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ICMS sobe em fev/2027: diesel +11,1% e gasolina +4,5%

Confaz aprovou o reajuste do imposto em outubro e repasse ao consumidor começa já nos primeiros dias de fevereiro, pressionando frete, alimentos e conta de luz

Tatiana Botelho

📖 10 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • O Confaz aprovou em 29/10/2026 reajuste do ICMS sobre diesel (+11,1%), gasolina (+4,5%) e gás de cozinha (+4,8%), com vigência em fevereiro de 2027.
  • O ICMS sobre esses combustíveis é cobrado em valor fixo por litro ou por quilo (modelo ad rem), então o percentual anunciado é o quanto o imposto sobe, não necessariamente o preço final.
  • O aumento do diesel tende a pressionar frete, alimentos, passagens de ônibus e entregas ao longo do primeiro semestre de 2027.
  • Famílias inscritas no CadÚnico podem continuar recebendo o Auxílio Gás, que ajuda a compensar o aumento do GLP para quem se enquadra nos critérios.

O preço do combustível e do gás de cozinha vai mudar logo no começo de 2027, e a razão não está no custo do petróleo nem no dólar: está no imposto. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne as secretarias de Fazenda dos estados, decidiu reajustar o ICMS cobrado sobre diesel, gasolina e GLP (o gás de cozinha), com efeito a partir de fevereiro de 2027.

O movimento afeta diretamente o que o consumidor paga na bomba, no botijão e, de forma indireta, em praticamente tudo que circula de caminhão pelo país.

Se você é motorista de aplicativo, caminhoneiro autônomo, dona ou dono de casa que acompanha o preço do botijão, trabalhador CLT que depende do transporte para ir ao trabalho ou aposentado tentando fechar as contas no fim do mês, este reajuste importa — e importa bastante. Nesta reportagem, explicamos o que foi decidido, quanto cada combustível deve subir, por que o aumento do ICMS mexe com o preço de outros produtos e o que dá para fazer para suavizar o impacto no orçamento.

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O que o Confaz decidiu e quando o novo ICMS passa a valer

O Confaz aprovou, em reunião realizada em 29 de outubro de 2026, um novo convênio que atualiza as alíquotas do ICMS incidente sobre os combustíveis vendidos em todo o território nacional. A decisão foi tomada por unanimidade entre as secretarias estaduais de Fazenda, o que é exigido para que mudanças nesse imposto tenham validade nacional.

O reajuste aprovado foi o seguinte:

  • Diesel: aumento de 11,1%.
  • Gasolina: aumento de 4,5%.
  • Gás de cozinha (GLP): aumento de 4,8%.

O novo valor começa a ser cobrado a partir de fevereiro de 2027.

Vale um esclarecimento importante para o leitor entender o que esses percentuais significam: desde a reforma do ICMS sobre combustíveis, o imposto deixou de ser calculado como um percentual do preço de venda e passou a ser cobrado em um valor fixo em reais por litro (no caso do diesel e da gasolina) ou por quilo (no caso do GLP). Esse modelo é chamado de ICMS monofásico com alíquota ad rem. Portanto, quando dizemos que o diesel terá um aumento de 11,1%, isso quer dizer que o valor em reais do imposto cobrado em cada litro ficará 11,1% maior do que o valor cobrado hoje.

O novo valor exato em reais por litro e por quilo deve ser consultado diretamente no texto do convênio publicado pelo Confaz. O que já está certo é o dia em que a mudança começa a valer e a intensidade da variação em cada produto.

Por que o diesel subiu bem mais que a gasolina

Uma leitura rápida dos números já mostra um ponto curioso: o diesel teve um reajuste de 11,1%, quase o dobro do aplicado à gasolina (4,5%) e ao gás de cozinha (4,8%). Essa diferença não é por acaso.

O diesel vem sendo tributado em patamares historicamente mais baixos que a gasolina, por decisão política de evitar impacto imediato sobre o frete rodoviário — que é, no Brasil, a espinha dorsal da distribuição de mercadorias. Como o imposto sobre o diesel partiu de uma base menor, qualquer tentativa de aproximar sua arrecadação da arrecadação da gasolina provoca percentuais altos de reajuste em um único movimento.

