
Golpe do título eleitoral: site falso do TSE cobra R$ 47,90
Página fraudulenta imita o visual do Tribunal Superior Eleitoral, apresenta nome e CPF corretos do eleitor e exige pagamento imediato para 'regularização'.
Rita Cavalcanti
📖 10 min de leitura
Resumo em 30 segundos
- O TSE não cobra pelos serviços de título de eleitor — nem emissão, nem segunda via, nem regularização.
- O site falso usa dados vazados (nome e CPF) para parecer oficial e cobra R$ 47,90 via Pix de suposta regularização.
- O domínio oficial é tse.jus.br; qualquer endereço diferente que peça pagamento é fraude.
- Quem pagou deve acionar o banco no mesmo dia e pedir o MED do Pix, registrar B.O. e denunciar o site.
Uma nova fraude vem circulando no Brasil e já começou a enganar eleitores desatentos: um site que se passa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobra R$ 47,90 via Pix para supostamente regularizar o título de eleitor — e, para tornar o golpe mais convincente, exibe dados reais do cidadão, como nome completo e CPF.
A combinação de aparência oficial, valor baixo e informações pessoais corretas tem feito muita gente clicar, pagar e só depois perceber que caiu em um esquema criminoso.
Neste guia, você vai entender como esse golpe funciona na prática, por que ele é tão eficaz, de onde os criminosos tiram seus dados, o que o TSE realmente cobra (spoiler: nada), como identificar um site falso antes de pagar e o que fazer se você já transferiu o Pix. Também vamos mostrar como se proteger de fraudes semelhantes envolvendo pagamentos instantâneos, que viraram a arma preferida dos golpistas no Brasil.
Como funciona o golpe do título eleitoral falso
O esquema começa, na maioria dos casos, com uma mensagem recebida por SMS, WhatsApp, e-mail ou até por anúncio patrocinado em redes sociais e buscadores. O texto costuma ter tom de urgência: fala em "título cancelado", "pendência eleitoral", "risco de multa" ou "necessidade de regularização antes das eleições". No link, aparece um endereço que lembra o do TSE, mas com pequenas alterações — pode ter palavras extras, hífens, domínios estranhos (como.com,.net,.online) ou subdomínios suspeitos.
Ao clicar, o eleitor é levado a uma página visualmente idêntica à do Tribunal: mesmas cores, mesmo logotipo, mesma tipografia. A página pede que a pessoa digite o CPF ou o número do título para "consultar a situação".
Em segundos, o sistema devolve uma tela com dados pessoais verdadeiros — nome completo, data de nascimento, às vezes zona e seção eleitoral — e informa que há uma pendência.
Para resolver, é preciso pagar R$ 47,90 por Pix, com QR Code ou chave gerada ali mesmo.
Esse é o detalhe que faz muita gente baixar a guarda: como o site "sabe" dados que o cidadão não forneceu, cria-se a impressão de que ele é mesmo oficial. Mas, como vamos ver adiante, esses dados vazam de bases que já estão expostas na internet há anos.
Por que o valor de R$ 47,90 é tão convincente
Golpistas estudam o comportamento das vítimas. Um valor como R$ 47,90 é cuidadosamente escolhido por três motivos:
1. É baixo o suficiente para não gerar desconfiança financeira. Diante da ameaça de ter o título cancelado, muita gente prefere pagar menos de R$ 50 do que gastar tempo indo a um cartório eleitoral.
2. Tem cara de taxa oficial. Valores quebrados, com centavos, imitam tarifas administrativas reais, como emissão de documentos, taxas de serviços públicos ou multas eleitorais.
3. É pequeno o bastante para o Pix passar sem autenticação adicional. Muitos bancos pedem confirmação biométrica ou senha extra apenas em valores altos. Em transferências baixas, o pagamento sai praticamente no primeiro clique.
Somado ao senso de urgência ("regularize em 24 horas" ou "antes do dia da eleição"), o preço virou gatilho emocional. O eleitor paga sem pensar, convencido de que está evitando um problema maior.
Como os golpistas conseguem seus dados reais
Um dos pontos que mais assusta nesse golpe é a sensação de que "o site tem meus dados — então deve ser verdadeiro". A realidade é bem menos mágica: nome, CPF, data de nascimento e até endereço de milhões de brasileiros circulam há anos em vazamentos de dados que já foram amplamente noticiados. Bases inteiras são vendidas em fóruns criminosos por valores irrisórios.
