Couple looking at a smartphone together

Endividamento cai em outubro, mas atinge 81,6% das famílias

Novo levantamento da Peic mostra alívio no total de endividados, enquanto a inadimplência cresce justamente entre quem ganha até três salários mínimos.

Tatiana Botelho

📖 7 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • A Peic de outubro mostrou queda no endividamento das famílias, mas 81,6% dos lares seguem com dívidas em aberto.
  • A inadimplência avançou especificamente entre as famílias com renda de até três salários mínimos.
  • Nas faixas de renda mais altas, os atrasos não cresceram no mesmo ritmo observado na base da pirâmide.

Se o seu orçamento vive apertado e você sente que as contas não acabam nunca, a fotografia mais recente das finanças das famílias brasileiras mostra que você está longe de ser exceção. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) referente a outubro trouxe uma notícia agridoce: o percentual de famílias endividadas caiu na comparação com meses anteriores, mas 81,6% dos lares no país seguem com algum tipo de dívida em aberto.

E há um detalhe que merece atenção especial de quem recebe benefício do INSS, trabalha com carteira assinada e vive dentro do salário mínimo: a inadimplência, ou seja, o atraso no pagamento, só avançou em uma faixa específica — a de quem ganha até três salários mínimos.

Neste artigo, você vai entender o que essa queda realmente significa, por que o patamar de endividamento continua alto mesmo com a melhora, por que as famílias de menor renda estão ficando para trás na recuperação e, principalmente, o que fazer na prática se o seu nome está na lista das contas atrasadas. A ideia aqui não é assustar com estatística: é mostrar como ler esses números a seu favor e tomar decisões melhores com o dinheiro que entra todo mês.

Trabalha de carteira assinada? Você pode ver se o seu vínculo permite contratar o consignado CLT sem compromisso: você só segue se a condição fizer sentido.

Sethi Sociedade de Crédito Direto S.A. · CNPJ 50.946.592/0001-07 · autorizada pelo Banco Central do Brasil.

O que a Peic revelou sobre o endividamento das famílias em outubro

A Peic é um levantamento mensal que acompanha o comportamento financeiro das famílias brasileiras. Ela mede duas coisas distintas, e é importante não confundir:

  • Endividamento: toda família que tem dívida em aberto, mesmo que esteja pagando em dia. Isso inclui cartão de crédito a vencer, carnê de loja, financiamento, consignado, cheque especial, crediário.
  • Inadimplência: parcela das famílias que estão com alguma conta atrasada.

No recorte de outubro, o indicador de endividamento mostrou retração: menos famílias entraram no mês devendo. Ainda assim, o patamar seguiu em 81,6%, o que mostra que o endividamento continua sendo quase uma regra, não exceção, na vida financeira do brasileiro. Em outras palavras: para cada dez famílias, mais de oito têm pelo menos uma dívida a pagar.

O movimento de queda é positivo porque sinaliza que alguma coisa começou a funcionar — seja renda entrando mais forte, seja esforço de quitação, seja menos gente recorrendo ao crédito. Mas a comemoração precisa ser contida, porque o país ainda opera com um nível de endividamento muito alto do ponto de vista histórico.

Por que 81,6% das famílias endividadas ainda é um sinal amarelo

Quando você olha o número 81,6% e vê que ele caiu, a tentação é achar que o pior passou. Não é bem assim. Estar endividado não é, por si só, um problema — financiar a casa própria, comprar um eletrodoméstico parcelado sem juros ou usar o cartão como meio de pagamento são formas legítimas de dívida. O problema aparece quando:

  • a parcela mensal passa a comprometer uma fatia grande demais da renda;
  • a família precisa usar uma dívida nova para pagar outra antiga;
  • entra em linhas de crédito muito caras, como cheque especial e rotativo do cartão, para fechar o mês.

O patamar de 81,6% importa porque, mesmo quem está pagando em dia, convive com pouca folga. Qualquer imprevisto — uma conta de luz mais alta, um remédio novo, uma emergência médica, um mês com menos horas extras — pode empurrar a família da categoria "endividada" para a categoria "inadimplente". E é exatamente essa transição que a Peic acende como alerta neste mês.

Para quem depende de benefício do INSS ou vive dentro do salário mínimo, esse risco é ainda maior, porque a renda é fixa e previsível, mas as despesas não são. Uma dívida que hoje cabe no orçamento pode deixar de caber amanhã se a inflação de itens básicos — alimento, remédio, conta de luz — subir mais rápido do que o reajuste do seu benefício.

