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Inadimplência das famílias bate 6% e juros sobem, diz BC

Endividamento avança e crédito fica mais caro; entenda como proteger o orçamento antes que a bola de neve estoure de vez.

Tatiana Botelho

📖 13 min de leitura

Resumo em 30 segundos

  • O Banco Central aponta que a inadimplência das famílias no crédito chegou a 6%.
  • As taxas médias de juros cobradas das pessoas físicas voltaram a subir, segundo o BC.
  • Consignado tende a seguir como linha mais barata; rotativo do cartão e cheque especial permanecem como as mais caras.
  • Comparar o CET, priorizar a quitação da dívida mais cara e renegociar antes de atrasar são passos centrais para proteger o orçamento.

O crédito para pessoas físicas ficou mais caro no Brasil, e o efeito recai principalmente sobre o trabalhador assalariado, o aposentado e a família que usa cartão no dia a dia. Dados recentes do Banco Central mostram que os juros cobrados das famílias voltaram a subir e a inadimplência já bate em 6%. Na prática, isso quer dizer que mais brasileiros estão com pelo menos uma parcela atrasada e que o custo de tomar dinheiro emprestado — do cartão ao empréstimo pessoal — está pressionando ainda mais o orçamento doméstico.

Se você tem consignado, usa o rotativo do cartão, entrou no cheque especial ou pensa em contratar um novo empréstimo, vale olhar com atenção para os números. A seguir, explicamos por que os juros subiram, o que significa a inadimplência em 6%, quais linhas de crédito ficaram mais caras e o que fazer para reduzir o impacto no orçamento.

Por que os juros para famílias voltaram a subir

Quando falamos em "juros para famílias", estamos falando do preço que o banco cobra para te emprestar dinheiro. Esse preço não é aleatório: ele depende, em grande parte, da taxa básica de juros da economia — a Selic —, do risco de calote que o banco enxerga e do custo que a própria instituição tem para captar recursos.

Trabalha de carteira assinada? Você pode ver se o seu vínculo permite contratar o consignado CLT sem compromisso: você só segue se a condição fizer sentido.

Sethi Sociedade de Crédito Direto S.A. · CNPJ 50.946.592/0001-07 · autorizada pelo Banco Central do Brasil.

Os dados mais recentes do Banco Central mostram um movimento de alta nas taxas médias cobradas das pessoas físicas. Isso não é um detalhe técnico: significa que o mesmo empréstimo que você faria em janeiro custaria menos do que o mesmo empréstimo feito agora. E o efeito se multiplica quando você olha para linhas de crédito rotativo, como cartão e cheque especial, historicamente as mais caras do mercado.

Há três forças combinadas por trás desse aumento:

  • Custo do dinheiro mais alto: com a Selic em patamar elevado, todo o crédito da economia fica mais caro, porque os bancos também pagam mais para captar recursos.
  • Percepção de risco maior: quando a inadimplência sobe, o banco entende que emprestar virou uma operação mais arriscada e repassa esse risco para o preço final. Quem paga em dia acaba financiando, indiretamente, quem não consegue pagar.
  • Endividamento acumulado das famílias: boa parte dos brasileiros já está com uma fatia grande da renda mensal comprometida com dívidas antigas, o que reduz a capacidade de tomar crédito novo em condições melhores.

O resultado é um ciclo perigoso. Juro sobe, parcela pesa mais, mais gente atrasa, o banco encarece o crédito de novo, e assim por diante. Entender esse mecanismo é o primeiro passo para não cair nele.

Inadimplência em 6%: o que esse número significa no seu bolso

A inadimplência das famílias chegou a 6%, segundo o Banco Central. Traduzindo: a cada 100 reais emprestados no país, cerca de 6 reais estão com atraso superior a 90 dias. Pode parecer pouco, mas é o tipo de indicador que muda tudo na hora de o banco decidir quanto te emprestar, por quanto tempo e a qual taxa.

