photo of man about to jump from cliff

CBS a 11,3% em 2027: o que diz o cálculo do TCU

Nova estimativa do Tribunal de Contas da União aponta alíquota acima do que vinha sendo projetado pelo governo e preocupa famílias que já apertam o orçamento no supermercado.

Tatiana Botelho

📖 9 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • Cálculo do TCU indica que a CBS precisaria ficar em 11,3% em 2027 para arrecadar o volume previsto pelo governo.
  • A CBS substitui PIS e Cofins a partir de 2027 e, somada ao IBS, trocará cinco tributos antigos nos próximos anos.
  • Serviços como escola, plano de saúde, academia e assinaturas tendem a sentir mais o aumento; cesta básica nacional terá alíquota zero.
  • Famílias de baixa renda e assalariados são os mais sensíveis a elevações na carga sobre o consumo.

A reforma tributária entra em 2027 na sua primeira fase prática, e um novo cálculo do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe uma nova referência para a discussão sobre quanto o brasileiro vai pagar de imposto ao comprar comida, roupa, remédio ou contratar serviços do dia a dia. Segundo o levantamento do TCU, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — o novo tributo federal que começa a ser cobrado no próximo ano — precisaria ficar em 11,3% para arrecadar o que o governo prevê, patamar considerado alto por especialistas em contas públicas.

O número é importante porque a CBS é apenas uma parte do novo sistema. Ela se soma, mais à frente, ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência de estados e municípios. Juntos, CBS e IBS vão substituir cinco tributos antigos: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Para o consumidor, a conta final é a que importa — e o cálculo do TCU indica que essa conta pode subir se nada for ajustado até o fim do próximo ano.

O que você vai encontrar nesta reportagem

Nesta reportagem, você vai entender o que o TCU calculou, por que esse número é diferente do que se vinha falando, o que muda no preço do que você compra, como fica a sua cesta mensal, quem é mais afetado pelo aumento da carga sobre o consumo e o que acompanhar até a cobrança começar de fato.

Trabalha de carteira assinada? Você pode ver se o seu vínculo permite contratar o consignado CLT sem compromisso: você só segue se a condição fizer sentido.

Sethi Sociedade de Crédito Direto S.A. · CNPJ 50.946.592/0001-07 · autorizada pelo Banco Central do Brasil.

O que o TCU calculou sobre a CBS em 2027

O cálculo divulgado pelo Tribunal de Contas da União aponta que, para arrecadar o volume de recursos previsto pelo governo com a nova contribuição federal, a alíquota da CBS teria de ficar em 11,3% em 2027. O percentual é uma estimativa técnica: o TCU parte do tamanho esperado da base de consumo tributável no país e divide pelo valor que o governo precisa levantar com o tributo para fechar as contas sem perder arrecadação em relação ao sistema antigo.

A metodologia detalhada do estudo, com as premissas de PIB, inflação, massa de salários e lista de bens e serviços incluídos no cálculo, consta no relatório do próprio TCU. É esse detalhamento que diferencia o número do órgão de controle de outras projeções mais otimistas feitas anteriormente.

O ponto central é o seguinte: a alíquota da CBS não está fixada em lei de forma rígida. A legislação complementar da reforma tributária estabelece um teto geral para a soma CBS + IBS e prevê um mecanismo de revisão. Quanto mais exceções, benefícios e alíquotas reduzidas forem concedidos a determinados setores, mais alto precisa ficar o percentual pago por quem está na alíquota padrão para compensar — e esse é um dos motivos pelos quais o número calculado pelo TCU subiu.

Por que esse número preocupa o consumidor

Quando se fala em reforma tributária, a promessa inicial era simplificar o sistema sem aumentar a carga total. Em termos técnicos, o princípio chama-se neutralidade: trocar os tributos antigos pelos novos sem que o cidadão pague mais no fim do mês. O cálculo do TCU acende um alerta justamente porque, se a alíquota efetiva começar acima do que se imaginava, essa neutralidade fica ameaçada.

