitar para regularizar a situação junto ao cartório do seu município — embora esse caminho seja mais demorado e, especificamente para o Regularize, não seja necessário, já que o nível prata é suficiente para continuar acessando o portal a partir de 15 de junho.
O nível ouro é especialmente útil para quem usa muitos serviços digitais do governo e quer evitar ter que subir de nível várias vezes para acessar funcionalidades diferentes. Mas, para o objetivo específico de não perder o acesso ao Regularize, prata já basta.
Quem usa o Regularize e por que essa mudança importa tanto
O Regularize é o portal oficial da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para tratativas com débitos inscritos em Dívida Ativa da União. Em outras palavras: quando uma dívida tributária federal não é paga e ultrapassa a fase de cobrança administrativa pela Receita, ela é inscrita em Dívida Ativa e passa a ser cobrada pela PGFN. É aí que o contribuinte precisa do Regularize.
Pelo portal é possível, entre outras coisas:
- Consultar os débitos inscritos em Dívida Ativa em nome do CPF ou CNPJ;
- Emitir a guia DARF para pagamento à vista;
- Negociar e parcelar débitos em condições padrão;
- Aderir a editais de transação tributária, que costumam oferecer descontos em multa, juros e encargos para devedores em determinadas situações;
- Acompanhar parcelamentos em andamento, emitir boletos das próximas parcelas e regularizar atrasos;
- Solicitar revisão de débitos.
Perder esse acesso significa, na prática, ficar travado para resolver pendências fiscais que podem gerar consequências sérias: protesto da dívida em cartório, inscrição em cadastros de inadimplentes, bloqueio para tirar a Certidão Negativa de Débitos (necessária em vendas de imóveis, participação em licitações e várias operações financeiras) e até execução fiscal.
Por isso, mesmo quem não tem dívida hoje deve garantir que a conta Gov.br esteja em prata ou ouro — porque, no dia em que precisar entrar no Regularize, vai querer resolver o problema na hora, sem ter que parar para subir de nível antes.
Passo a passo: o que fazer antes do dia 15 de junho
Para não correr risco de perder o acesso à negociação de dívidas, o caminho mais seguro é seguir uma checklist simples nas próximas semanas:
1. Verifique o nível atual da sua conta Gov.br. Abra o aplicativo ou acesse o site gov.br, faça login e confira se o seu selo é bronze, prata ou ouro. Se já for prata ou ouro, nada precisa ser feito.
2. Se estiver no bronze, escolha o caminho mais rápido para subir. Para a maioria das pessoas, o reconhecimento facial pela CNH dentro do aplicativo Gov.br é o método mais ágil. Quem não tem CNH ou não consegue concluir a validação facial pode optar pelo login via internet banking de um banco credenciado.
3. Faça o processo com antecedência. Não deixe para os últimos dias. Se algo falhar — biometria não reconhecida, foto desatualizada, app travando — você ainda terá tempo de tentar outro caminho.
4. Atualize o aplicativo Gov.br e confirme seus dados. Versões antigas do app podem apresentar erros na validação. Verifique também se o seu nome, CPF e data de nascimento estão corretos no cadastro.
5. Anote a senha em local seguro e ative a verificação em duas etapas. Como o Gov.br passa a ser ainda mais central no acesso a serviços fiscais sensíveis, vale reforçar a segurança da conta. A verificação em duas etapas, disponível dentro do próprio app, adiciona uma camada extra de proteção.
6. Depois do dia 15, teste o login no Regularize. Mesmo que você não tenha dívida para negociar, vale entrar uma vez no portal só para confirmar que o acesso está funcionando com o novo nível exigido. Assim, se houver qualquer problema, você descobre num momento tranquilo — e não numa emergência.
Conclusão: pequena mudança, grande impacto
A exigência de Gov.br prata ou ouro no Regularize a partir de 15 de junho parece, à primeira vista, um detalhe técnico. Mas, na prática, ela afeta diretamente a capacidade do contribuinte de negociar suas dívidas com a União — e quem ignorar a mudança pode ser pego de surpresa na pior hora, justamente quando precisar correr para parcelar um débito, emitir uma certidão ou aderir a um programa com desconto.
A boa notícia é que subir o nível do Gov.br é gratuito, pode ser feito do celular em poucos minutos e, depois de elevado, vale para todos os serviços digitais do governo federal. O esforço é pequeno e o benefício é grande: garantir que o seu acesso à negociação de dívidas com a União continue ativo a partir do dia 15 de junho.
Se a sua conta ainda estiver no bronze, o próximo passo é claro: abra o aplicativo Gov.br hoje mesmo e comece a elevação para o nível prata. Quando o dia 15 chegar, você não vai precisar se preocupar.
Referências
- Contábeis — Regularize exigirá Gov.br prata ou ouro a partir do dia 15: https://www.contabeis.com.br/noticias/77292/regularize-exigira-gov-br-prata-ou-ouro-a-partir-do-dia-15/
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