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Câmara aprova adicional de fronteira de R$ 191/dia em 2027

Projeto aprovado em outubro de 2026 reajusta o benefício pago a servidores que trabalham na faixa de fronteira e amplia o rol de carreiras com direito ao valor.

Rita Cavalcanti

📖 9 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de outubro de 2026 o reajuste do adicional de fronteira para R$ 191 por dia, com vigência prevista a partir de 2027.
  • A proposta também amplia o rol de carreiras federais com direito ao benefício na faixa de fronteira.
  • O adicional só é devido a servidores federais em efetivo exercício em municípios dentro da faixa de 150 km definida pela Lei nº 6.634/1979.
  • A entrada em vigor ainda depende de aprovação pelo Senado Federal, sanção presidencial e publicação no Diário Oficial da União.

Introdução

O adicional de fronteira voltou ao centro do debate no Congresso. Em votação realizada no plenário da Câmara dos Deputados em 27 de outubro de 2026, os parlamentares aprovaram alterações nas regras do benefício pago a servidores públicos federais que atuam em municípios situados na chamada faixa de fronteira — a área de 150 quilômetros de largura ao longo das divisas terrestres do país. A proposta reajusta o valor diário do adicional para R$ 191 a partir de 2027 e amplia o rol de carreiras com direito ao pagamento.

A mudança tem impacto direto no bolso de milhares de servidores que vivem e trabalham em regiões consideradas estratégicas para a segurança nacional, para o controle sanitário e para a prestação de serviços públicos essenciais em municípios distantes dos grandes centros.

Enfermeiros, agentes de fiscalização, técnicos e outros profissionais que atuam em cidades fronteiriças tendem a receber complemento salarial para compensar as dificuldades de morar nesses locais — custo de vida elevado, oferta reduzida de serviços e, em muitos casos, exposição a risco.

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Se você é servidor público federal, concursando que estuda para vagas em regiões de fronteira, ou simplesmente acompanha a execução do orçamento da União, este guia reúne o que mudou, quem é beneficiado, como o adicional é calculado e quais são os próximos passos até a entrada em vigor da nova regra. O conteúdo é baseado nos termos da proposta aprovada e nas regras legais atualmente em vigor para a faixa de fronteira.

A seguir, você entenderá o que é o adicional, qual era o valor antes da votação, quais carreiras passam a ter direito, como o pagamento é feito na prática e o que ainda falta para que o reajuste tenha validade.

O que é o adicional de fronteira e quem tem direito

O adicional de fronteira é uma gratificação paga a servidores públicos federais em efetivo exercício em municípios situados na faixa de fronteira. A faixa de fronteira é definida como a área de 150 quilômetros de largura paralela à linha divisória terrestre do território nacional, conforme a Lei nº 6.634/1979. Essa região abrange mais de 580 municípios distribuídos por 11 estados brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Amapá.

O benefício foi criado para enfrentar um problema histórico: a dificuldade de atrair e manter profissionais qualificados em cidades afastadas dos centros urbanos, com infraestrutura limitada, custo de vida elevado por conta do isolamento logístico e, muitas vezes, risco adicional pela proximidade com rotas de crimes transfronteiriços.

Sem incentivo financeiro, muitos cargos ficavam vagos ou com alta rotatividade.

Quem recebe atualmente

Até a aprovação da nova regra, o adicional alcançava, principalmente, carreiras ligadas a:

  • Fiscalização e vigilância sanitária;
  • Saúde pública;
  • Segurança e controle de fronteira;
  • Atividades agropecuárias de competência federal.

Requisito básico: efetivo exercício

Para receber o adicional, o servidor precisa estar em efetivo exercício no município situado dentro da faixa de 150 quilômetros. Não basta estar lotado administrativamente: a lei exige a presença e o desempenho das atribuições no local. Afastamentos prolongados, cessões para outros órgãos fora da faixa e licenças sem vínculo com o cargo tendem a suspender o pagamento.

O que mudou com a aprovação na Câmara em outubro de 2026

A votação de 27 de outubro de 2026 no plenário da Câmara dos Deputados aprovou dois pontos centrais sobre o adicional de fronteira:

  1. Reajuste do valor diário para R$ 191, com vigência prevista a partir de 2027;
  2. Ampliação do rol de carreiras com direito ao benefício, estendendo o pagamento a categorias que até então estavam fora da regra.

