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Taxa das blusinhas em 2027: como a CBS muda suas compras

Em 2027, a CBS volta a tributar compras internacionais até US$ 50. Veja a alíquota estimada, simulações e como o ICMS estadual entra na conta.

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Tatiana Botelho

📖 12 min de leitura

Taxa das blusinhas em 2027: como a CBS muda suas compras internacionais

Quem comprou roupa, eletrônico ou acessório em sites estrangeiros nos últimos meses sentiu diferença no bolso: as remessas internacionais de baixo valor pararam de pagar imposto federal. A chamada "taxa das blusinhas", que cobrava 20% de Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50, foi derrubada em 2025. Hoje, em 2026, o que aparece no preço final do produto vindo de fora é, na prática, apenas o ICMS estadual.

Mas o cenário tem prazo para mudar. A partir de 1º de janeiro de 2027, entra em vigor a alíquota cheia da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o novo tributo federal criado pela reforma tributária. A CBS vai substituir o antigo imposto de importação sobre essas compras de baixo valor — e estimativas de consultorias tributárias apontam alíquota efetiva próxima de 9,43% para o consumidor final.

A combinação preocupa quem depende de marketplaces internacionais para comprar mais barato: famílias de renda baixa e média, aposentados que aproveitam promoções e trabalhadores CLT que importam ferramentas, peças e acessórios. A pergunta que importa é simples: quanto vai pesar a CBS no preço final do seu pedido a partir de 2027?

Neste guia, você vai entender o que está em vigor agora, o que muda em 2027, quanto deve pagar a mais em cada faixa de compra, qual é o papel do ICMS estadual e como organizar o orçamento para não ser pego de surpresa.

Como funciona a tributação das compras internacionais hoje (cenário 2026)

O ponto de partida para entender 2027 é saber exatamente como está a cobrança agora. E aqui mora a maior confusão do consumidor: muita gente ainda acha que paga 20% de imposto federal em toda compra internacional — e não é mais assim.

A revogação da taxa de 20%

A tributação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, aprovada pelo Congresso em 2024 e popularmente chamada de "taxa das blusinhas", foi revogada em 2025. Desde então, não há cobrança de Imposto de Importação federal sobre as remessas dentro desse limite enviadas por empresas certificadas no programa Remessa Conforme da Receita Federal.

Na prática, em 2026, o consumidor que compra em sites estrangeiros habilitados paga:

  • 0% de imposto de importação federal (para compras até US$ 50 via Remessa Conforme);
  • ICMS estadual, com alíquotas que variam de 17% a 20% dependendo do estado de residência;
  • Frete e taxas operacionais cobradas pela plataforma de venda.

O que é o programa Remessa Conforme

O Remessa Conforme é um programa da Receita Federal que permite a empresas estrangeiras se cadastrarem para enviar mercadorias ao Brasil com tributação antecipada e processo aduaneiro simplificado. Quando o consumidor compra em um site habilitado, o tributo estadual já é destacado no checkout — o produto chega sem retenção surpresa nos Correios.

Fora desse regime, valem regras gerais de importação. Antes de comprar, vale conferir se a loja exibe o selo do Remessa Conforme, para evitar travamento da encomenda na alfândega.

Por que o ICMS estadual varia tanto

O ICMS é um imposto estadual: cada estado define sua alíquota dentro de uma faixa pactuada nacionalmente. Para remessas internacionais, as alíquotas praticadas hoje ficam, em geral, entre 17% e 20%. Isso explica por que o mesmo produto, no mesmo site, custa um pouco diferente para quem mora em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em estados do Nordeste.

O que muda em 2027: a CBS substitui a antiga taxa federal

A virada está marcada para janeiro de 2027. É quando a CBS passa a ser cobrada com alíquota cheia sobre remessas internacionais, ocupando o espaço que era do antigo imposto de importação federal.

CBS substitui, não soma

É importante deixar claro: a CBS não se soma ao antigo imposto de importação de 20%. Ela substitui a tributação federal sobre essas compras. Como a federal está zerada hoje, o consumidor vai sentir uma elevação no preço final em 2027 — mas o desenho é de tributação única, não de empilhamento.

A CBS é parte central da reforma tributária do consumo, aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025. Ela unifica e moderniza tributos federais antigos (PIS, Cofins e IPI, em grande medida), substituindo-os por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

A alíquota estimada de 9,43%

O valor exato da CBS aplicada às remessas internacionais ainda depende de resolução do Senado Federal, prevista para o fim de 2026. Enquanto isso, estimativas de consultorias especializadas em tributos apontam alíquota efetiva próxima de 9,43% sobre o valor das compras internacionais de baixo valor.

Esse percentual ainda não é definitivo e pode ser ajustado pelo Senado. Por isso, todas as simulações deste guia trabalham com estimativas, não com números fechados.

