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Santander tem lucro menor no 2T26 e crédito fica mais seletivo

Santander reporta queda de lucro no 2º trimestre de 2026 por alta da inadimplência. Veja o que muda para quem quer empréstimo, cartão ou consignado.

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Tatiana Botelho

📖 8 min de leitura

Se você acompanha as notícias de economia, provavelmente viu que o Santander Brasil divulgou um resultado mais fraco no segundo trimestre de 2026, com queda de lucro puxada pelo aumento da inadimplência. À primeira vista, parece assunto de investidor e de página econômica. Mas engana-se quem pensa assim: quando um dos maiores bancos do país aperta o freio por causa do calote, quem sente no bolso é o trabalhador que precisa de crédito no mês seguinte — seja o aposentado do INSS, o CLT ou a família que usa o cartão para chegar até o fim do mês.

Neste texto, você vai entender de forma direta o que o resultado do banco revela sobre o momento do crédito no Brasil, por que a inadimplência em alta faz o juro subir e a análise ficar mais dura, e o que fazer, na prática, se você está pensando em contratar empréstimo consignado, crédito pessoal, cartão ou financiamento nos próximos meses.

O que o balanço do Santander mostrou sobre a inadimplência

O banco reportou queda no lucro do segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, e o principal motivo apontado no próprio balanço foi o aumento das despesas com provisões — que é o dinheiro que o banco separa para cobrir empréstimos que provavelmente não serão pagos. Em linguagem simples: quanto mais clientes atrasam parcelas, mais o banco precisa guardar dinheiro para se proteger do prejuízo, e menos sobra como lucro.

O indicador que resume esse movimento é o índice de inadimplência (parcelas em atraso acima de 90 dias). No balanço, esse número apareceu em patamar mais elevado do que o registrado no trimestre anterior. O ponto de atenção não é apenas o número absoluto, mas a tendência: segundo o próprio Santander, o cenário exige postura mais cautelosa na concessão de crédito daqui para frente.

Outro dado relevante é a chamada carteira de crédito. Nos períodos em que a inadimplência sobe, os bancos costumam mudar o perfil de quem recebe empréstimo: reduzem a oferta para faixas de renda mais baixa e para modalidades sem garantia (como crédito pessoal e cartão), e passam a preferir linhas com desconto direto em folha, como o consignado, que têm risco menor porque o pagamento é automático.

Por que a inadimplência em alta encarece o crédito

O juro que o banco cobra de você não é um número solto. Ele é formado, entre outras coisas, pelo custo do dinheiro para o próprio banco (ligado à taxa Selic), pelos impostos e, principalmente, pelo risco de calote. Esse último componente é chamado, no mercado, de spread de risco. Quando a inadimplência sobe, esse risco aumenta — e o banco repassa para as taxas.

Na prática, isso se traduz em três movimentos que o consumidor sente no dia a dia:

  1. Juros maiores nas linhas sem garantia. Cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal são as primeiras modalidades a subir, porque são as mais arriscadas para o banco.
  2. Análise de crédito mais rigorosa. Score baixo, restrições no CPF, renda informal ou histórico recente de atraso passam a pesar mais. Pedidos que seriam aprovados em um cenário normal começam a ser negados.
  3. Redução de limites. Cartões e cheques especiais têm limites cortados de forma automática, muitas vezes sem aviso, quando o banco enxerga aumento de risco no perfil do cliente.

Esse é o pano de fundo que explica por que, mesmo quando a Selic dá sinais de estabilidade, o juro final que chega à ponta continua alto. E é também por isso que os balanços trimestrais dos grandes bancos funcionam como um termômetro do mercado.

O que muda para quem quer pegar empréstimo agora

O recado prático é: em ciclo de inadimplência alta, o consumidor precisa escolher melhor a modalidade e chegar mais preparado ao banco. Vale a pena olhar linha por linha.

Crédito pessoal e cartão de crédito. São as modalidades mais caras — e são exatamente as que ficam ainda mais caras e mais difíceis de aprovar em cenários como o atual. Se você está pensando em parcelar uma dívida no cartão ou pegar um crédito pessoal para cobrir despesas do mês, faça as contas com atenção: o custo efetivo total (CET) pode ultrapassar tranquilamente três dígitos ao ano. Sempre que possível, evite entrar no rotativo do cartão.