Inadimplência cresce na faixa até três salários mínimos: o que explica

Aqui está o dado mais importante do levantamento para o público que mais sofre no bolso: a inadimplência subiu, mas não subiu para todo mundo. Ela avançou especificamente entre as famílias com renda de até três salários mínimos. Nas faixas de renda mais altas, os atrasos não cresceram no mesmo ritmo.

Esse recorte não é um detalhe técnico — ele muda tudo. Significa que a melhora geral do indicador de endividamento está sendo puxada principalmente por famílias de renda média e alta, que conseguiram se organizar, renegociar e quitar dívidas. Já na base da pirâmide, onde o orçamento é mais apertado e a reserva financeira praticamente inexiste, a situação não só não melhorou como piorou.

Alguns fatores ajudam a explicar esse descolamento:

  1. Peso das despesas essenciais: quem ganha pouco gasta uma fatia maior do salário com comida, transporte, luz, água e gás. Quando esses itens sobem, sobra ainda menos para honrar parcelas de crédito.
  2. Acesso a crédito mais caro: famílias de baixa renda costumam ter menos opções e acabam recorrendo a modalidades com juros altos, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e crediário de loja, o que acelera a dívida.
  3. Ausência de reserva de emergência: sem colchão financeiro, qualquer imprevisto vira atraso de boleto.
  4. Renda do trabalho menos previsível: trabalhadores informais e intermitentes têm mês bom e mês ruim, mas a parcela fixa do financiamento não muda.

Se você está nessa faixa de renda e sente que está mais difícil pagar as contas agora do que há alguns meses, o número da Peic confirma que não é impressão sua.

O que fazer na prática se você está endividado ou atrasado

Entender o diagnóstico é só o começo. A parte útil é o que dá para fazer com ele. Algumas atitudes funcionam para quem está só endividado (mas em dia) e outras são específicas para quem já atrasou. Vale separar:

Se você está endividado, mas em dia

  • Liste todas as dívidas em uma única folha: valor total, valor da parcela, quantas parcelas faltam e qual a taxa de juros. Sem esse mapa, qualquer decisão vira chute.
  • Identifique a dívida mais cara: geralmente é o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial. Essas devem ser as primeiras a sair.
  • Evite contratar crédito novo para "dar um respiro": substituir dívida cara por dívida mais barata (portabilidade, por exemplo) pode fazer sentido; mas usar crédito novo para manter o padrão de consumo é o caminho curto para o atraso.
  • Monte uma reserva de ao menos uma parcela: ter uma parcela à frente evita que um mês ruim vire inadimplência.

Se você já está com contas atrasadas

  • Procure o credor antes de o credor procurar você: bancos, lojas e financeiras costumam aceitar renegociação com desconto, especialmente para dívidas antigas.
  • Avalie mutirões e feirões de negociação: periodicamente surgem iniciativas que permitem renegociar com condições melhores do que as do balcão.
  • Priorize dívidas que afetam o essencial: conta de luz, água e aluguel vêm antes do cartão de loja. Se precisar escolher o que pagar primeiro, mantenha a casa funcionando.
  • Cuidado com propostas milagrosas: promessas de "limpar nome na hora" por empresas desconhecidas, mediante pagamento antecipado, costumam ser golpe. A negociação verdadeira é feita direto com o credor ou por canais oficiais.

Para quem é aposentado, pensionista ou trabalhador CLT

Se boa parte da sua renda já está comprometida com desconto em folha ou em benefício, o primeiro passo antes de aceitar qualquer oferta nova de crédito é calcular exatamente quanto sobra para viver depois de todos os descontos. Dívida barata que não cabe no bolso também vira atraso.

Conclusão: a queda é bem-vinda, mas a vigilância continua

A leitura mais honesta dos dados de outubro é esta: o Brasil deu um passo à frente, com menos famílias entrando no mês endividadas, mas continua convivendo com um patamar altíssimo — mais de oito em cada dez lares ainda devem — e com um grupo específico ficando para trás, o das famílias que ganham até três salários mínimos.

Se você está nesse grupo, o movimento prático mais importante hoje é mapear suas dívidas, cortar a mais cara primeiro e negociar diretamente com o credor antes que o atraso se acumule. Se você está endividado mas em dia, use este momento para montar uma reserva mínima e evitar contratar crédito novo por impulso. A estatística muda todo mês; o seu orçamento é o que você controla o ano inteiro.

Referências

  • Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) — Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), outubro/2026

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Publicamos após revisão da equipe. Campos com asterisco são obrigatórios.

📩 Gostou? Receba mais como este

Novidades sobre consignado e FGTS toda semana.

Leia também em Vida Financeira

Ver todos →