Mutirão do INSS abre 12,7 mil vagas para perícia médica
Ação extraordinária busca encurtar a fila de segurados que aguardam auxílio-doença, aposentadoria por incapacidade e BPC; agendamento é feito pelo Meu INSS.
Anderson Coelho
📖 8 min de leitura
Resumo em 30 segundos
- O INSS abriu um mutirão com 12,7 mil vagas extras para perícia médica presencial, perícia documental e avaliação social.
- A ação atende prioritariamente quem já tem requerimento em aberto; pedidos novos continuam no fluxo normal das agências.
- O agendamento é gratuito e feito pelo aplicativo ou site Meu INSS e pela Central 135 — não existe 'vaga paga' no mutirão.
- Faltar à perícia sem justificativa leva ao indeferimento do pedido e obriga o segurado a reabrir o processo do zero.
Quem está há meses esperando uma perícia médica ou uma avaliação social do INSS pode conseguir atendimento mais rápido nas próximas semanas. O instituto abriu um mutirão com 12,7 mil vagas extras para desafogar a fila de atendimentos que ficou represada ao longo de 2026. A iniciativa envolve perícias presenciais, perícias documentais e avaliações sociais do serviço social — justamente os três gargalos que mais atrasam a concessão de benefícios por incapacidade e do BPC/LOAS.
A seguir, você entende quem pode participar, como se inscrever pelo Meu INSS, quais documentos levar e o que acontece se o segurado faltar à data marcada. O passo a passo é importante: as vagas são limitadas e, pelo histórico das edições anteriores do programa, costumam ser preenchidas em poucos dias.
O que é o mutirão do INSS e por que ele foi aberto agora
O mutirão é uma operação extraordinária em que o INSS convoca peritos médicos federais e assistentes sociais para fazer, em dias específicos e muitas vezes em horários estendidos, atendimentos que seriam realizados na rotina normal das agências. A ideia é simples: usar sábados, turnos adicionais e agendas de reforço para "zerar" os processos que estão esperando há mais tempo.
Nesta edição, foram disponibilizadas 12,7 mil vagas adicionais em todo o país. O foco são três tipos de atendimento:
- Perícia médica presencial, exigida para auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) e aposentadoria por incapacidade permanente;
- Perícia médica documental (PMF Documental), feita por análise de laudos, sem necessidade de o segurado comparecer à agência;
- Avaliação social, obrigatória, por exemplo, no Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) para pessoas com deficiência.
O movimento acontece porque, mesmo com a contratação de novos peritos federais, a fila de perícias ainda está acima do que o próprio INSS considera aceitável. Enquanto o segurado espera, ele fica sem o benefício — e, em muitos casos, sem conseguir trabalhar. É aí que o mutirão entra: ele cria agenda nova, exclusiva, só para quem já tem requerimento em aberto.
Quem pode participar do mutirão de perícia e avaliação social
O mutirão não é para pedidos novos. Ele atende, prioritariamente, quem já protocolou o requerimento e está aguardando a análise. De forma geral, podem ser convocados ou se candidatar ao agendamento extra:
- Segurados com pedido de auxílio por incapacidade temporária aguardando perícia;
- Segurados com pedido de aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez);
- Pessoas com deficiência que pediram o BPC/LOAS e aguardam avaliação social e/ou médica;
- Beneficiários em revisão de incapacidade (quando o INSS reavalia se o segurado continua incapaz para o trabalho);
- Pedidos de prorrogação ou reconsideração de auxílio por incapacidade.
Um ponto importante: o BPC/LOAS é um benefício assistencial e muitas pessoas acreditam que isso impede outros direitos previdenciários — não impede. Inclusive, no que diz respeito a crédito, a lei não proíbe que quem recebe BPC/LOAS contrate consignado; o que ocorre é que, com o aumento de revisões e cessações desse benefício em 2026, parte das instituições financeiras recuou na oferta.
Portanto, se você está em dia com o INSS e for convocado para avaliação, comparecer é essencial para manter o benefício ativo [REG].
Quem foi convocado por carta, SMS ou mensagem no aplicativo Meu INSS deve conferir a data proposta. Já quem está apenas esperando sem data definida pode tentar se encaixar nas vagas abertas pelo próprio portal.
Como agendar o atendimento pelo Meu INSS: passo a passo
O agendamento é feito 100% pelos canais oficiais do INSS. Não pague a ninguém que ofereça "vaga garantida" no mutirão — isso é golpe. O caminho correto é:
- Acesse o aplicativo ou site Meu INSS (meu.inss.gov.br) com seu login do Gov.br;
- No campo de busca, digite o nome do serviço que você precisa (por exemplo, "perícia inicial" ou "avaliação social BPC");
- Clique em Agendar e selecione a agência mais próxima;
- O sistema vai mostrar as datas disponíveis — as vagas do mutirão aparecem junto com as datas normais, sem identificação separada;
- Confirme e salve o comprovante com protocolo, data e horário.