Empréstimo consignado do INSS (aposentados e pensionistas). Aqui está a boa notícia para quem recebe benefício. O consignado do INSS é a linha de crédito com uma das menores taxas do país, justamente porque o desconto é feito direto na folha do benefício, o que reduz drasticamente o risco de calote — e, por consequência, o juro. Pela regra em vigor em 2026, o aposentado ou pensionista pode contratar consignado em até 108 meses de prazo, com margem consignável total de 40% do benefício. Dessa margem, 5% ficam reservados exclusivamente para cartão benefício e/ou cartão consignado: se você já tem algum desses cartões, o empréstimo em si utiliza 35% da margem; se não tem nenhum, os 40% inteiros podem ser usados para o empréstimo. A primeira parcela pode ter carência de até 90 dias.

Empréstimo consignado CLT (trabalhador com carteira assinada). Para quem tem carteira assinada, o consignado privado também segue sendo a alternativa mais barata frente ao crédito pessoal, com prazo máximo de 96 meses e margem consignável de 35% do salário. Hoje só existe a modalidade de empréstimo (não há cartão dentro do consignado CLT), então os 35% podem ser usados integralmente para o empréstimo.

BPC/LOAS. Circula muita informação equivocada de que quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) não pode fazer consignado. Isso não é verdade. Por lei, o BPC/LOAS pode ser usado para empréstimo consignado — não há proibição legal. O que acontece hoje, em 2026, é que, por causa do alto volume de cessações e revisões desse tipo de benefício, várias instituições autorizadas recuaram na oferta. Ou seja: é permitido, mas a disponibilidade prática está reduzida no momento. Se você recebe BPC, vale consultar diretamente as instituições, mas sem contar com o crédito como certo.

Financiamento de veículo e imóvel. Como envolvem garantia (o próprio bem), os juros são menores que os do crédito pessoal, mas a análise de renda tende a ficar mais rígida em cenário de inadimplência alta. Reforce a documentação e, se possível, aumente a entrada.

Como se preparar antes de pedir crédito

A lógica é simples: se o banco está mais desconfiado, você precisa chegar mais convincente. Alguns passos práticos ajudam a aumentar a chance de aprovação e a reduzir o juro cobrado.

  • Cheque seu CPF em pelo menos duas bases. Consulte Serasa, SPC e o Registrato do Banco Central. O Registrato é gratuito e mostra todos os empréstimos que você tem em seu nome — muitas vezes há dívidas antigas esquecidas puxando o score para baixo.
  • Regularize pendências pequenas primeiro. Quitar uma conta de R$ 200 atrasada pode ter efeito maior no score do que renegociar uma dívida grande no mesmo dia da consulta.
  • Não peça crédito em vários bancos ao mesmo tempo. Cada consulta fica registrada e sinaliza ao mercado que você está "correndo atrás de dinheiro", o que piora a análise.
  • Compare o CET, não a parcela. Uma parcela mais baixa pode esconder um prazo muito longo e um custo total muito maior. Exija a informação do Custo Efetivo Total, que por regra do Banco Central deve constar em qualquer proposta.
  • Se for aposentado ou pensionista do INSS, ative a trava de segurança. Pelo aplicativo Meu INSS é possível bloquear a contratação de novos empréstimos consignados, o que protege contra fraudes e ofertas indevidas por telefone.
  • Prefira quitar dívida cara com crédito barato. Se você tem saldo no rotativo do cartão e é elegível ao consignado, trocar uma pela outra costuma reduzir drasticamente o custo mensal — desde que você não volte a usar o cartão logo em seguida.

O que esperar dos próximos meses

Balanços de bancos como o do Santander funcionam como prévia do que virá para o consumidor. Quando a inadimplência sobe e as provisões aumentam, o ciclo seguinte tende a ser de crédito mais seletivo: menos aprovação para perfis de maior risco, juros mais firmes nas linhas sem garantia e maior peso do consignado como principal alternativa acessível para quem tem vínculo com INSS ou carteira assinada.

Isso não quer dizer que o crédito vai sumir. Quer dizer que ele vai ficar mais caro para quem chega despreparado e continuará razoavelmente acessível — dentro das linhas com garantia de folha — para quem organiza a vida financeira antes de pedir. O momento pede planejamento: entender exatamente para que você precisa do dinheiro, calcular quanto cabe no orçamento sem estourar o limite da margem consignável e priorizar as modalidades mais baratas.

Resumo prático: o mercado de crédito entra em fase mais seletiva; se puder esperar, espere e organize o CPF antes; se precisar contratar, priorize consignado (INSS em até 108 meses e 40% de margem; CLT em até 96 meses e 35% de margem), fuja do rotativo do cartão e compare sempre o CET, não a parcela.

Referências

  • Balanço do 2º trimestre de 2026 do Santander Brasil.
  • Cobertura do mercado financeiro sobre o balanço 2T26 do Santander (29/07/2026).

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