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Fim do app do Tesouro Direto: como acessar seus títulos

App do Tesouro Direto foi desativado. Veja como acessar seus títulos pelo Portal do Investidor ou pelo banco e evite golpes na transição.

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Tatiana Botelho

📖 14 min de leitura

Fim do app do Tesouro Direto: como acessar seus títulos

O aplicativo oficial do Tesouro Direto foi desativado e, a partir de agora, o investidor que costumava acompanhar seus títulos públicos pelo celular precisa mudar de rota. A alteração é operacional — o programa continua funcionando normalmente, os títulos continuam sendo emitidos pelo Tesouro Nacional e o dinheiro aplicado segue protegido —, mas o canal de acesso muda. Quem não se organizar corre o risco de ficar sem saber onde estão suas aplicações, deixar de reinvestir juros e cupons ou cair em golpes que sempre aparecem em momentos de transição como esse.

O Tesouro Direto é hoje um dos investimentos mais populares do Brasil entre trabalhadores CLT, aposentados e servidores públicos, justamente porque permite aplicar pouco (a partir de aproximadamente R$ 30, dependendo do título) em um produto emitido pelo Governo Federal, com liquidez diária e sem os custos altos dos fundos de investimento. Milhões de pessoas usavam o aplicativo para consultar saldo, comprar novos títulos, vender antes do vencimento e acompanhar o rendimento. Com o fim do app, essas mesmas operações continuam disponíveis — só que por outros caminhos.

Neste guia, você vai entender exatamente o que muda, como acessar seus títulos pelo Portal do Investidor, como operar pelo aplicativo do seu banco ou corretora (chamados de agentes de custódia), quais documentos e senhas serão exigidos e como se proteger de golpes. A leitura vale para quem tem R$ 100 ou R$ 100 mil aplicados: o procedimento é o mesmo.

O que muda com o fim do app do Tesouro Direto

O aplicativo do Tesouro Direto era mantido pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (a Bolsa brasileira, que também faz a custódia dos títulos) e servia como uma porta de entrada rápida para consulta e compra pelo celular. Com a desativação, o acesso passa a ser feito por dois canais principais, ambos já existentes há anos:

  • Portal do Investidor Tesouro Direto — site oficial no endereço investidor.tesourodireto.com.br, acessível por navegador (computador ou celular).
  • Agente de custódia — o banco, a corretora ou a distribuidora onde você abriu sua conta para investir. Praticamente todas as instituições autorizadas já oferecem a compra e venda de títulos públicos dentro do próprio aplicativo bancário.

Ou seja: nada foi cancelado, extinto ou perdido. O que acabou foi apenas o aplicativo com a marca "Tesouro Direto" na loja de aplicativos. As funcionalidades foram redistribuídas.

O que continua igual

  • Os títulos comprados (Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado, Tesouro Renda+, Tesouro Educa+) continuam válidos e rendendo normalmente.
  • A custódia continua sendo feita pela B3, em nome do investidor (e não da corretora), com CPF vinculado.
  • As regras de imposto de renda, IOF, taxa de custódia e liquidez seguem inalteradas.
  • Você continua podendo comprar, vender antecipadamente ou levar até o vencimento.

O que muda na prática

  • Você não vai mais encontrar o app "Tesouro Direto" para baixar ou atualizar.
  • Se ainda tem o app instalado, ele pode parar de funcionar a qualquer momento — não confie nele para operações urgentes.
  • Todo o histórico, extrato e comprovantes seguem disponíveis, mas serão consultados pelo Portal do Investidor ou pelo seu banco.

Como acessar seus títulos pelo Portal do Investidor

O Portal do Investidor é o canal oficial mantido pelo Tesouro Nacional em conjunto com a B3 para o programa Tesouro Direto. Ele funciona em qualquer navegador — Chrome, Edge, Safari, Firefox — tanto no computador quanto no celular. Não é preciso instalar nenhum aplicativo.