Quem não tem familiaridade com o aplicativo pode ligar na Central 135, de segunda a sábado, das 7h às 22h. O atendente consegue agendar o mesmo tipo de atendimento, sem custo para o segurado.
Se você já tem uma data marcada e ela está muito distante, vale olhar o Meu INSS periodicamente: conforme o mutirão libera vagas, é possível antecipar o atendimento por reagendamento.
Documentos que o segurado precisa levar
Comparecer sem a documentação completa é uma das principais causas de perícia perdida. Para a perícia médica presencial, leve:
- Documento oficial com foto (RG, CNH ou carteira de trabalho);
- CPF;
- Todos os laudos, exames, receitas e atestados da doença alegada, de preferência dos últimos 12 meses;
- Relatório médico atualizado, com CID, data de início da incapacidade e indicação do tempo estimado de afastamento;
- Se for celetista: cópia da comunicação de afastamento feita pela empresa.
Para a avaliação social (BPC e revisões), além dos documentos de identificação, é importante levar comprovantes que ajudem a demonstrar a composição familiar e a renda: comprovante de residência, documentos dos demais moradores da casa e comprovantes de rendimentos de todos (holerites, extratos do INSS, Bolsa Família etc.).
Na perícia documental, não há deslocamento: o próprio segurado anexa os laudos pelo Meu INSS, e um perito analisa à distância. Se os documentos forem insuficientes, o pedido é convertido em perícia presencial — por isso, capriche no envio desde a primeira tentativa.
O que acontece se o segurado faltar à perícia agendada
Faltar à perícia sem justificativa tem consequência direta: o pedido é indeferido por não comparecimento e o segurado precisa reabrir o processo do zero, voltando para o fim da fila. No caso de quem já recebe o benefício e é chamado para revisão, a ausência pode levar à suspensão e, se persistir, à cessação do pagamento.
Se houver motivo justo para faltar (internação, impossibilidade de locomoção, falecimento na família), é possível reagendar pelo Meu INSS ou pela Central 135 dentro do prazo informado na convocação, apresentando o comprovante. Perder essa janela, no entanto, costuma significar recomeçar o requerimento.
Um detalhe que escapa a muitos segurados: a data de início do benefício (DIB), em caso de deferimento, costuma ser contada a partir do requerimento original. Ou seja, mesmo que a perícia demore, o pagamento retroage. Mas isso só vale se o pedido continuar vivo — e ele "morre" se o segurado não comparecer. Por isso, mesmo quem desconfia que a perícia pode negar o benefício deve ir: perder a data é perder o próprio histórico de espera.
Fila do INSS, prazos e impacto prático para o segurado
As ações de mutirão não acabam, sozinhas, com a fila de perícias — mas aliviam. O INSS tem prazos legais para analisar cada tipo de requerimento, estabelecidos em acordos judiciais e em norma interna. Quando esses prazos estouram, o segurado pode:
- Registrar reclamação na Ouvidoria do INSS, pelo Meu INSS ou pelo 135;
- Pedir tutela judicial para obrigar a realização da perícia, com apoio da Defensoria Pública ou de advogado próprio;
- Em casos específicos, solicitar o auxílio por incapacidade por atestado, mecanismo que permite concessão provisória com base em laudo médico, sem perícia presencial, dentro de regras definidas pelo INSS.
A abertura de 12,7 mil vagas extras não substitui a agenda regular: ela se soma a ela. Portanto, mesmo quem não conseguir vaga no mutirão continua com a data já marcada. O recado é: fique de olho no Meu INSS nos próximos dias, porque a oferta de novas datas tende a ser atualizada semanalmente conforme as agências encaixam peritos e assistentes sociais na operação extraordinária.
Resumo prático: o que fazer ainda esta semana
Se você está esperando perícia médica ou avaliação social, o próximo passo é objetivo:
- Entre no Meu INSS e confira se já há data marcada;
- Se já há data, confirme e separe os documentos com antecedência;
- Se não há data ou se ela está muito distante, procure reagendar usando as vagas do mutirão;
- Guarde o número do protocolo — ele é a sua prova de que o pedido está em andamento;
- Desconfie de qualquer pessoa que ofereça "vaga paga": o INSS não cobra por perícia nem por avaliação social.
A fila do INSS ainda é longa, mas, com a nova leva de vagas, parte dos segurados vai conseguir resolver em semanas o que estava parado há meses. Vale aproveitar.
Referências
- Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — Portal oficial (gov.br/inss)
- Ministério da Previdência Social — Portal oficial (gov.br/previdencia)
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