Esse patamar de 6% importa por três motivos práticos para o seu bolso:

  1. Aprovação mais dura: se a média nacional de calote sobe, o banco fica mais conservador. Score de crédito baixo, renda instável ou histórico de atrasos passam a pesar muito mais na análise.
  2. Limites menores: cartões podem ter o limite reduzido de uma hora para outra, e ofertas pré-aprovadas de empréstimo tendem a encolher.
  3. Renegociação mais difícil: quando o mercado inteiro está tenso, os bancos oferecem condições piores para trocar uma dívida cara por outra mais barata.

Para o trabalhador CLT e o aposentado, isso tem um recado direto: o crédito "fácil" que aparecia na notificação do aplicativo pode não voltar tão cedo, e as condições estão mudando de mês para mês. Quem já está endividado precisa agir antes que o quadro piore; quem ainda não está precisa redobrar o cuidado antes de assinar qualquer contrato.

Um detalhe importante: a inadimplência de 6% é a média nacional. Isso significa que existem grupos com atraso bem maior — famílias de baixa renda, jovens e trabalhadores informais tendem a aparecer acima da média. Se você faz parte desses grupos, o alerta vale em dobro.

O que muda para quem tem crédito consignado

O consignado — aquele empréstimo em que a parcela é descontada direto do salário, benefício do INSS ou contracheque do servidor — costuma ter as taxas mais baixas do mercado justamente porque o risco de calote é menor: o dinheiro sai antes de você receber. Ainda assim, o cenário atual traz mudanças importantes para quem já tem um contrato ativo ou pensa em contratar.

Para quem já tem consignado: as parcelas atuais não mudam. Contrato assinado é contrato fechado, com taxa travada até o fim. O que muda é o que vem depois. Se você pensar em fazer uma portabilidade (levar o contrato para outro banco que ofereça juro menor) ou um refinanciamento, as ofertas provavelmente virão mais caras do que estavam há alguns meses. Vale rodar a simulação, mas com o pé atrás: só troque se a taxa efetiva realmente cair, considerando todos os custos.

Para quem pensa em contratar: o consignado continua sendo, em regra, a linha de crédito com juro mais baixo disponível para o trabalhador comum. Mas isso não significa que qualquer consignado seja um bom negócio agora. Antes de assinar, faça três perguntas:

  • A parcela cabe no orçamento depois de pagar contas essenciais (moradia, comida, remédio, transporte)?
  • O objetivo do empréstimo é resolver um problema real (quitar dívida cara, emergência médica) ou financiar um consumo que pode esperar?
  • Você conferiu a taxa em pelo menos três bancos diferentes antes de fechar?

O consignado não é ruim — é uma das ferramentas mais úteis que o aposentado e o servidor têm à disposição. O problema aparece quando ele é usado para "tapar buraco" sem que o buraco real (gastar mais do que se ganha) tenha sido resolvido. Nesse caso, a dívida volta em pouco tempo, agora somada à parcela nova.

Outro ponto de atenção é o assédio comercial. Em momentos de crédito apertado, cresce a oferta agressiva de empréstimos por telefone, WhatsApp e SMS. Muitas dessas ofertas escondem golpes, cobrança de "taxa antecipada" (que não existe em contrato legítimo) e contratos com condições piores do que as anunciadas. A regra de ouro é simples: nenhum banco sério pede dinheiro adiantado para liberar empréstimo, e nenhuma contratação séria acontece só por link de mensagem.

Cartão de crédito e cheque especial: as linhas mais perigosas agora

Se existem duas linhas de crédito que você precisa vigiar de perto neste momento, são o rotativo do cartão e o cheque especial. Elas são as mais caras do sistema financeiro brasileiro — e ficam ainda mais caras quando o cenário geral de juros sobe.

O rotativo do cartão é acionado quando você paga menos do que o valor total da fatura. A partir daí, o saldo restante começa a render juros altíssimos. O cheque especial funciona de forma parecida: é aquele limite "extra" na conta corrente que, ao ser usado, cobra juros diários sobre o valor negativado.

