IBS+CBS pode chegar a 28% em 2033, projeta CGIBS
CGIBS estima que soma de IBS e CBS pode alcançar 28% em 2033, acima da média da OCDE. Entenda o impacto no seu bolso e nas compensações previstas.
Tatiana Botelho
A conta da reforma tributária começa a ganhar números concretos. Uma estimativa apresentada pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS) indica que, quando a nova cobrança estiver totalmente implantada, em 2033, a soma do IBS com a CBS pode alcançar cerca de 28%. Segundo o próprio CGIBS, esse patamar colocaria o Brasil acima da média cobrada pelos países da OCDE em tributos semelhantes sobre o consumo. Para quem paga as contas todo mês, a pergunta é direta: isso vai encarecer o que compro no mercado, na farmácia ou na conta de luz?
Nesta matéria, você vai entender de onde vem essa projeção, o que ela representa em comparação com o resto do mundo, por que ela afeta especialmente quem vive com renda apertada — aposentado do INSS, trabalhador CLT e famílias de baixa renda — e o que já está previsto para tentar suavizar o impacto no dia a dia.
O que são IBS e CBS e por que a alíquota é o número mais importante da reforma
A reforma tributária sobre o consumo substitui cinco tributos antigos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a CBS, de competência federal, e o IBS, que fica com estados e municípios. A ideia, no papel, é simplificar: em vez de várias cobranças em cascata, com regras diferentes em cada estado, o consumidor passa a pagar uma cobrança única sobre o preço final do produto ou serviço.
O ponto sensível é justamente a alíquota — ou seja, o percentual que será somado ao preço. Como a reforma foi desenhada para ser "neutra em arrecadação" (o governo não pode arrecadar mais nem menos do que arrecada hoje), esse percentual precisa ser calculado com base no que o Estado brasileiro já recolhe. É aí que entra a projeção de 28% divulgada pelo CGIBS: esse seria o patamar necessário para manter a arrecadação atual quando o novo sistema estiver plenamente em vigor, em 2033.
É importante entender uma coisa: essa alíquota não é um imposto "a mais" que aparece do nada. Ela substitui tributos que hoje já estão embutidos no preço — só que hoje ficam escondidos e diluídos. A diferença é que, no novo sistema, o valor virá destacado na nota, tornando visível quanto o consumidor efetivamente paga de imposto em cada compra.
Por que a estimativa chegou a 28% e não menos
O desenho da reforma prevê um mecanismo de trava para evitar que a alíquota dispare. Ainda assim, o cálculo apresentado pelo Comitê Gestor do IBS aponta para um patamar próximo de 28% quando os tributos antigos estiverem totalmente substituídos, em 2033.
Essa conta considera fatores como o volume de setores que terão tratamento diferenciado (alíquota reduzida ou zerada), o tamanho da cesta básica que fica isenta e o custo do próprio cashback — o mecanismo de devolução parcial do imposto para famílias de baixa renda. Quanto mais exceções e benefícios o sistema precisa bancar, maior tende a ser a alíquota geral cobrada de quem não se enquadra nesses grupos.
Ou seja: cada setor que consegue pagar menos empurra a alíquota-padrão para cima. É uma matemática simples de compensação — se um lado paga menos, o outro lado precisa pagar mais para o total fechar.
Como o Brasil se compara à OCDE nesse tipo de imposto
A comparação com a OCDE é o que mais chama atenção na projeção. Segundo o CGIBS, os 28% projetados ficariam acima da média cobrada pelos países-membros da OCDE em tributos equivalentes sobre o consumo. Na prática, isso significaria que o Brasil passaria a ter uma das cargas mais altas do mundo nesse tipo específico de cobrança — o chamado IVA (Imposto sobre Valor Agregado), modelo em que IBS e CBS se inspiram.
Essa constatação alimenta um debate importante: o problema do Brasil nunca foi só a complexidade do sistema tributário, mas também o tamanho da carga que recai sobre quem consome. Diferente de países que arrecadam mais via imposto de renda de altas rendas e patrimônio, o Brasil concentra boa parte da arrecadação sobre o consumo — e o consumo pesa proporcionalmente mais no orçamento de quem ganha menos.
