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Taxa das blusinhas: MP vence em 24/9; o que muda no bolso

MP que zerou o Imposto de Importação em compras de até US$ 50 vence em 24 de setembro. Entenda o que pode encarecer e como se planejar antes da mudança.

TB

Tatiana Botelho

📖 11 min de leitura

Se você tem o costume de comprar roupas, eletrônicos baratos, acessórios ou itens de casa em sites internacionais, é hora de prestar atenção no calendário do Congresso Nacional. Uma medida provisória (MP) editada em 12 de maio de 2026 pela Presidência da República zerou o imposto de importação para compras de até US$ 50 feitas em sites de fora do país — o que, na prática, segurou o preço final daquela famosa "blusinha" comprada em plataformas asiáticas. O problema é que essa MP tem prazo de validade, e ele vence no dia 24 de setembro.

Se o Congresso não votar e aprovar o texto até essa data, a MP perde a eficácia e a chamada "taxa das blusinhas" volta automaticamente a valer nos moldes anteriores. Ou seja: aquele mesmo produto que você comprou por um preço em agosto pode custar bem mais caro em outubro. Para o consumidor de baixa renda, que muitas vezes usa essas plataformas justamente porque não consegue pagar os preços do varejo nacional, a diferença pesa direto no orçamento do mês.

Neste guia, você vai entender o que é a taxa das blusinhas, por que ela virou motivo de tanta briga em Brasília, o que acontece se a MP não for votada, quanto pode ficar mais caro comprar em sites como Shein, Shopee, AliExpress e Temu, e o que dá para fazer agora para se preparar antes de a regra mudar.

O que é a "taxa das blusinhas" e por que ela existe

A expressão "taxa das blusinhas" ficou popular para descrever a cobrança de impostos sobre compras internacionais de baixo valor — aquelas feitas em sites estrangeiros de comércio eletrônico, geralmente de produtos baratos como roupas, bijuterias, capinhas de celular, brinquedos e utilidades domésticas. O apelido pegou porque a peça-símbolo desse tipo de compra virou a blusinha vendida por poucos dólares em plataformas asiáticas.

Do ponto de vista técnico, essa taxação envolve dois tributos diferentes:

  • O Imposto de Importação (II), que é federal e incide sobre produtos vindos de fora do país.
  • O ICMS, que é estadual e incide sobre a circulação da mercadoria.

O que a medida provisória editada em maio de 2026 fez foi zerar o Imposto de Importação para compras de até US$ 50 realizadas em plataformas habilitadas. O ICMS estadual seguiu sendo cobrado normalmente — ele não depende dessa MP. Portanto, mesmo com a MP em vigor, o consumidor nunca comprou 100% sem imposto: pagou o ICMS. Mas ficou livre do imposto federal, o que já representou um alívio importante no preço final da compra.

A lógica por trás da isenção é a de dar previsibilidade e barateamento a um tipo de consumo que hoje faz parte do dia a dia de milhões de brasileiros. Uma parcela relevante dessas compras é feita por famílias de renda mais baixa, que encontram nos sites internacionais preços que o comércio local muitas vezes não consegue oferecer.

O prazo fatal de 24 de setembro: entenda o que está em jogo

Toda medida provisória tem um prazo constitucional de validade. Se não for convertida em lei pelo Congresso dentro desse prazo, ela perde a eficácia e as regras anteriores voltam a valer automaticamente — como se a MP nunca tivesse existido. É exatamente essa a situação da MP das blusinhas.

A comissão mista responsável por analisar o texto foi instalada em 12 de agosto de 2026, e o prazo final para a votação nas duas Casas (Câmara e Senado) é 24 de setembro. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou publicamente sobre o andamento da tramitação da matéria.

Os cenários possíveis são basicamente três:

  1. O Congresso aprova a MP até 24 de setembro: a isenção do Imposto de Importação para compras de até US$ 50 vira lei, com validade prolongada, e o consumidor continua pagando praticamente o mesmo que paga hoje.
  2. O Congresso aprova a MP com mudanças: o texto pode voltar a incluir a cobrança do imposto federal, alterar o teto de isenção ou criar uma alíquota reduzida. Nesse caso, o impacto no bolso vai depender dos ajustes.
  3. A MP não é votada a tempo: a regra anterior de tributação volta a valer, e o Imposto de Importação passa a ser cobrado novamente sobre compras internacionais de baixo valor.