Quando começa de fato a cobrança

A CBS não nasce do zero em 1º de janeiro de 2027. Já em 2026, o tributo passou por uma fase de teste, em que aparece destacado nas notas fiscais sem efeito financeiro real para o consumidor. É um período de adaptação para sistemas, empresas e administração tributária.

  • 2026: fase de testes, CBS destacada nas notas, sem cobrança efetiva no preço final;
  • 2027: entrada em vigor com alíquota cheia;
  • 2029 a 2032: transição do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que vai substituir gradualmente o ICMS estadual e o ISS municipal.

Simulação: quanto sua compra internacional vai custar a mais em 2027

As contas abaixo são estimativas baseadas em alíquota de CBS de 9,43% e ICMS de 20%, considerando câmbio hipotético do dólar a R$ 5,80. Os valores reais dependerão do câmbio do dia, da alíquota final da CBS, do estado do consumidor e do frete cobrado pela plataforma.

Compra de R$ 100 (cerca de US$ 17)

  • Hoje (2026): R$ 100 + ICMS 20% ≈ R$ 120,00
  • Em 2027: R$ 100 + CBS 9,43% + ICMS 20% ≈ R$ 131,30
  • Diferença estimada: cerca de R$ 11 a mais por pedido.

Compra de R$ 200 (cerca de US$ 34)

  • Hoje (2026): R$ 200 + ICMS 20% ≈ R$ 240,00
  • Em 2027: R$ 200 + CBS 9,43% + ICMS 20% ≈ R$ 262,60
  • Diferença estimada: cerca de R$ 22 a mais por pedido.

Compra de R$ 290 (cerca de US$ 50, no teto da faixa)

  • Hoje (2026): R$ 290 + ICMS 20% ≈ R$ 348,00
  • Em 2027: R$ 290 + CBS 9,43% + ICMS 20% ≈ R$ 380,80
  • Diferença estimada: cerca de R$ 32 a mais por pedido.

Na prática, os números indicam uma elevação proporcional próxima de 9% a 10% no valor final dos produtos importados, dependendo do estado. Para quem compra com frequência — e principalmente para quem usa marketplaces internacionais para revender ou complementar renda — o impacto anual é relevante.

ICMS estadual: por que a alíquota varia de 17% a 20%

Muita gente acredita que existe uma alíquota única de 17% de ICMS para remessas internacionais. Não é verdade. O ICMS continua sendo um imposto estadual, e cada unidade da federação define seu percentual dentro de um intervalo combinado em colegiado nacional.

Nas compras internacionais de baixo valor, as alíquotas praticadas atualmente variam de 17% a 20%. Isso significa que:

  • Um morador de estado com alíquota de 17% paga menos imposto que um morador de estado com 20% — no mesmo produto, no mesmo site, no mesmo dia.
  • O ICMS é calculado sobre o valor do produto e, em geral, incide "por dentro", técnica que pode elevar levemente o valor efetivo final.

O futuro do ICMS na reforma

O ICMS não desaparece em 2027. Ele continuará vigente e, a partir de 2029, começa a ser gradualmente substituído pelo IBS, a contraparte estadual e municipal da CBS. A transição completa do IBS deve ocorrer entre 2029 e 2032, com convivência dos dois sistemas e migração progressiva das alíquotas.

Ou seja: em 2027 e 2028, o consumidor enxerga na nota um modelo híbrido — CBS federal já cheia + ICMS estadual ainda nos moldes antigos. A simplificação total fica para a próxima década.

Calendário da reforma tributária e o que muda para você

  • 2025: revogação da "taxa das blusinhas" federal de 20%; aprovação da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a reforma tributária do consumo.
  • 2026: fase de testes da CBS, com destaque na nota fiscal e sem cobrança financeira efetiva. Federal continua zerada nas compras internacionais até US$ 50; vale apenas o ICMS estadual de 17% a 20%.
  • 2027: entrada em vigor da CBS com alíquota cheia, em substituição ao antigo imposto de importação federal; estimativa de consultoria aponta alíquota próxima de 9,43%, ainda sujeita à definição pelo Senado.
  • 2029 a 2032: transição do IBS substituindo gradualmente o ICMS estadual e o ISS municipal.
  • 2033: entrada em vigor pleno do novo modelo tributário, com IVA dual completo.

Impacto no orçamento de quem mais usa marketplaces internacionais

O encarecimento médio próximo de 9% a 10% pode parecer pouco em uma compra isolada, mas é decisivo para alguns perfis.

Famílias de baixa e média renda

Quem usa sites internacionais para comprar roupa de criança, calçado, item de cozinha, eletrônico básico e acessórios de uso diário vai sentir o impacto direto. Um orçamento mensal de R$ 300 em compras internacionais vai precisar de aproximadamente R$ 30 a mais por mês a partir de 2027, considerando as estimativas atuais. No ano, são cerca de R$ 360 a mais no custo de vida dessa família.

