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Golpe do consignado no INSS: cancele direto no banco

Aceitar a 'ajuda' de quem ligou oferecendo cancelamento é a segunda etapa da fraude — o caminho correto para derrubar o contrato é outro.

Rita Cavalcanti

📖 7 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • O cancelamento de um consignado contratado por fraude só pode ser feito no banco que concedeu o crédito, nunca por quem ligou oferecendo ajuda.
  • O golpe costuma começar com ligação ou mensagem oferecendo benefício e induz a vítima a repassar um código recebido por SMS, que autoriza o empréstimo em seu nome.
  • Depois do depósito, o criminoso pede a devolução do valor via Pix alegando erro no sistema; o dinheiro vai embora e o empréstimo segue descontando do benefício.
  • É possível bloquear novos consignados pelo aplicativo Meu INSS e conferir o extrato pela Central 135 para identificar contratos que não foram reconhecidos.

O golpe do consignado no INSS virou uma das fraudes mais comuns contra aposentados e pensionistas, e tem um detalhe que faz muitas vítimas perderem dinheiro mesmo depois de perceberem o problema: elas aceitam 'ajuda' do próprio criminoso para cancelar o empréstimo que acabou de ser contratado em seu nome. O caminho correto é outro — e passa, obrigatoriamente, pelo banco que fez o depósito, e não por quem ligou oferecendo solução rápida.

Nesta matéria, você vai entender como esse golpe é aplicado passo a passo, por que o cancelamento do contrato tem que ser feito diretamente na instituição financeira responsável, qual é o caminho oficial para contestar um empréstimo consignado que você não reconhece e o que fazer para evitar cair em novas tentativas.

Como funciona o golpe do consignado no INSS

A fraude começa, na maior parte dos casos, com uma ligação, uma mensagem no WhatsApp ou um SMS. O criminoso se apresenta como funcionário de um banco, correspondente bancário ou até mesmo do próprio INSS e oferece um 'benefício' — pode ser um saque extra, uma antecipação do 13º, um recadastramento obrigatório ou um crédito supostamente liberado com juros baixíssimos.

Durante a conversa, o golpista pede dados pessoais (CPF, número do benefício, data de nascimento, nome da mãe) e, muitas vezes, induz a vítima a repassar um código que chega por SMS. Esse código é, na prática, a autorização que o banco envia para confirmar a contratação de um empréstimo consignado. Ao repassá-lo, o aposentado assina — digitalmente — um contrato que não pediu.

Em pouco tempo, o dinheiro cai na conta usada para receber o benefício.

Logo depois, o criminoso liga de novo, agora fingindo surpresa: diz que houve um 'erro no sistema', que o valor foi depositado por engano e orienta a vítima a devolver a quantia via Pix para uma conta 'do banco'. Quem acredita faz a transferência — e perde o dinheiro, continuando com o empréstimo registrado no benefício para pagar ao longo dos anos seguintes.

Por que o cancelamento do consignado precisa ser feito direto no banco

Essa é a parte que mais confunde as vítimas. Depois que o golpe acontece, muita gente volta a atender o próprio golpista acreditando que ele vai resolver — afinal, foi 'ele' quem causou o problema. Não vai. Na verdade, aceitar a 'ajuda' para cancelar é a segunda etapa da fraude: o criminoso aproveita o pânico da vítima para extrair mais dados, mais códigos ou mais transferências.

O empréstimo consignado é um contrato entre o aposentado e a instituição financeira. Nem o INSS, nem o atendente que ligou, nem um 'setor de cancelamento' por WhatsApp têm poder para desfazer esse contrato — só o banco que concedeu o crédito pode registrar a contestação, apurar a fraude e devolver os valores descontados do benefício.

Por isso, ao perceber um desconto estranho no extrato ou receber um dinheiro que não pediu, o caminho é um só: identificar qual é o banco responsável pelo contrato e procurá-lo diretamente, pelos canais oficiais (agência física, aplicativo oficial, central de atendimento impressa no site da instituição). Qualquer intermediário — principalmente alguém que ligou primeiro — deve ser tratado como suspeito.