É o terceiro cenário que preocupa o consumidor. Historicamente, MPs em fim de prazo entram em um jogo político tenso, e não é incomum que percam validade por falta de acordo entre governo, oposição e bancadas estaduais — os estados, aliás, têm interesse direto no tema, porque parte da arrecadação envolvida é deles.

Quanto pode ficar mais caro comprar em sites internacionais

Essa é a pergunta que interessa direto no bolso: se a MP cair, quanto a mais eu vou pagar naquela compra de US$ 30, US$ 40 ou US$ 50?

Com a MP em vigor hoje, uma compra internacional de até US$ 50 paga somente o ICMS estadual, sem o Imposto de Importação federal. Se a MP perder eficácia, o Imposto de Importação volta a ser cobrado sobre essa mesma faixa de valor.

Na prática, isso significa que um produto que hoje sai por, por exemplo, R$ 100 no total (produto + frete + ICMS) pode passar a custar mais caro, porque o imposto federal é aplicado sobre a soma do valor da mercadoria com o frete e o seguro. Em compras acima de US$ 50, a regra já era de tributação mais pesada, e essa faixa não é a que está em disputa agora — o foco da MP é justamente a faixa de "baixo valor", que é onde está a maior parte das compras populares.

Para uma família que faz de duas a três compras por mês nesses sites, o efeito acumulado ao longo do ano é relevante. Dá para pensar em algumas dezenas ou até centenas de reais a mais gastos no total, dependendo do volume das compras. Não é uma diferença que quebra o orçamento de uma vez, mas é dinheiro que, para quem ganha um salário mínimo ou vive de aposentadoria, faz falta.

Quem depende dessas compras vai sentir mais no bolso

Existe um recorte importante nesse debate que muitas vezes fica de fora do noticiário: quem realmente compra nessas plataformas. E aqui vale falar do público que este portal atende diretamente — trabalhador CLT com salário apertado, aposentado e pensionista do INSS, beneficiário de programas sociais e famílias de baixa renda em geral.

Esses consumidores usam os sites internacionais por três motivos principais:

  • Preço: um tênis, uma camiseta ou um fone de ouvido custa uma fração do preço do varejo brasileiro.
  • Parcelamento: as plataformas oferecem parcelamento em várias vezes sem juros no cartão, o que ajuda a caber no orçamento mensal.
  • Variedade: muitos produtos simplesmente não são encontrados no comércio local com o mesmo preço.

Se o Imposto de Importação voltar a incidir, esse tipo de consumidor tem três reações possíveis: comprar menos, comprar produtos ainda mais baratos para tentar compensar o imposto, ou voltar ao varejo nacional — que, em muitos casos, cobra bem mais caro pelo mesmo item. Nenhuma das três opções é neutra para o bolso.

Aposentados e pensionistas do INSS, em particular, estão em uma situação delicada. Muitos vivem com renda fixa, sem margem para inflação de itens que já entraram no orçamento familiar. Uma diferença de R$ 20 ou R$ 30 em uma compra que se repete todo mês vira, no fim do ano, uma quantia relevante que poderia ter sido usada em remédios, alimentação ou pagamento de dívidas — inclusive, por exemplo, na quitação antecipada de uma parcela de empréstimo consignado.

Como se planejar antes da possível mudança de regra

Enquanto o Congresso decide, o consumidor pode se organizar. Não se trata de fazer estoque de blusinhas, mas de agir com racionalidade financeira diante de uma possível mudança de regra a partir de outubro. Algumas orientações práticas:

1. Antecipe compras realmente necessárias. Se você já tinha planejado comprar um item específico em site internacional nas próximas semanas — um sapato, um item de uso doméstico, um presente —, faz sentido antecipar essa compra para antes de 24 de setembro. Assim, você garante o preço com a MP ainda vigente.

2. Não se endivide para "aproveitar". O erro clássico do consumidor em momento de mudança de regra é gastar mais do que pode para "aproveitar antes que suba". Isso derruba qualquer economia. Se para antecipar a compra você precisar entrar no cheque especial, no rotativo do cartão ou pegar um empréstimo, o custo dos juros vai ser bem maior do que o eventual imposto que você economizaria.