Aposentados e pensionistas do INSS

Muitos aposentados aproveitam promoções em sites estrangeiros para comprar medicamentos auxiliares, óculos, produtos para a casa e presentes para netos. Para quem vive do benefício, qualquer encarecimento pesa. A recomendação é planejar compras essenciais — quando previsíveis — ainda dentro de 2026, enquanto a federal está zerada.

Trabalhador CLT

O CLT que usa marketplaces para comprar ferramenta, peça de informática, acessório de moto e item profissional precisa rever o custo dos pedidos a partir de 2027. Vale comparar com o preço de varejistas nacionais, porque a diferença que justificava importar pode ficar menor em vários segmentos.

Como se preparar para a mudança em 2027

  • Antecipe compras essenciais previsíveis ainda em 2026, enquanto a federal está zerada.
  • Compare com o varejo nacional: com a CBS cheia em 2027, a vantagem da importação encolhe em alguns segmentos.
  • Verifique sempre o selo Remessa Conforme antes de comprar, para evitar retenção alfandegária e cobranças extras.
  • Inclua no preço final a alíquota estadual do seu estado, lembrando que o ICMS varia de 17% a 20%.
  • Evite parcelar em prazos longos compras internacionais não essenciais — os juros do cartão de crédito podem anular qualquer economia.
  • Acompanhe a resolução do Senado prevista para o fim de 2026, que vai fixar a alíquota oficial da CBS para remessas.

Perguntas frequentes sobre a CBS nas compras internacionais

A "taxa das blusinhas" de 20% ainda está em vigor em 2026?

Não. A cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi revogada em 2025. Hoje, em compras feitas por empresas certificadas no Remessa Conforme, há zero de tributo federal — apenas o ICMS estadual, que varia de 17% a 20%. A nova cobrança federal volta apenas em 2027, com a CBS.

Compras feitas em 2026 vão pagar CBS?

Não na prática. Em 2026, a CBS está em fase de testes: aparece destacada na nota fiscal, mas não tem cobrança financeira efetiva sobre o consumidor. A cobrança real, com alíquota cheia, começa em 1º de janeiro de 2027.

A CBS vai se somar aos 20% antigos?

Não. A CBS substitui o antigo imposto de importação federal de 20%. Como esse tributo já está zerado desde 2025, o consumidor sentirá um aumento — mas não uma cobrança dupla. A elevação estimada está próxima de 9,43% sobre o valor do produto, conforme estimativa de consultoria, ainda sujeita à definição pelo Senado.

O ICMS estadual também muda em 2027?

Não imediatamente. O ICMS continua nos moldes atuais em 2027, com alíquotas variando entre 17% e 20% conforme o estado. A substituição gradual do ICMS pelo IBS ocorre entre 2029 e 2032, conforme o cronograma da reforma tributária.

Vale a pena continuar comprando em sites estrangeiros depois de 2027?

Depende do produto e da diferença de preço. Itens com diferença grande em relação ao varejo nacional (acima de 30% a 40%) provavelmente continuarão vantajosos mesmo com a CBS cheia. Já produtos com diferença pequena podem deixar de compensar. Faça a conta com calma antes de finalizar a compra, somando CBS, ICMS, frete e prazo de entrega.

Conclusão: o que guardar deste guia

  • A "taxa das blusinhas" de 20% foi revogada em 2025; em 2026 não há imposto federal sobre remessas até US$ 50 via Remessa Conforme.
  • A CBS substitui essa tributação federal a partir de 1º de janeiro de 2027, com alíquota estimada em torno de 9,43%.
  • Estimativas indicam aumento de 9% a 10% no preço final das compras internacionais a partir de 2027.
  • O ICMS estadual continua valendo com alíquotas entre 17% e 20% e só começa a migrar para o IBS a partir de 2029.
  • A alíquota final da CBS depende de resolução do Senado, prevista para o fim de 2026.

Próximo passo prático: se você usa marketplaces internacionais com frequência, faça uma revisão do seu calendário de compras. Antecipe pedidos essenciais para 2026, compare sempre com o varejo nacional e some o ICMS do seu estado no cálculo. Decisões pequenas tomadas agora podem evitar surpresas grandes em 2027.

Fique de olho aqui no portal para acompanhar a definição oficial da alíquota da CBS pelo Senado e demais ajustes do cronograma da reforma tributária.

Referências

  • Receita Federal — Programa Remessa Conforme.
  • Emenda Constitucional nº 132/2023 e Lei Complementar nº 214/2025 — Reforma Tributária do Consumo.
  • Consultoria Roit — estimativa de alíquota da CBS sobre remessas internacionais (≈ 9,43%).
  • Senado Federal — resolução sobre alíquotas da reforma tributária, prevista para o fim de 2026.

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