Além disso, o diesel representa fatia relevante das receitas estaduais, e os estados vêm pressionando por recomposição desse imposto diante da queda real da arrecadação em outras bases nos últimos exercícios.

O problema é que, embora o diesel seja usado por uma minoria de veículos de passeio, ele é o combustível de praticamente todo o transporte de cargas, dos ônibus urbanos e rodoviários, de máquinas agrícolas, de embarcações de pesca e de boa parte dos geradores. É por isso que um reajuste no ICMS do diesel vira, em poucos meses, aumento no preço do arroz, do leite, da passagem de ônibus e do frete da encomenda que chega em casa.

Quanto o gás de cozinha deve subir no botijão

O ICMS sobre o GLP terá reajuste de 4,8% a partir de fevereiro de 2027. Para traduzir isso no botijão de 13 kg — o chamado P13, que é o formato usado na maioria das casas — é preciso lembrar que o preço final tem várias camadas: custo do produto cobrado pela refinaria, margem da distribuidora, margem da revenda (a loja ou o entregador), fretes e, no meio de tudo isso, o ICMS.

Como o ICMS não é o único componente do preço, um reajuste de 4,8% no imposto não significa que o botijão vai subir 4,8%. O impacto final no bolso costuma ser menor que o percentual do imposto, porque o imposto é apenas uma parte do preço.

Mesmo assim, para famílias de baixa renda, qualquer centavo a mais pesa. O gás de cozinha é um dos itens de consumo obrigatório mais sensíveis do orçamento popular: não dá para "deixar de comprar" quando o botijão acaba. Famílias que recebem o Auxílio Gás da Petrobras continuam com direito ao benefício, que é pago pelo governo federal e cobre o valor médio nacional do botijão — mas quem não se enquadra nos critérios do programa sente o aumento integral.

Como o aumento do diesel vira aumento no supermercado

Este é o efeito mais importante para o leitor entender — e o que a maioria dos noticiários costuma deixar de fora. Um reajuste de 11,1% no ICMS do diesel não fica restrito ao caminhoneiro. Ele caminha por toda a cadeia de preços da economia.

Funciona mais ou menos assim: a transportadora que leva o produto do campo para o centro de distribuição paga mais caro no diesel; a transportadora que leva do centro de distribuição para o supermercado também paga mais; a van que entrega a encomenda do e-commerce na sua porta paga mais.

Cada etapa repassa parte do custo adicional ao preço final. Quando o produto chega ao consumidor, acumulou aumentos de várias partes do caminho.

Os itens em que esse efeito aparece primeiro são:

  • Alimentos in natura (frutas, legumes, verduras, carnes), porque o frete pesa muito no preço final de produtos de baixo valor agregado;
  • Produtos de cesta básica como arroz, feijão, óleo, leite e açúcar, especialmente quando produzidos longe do centro de consumo;
  • Passagens de ônibus urbano e intermunicipal, já que o diesel é insumo direto da operação das viações. Reajustes tarifários costumam ser pedidos pelas empresas dentro de poucos meses após a alta;
  • Gás de cozinha, que além de ter o próprio ICMS reajustado, ainda sofre com o custo do frete até a revenda;
  • Serviços de entrega (aplicativos de delivery, correios, transportadoras rodoviárias).

O repasse completo não acontece de uma semana para outra, mas tende a aparecer na inflação ao longo do primeiro semestre de 2027.

O que muda para o motorista comum e para quem trabalha dirigindo

Para o motorista de carro particular, o reajuste de 4,5% no ICMS da gasolina também não significa, sozinho, 4,5% a mais no preço da bomba. A gasolina vendida no Brasil é obrigatoriamente misturada com etanol anidro — a mistura chamada popularmente de "gasolina C" — e o etanol tem outra lógica de tributação. Além disso, a bomba cobra ainda os custos da refinaria, da distribuidora e do posto, mais o PIS/Cofins federal.

Mesmo com a diluição, o repasse é inevitável. Para quem abastece um tanque de 50 litros toda semana, mesmo um aumento pequeno por litro vira dezenas de reais a mais no mês.