O impacto real para o aposentado do INSS, o trabalhador CLT e a família de baixa renda
Aqui está o ponto que interessa diretamente ao seu bolso. Quando o imposto está no preço de tudo que se compra, ele funciona de forma regressiva — quem ganha menos gasta praticamente toda a renda em consumo, então praticamente toda a renda é tributada. Já quem ganha mais poupa e investe uma parte, e essa parte não sofre a mesma incidência.
Para três perfis muito comuns entre os leitores deste portal, o efeito prático de uma alíquota próxima de 28% pode ser sentido assim:
- Aposentado ou pensionista do INSS: vive de renda fixa, corrigida por regras próprias de reajuste. Se o preço final dos produtos e serviços sofrer qualquer repasse — mesmo temporário durante a transição —, o poder de compra do benefício cai. Itens que estão fora da cesta básica ampliada, como pequenos serviços do dia a dia, tendem a ser os mais sensíveis.
- Trabalhador CLT de renda média: costuma ficar de fora tanto dos benefícios sociais quanto das isenções específicas. É o chamado "miolo" da tributação — paga a alíquota cheia em quase tudo que consome, sem receber cashback nem redução setorial.
- Família de baixa renda inscrita no CadÚnico: é o público-alvo do cashback previsto na reforma, que devolve parte do imposto pago em itens essenciais como energia, gás e alimentos. Para esse grupo, o efeito líquido pode até ser positivo, dependendo de como a devolução for calibrada.
A mensagem prática: quanto mais próximo você estiver da média da renda brasileira sem estar no CadÚnico, mais provável é sentir o repasse no preço.
Cashback, cesta básica e as compensações previstas
A reforma não vem sem contrapartidas. O texto aprovado prevê três grandes mecanismos para amortecer o impacto sobre quem tem menos:
- Cesta básica nacional com alíquota zero, cobrindo alimentos considerados essenciais.
- Alíquotas reduzidas para setores sensíveis, como saúde, educação, transporte público e produtos agropecuários.
- Cashback (devolução de imposto) para famílias inscritas no CadÚnico, com percentuais maiores em itens como energia elétrica e gás de cozinha.
Esses mecanismos existem justamente porque o desenho reconhece que uma alíquota geral alta, sem filtros, penalizaria demais os mais pobres. O desafio, contudo, é operacional: para o cashback funcionar, o consumidor precisa estar com CPF cadastrado, o CadÚnico atualizado e a nota fiscal registrada corretamente no ato da compra.
O que fazer agora: educação financeira e atenção à nota fiscal
A plena vigência do novo sistema está prevista para 2033, mas a transição já começou e vai avançando por etapas nos próximos anos. Isso significa que a fatura da reforma não chega de uma vez — ela vai se acomodando no preço aos poucos.
Algumas atitudes práticas que valem começar desde já:
- Manter o CadÚnico atualizado, se sua família se enquadra nos critérios de baixa renda. Sem cadastro em dia, o cashback simplesmente não é pago.
- Guardar o CPF nas notas fiscais, sempre. É pelo CPF na nota que o sistema identifica quem tem direito à devolução.
- Observar o destaque do imposto no cupom, quando a fase de transição obrigar a exibição. Esse será o principal sinal de quanto de fato está sendo pago em tributos sobre consumo.
- Reforçar o controle do orçamento doméstico, principalmente para quem vive de renda fixa como o benefício do INSS.
A projeção de 28% divulgada pelo CGIBS ainda é uma estimativa, sujeita a ajustes à medida que a regulamentação for detalhada. Mas o recado central já está dado: o Brasil caminha para ter uma das alíquotas de consumo mais altas do mundo, e será cada vez mais importante que o consumidor entenda o que está pagando — e que use, quando tiver direito, os mecanismos de compensação previstos em lei.
Referências
- Portal Contábeis — "Reforma tributária: alíquota pode chegar a 28% em 2033". Disponível em: https://www.contabeis.com.br/noticias/78607/reforma-tributaria-aliquota-pode-chegar-a-28-em-2033/
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu comentário
📩 Gostou? Receba mais como este
Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.