Quando você digita seu CPF no site falso, o sistema do golpista faz uma consulta automática a essas bases vazadas e devolve seus dados reais na tela, como se tivesse acesso ao sistema do Tribunal.
Não tem — ele só está cruzando informação que já estava disponível para quem compra esse tipo de pacote.
Isso significa duas coisas importantes:
- Ver seu nome correto numa página NÃO é prova de que ela é oficial.
- Mesmo que você nunca tenha caído em golpe antes, seus dados provavelmente já estão em algum vazamento. A defesa não é "esconder o CPF", e sim desconfiar de qualquer cobrança não solicitada.
O TSE cobra alguma taxa pelo título de eleitor?
Aqui está o ponto que destrói o golpe de uma vez por todas: os serviços relacionados ao título de eleitor são gratuitos. Emissão da primeira via, segunda via, transferência de domicílio eleitoral, regularização, consulta de situação, local de votação — nada disso tem custo. O eleitor não paga Pix, boleto, taxa, tarifa, selo nem contribuição ao TSE ou aos Tribunais Regionais Eleitorais.
Existem, sim, multas eleitorais previstas em lei — por exemplo, para quem não votou e não justificou. Mas, mesmo nesses casos:
- O valor é fixado em lei e historicamente é muito baixo (poucos reais).
- O pagamento é feito por Guia de Recolhimento da União (GRU), emitida nos canais oficiais, e não por Pix para chave pessoal ou QR Code aleatório.
- A guia é paga em banco, lotérica ou pelo aplicativo bancário, com código de barras — nunca transferindo valor para a chave Pix de uma pessoa física ou de empresa desconhecida.
Se apareceu uma cobrança em Pix dizendo que é do TSE, pode descartar: é golpe.
Como identificar um site falso do TSE
Mesmo que a página pareça idêntica à oficial, há sinais claros de fraude. Antes de digitar qualquer dado ou pagar qualquer centavo, verifique:
1. O endereço (URL) do site. O site oficial do Tribunal Superior Eleitoral é o tse.jus.br. Qualquer domínio diferente — como tse-eleitor.com, titulo-tse.online, regularizacao-tse.net, servicos-tse.app — é falso. O detalhe que marca um site de órgão público federal é a terminação .jus.br (para o Judiciário) ou .gov.br (para o Executivo). Nenhum serviço oficial do TSE será oferecido em domínio.com,.net ou.online.
2. A presença de cobrança. Se o site pede pagamento para qualquer serviço de título de eleitor, é golpe. Ponto final.
3. Links recebidos por mensagem. O TSE não envia SMS, WhatsApp ou e-mail cobrando regularização com link para pagamento. Comunicados oficiais são publicados no site e divulgados pela imprensa, não disparados individualmente.
4. Pressão de prazo. Mensagens que dizem "pague em 24h ou seu título será cancelado" são típicas de engenharia social. Órgãos públicos não trabalham com prazo relâmpago via Pix.
5. QR Code ou chave Pix para pessoa física. Pagamentos a órgãos públicos federais são identificáveis — o beneficiário aparece como União, Tesouro Nacional ou órgão específico. Se o Pix for para CPF de alguém ou para uma empresa com nome estranho, não transfira.
6. Erros de português, logos borrados ou menus que não funcionam. Sites falsos costumam ser clonagens apressadas. Clique em dois ou três menus — se nada abrir ou se tudo levar para a mesma tela de pagamento, é fraude.
A regra de ouro: diante de qualquer dúvida, feche a página e vá direto digitar tse.jus.br no navegador. Nunca acesse pelo link recebido.
Caiu no golpe? O que fazer agora
Se você já pagou os R$ 47,90, não entre em pânico — mas aja rápido. Quanto antes você se mover, maior a chance de bloquear o dinheiro ou, pelo menos, impedir prejuízos maiores.
Passo 1 — Acione imediatamente o seu banco. Entre em contato pelo aplicativo, pelo telefone oficial ou pessoalmente. Peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, criado justamente para casos de fraude. O banco pode solicitar o bloqueio do valor na conta do golpista; se o dinheiro ainda estiver lá, a devolução acontece. O prazo para pedir o MED é curto, por isso a urgência: faça no mesmo dia, se possível.
Passo 2 — Registre um boletim de ocorrência. Pode ser presencialmente na delegacia ou pela delegacia eletrônica do seu estado. Guarde o número do B.O. — você vai precisar para o banco e para eventuais ações judiciais.
Passo 3 — Reúna provas. Salve prints da mensagem recebida, do site falso, do comprovante do Pix e de qualquer e-mail ou SMS relacionado. Essas evidências são essenciais para investigação.