A lógica por trás dessas taxas é a mesma que explica o aumento geral: quanto maior a inadimplência (hoje em 6%), maior o preço que o banco cobra para compensar o risco. E como cartão e cheque especial já eram as linhas mais arriscadas para o banco, elas continuam liderando o ranking dos juros mais altos.

Juros médios do mercadoTaxa média mensal de juros por tipo de crédito, para pessoa física.
Empréstimo pessoal6,42% a.m.
Cheque especial7,47% a.m.
Cartão de crédito rotativo15,02% a.m.

Médias de mercado — Banco Central do Brasil, taxa média de juros de pessoa física com recursos livres (séries SGS 20742, 20741 e 22022), ref. jul/2026, convertida de % ao ano para a taxa mensal equivalente.

Se você olhou para o comparativo acima e percebeu a diferença brutal entre uma linha e outra, entendeu na prática por que trocar dívida cara por dívida mais barata é uma das decisões financeiras mais importantes que existem. Um saldo de fatura de mil reais, deixado no rotativo por alguns meses, pode facilmente virar o dobro. O mesmo valor, quitado com uma linha de juro mais baixo, cabe no orçamento sem sufoco.

Algumas atitudes práticas para não cair na armadilha:

  • Nunca pague só o mínimo da fatura sem um plano. Pagar o mínimo transfere o resto para o rotativo, que é a linha mais cara do mercado.
  • Evite usar o cheque especial como "colchão". Se o salário está caindo negativo todo mês, o problema não é liquidez, é orçamento.
  • Se já entrou no rotativo, procure trocar por uma linha mais barata imediatamente. Muitos bancos oferecem parcelamento da fatura com juro menor do que o rotativo. Não é ideal, mas é melhor do que deixar rolando.
  • Não gire dívida com dívida. Pagar cartão com cheque especial (ou vice-versa) só empurra o problema para frente e aumenta o valor total no fim das contas.

Como comparar o custo real das linhas de crédito

Um dos erros mais comuns de quem contrata crédito é olhar apenas para o valor da parcela. "Cabe no bolso, então tá bom" é a frase que arruína milhares de orçamentos por ano. O que realmente importa é o custo total do empréstimo — ou seja, quanto você vai devolver ao banco no fim de tudo, somando juros, tarifas, seguros e impostos.

A melhor ferramenta para essa comparação é o CET — Custo Efetivo Total. Ele é obrigatório em todo contrato de crédito e mostra, em um único número percentual ao ano, quanto você realmente vai pagar. Duas ofertas com a mesma taxa de juros nominal podem ter CETs bem diferentes se uma delas embutir seguros ou tarifas.

Alguns passos que ajudam a comparar com clareza:

  1. Peça a simulação por escrito em pelo menos três bancos. Não aceite propostas apenas "faladas" por telefone.
  2. Compare o CET, não a taxa mensal. Um juro de 1,9% ao mês pode parecer baixo, mas ao ano vira quase 25% — sem contar o efeito dos juros compostos.
  3. Some tudo que sai do seu bolso. Seguro prestamista, tarifa de cadastro e IOF entram na conta.
  4. Cuidado com o prazo longo. Parcela pequena em prazo muito longo esconde um custo total gigante. Prefira o menor prazo que caiba no orçamento.
  5. Confira se a instituição é regulada pelo Banco Central. Empresas fora da regulação podem oferecer contratos abusivos e sem proteção legal.

Outro ponto que muita gente ignora: crédito bom é crédito que resolve um problema maior do que ele cria. Financiar um remédio caro, uma reforma essencial ou a quitação de uma dívida com juro mais alto pode fazer sentido. Financiar uma viagem, uma TV nova ou o presente do filho dificilmente compensa quando os juros estão em alta.