Para o consumidor, a diferença entre uma CBS a 9% e uma CBS a 11,3% não é apenas um detalhe técnico. Cada ponto percentual a mais incide sobre tudo o que a família compra: alimentos industrializados, serviços de telefonia, internet, academia, salão de beleza, conserto de carro, consulta médica particular, material escolar. Produtos e serviços que hoje pagam PIS e Cofins (os dois tributos federais que a CBS substitui) vão passar a pagar a nova contribuição, e o repasse ao preço final tende a ser quase imediato.

Também pesa o fato de que o Brasil já concentra uma parcela grande da sua arrecadação no consumo — e não na renda ou no patrimônio. Isso significa que o imposto embutido no preço afeta proporcionalmente mais quem ganha menos, porque quase todo o salário dessas famílias é gasto em consumo. Qualquer aumento na alíquota geral da CBS, portanto, bate com mais força no orçamento das famílias de baixa renda.

O que muda no preço do que você compra

A partir de 2027 começa a cobrança da CBS em substituição ao PIS e à Cofins. Nos primeiros anos, a transição será gradual, com alíquotas de teste e ajustes. Ainda assim, o consumidor começa a ver mudanças já no primeiro ano:

  • Produtos industrializados: itens como eletrodomésticos, celulares, roupas e cosméticos passam a trazer a CBS no preço no lugar do PIS/Cofins.
  • Serviços: setores que historicamente pagavam pouco imposto, como serviços profissionais, educação particular e saúde suplementar, podem sentir aumento, já que o novo sistema tende a uniformizar a tributação.
  • Alimentação: a chamada cesta básica nacional foi definida pela reforma com alíquota zero, mas vários produtos consumidos no dia a dia estão fora dessa cesta reduzida.
  • Combustíveis, telecomunicações e energia: setores que já têm tributação específica entram no novo sistema com regras próprias.

Na prática, parte dos preços vai cair e parte vai subir — e o saldo final depende do perfil de consumo de cada família. Quem gasta mais com serviços tende a sentir mais aumento. Quem concentra o consumo em alimentos da cesta básica tende a ter alívio.

Como calcular o impacto no seu orçamento

Uma forma simples de o leitor estimar o próprio impacto é olhar o extrato do cartão de crédito ou o aplicativo do banco e separar os gastos em três grandes blocos: alimentação em casa, serviços (contas de telefone, internet, streaming, academia, escola, plano de saúde) e produtos duráveis (eletrônicos, móveis, roupas).

Como regra geral, serviços que hoje pagam alíquotas baixas são os mais sujeitos a sentir elevação com a nova CBS. Produtos industrializados devem ter variação menor, porque já carregam uma carga relevante de PIS, Cofins e IPI. E a cesta básica nacional terá alíquota zero, o que ajuda principalmente famílias de menor renda.

Se a alíquota efetiva da CBS realmente ficar próxima dos 11,3% apontados no cálculo do TCU, uma conta prática ajuda a dimensionar: a cada R$ 1.000 gastos em serviços que antes tinham tributação baixa, até R$ 113 podem corresponder apenas à nova contribuição federal — isso sem contar o IBS, que entra em cobrança plena nos anos seguintes.

Isso não quer dizer, necessariamente, que o preço vai subir todo esse valor. Em muitos casos, as empresas passam a ter direito a abater créditos tributários de etapas anteriores — o chamado modelo não cumulativo — e podem reduzir o preço final. Mas, para o consumidor que não enxerga esse jogo nos bastidores, o que vale é o número na etiqueta. E é esse número que precisa ser monitorado.

Quem é mais afetado pela carga sobre o consumo

O sistema tributário brasileiro já é conhecido por cobrar muito de quem consome e pouco de quem tem patrimônio. Esse desenho faz com que trabalhadores assalariados, aposentados do INSS, beneficiários do BPC/LOAS e famílias que vivem de renda informal sintam no bolso cada centavo a mais embutido no preço.