3. Compare com o mercado nacional. Nem sempre o produto internacional continua mais barato após o imposto. Faça a conta antes: valor do produto + frete + ICMS + (eventual) Imposto de Importação. Compare com o preço do mesmo item ou similar no varejo nacional, incluindo promoções, cashback e frete grátis. Em alguns casos, a diferença some.

4. Observe as plataformas habilitadas. As plataformas que estão dentro do programa oficial de conformidade da Receita Federal têm um tratamento tributário específico. Essa distinção não muda com a MP, mas continua sendo importante para o consumidor entender por que dois sites diferentes cobram valores distintos de imposto na mesma compra.

5. Guarde comprovantes. Se você comprar antes do dia 24 de setembro para aproveitar a regra atual, guarde nota de compra, comprovante de pagamento e rastreio. Em caso de discussão sobre tributação na chegada do produto, esses documentos ajudam a defender que a compra foi feita ainda dentro da vigência da MP.

O que fazer se a taxa das blusinhas voltar em outubro

Se a MP não for aprovada até 24 de setembro e o Imposto de Importação voltar a incidir sobre compras de até US$ 50, o consumidor precisa recalibrar o comportamento de compra. Algumas atitudes ajudam a proteger o bolso:

Refaça o orçamento das compras online. Considere que cada compra internacional passará a ter um custo adicional. Se você tem o hábito de gastar, por exemplo, R$ 200 por mês nessas plataformas, projete que esse valor pode subir e ajuste outras despesas — ou reduza o volume comprado.

Priorize itens que compensam mesmo com imposto. Alguns produtos continuam vantajosos mesmo taxados, porque a diferença de preço em relação ao varejo nacional é grande. Outros perdem sentido — por exemplo, itens de baixíssimo valor onde o imposto proporcionalmente encarece muito o preço final. Faça essa filtragem com calma.

Fique atento a mudanças posteriores. Mesmo que a MP caia, o Congresso pode aprovar uma nova regra depois, com outro desenho. O tema é politicamente sensível e a legislação sobre comércio internacional de baixo valor tende a mudar nos próximos anos. Acompanhar as novidades pelos canais oficiais — como comunicados da Receita Federal e diários oficiais — é a forma mais segura de não ser pego de surpresa.

Cuidado com golpes. Sempre que o noticiário fala em mudança de imposto, aparecem mensagens falsas por WhatsApp e SMS dizendo que o produto está "retido na alfândega" e pedindo pagamento de taxa em link estranho. Nunca pague nada por link recebido em mensagem. Verifique diretamente no app oficial dos Correios ou da transportadora.

Não recorra ao crédito caro para manter o consumo. Se a alta do custo das compras internacionais estiver apertando o orçamento, a resposta certa é reduzir o consumo — nunca cobrir a diferença com cartão de crédito rotativo, cheque especial ou empréstimo pessoal caro. O juro desses produtos é muito superior a qualquer imposto de importação. Para aposentados e pensionistas do INSS que já pagam consignado, por exemplo, comprometer ainda mais a renda com crédito caro é o caminho mais rápido para o superendividamento.

O que esperar nas próximas semanas

De hoje até 24 de setembro, o Congresso Nacional será palco de negociação. Governo, oposição, bancada dos estados e representantes do varejo nacional têm interesses distintos, e o desfecho não está definido. Pode haver aprovação integral, aprovação com mudanças, ou perda de eficácia da MP.

O consumidor de baixa renda, que é quem mais depende do preço dessas compras para fechar o mês, precisa acompanhar de perto e agir com planejamento — nem entrar em pânico, nem se endividar para se antecipar. A recomendação prática é simples: se tem uma compra necessária e planejada, faça agora, dentro do orçamento. Se não tem, espere a decisão do Congresso e reavalie o consumo com base na nova regra.

Este portal vai acompanhar o desfecho da votação no Congresso Nacional e trazer, assim que houver definição, um novo guia atualizado explicando exatamente o que muda no preço final das compras internacionais e como isso afeta o orçamento das famílias.


Referências

  • Medida provisória editada em 12/05/2026 pela Presidência da República, que zerou o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50, com prazo final de votação em 24/09/2026.
  • Agenda do Congresso Nacional: instalação da comissão mista para análise da MP em 12/08/2026.
  • Declaração pública do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sobre o andamento da tramitação da matéria.
  • G1 Economia — contexto do debate público sobre a taxação de compras internacionais de baixo valor.

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