Passo a passo do primeiro acesso

  1. Abra o navegador e digite o endereço oficial: investidor.tesourodireto.com.br. Atenção: só acesse digitando o endereço manualmente ou por um link oficial. Nunca clique em links recebidos por WhatsApp, SMS ou e-mail com esse assunto.
  2. Clique em "Acessar sua conta" ou em "Login".
  3. Informe seu CPF e a senha do Portal do Investidor. Essa senha é a mesma que você já usava no aplicativo antigo. Se você nunca criou uma, é possível gerar pelo próprio site na opção "Primeiro acesso".
  4. Caso tenha esquecido a senha, use a opção "Esqueci minha senha". O sistema envia instruções para o e-mail cadastrado.
  5. Após entrar, você verá o extrato de posição com todos os títulos comprados, valor investido, rentabilidade acumulada e data de vencimento.

O que dá para fazer dentro do Portal

  • Consultar saldo e histórico completo.
  • Comprar novos títulos.
  • Vender antecipadamente (recompra do Tesouro Nacional em dias úteis, no horário de funcionamento).
  • Emitir informe de rendimentos para o imposto de renda.
  • Alterar dados cadastrais e conta bancária de liquidação.
  • Cadastrar reinvestimento automático de juros e cupons.

E se eu não me lembro nem do CPF vinculado?

Se você abriu conta há muitos anos e não sabe mais qual senha usar, o caminho mais rápido costuma ser recuperar pelo próprio banco ou corretora onde você opera — o agente de custódia. Ele consegue confirmar seu vínculo com o programa e orientar o cadastro.

Acesso pelo banco ou corretora (agente de custódia)

Quando você comprou seu primeiro título público, precisou escolher um agente de custódia — banco, corretora ou distribuidora habilitada. Essa instituição é a intermediária entre você e o Tesouro Nacional. Mesmo com o fim do app, ela continua ativa e é, para a maioria dos investidores, o caminho mais simples.

Como funciona

  1. Abra o aplicativo do seu banco ou corretora normalmente.
  2. Procure pela seção "Investimentos" e, dentro dela, "Tesouro Direto" ou "Títulos Públicos".
  3. Você verá seus títulos listados, com valor atualizado.
  4. Nesse mesmo ambiente é possível comprar, vender e resgatar — sem precisar do Portal do Investidor.

Vantagens desse caminho

  • Você usa uma senha que já conhece (a do seu banco).
  • A biometria facial ou digital já vem configurada.
  • O dinheiro da venda cai direto na sua conta corrente sem etapas extras.
  • Você pode acompanhar o Tesouro Direto junto com poupança, CDB e outras aplicações no mesmo lugar.

Se seu banco não oferece Tesouro Direto

Alguns bancos digitais e cooperativas oferecem o produto de forma limitada ou não oferecem. Nesses casos, você tem duas alternativas:

  • Usar o Portal do Investidor diretamente, como explicado na seção anterior.
  • Transferir a custódia para outra instituição que ofereça o serviço. Essa transferência é gratuita e feita entre o banco/corretora antigo e o novo, sem que o investidor precise vender e recomprar os títulos (o que evitaria custo tributário desnecessário).

Seus títulos estão seguros? Entenda a custódia

Essa é uma das dúvidas mais comuns nesses momentos de mudança, e a resposta curta é: sim, seus títulos estão seguros. Vamos entender por quê.

Quem realmente guarda seus títulos

No Tesouro Direto, os títulos ficam registrados em nome do investidor pessoa física, sob custódia da B3 — a bolsa brasileira, responsável por manter esse registro. O banco ou corretora atua apenas como intermediário operacional. Isso quer dizer que, se a sua corretora encerrar as atividades, seus títulos não somem: eles continuam registrados no seu CPF na B3, e você pode transferi-los para outra instituição.

E o risco do próprio governo?

Os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelo Governo Federal. São considerados o investimento de menor risco de crédito disponível no país — o mesmo risco que a maioria dos economistas usa como referência ("taxa livre de risco") para comparar outras aplicações. Nenhuma fintech, banco médio ou corretora tem risco menor do que o Tesouro Nacional operando em real.

O que o fim do app NÃO significa

  • Não significa que o programa Tesouro Direto acabou.
  • Não significa que você precisa resgatar seus títulos.
  • Não significa que sua rentabilidade foi alterada.
  • Não significa que você perdeu prazos ou vencimentos.

Se alguém ligar ou mandar mensagem afirmando qualquer uma dessas coisas, é tentativa de golpe. Trataremos disso mais adiante.