Uma alíquota de CBS mais alta pressiona especialmente três grupos:

  • Aposentados e pensionistas do INSS: boa parte do benefício é consumida em medicamentos, planos de saúde, serviços de cuidado e alimentação. Como esses itens têm tratamento específico na reforma, com alíquotas reduzidas em alguns casos, o efeito final depende da composição exata do gasto.
  • Trabalhadores de baixa renda: gastam quase todo o salário em consumo. A alíquota zero da cesta básica nacional ajuda, mas serviços essenciais (transporte por aplicativo, telefonia pré-paga, internet) continuam no sistema normal.
  • Classe média assalariada: concentra consumo em serviços — escola, plano de saúde, academia, assinaturas — exatamente a parte do consumo em que o aumento tende a ser mais percebido.

Para essas famílias, o cálculo do TCU funciona como um aviso: vale a pena acompanhar a regulamentação da reforma até o fim de 2026 para entender exatamente o que entra em vigor em janeiro de 2027.

O que acompanhar até a cobrança começar

O cálculo divulgado pelo TCU é uma referência técnica importante, mas não congela o número. Até o início da cobrança, três movimentos devem ser observados pelo consumidor:

  1. Regulamentação complementar: medidas, decretos e instruções normativas que detalham o funcionamento da CBS podem aumentar ou reduzir o rol de benefícios setoriais, com efeito direto sobre a alíquota efetiva.
  2. Lista de exceções: cada setor que consegue entrar em alíquota reduzida ou zero pressiona a alíquota padrão para cima. É esse mecanismo que o TCU aponta como um dos motivos para o percentual projetado ficar mais alto.
  3. Ajuste pelo próprio governo: o Executivo pode calibrar a alíquota com base na arrecadação real nos primeiros meses de cobrança. Isso significa que o número final pode ser revisado para cima ou para baixo depois de 2027.

Também vale ficar atento às notas fiscais. A reforma prevê que o imposto apareça destacado no documento de compra, para que o consumidor enxergue, com clareza, quanto está pagando de tributo em cada produto ou serviço. Esse novo campo da nota, uma vez em funcionamento, será a principal ferramenta para o cidadão comum conferir se a conta prometida está sendo cumprida.

O que o leitor deve fazer agora

Até a cobrança começar, não há decisão de compra urgente a ser tomada por causa da CBS. O que faz sentido é se preparar: entender onde está o maior gasto do mês, acompanhar as notícias oficiais sobre a regulamentação e evitar decisões financeiras baseadas em promessas de que os preços vão cair automaticamente a partir de 2027.

Se a alíquota efetiva seguir próxima dos 11,3% calculados pelo TCU, a carga tributária sobre o consumo pode, sim, subir — especialmente para quem gasta mais com serviços. Nesse cenário, revisar o orçamento familiar, cortar assinaturas que não se usa, renegociar planos de telefonia e internet e priorizar alimentos da cesta básica nacional (que terá alíquota zero) são atitudes que ajudam a amortecer o impacto antes mesmo de ele chegar.

Em resumo

O recado do cálculo do TCU é claro: a reforma tributária não é só assunto de empresa ou de contador. Ela mexe com o preço de tudo o que a família compra, e começa a valer já em janeiro do próximo ano. Quanto mais cedo o consumidor entender como ela funciona, melhor preparado estará para proteger o próprio bolso.

Referências

  • Tribunal de Contas da União — relatório divulgado em 28/10/2026 sobre a alíquota da CBS
  • Lei Complementar da reforma tributária (CBS e IBS)

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Publicamos após revisão da equipe. Campos com asterisco são obrigatórios.

📩 Gostou? Receba mais como este

Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.

Leia também em Vida Financeira

Ver todos →