Passo 4 — Denuncie o site falso. Comunique ao TSE pelos canais oficiais e à Polícia Federal, que investiga crimes cibernéticos. Quanto mais denúncias, mais rápido o endereço é tirado do ar.
Passo 5 — Fique atento a desdobramentos. Quem cai em um golpe entra em listas que são revendidas no mercado criminoso. Nos dias seguintes, redobre a atenção com ligações, mensagens e e-mails suspeitos — golpistas costumam voltar oferecendo "ressarcimento" ou "recuperação do valor", em uma segunda camada da fraude.
Passo 6 — Troque senhas e ative autenticação em duas etapas em contas sensíveis (banco, e-mail, redes sociais). Se você clicou em links desconhecidos, também vale rodar um antivírus atualizado no celular e no computador.
Como se proteger de golpes com Pix
O golpe do título eleitoral é só mais um exemplo de um padrão que se repete: fraude que usa o Pix por causa da velocidade da transferência e da dificuldade de reverter o pagamento depois. Para se blindar, incorpore alguns hábitos simples:
Desconfie de qualquer cobrança não solicitada, especialmente as que chegam com prazo apertado e valores "camarada". Órgãos públicos, bancos e empresas sérias não usam urgência artificial.
Nunca pague Pix a partir de um link. Se você precisa quitar alguma coisa, abra o aplicativo do seu banco e digite os dados manualmente ou use QR Code emitido em ambiente oficial (caixa de supermercado, maquininha física do estabelecimento, nota fiscal de verdade).
Confira sempre o nome do recebedor antes de confirmar o Pix. O aplicativo mostra, antes da transferência, para quem o valor vai. Se é uma "taxa do TSE" mas o destinatário é João da Silva ou Comércio XPTO ME, é golpe.
Use limites baixos de Pix noturnos e para contatos não cadastrados. O Banco Central permite que você configure limites diferentes por horário e por destinatário. Isso reduz muito o estrago caso você caia em um golpe de pressão.
Cadastre apenas as chaves Pix que você realmente usa e revise periodicamente. Quanto menos exposição, melhor.
Converse com familiares, principalmente idosos. Aposentados e pessoas com pouca familiaridade com tecnologia são alvo preferencial. Explicar o golpe antes que ele aconteça é a melhor defesa — se o parente souber que o TSE não cobra Pix, dificilmente cairá.
Resumo prático: o que você precisa lembrar
Se tiver que guardar poucas frases deste texto, guarde estas:
- O TSE não cobra pelo título de eleitor nem por sua regularização.
- Qualquer site com domínio diferente de tse.jus.br que peça pagamento é falso.
- Ver seu nome e CPF corretos em uma página não é prova de que ela é oficial — seus dados estão em vazamentos antigos.
- Pix para pessoa física ou empresa desconhecida "em nome do TSE" é golpe, sempre.
- Se já pagou, acione o banco no mesmo dia e peça o MED do Pix, registre B.O. e denuncie.
O próximo passo, se você quer tirar qualquer dúvida real sobre sua situação eleitoral, é simples: abra o navegador, digite tse.jus.br com as próprias mãos e consulte lá. É gratuito, é oficial e não vai cobrar um centavo de você.
Referências
- Tribunal Superior Eleitoral — informações oficiais sobre gratuidade dos serviços de título de eleitor (tse.jus.br)
- Banco Central do Brasil — Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, Resolução BCB nº 103/2021
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu comentário
Publicamos após revisão da equipe. Campos com asterisco são obrigatórios.
📩 Gostou? Receba mais como este
Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.
Leia também em Golpes
Ver todos →
Golpe da Falsa Central: banco terá que devolver R$ 200 mil a idoso
Justiça de SP condenou banco a devolver cerca de R$ 200 mil a idoso vítima do golpe da falsa central. Veja seus direitos e como se proteger.
Rita Cavalcanti
19 de set. de 2026

Bancos vão cruzar dados com operadoras para travar golpes no Pix
Nova camada antifraude cruza informações bancárias com dados das operadoras, como troca recente de chip e tempo de linha, para barrar Pix suspeitos.
Rita Cavalcanti
16 de set. de 2026
Golpe da prova de vida do INSS: como se proteger
Criminosos se passam pelo INSS e ameaçam cortar o benefício para aplicar o golpe da prova de vida. Veja os sinais de fraude e como se proteger.
Rita Cavalcanti
16 de set. de 2026