Passo a passo para renegociar dívidas e proteger o orçamento

Com inadimplência em 6% e juros pressionando o crédito ao consumidor, a receita não é "fugir do banco", é o contrário: encarar a dívida de frente, com estratégia. Quem organiza o problema no papel resolve. Quem finge que não existe vê a bola de neve crescer.

Siga este roteiro simples:

1. Liste todas as suas dívidas. Anote tudo: cartão, cheque especial, financiamento, consignado, empréstimo pessoal, boleto atrasado. Para cada uma, escreva o valor total devido, o valor da parcela, a taxa de juros (ou CET) e o número de parcelas restantes.

2. Ordene da mais cara para a mais barata. É provável que rotativo do cartão e cheque especial fiquem no topo da lista. Esses são os alvos prioritários. Quitar uma dívida cara vale muito mais do que quitar duas baratas.

3. Calcule sua capacidade real de pagamento. Some tudo o que entra por mês (salário, benefício, renda extra). Subtraia os gastos essenciais que não podem faltar (moradia, alimentação, transporte, saúde, educação). O que sobra é o máximo que você tem para pagar dívidas sem virar inadimplente.

4. Negocie com o banco antes de atrasar. Muita gente só procura o banco depois que já está no negativo. O momento certo de negociar é antes. Ligue, use o aplicativo, vá presencialmente. Peça reduzir juros, alongar prazo ou parcelar o saldo do cartão em uma linha mais barata.

5. Considere trocar dívida cara por dívida mais barata — com cabeça fria. Se você tem acesso a uma linha de juro mais baixo e ela realmente reduz o custo total (não apenas a parcela), pode fazer sentido usar para quitar o rotativo do cartão. Mas só funciona se você parar de gerar nova dívida no cartão. Trocar por trocar, sem mudar o comportamento, só empurra o problema.

6. Use canais oficiais em caso de superendividamento. Se as dívidas ultrapassaram sua capacidade de pagar, existem instrumentos de proteção previstos em lei. O Procon, a Defensoria Pública e o próprio site oficial do consumidor endividado do governo federal orientam gratuitamente. Nunca pague empresa que promete "limpar seu nome" mediante depósito adiantado — isso é golpe.

7. Monte um colchão, por menor que seja. Depois de organizar as dívidas, comece a guardar mesmo que sejam 50 ou 100 reais por mês. A próxima emergência vai chegar — o carro que quebra, o remédio que sobe, o mês em que o trabalho aperta. Ter uma reserva mínima é o que impede você de recorrer ao rotativo do cartão de novo.

O que esperar dos próximos meses

O cenário de crédito depende de várias variáveis que ninguém controla sozinho: inflação, política de juros do Banco Central, comportamento do mercado de trabalho, endividamento das famílias. O que já sabemos, pelos dados oficiais, é que os juros ao consumidor estão em movimento de alta e a inadimplência já bateu em 6%. Enquanto esse quadro não mudar, a palavra de ordem é cautela.

Isso não significa parar de usar crédito. Significa usar com inteligência. Priorizar linhas mais baratas (como o consignado, quando faz sentido), fugir do rotativo do cartão sempre que possível, comparar CET antes de assinar qualquer contrato e manter uma reserva mínima para não depender do cheque especial em cada aperto.

O trabalhador CLT, o aposentado do INSS e a família de baixa renda são exatamente o público que mais sente a alta dos juros no dia a dia — porque têm menos margem para absorver aumento de parcela. É por isso que informação, aqui, vale dinheiro. Quem entende o que está acontecendo com o crédito toma decisões melhores e evita entrar na estatística dos 6%.

Próximo passo prático: ainda hoje, pegue papel e caneta (ou o app do banco) e liste todas as suas dívidas com valor, parcela e taxa. Só esse exercício, sem custo nenhum, já coloca você à frente da maioria das pessoas que estão sofrendo com o aumento dos juros — porque a maior parte do prejuízo vem justamente de não saber, com clareza, quanto se deve e para quem.

Referências

  • Banco Central do Brasil — Estatísticas monetárias e de crédito

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