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Sebrae-RJ: fim da escala 6x1 afetaria 2,6 mi no Rio

Levantamento usa base da Rais 2025 para dimensionar quantos empregos formais fluminenses dependem hoje do modelo de seis dias trabalhados por um de folga.

Rita Cavalcanti

📖 8 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • Levantamento do Sebrae-RJ estima em 2,6 milhões o número de trabalhadores formais no Rio de Janeiro sob a escala 6x1.
  • O cálculo usa como base os dados da Rais 2025, registro oficial mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
  • O contingente concentra-se em serviços e comércio e, sobretudo, em micro e pequenas empresas acompanhadas pelo Sebrae.
  • Enquanto a PEC que proíbe a escala 6x1 não é aprovada e promulgada, as jornadas atuais e os direitos vigentes permanecem válidos.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou um recorte regional. Um levantamento do Sebrae-RJ, construído a partir dos dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), estima que cerca de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no estado do Rio de Janeiro estão hoje submetidos ao regime de seis dias de trabalho por um de folga.

É esse contingente que seria diretamente impactado caso a Proposta de Emenda à Constituição que extingue esse formato de jornada seja aprovada no Congresso.

O dado é significativo porque, pela primeira vez, traz um recorte estadual que vai além da discussão nacional. Até aqui, o debate sobre a PEC da escala 6x1 girava em torno de estimativas gerais sobre o mercado de trabalho brasileiro. Agora, com o estudo do Sebrae no Rio, é possível visualizar o tamanho real do universo afetado em um dos maiores mercados consumidores e empregadores do país.

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Nesta reportagem, você vai entender quem são esses trabalhadores, por que o tema voltou à pauta e o que a mudança pode significar na prática.

O que diz o levantamento do Sebrae-RJ sobre o impacto no estado

O estudo do Sebrae-RJ cruzou os registros formais da Rais com informações sobre jornada declarada pelos empregadores para chegar à cifra de 2,6 milhões de trabalhadores fluminenses sob o modelo 6x1. Esse número representa, e concentra-se sobretudo em atividades de atendimento ao público, que operam sete dias por semana e dependem de escalas rotativas para cobrir o horário comercial estendido.

Ainda segundo o levantamento, o perfil predominante é de trabalhadores em cargos operacionais, com faixa salarial e idade média. O estudo também mapeia a distribuição por porte de empresa, destacando que a maior fatia desses postos está em micro e pequenos negócios — justamente o segmento acompanhado de perto pelo Sebrae.

A leitura regional importa porque o Rio de Janeiro tem uma economia fortemente apoiada em serviços e turismo, segmentos em que a escala 6x1 é padrão operacional. Qualquer alteração nessa regra, portanto, teria efeito mais intenso no estado do que em regiões com matriz econômica mais industrial ou agrícola.

Como funciona hoje a escala 6x1 no Brasil

A escala 6x1 é o modelo em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de jornada e tem direito a um dia de folga, geralmente dentro do limite de 44 horas semanais previsto na Constituição Federal. Na prática, é a jornada típica de quem trabalha no comércio, em supermercados, farmácias, lanchonetes, bares, restaurantes, hotelaria, postos de combustíveis, segurança, limpeza e boa parte do setor de serviços.

Essa configuração convive com outras possibilidades previstas em lei e em convenções coletivas, como as escalas 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de folga), 12x36 (doze horas trabalhadas por trinta e seis de descanso) e os turnos ininterruptos de revezamento. A escolha do modelo depende da atividade, do acordo coletivo da categoria e, muitas vezes, da negociação direta com o empregador.

O ponto central é que, hoje, a Constituição estabelece como limite 44 horas semanais e assegura um dia de descanso remunerado por semana — mas não proíbe o encadeamento de seis dias consecutivos de trabalho antes dessa folga. É exatamente esse arranjo que a PEC em discussão quer modificar.

O que propõe a PEC do fim da escala 6x1

A Proposta de Emenda à Constituição em debate no Congresso prevê a redução da jornada semanal e a limitação do número de dias consecutivos de trabalho, inviabilizando, na prática, a escala 6x1. O objetivo declarado é ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores, reduzir adoecimentos ligados ao excesso de jornada e aproximar o Brasil de modelos adotados em outros países que já discutem semanas de quatro dias.

A proposta ainda precisa cumprir todas as etapas de tramitação próprias de uma PEC: análise pela Comissão de Constituição e Justiça, aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e, depois, dois turnos no Senado, com quórum qualificado de três quintos em cada votação. Ou seja, não é uma mudança de aplicação imediata — mas a pressão política em torno do tema cresceu nos últimos meses, e levantamentos como o do Sebrae-RJ passam a alimentar o debate com dados concretos.