Qual era o valor anterior

Por que o reajuste veio agora

A pressão por recomposição do valor é antiga. O adicional, quando permanece congelado por vários anos, perde poder de compra diante da inflação, o que reduz sua eficácia como incentivo. A proposta aprovada na Câmara responde a uma demanda apresentada por categorias de servidores que atuam em regiões fronteiriças e que vinham cobrando atualização do benefício em negociações salariais.

Entrada em vigor

O novo valor de R$ 191/dia passa a valer a partir de 2027. A implementação, porém, depende da conclusão do trâmite legislativo e da sanção presidencial — pontos tratados mais adiante.

Novo valor: quanto um servidor pode receber por mês

O adicional é pago por dia de efetivo exercício na faixa de fronteira. Isso significa que o valor mensal depende da quantidade de dias trabalhados no local coberto pela regra.

Tomando como base o novo valor diário de R$ 191, é possível estimar diferentes cenários:

  • Em um mês com 20 dias úteis de exercício: R$ 191 × 20 = R$ 3.820;
  • Em um mês com 22 dias úteis: R$ 191 × 22 = R$ 4.202;
  • Em um mês com 30 dias (quando a regra aplicável contempla todos os dias do mês): R$ 191 × 30 = R$ 5.730.

O adicional conta para outras verbas?

Uma dúvida comum entre servidores é se o adicional de fronteira integra a base de cálculo de outras verbas, como férias, 13º salário e contribuição previdenciária.

Carreiras ampliadas: quem passa a ter direito

Um dos pontos mais relevantes da proposta aprovada é a ampliação das carreiras beneficiadas. A medida reconhece que o esforço de ocupação e prestação de serviço público em regiões de fronteira envolve profissionais de áreas que, até agora, não eram contempladas pelo adicional.

Por que essa ampliação importa

A inclusão de novas carreiras no benefício produz dois efeitos práticos:

  • Para o servidor: aumento imediato da remuneração mensal daqueles que já estão lotados em municípios fronteiriços;
  • Para o serviço público: maior atratividade para preenchimento de vagas em regiões onde a lotação costuma ser difícil, com redução de rotatividade e de postos vagos.

A expectativa é que a ampliação ajude a estabilizar equipes em áreas de difícil provimento, especialmente em cidades pequenas da Amazônia e do Centro-Oeste, onde a oferta de serviços federais costuma depender de poucos servidores.

Quem não passa a receber

Servidores públicos estaduais e municipais não são alcançados pela regra federal. O adicional de fronteira tratado na proposta é um benefício da administração pública federal. Governos estaduais podem ter adicionais próprios, com regras e valores distintos, definidos por legislação local.

Faixa de fronteira: quais regiões estão abrangidas

A Lei nº 6.634/1979 define a faixa de fronteira como a área de 150 quilômetros de largura ao longo da linha divisória terrestre do Brasil com os países vizinhos. Essa região é considerada fundamental para a defesa do território nacional e está sujeita a regras especiais de ocupação do solo, concessão de terras e atuação econômica.

Estados cortados pela faixa de fronteira

A faixa alcança territórios dos seguintes estados:

  • Rio Grande do Sul;
  • Santa Catarina;
  • Paraná;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Mato Grosso;
  • Rondônia;
  • Acre;
  • Amazonas;
  • Roraima;
  • Pará;
  • Amapá.

Ao todo, mais de 580 municípios se encontram, total ou parcialmente, dentro dessa faixa. Isso significa que o adicional pode beneficiar servidores em cidades com perfis muito distintos — desde municípios médios do Sul até pequenas localidades isoladas na Amazônia.

Como saber se o município está na faixa

A relação oficial dos municípios situados na faixa de fronteira é mantida pelo governo federal. O enquadramento considera a localização geográfica do município e não a existência de posto de fronteira ou de passagem internacional. Mesmo cidades sem travessia direta para outro país podem estar dentro da faixa, desde que fiquem dentro dos 150 quilômetros contados da linha divisória.

Próximos passos: Senado, sanção e vigência em 2027

A aprovação pelo plenário da Câmara dos Deputados em 27 de outubro de 2026 é uma etapa decisiva, mas não é a última. Para que o novo valor e a ampliação das carreiras entrem em vigor, o projeto ainda precisa cumprir as fases seguintes do processo legislativo.