Passo a passo para não perder acesso aos seus investimentos

Este é o roteiro prático que recomendamos para quem tem qualquer valor aplicado no Tesouro Direto:

  1. Localize seu agente de custódia. Lembre-se: para investir em Tesouro Direto foi necessário abrir conta em um banco ou corretora. Verifique nos extratos antigos ou no informe de rendimentos do ano passado qual foi a instituição.
  2. Confirme que consegue entrar no aplicativo dessa instituição. Se a senha estiver bloqueada ou o cadastro desatualizado, resolva isso primeiro.
  3. Verifique se seus títulos aparecem na seção de investimentos. Se sim, você já está com o acesso garantido pelo caminho mais fácil.
  4. Cadastre também o acesso ao Portal do Investidor (investidor.tesourodireto.com.br) como plano B. Nunca dependa de um único canal.
  5. Atualize seu e-mail e telefone cadastrados no Portal. É por eles que chegam avisos de vencimento, pagamento de cupons e recuperação de senha.
  6. Anote as datas de vencimento dos seus títulos. Alguns papéis, como o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, pagam cupons ao longo do tempo — e é bom estar atento para reinvestir.
  7. Salve este guia ou os endereços oficiais em um local seguro, para consultar sempre que precisar.

Cuidados específicos para aposentados e pensionistas

Quem recebe do INSS e investe uma parte do benefício no Tesouro Direto deve tomar cuidado extra:

  • Nunca compartilhe a senha do INSS (Meu INSS/gov.br) com nenhum atendente que ligue oferecendo "migração" do Tesouro Direto. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
  • Desconfie de ligações dizendo que é preciso "transferir o dinheiro para uma conta segura". Isso não existe.
  • Se tiver dúvida, peça ajuda a um familiar de confiança para acompanhar o primeiro acesso.

Cuidados com golpes durante a transição

Toda mudança operacional em produto financeiro popular tende a atrair golpistas. É esperado que apareçam nos próximos dias e semanas:

  • Mensagens de SMS com links falsos imitando "Tesouro Direto".
  • Ligações se passando por "atendente do Tesouro" pedindo dados.
  • E-mails com layout parecido com o oficial pedindo confirmação de senha.
  • Sites clonados com endereços parecidos com o Portal do Investidor.
  • Anúncios patrocinados em redes sociais direcionando para páginas fraudulentas.

Regras de ouro para não cair

  • O Tesouro Nacional nunca liga para o investidor pedindo senha, código de segurança ou transferência de valores.
  • O único endereço oficial do Portal do Investidor é investidor.tesourodireto.com.br. Digite manualmente.
  • Nenhum banco vai pedir que você reinstale um app ou baixe um novo por link enviado em mensagem.
  • Códigos recebidos por SMS jamais devem ser repassados por telefone ou WhatsApp.
  • Em caso de dúvida, encerre a ligação e procure o atendimento oficial do seu banco pelo número que está no cartão.

Onde denunciar

Se você identificar tentativa de golpe ou fraude relacionada ao Tesouro Direto, procure a Polícia Civil (delegacia mais próxima ou delegacia eletrônica do seu estado) e informe o seu banco. Guardar prints das mensagens e horários das ligações ajuda muito na investigação.

Diferença entre Tesouro Direto e outros investimentos populares

Aproveitando o momento em que muitos investidores estão "revisitando" o Tesouro Direto por causa do fim do app, vale reforçar o que diferencia esse produto de outros que aparecem no mesmo menu do banco:

  • Poupança: rende menos que o Tesouro Selic em quase todos os cenários e não tem a mesma flexibilidade de escolha de prazo. É garantida pelo FGC (até R$ 250 mil por CPF por instituição).
  • CDB: emitido por banco, não pelo governo. Também é coberto pelo FGC até o limite, mas o risco de crédito é do banco emissor, não do Tesouro Nacional.
  • LCI/LCA: isentas de imposto de renda para pessoa física, mas com liquidez menor e emitidas por bancos.
  • Fundos de renda fixa: têm taxa de administração e podem cobrar performance. O Tesouro Direto tem apenas a taxa de custódia da B3.
  • Previdência privada (PGBL/VGBL): instrumento de longo prazo com benefício tributário específico. Não substitui o Tesouro Direto — são produtos com finalidades distintas.

Entender essas diferenças ajuda o investidor a não trocar o Tesouro Direto por um produto pior só porque ficou confuso com a mudança do canal.

FAQ — Perguntas Frequentes

Preciso resgatar meus títulos por causa do fim do app?