Quem trabalha dirigindo sente ainda mais. Motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores por aplicativo e caminhoneiros autônomos têm o combustível como seu maior custo variável. O reajuste do diesel, em especial, atinge diretamente o caminhoneiro que trabalha por conta própria: sem repasse automático de tarifa, ele absorve o aumento no próprio ganho até renegociar o frete com o embarcador.

Motoristas de aplicativo que rodam com veículos a gasolina ou flex também devem revisar as próprias contas no começo de 2027: a tarifa paga pelas plataformas não acompanha necessariamente a variação do combustível, e o motorista precisa fazer o cálculo real do que sobra por hora rodada depois do abastecimento.

Como se organizar no orçamento antes do reajuste entrar em vigor

A mudança foi aprovada em outubro de 2026 e passa a valer em fevereiro de 2027. Isso dá uma janela de alguns meses para o consumidor se preparar — e essa janela deve ser usada. Algumas atitudes práticas ajudam a amortecer o impacto:

  1. Reveja o orçamento do mês antes de fevereiro. Separe quanto você gasta hoje com combustível, gás de cozinha e passagens, e simule o mesmo gasto com um acréscimo entre 3% e 10% dependendo do item. Isso mostra, em reais, de quanto você vai precisar a mais quando o reajuste entrar.

  2. Evite assumir dívidas novas de longo prazo nos próximos meses sem considerar o aumento no custo de vida. Isso vale especialmente para financiamentos de veículo, cartão de crédito parcelado e empréstimos pessoais. O orçamento vai ficar mais apertado do que está hoje; comprometer parcela nova agora, sem essa folga, costuma virar inadimplência depois.

  3. Confira se você tem direito ao Auxílio Gás. O programa é pago pelo governo federal a famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) dentro dos critérios de renda definidos pela legislação do benefício. Em cenário de ICMS mais alto sobre o GLP, o benefício ganha ainda mais importância para quem se enquadra.

  4. Compare postos e botijões na sua região. A diferença de preço entre revendas, mesmo na mesma cidade, pode ser maior que o próprio reajuste do imposto. Aplicativos como o Preço da Hora e o Menor Preço, mantidos por secretarias estaduais da Fazenda, ajudam a identificar onde está mais barato.

  5. Para quem trabalha dirigindo, recalcule o preço do serviço. Caminhoneiros autônomos têm direito, em contratos de frete, a reajuste pela variação do diesel conforme a Política Nacional de Pisos Mínimos do Frete; vale rever o contrato com o embarcador antes de fevereiro.

  6. Planeje compras grandes de supermercado com antecedência. Produtos não perecíveis da cesta básica podem ser comprados com um pouco mais de volume ainda em dezembro e janeiro, antes do início do repasse do frete mais caro aos preços finais.

Em resumo: o que o leitor precisa guardar

O Confaz aprovou, em 29 de outubro de 2026, um reajuste no ICMS cobrado sobre diesel, gasolina e gás de cozinha, que começa a valer em fevereiro de 2027. Os aumentos são de 11,1% no diesel, 4,5% na gasolina e 4,8% no GLP.

O reajuste não acontece sozinho na bomba e no botijão: ele caminha pela cadeia do frete e aparece, nos meses seguintes, no preço de alimentos, passagens de ônibus, serviços de entrega e demais itens que dependem de transporte rodoviário — ou seja, praticamente tudo. O combustível que mais puxa esse efeito é o diesel, justamente o de maior reajuste.

O consumidor que tem alguns meses pela frente deve usar esse tempo para revisar o orçamento, evitar comprometer renda nova com dívidas longas sem necessidade, checar se tem direito ao Auxílio Gás e pesquisar preços na sua região. Pequenas decisões tomadas agora, com antecedência, costumam fazer mais diferença no bolso ao longo de 2027 do que qualquer reação depois que o aumento já apareceu.

Referências

  • Confaz — Convênio ICMS sobre combustíveis aprovado em 29/10/2026
  • Governo do Estado de São Paulo — nota oficial do Palácio dos Bandeirantes sobre vigência do novo ICMS em 1º/02/2027

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