Etapas pendentes

  • Análise no Senado Federal: o texto aprovado na Câmara segue para apreciação dos senadores, que podem aprovar, rejeitar ou alterar a proposta. Em caso de alteração, o projeto retorna à Câmara;
  • Sanção presidencial: uma vez aprovado pelas duas Casas, o texto vai à sanção. O presidente pode sancionar integralmente, vetar parcialmente ou vetar o projeto todo;
  • Publicação no Diário Oficial da União: só com a publicação a norma passa a produzir efeitos jurídicos;
  • Regulamentação, se necessária: parte dos efeitos pode depender de ato do Poder Executivo detalhando a aplicação da regra.

Impacto no orçamento da União

Qualquer ampliação de despesa obrigatória com pessoal precisa observar o arcabouço fiscal e as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. O reajuste do adicional e a inclusão de novas carreiras tendem a aumentar o gasto da União com folha de pagamento.

Conclusão

A aprovação, pelo plenário da Câmara dos Deputados, do reajuste do adicional de fronteira para R$ 191/dia a partir de 2027 e da ampliação das carreiras beneficiadas é um movimento relevante para a política de pessoal da União. A medida reconhece o esforço dos servidores que atuam em regiões de difícil provimento e tenta corrigir distorções acumuladas pela defasagem do valor ao longo dos anos.

Pontos principais que você precisa guardar:

  • O adicional de fronteira é pago a servidores federais em efetivo exercício em municípios situados na faixa de 150 km definida pela Lei nº 6.634/1979;
  • O novo valor de R$ 191/dia passa a valer em 2027, se confirmado pelo Senado e sancionado;
  • A proposta amplia o rol de carreiras com direito ao benefício;
  • O servidor estadual e municipal não é alcançado por essa regra federal;
  • A entrada em vigor depende da conclusão do trâmite legislativo e da publicação no Diário Oficial da União.

Próximo passo prático: se você é servidor público federal ou está prestando concurso para carreira com atuação em região de fronteira, acompanhe a tramitação do projeto no Senado Federal e consulte a área de recursos humanos do seu órgão para verificar o enquadramento do seu cargo e do município de lotação. Em caso de reajustes ou inclusões, o pagamento costuma ser automatizado após a entrada em vigor da norma, mas vale conferir o contracheque nos meses seguintes à publicação.

Continue acompanhando nossas atualizações para saber, assim que for publicada, a data oficial em que o novo valor começa a ser pago e a lista final das carreiras beneficiadas.

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Perguntas frequentes

O adicional de fronteira é pago a todo servidor que mora em cidade de fronteira?

Não. O requisito legal é o efetivo exercício do cargo em município situado dentro da faixa de 150 quilômetros definida pela Lei nº 6.634/1979. Morar na cidade não gera direito ao adicional se o local de trabalho fica fora da faixa, e vice-versa. Além disso, o servidor precisa ocupar cargo em carreira que esteja prevista como beneficiária da gratificação — ponto que foi justamente ampliado pela proposta aprovada em 27 de outubro de 2026.

Servidor estadual ou municipal também recebe os R$ 191/dia?

Não. O valor de R$ 191/dia a partir de 2027 vale para servidores públicos federais alcançados pela regra. Estados e municípios podem ter adicionais próprios, com legislação específica e valores distintos. Para saber se há benefício equivalente no serviço público estadual ou municipal, é preciso consultar a legislação do respectivo ente.

O novo valor já vale em novembro de 2026?

Não. O reajuste para R$ 191/dia tem vigência prevista para 2027 e ainda depende da conclusão do trâmite no Senado Federal e da sanção presidencial. Até a entrada em vigor, continua valendo o valor anterior. É importante acompanhar a publicação oficial no Diário Oficial da União para confirmar a data exata em que o novo valor passa a ser pago.

Quem está afastado por licença continua recebendo o adicional?

Como regra geral, o adicional é pago em função do efetivo exercício do cargo na faixa de fronteira. Afastamentos sem relação direta com o desempenho das atribuições no local tendem a suspender o pagamento.

Referências

  • Câmara dos Deputados — votação em plenário de 27/10/2026 sobre o adicional de fronteira
  • Lei nº 6.634, de 2 de maio de 1979 (Planalto) — define a faixa de fronteira de 150 km

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