Não. Os títulos continuam válidos, rendendo e podem ser mantidos até o vencimento normalmente. A única coisa que mudou foi o canal de acesso: em vez do app antigo, você usa o Portal do Investidor ou o aplicativo do seu banco/corretora. Resgatar apenas por causa da mudança pode gerar imposto de renda desnecessário e, dependendo do momento, prejuízo por marcação a mercado.

Perdi minha senha do Tesouro Direto. Como recupero?

Existem dois caminhos. O primeiro é entrar no Portal do Investidor (investidor.tesourodireto.com.br) e clicar em "Esqueci minha senha" — o sistema envia instruções para o e-mail cadastrado. O segundo é acessar o Tesouro Direto pelo aplicativo do seu banco ou corretora, usando a senha bancária que você já conhece. Nesse caso, você nem precisa da senha antiga do Portal para consultar e operar.

Posso continuar comprando novos títulos do Tesouro Direto?

Sim. A compra continua liberada normalmente pelos dois canais oficiais: Portal do Investidor e agente de custódia (banco/corretora). O horário de funcionamento do sistema segue o mesmo, com preços atualizados em dias úteis. Investidores iniciantes podem começar com valores pequenos, a partir de aproximadamente 1% do valor de um título — o que costuma dar cerca de R$ 30 a R$ 40, dependendo do papel escolhido no momento.

O que acontece se eu não fizer nada?

Se você simplesmente não acessar o app nem o Portal, seus títulos continuam existindo e rendendo. No vencimento, o valor é creditado automaticamente na conta bancária que você cadastrou como conta de liquidação. Se essa conta estiver desatualizada (por exemplo, fechou o banco antigo), o dinheiro fica retido até você regularizar o cadastro. Por isso é importante entrar pelo menos uma vez para conferir os dados.

O aplicativo do meu banco cobra alguma taxa para acessar o Tesouro Direto?

O acesso em si é gratuito. Os custos do Tesouro Direto são: a taxa de custódia da B3, cobrada sobre o valor investido (com faixa de isenção para pequenos valores no Tesouro Selic), o imposto de renda regressivo sobre o rendimento e o IOF apenas nos primeiros 30 dias. Algumas corretoras não cobram taxa própria; outras podem cobrar. Verifique isso na tabela de tarifas da sua instituição antes de operar.

Consigo transferir meus títulos de um banco para outro?

Sim. Existe o procedimento chamado transferência de custódia, feito entre agentes de custódia, sem custo para o investidor e sem gerar imposto de renda (porque não há venda). Você solicita à instituição de destino, que se comunica com a de origem. O prazo costuma variar, mas o processo é padronizado. Isso é útil, por exemplo, para quem quer concentrar todos os investimentos em uma única corretora com melhor tarifa.

Conclusão

O fim do aplicativo do Tesouro Direto não afeta o dinheiro do investidor — muda apenas o caminho de acesso. Quem se organiza agora evita dor de cabeça depois e ainda fica protegido contra tentativas de golpe que costumam surgir nesses momentos.

Resumindo os pontos principais:

  • O aplicativo antigo foi desativado, mas o programa Tesouro Direto continua funcionando.
  • Os títulos seguem custodiados pela B3 em nome do investidor, com CPF vinculado.
  • O acesso passa a ser feito pelo Portal do Investidor (investidor.tesourodireto.com.br) ou pelo aplicativo do seu banco/corretora.
  • Não é preciso resgatar nada — resgates só devem ser feitos por decisão de investimento, não por causa da mudança.
  • Nunca clique em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail com esse assunto: digite o endereço manualmente.
  • Aposentados e pensionistas devem redobrar o cuidado com ligações suspeitas.

Próximo passo prático: abra hoje mesmo o aplicativo do seu banco ou corretora, entre na seção de investimentos e confirme que consegue visualizar seus títulos. Se não conseguir, cadastre a senha do Portal do Investidor como plano B. Cinco minutos agora evitam semanas de aborrecimento depois.

Continue acompanhando nossos guias para tomar decisões financeiras mais seguras, entender seus direitos e proteger seu patrimônio — do salário à aposentadoria.

Referências

  • Comunicado oficial Tesouro Direto/Tesouro Nacional sobre desativação do aplicativo.
  • Portal do Investidor Tesouro Direto (investidor.tesourodireto.com.br).

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