Passo a passo para contestar um empréstimo consignado que você não reconhece

Se você identificou um desconto de consignado no seu benefício do INSS e não reconhece a contratação, siga esta ordem:

1. Consulte o extrato do seu benefício e descubra qual banco está descontando. O extrato do consignado pode ser verificado pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135. Nele aparecem o nome da instituição financeira responsável pelo contrato, o valor da parcela e o prazo.

2. Procure o banco responsável — não o número que ligou para você. Pegue o telefone, o aplicativo ou o endereço da agência pelos canais oficiais da instituição, nunca pelo contato que apareceu na ligação suspeita. Peça formalmente a contestação do contrato alegando fraude e exija um número de protocolo.

3. Registre um boletim de ocorrência. O B.O. pode ser feito pela delegacia eletrônica do seu estado e serve como prova para o banco e para eventuais ações judiciais. Em muitos casos, a instituição exige esse documento para dar andamento à investigação interna.

4. Abra uma reclamação no INSS. Pelo Meu INSS ou pela Central 135, é possível registrar o pedido de bloqueio de novos empréstimos no benefício e comunicar a fraude. O INSS não cancela o contrato — mas registra a ocorrência e pode ajudar no bloqueio preventivo de novas contratações.

5. Se o banco não resolver, acione os canais de defesa do consumidor. A reclamação pode ser feita no portal consumidor.gov.br e, em paralelo, no Procon da sua cidade. Em caso de desconto indevido continuado, também é possível buscar a Defensoria Pública ou um advogado de confiança.

Enquanto a contestação está em análise, o desconto pode continuar aparecendo no benefício. É por isso que agir rápido faz diferença: quanto antes o banco for notificado, menor o número de parcelas descontadas e mais simples a devolução dos valores.

Como se proteger antes de o golpe acontecer

A melhor defesa contra o golpe do consignado é não deixar que o contrato chegue a ser assinado. Algumas atitudes simples reduzem drasticamente o risco:

  • Bloqueie novos empréstimos consignados no seu benefício. Pelo aplicativo Meu INSS, é possível ativar o bloqueio de empréstimos consignados. Com ele ligado, nenhum banco consegue cadastrar um novo contrato no seu CPF — e o golpista, mesmo com seus dados, esbarra nesse travamento.
  • Nunca repasse códigos recebidos por SMS. Esses códigos, chamados de token, funcionam como a assinatura digital de contratos e transações. Banco nenhum pede token por telefone, por WhatsApp ou por e-mail. Se alguém pediu, é golpe.
  • Desconfie de 'liberação de crédito' por telefone. Ninguém oferece empréstimo ou 'benefício do governo' por ligação espontânea. Se receber uma proposta assim, desligue e, se tiver interesse real em contratar algo, procure você a instituição pelos canais oficiais.
  • Acompanhe o extrato do benefício todo mês. Novos descontos de consignado aparecem em até dois ciclos de pagamento. Verificar o extrato mensal é a forma mais rápida de identificar uma contratação indevida ainda nos primeiros meses.
  • Oriente familiares. Boa parte das vítimas tem idade avançada e menos familiaridade com fraudes digitais. Conversar sobre o golpe em casa, mostrar como ele começa e combinar que nenhum código ou dado será repassado por telefone é uma das barreiras mais eficazes.

O que fazer se você já caiu no golpe

Mesmo que o dinheiro já tenha sido transferido via Pix para o criminoso, não desista: comunique imediatamente o banco que operou a transferência e peça o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode bloquear o valor na conta de destino se a comunicação for rápida.

Em paralelo, siga o passo a passo de contestação do contrato e registre o boletim de ocorrência. Guarde prints de mensagens, números de telefone, horários de ligação e comprovantes — tudo isso ajuda o banco e a polícia a comprovar a fraude e aumenta as chances de devolução dos valores já descontados.

Vale repetir: desconto de consignado só se resolve no banco que fez o contrato. Qualquer outro caminho — sobretudo o oferecido por quem ligou primeiro — faz parte do próprio golpe.

Referências

  • INSS — orientações sobre empréstimo consignado, bloqueio e consulta pelo Meu INSS e Central 135
  • Febraban — orientações oficiais sobre contestação de empréstimo consignado em caso de fraude
  • Banco Central — Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix

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