Enquanto a PEC não é votada, continuam valendo as regras atuais da CLT e da Constituição, inclusive os limites de jornada, o pagamento de horas extras acima da jornada contratual e o adicional noturno quando aplicável.

Setores e perfis mais afetados no Rio de Janeiro

O desenho do mercado de trabalho fluminense ajuda a explicar por que o estado aparece com um contingente tão grande sob a escala 6x1. Comércio varejista, serviços de alimentação, hospedagem, transporte de passageiros, serviços pessoais e segurança privada são setores que, por natureza, operam em horário estendido e nos fins de semana — e, por isso, recorrem ao modelo de seis dias trabalhados por um de folga.

Segundo o recorte do Sebrae-RJ, as atividades com maior concentração de trabalhadores nessa escala estão em. Em termos de porte de empresa,. O estudo também aponta que.

Para o trabalhador, o que está em jogo é concreto: um dia extra de descanso por semana significaria mais tempo para a família, estudos e cuidados com a saúde, mas pode exigir reorganização de contratos, bancos de horas e, em alguns casos, novas contratações para cobrir a mesma operação. Para o empregador, especialmente o pequeno negócio, o desafio é equilibrar o custo da folha com a continuidade do atendimento ao cliente.

Impactos possíveis para pequenos negócios e para a renda do trabalhador

Um dos pontos mais sensíveis do debate é o efeito sobre os pequenos negócios, que empregam a maior parte dos trabalhadores em escala 6x1 no estado. A redução da jornada e dos dias consecutivos de trabalho pode exigir contratação adicional, revisão de turnos e renegociação de acordos coletivos — custos que, para um comércio de bairro ou um restaurante familiar, não são triviais.

Por outro lado, há argumentos de que a mudança pode trazer ganhos de produtividade e redução de afastamentos por doença ocupacional, especialmente em funções com alta exigência física ou de atendimento. Experiências internacionais com jornadas reduzidas apontam.

Do lado do trabalhador, o impacto na renda depende de como a transição for feita. Se a PEC vier acompanhada de regra que preserva o salário integral, o ganho é claro: mesmo rendimento com menos horas trabalhadas. Se, no entanto, a mudança abrir espaço para ajustes salariais proporcionais via negociação coletiva, parte do benefício pode ser diluído. Esse é um ponto que ainda precisa de definição no texto final da proposta e que deve concentrar boa parte da discussão nas comissões parlamentares.

Vale lembrar que, hoje, direitos como o descanso semanal remunerado, o 13º salário, as férias de 30 dias e o FGTS continuam valendo independentemente do formato da escala. A eventual aprovação da PEC não substitui essas garantias — ela mudaria o desenho da jornada semanal, não a estrutura geral da CLT.

O que esperar dos próximos passos no Congresso

Com levantamentos regionais entrando no debate, a tendência é que a discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhe densidade técnica. Até aqui, os números apresentados tinham caráter nacional e, muitas vezes, estimativo. O recorte do Sebrae-RJ, por usar como base a Rais — registro oficial mantido pelo Ministério do Trabalho —, traz um padrão de referência que outros estados podem seguir.

No Congresso, a PEC ainda depende de e precisa superar a resistência de parte do setor produtivo, que defende manter a atual flexibilidade das escalas via negociação coletiva. Entidades sindicais, por sua vez, têm pressionado pela aprovação, com atos e campanhas nas redes.

Para o trabalhador fluminense, o recado prático é duplo. Primeiro: nada muda até que a PEC seja efetivamente aprovada e promulgada — ou seja, as escalas atuais continuam válidas e os direitos ligados a elas também. Segundo: vale acompanhar as convenções coletivas da sua categoria, porque muitas vezes os ajustes de jornada e folga são negociados nesse nível antes mesmo de qualquer mudança constitucional.

Resumo prático e próximo passo

O que o estudo do Sebrae-RJ coloca na mesa é a dimensão real do tema no estado: 2,6 milhões de trabalhadores formais no Rio de Janeiro estão hoje sob a escala 6x1 e seriam afetados por uma eventual mudança constitucional. Isso representa uma fatia expressiva do emprego formal fluminense, concentrada em serviços e comércio, com peso grande dos pequenos negócios.

Se você trabalha nesse regime, o passo mais útil agora é se informar sobre a convenção coletiva da sua categoria, consultar o sindicato da sua base e acompanhar a tramitação da PEC pelos canais oficiais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Enquanto a proposta não é votada, a jornada atual permanece válida — e qualquer alteração só terá efeito após promulgação, com prazo próprio de adaptação a ser definido no texto final.

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Referências

  • Sebrae-RJ — levantamento sobre trabalhadores em escala 6x1 no estado do Rio de Janeiro, com base na Rais
  • Ministério do Trabalho e Emprego — Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2025
  • Constituição Federal — art. 7º (jornada semanal de 44 horas e descanso semanal remunerado)

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